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Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira 

APOSTILA N. 18/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 270 PAGINAS. 

Apostila 18

Estudando sobre a Igreja
CONSAGRADO PARA CUIDAR
Parte I

O captulo 8 de Levtico  o cumprimento da ordem dada em xodo 29 em relao  consagrao dos sacerdotes (cohanim), Aro e seus filhos, dada por Moiss, o libertador
e lder do povo de Israel.  um ato de extrema seriedade que descreve, de modo grfico a responsabilidade dos consagrandos, que eram os guardies espirituais do 
povo de Deus.

Deste ato distante de ns cerca de 3.300 anos, desejamos extrair lies para o ministro do sculo 21, tarefa esta do intrprete da Bblia Sagrada. 

O Ato de Consagrao

O ritual  um sacrifcio de comunho com a funo especial de consagrar. A cerimnia pode ser dividida em quatro partes:

vv. 1-13
Purificao, Vestidura, Uno dos Consagrandos
vv. 14-17
Oferta pelo pecado dos Sacerdotes
vv. 18-21
Oferta queimada
vv. 22-36
Oferta de paz
Uma anlise da liturgia nos mostra em primeiro lugar o oferecimento de uma oferta pelo pecado, que seria totalmente consumida de acordo com as instrues do captulo 
4 do mesmo livro; e o oferecimento de dois carneiros. O primeiro seria oferecido em holocausto, de acordo com o captulo 1. O segundo, porm tem uma parte especialssima 
na cerimnia, razo porque  chamado de "o carneiro da consagrao", conforme o verso 22 deste captulo 8.

L-se no verso 23 que houve aplicao do seu sangue a algumas partes do corpo dos consagrandos. Este sangue foi usado para trazer Aro e seus filhos a um estado 
sem igual de santidade.

O restante do sangue ser jogado ao redor do altar, estabelecendo com este ato um relacionamento especial entre o altar, smbolo do ministrio, e os ordenandos, 
agentes desse ministrio.

As partes do corpo tocadas pelo sangue so orelha, mo e p. Esse toque pelo sangue lava-os e dedica-os simbolicamente ao Senhor. Quer tambm dizer que o ministro 
de Deus ouvir e obedecer, e suas mos e ps serviro ao Senhor. 

As lies so extraordinrias:

O OUVIR (v. 23)

O ministro de Deus h de ouvir corretamente. Referimo-nos  conversao pastoral, chamada por alguns de Clnica Pastoral no gabinete, na visitao ou informalmente. 
No a confunda, porm, com aquilo que jocosamente chamam de "papoterapia".

Como ministro de Deus e da Igreja de Jesus Cristo, voc deve conhecer exatamente o papel que lhe corresponde. No ser um profissional da psicologia, da psicanlise 
ou das variadas terapias oferecidas  clientela. E, no entanto, seu ministrio de ouvir  comparvel ao do psicoterapeuta, do conselheiro matrimonial, ou do psiclogo. 
Muito de seu trabalho tem a ver com ouvir-e-aconselhar. Entretanto, voc no receber honorrios pelo aconselhamento, nem far contrato de trabalho para isso. Voc 
 um ministro de Deus e ser procurado no por um paciente ou cliente, mas por uma ovelha sua, ou um semelhante seu que precisa de ajuda. 

H quem apenas deseja falar, conversar; d ouvidos, pois para isso sua orelha foi ungida. H quem queira injees de otimismo cristo, de esperana. H quem tenha 
srios sentimentos de culpa, de rejeio. H quem precise ser confrontado. Uma coisa, porm,  certa: voc tem autoridade dada por Deus e pela igreja que o chamou 
para dar esse conselho, essa exortao ou esse confronto.

O ministro de Deus deve ouvir corretamente. Assim, voc precisa ouvir o que est por trs das palavras. Palavras ditas, palavras no ditas, e palavras em suspenso. 
Talvez os lbios digam algo, mas a expresso facial, as mos, a expresso corporal digam outra. Voc precisa "ouvir" corretamente os sentimentos de quem est  sua 
frente.

Na Clnica Pastoral, oua bastante antes de opinar. Leve a ovelha a falar; viva a situao do outro. Voc  chamado a um ministrio de simpatia, de carinho, de afeio 
e de amor. Sobretudo quando voc  enrgico!

Desde que voc comea a ouvir, est fazendo Psicoterapia Pastoral. Isso  afirmado pelo Dr. Wayne Oates, autor ou co-autor de mais de quarenta livros e por muitos 
anos professor de Aconselhamento Pastoral (Pastoral Care), no The Southern Baptist Theological Seminary em Louisville. Voc  visto dentro de um esquema todo especial: 
h um significado simblico em voc como ministro de Deus. O pastor, por exemplo,  um ponto de referncia na igreja para o povo de Deus. Ele simboliza e representa 
a comunidade crist, e  agente dessa comunidade de Cristo, de Deus. 

H muita esperana quando algum procura o pastor. Por essa razo,  terrvel, medonho mesmo, quando as palavras do pastor so divinas, mas seus hbitos de vida 
contradizem essa dimenso... Voc representa e simboliza muito mais do que voc mesmo: voc representa o Pai, voc leva a palavra de Cristo e o faz sob a direo 
do Esprito Santo. Quem vai ao seu gabinete espera e deve sair abenoado. Voc vai ouvir confisses, vai ouvir palavras de arrependimento. Mas no pressione: ajude 
no processo de crescimento.

O TOCAR (v. 23)

O ministro de Deus  ungido na mo para tocar vidas. Estamos nos referindo, ento,  influncia. Voc vai tocar muitas vidas e deve faz-lo com cuidado e leveza. 

Use suas mos para abenoar a criana, o jovem, o adulto, o idoso. E faa-o com carinho. Leve-os  conscincia do santo, lembrando ao crente em Jesus Cristo que 
a rigor, para o povo de Deus, no existem espaos separados, compartimentos estanques entre o secular e o religioso, o sagrado e o profano, pois a vida pblica, 
social, civil do crente em Jesus Cristo h de ser normatizada pelo senso do santo. 

Leve-os ao senso da providncia,  f,  gratido, ao arrependimento,  comunho,  vocao. Voc h de tocar vidas; h de xer com as emoes das pessoas: raiva, 
medo, alegria. Voc vai lidar com almas enfermas. So doenas do comportamento, mazelas do esprito, enfermidades psicossomticas.

Voc ter um ministrio a desempenhar nas crises. Crise  qualquer acontecimento que ameace o bem-estar de uma pessoa, e interfira na sua rotina de vida. O nascimento 
de uma criana, a morte de um parente, o fim de um casamento, o desemprego, a aposentadoria so crises . Voc h de entrar em contato e reduzir a ansiedade, encorajando 
a pessoa a agir. Lembre-se de que cada situao de crise  nica, sem igual. Ou como o povo diz, "Cada caso  um caso".

Voc h de tocar vidas em diferentes nveis de cuidado pastoral: o Nvel da Amizade; o Nvel do Conforto; o Nvel da Confisso, o Nvel do Ensino e o Nvel do Aconselhamento 
e Psicoterapia. Devo estas classificaes ao Dr. Oates. H pessoas aflitas que necessitam de apoio; h aqueles enfrentando a morte que precisam do poder espiritual 
que o pastor representa; h pessoas com enfermidades crnicas; h deficientes fsicos; h famlias com filhos com dficit mental; h os deprimidos e os desapontados 
com o amor ou outra causa. Todos estes esto no Nvel de Conforto. H o jovem solteiro, os jovens casados, o adulto de meia-idade, a viva, a me solteira, o separado/desquitado/di
vorciado, o hospitalizado, todos em diferentes nveis do seu cuidado pastoral.

O ANDAR (v. 23)

O ministro de Deus  ungido no p para andar santamente. Estamos falando de tica. Para isso, necessria  a ajuda do Esprito Santo. Se voc no tem a ajuda do 
Esprito de Deus para crescer na graa e na maturidade, vai ser difcil entender a Bblia, impossvel aplic-la s vidas, ser um problema conviver com as ovelhas, 
e terrvel dominar atitudes internas. 

Mais do que nunca,  preciso ser imitador de Cristo. Para s-lo, porm,  preciso andar no Esprito, andar santamente. E andar santamente exige anlise freqente 
de ns mesmos, submisso do eu a Deus, e plenitude do Esprito Santo, que  o Seu controle em nossas vidas. 

Voc h de visitar. Ir a muitos lugares e lares. H dois tipos de visitas: as regulares e as de emergncia. No visite s nas crises: voc precisa visitar o seu 
rebanho em tempos de paz. Seja tico, ento, quanto ao que ouve, v e aconselha. 

CONCLUSO

O final da narrao de Levtico 8 registra a obedincia dos consagrandos, Aro e filhos. Isso nos ensina que consagrao  entrega absoluta marcada pela obedincia 
irrestrita s ordens de Deus. 

Nossa orao  que nosso ministrio seja pontuado agora, hoje, sempre pela disciplina, obedincia, entrega e consagrao total quele que  o Mestre de nossas vidas, 
Senhor do nosso futuro, Salvador de nosso ser. 

A Catedral

Uma catedral para a honra e a glria
de nosso Senhor Jesus Cristo
se constri momento a momento
 medida que uma mo se estende
e toca outra mo
com amor humano, 
e  medida que um corao responde
em amor a outro corao
capacitado pelo Esprito Santo 
para anelar, escutar, elevar 
e amar-nos uns aos outros.
Para que todos, em todo lugar
possamos oferecer outros dons
que Deus nos tem dado:
Integridade nas relaes,
Alegria e paz na fidelidade,
Fortaleza para fazer por meio da igreja,
Mais do que pedimos ou imaginamos.

Margaret Shannon

Parte II
LEVANDO A SRIO A CEIA DO SENHOR 
 
"Porque eu recebi do Senhor o que tambm vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi trado, tomou o po; e, havendo dado graas, o partiu e disse: Isto 
 o meu corpo que  por vs; fazei isto em memria de mim. Semelhantemente tambm, depois de cear, tomou o clice, dizendo: Este clice  o novo pacto do meu sangue; 
Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memria de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste po e beberdes do clice estareis anunciando a morte do Senhor, 
at que ele venha. De modo que qualquer que comer do po, ou beber do clice do Senhor indignamente, ser culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, 
o homem a si mesmo, e assim como do po e beba do clice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua prpria condenao, se no discernir o corpo do Senhor" (1Co 
11.23-29).

A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual, profundo, reverente e cheio de certeza, alm do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem 
silenciosa porm plena de energia. Temos o po e o vinho, elementos simples, porm altamente destacados nesta celebrao. E nesta simplicidade, ela se torna um meio 
de comunicao de algumas importantes mensagens para o povo de Deus. Quando levamos a srio a celebrao da Ceia do Senhor, usamos de determinadas linguagens:

A LINGUAGEM DE COMEMORAO (v.25)

Paulo diz isso: "Semelhantemente tambm, depois de cear, tomou o clice, dizendo: Este clice  o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, 
em memria de mim", ou seja, "para que pensem novamente em mim." 

A presena de Jesus Cristo  algo extraordinrio na vida crist. Pela inspirao do Esprito de Deus, at mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura 
Sagrada. Aqui, apenas uma filigrana lingstica: na lngua hebraica, a palavra que significa "manifestao de Deus, presena divina"  shekinah, a gloriosa presena 
de Deus no meio do Seu povo. Cada vez que a glria do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel, fosse no deserto, em Cana, ou nas grandes batalhas, sempre 
era celebrada a manifestao da shekinah divina (cf. Sl 78.60; Is 18.1; 22.19). 

Quando Joo escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome, ele disse "E o Verbo se fez carne, e habitou entre ns, cheio de graa e de verdade"; 
a palavra grega utilizada no  do hebraico:  grega, tem outra origem. O impressionante, no entanto,  que o vocbulo utilizado por Joo para dizer, "o Verbo habitou, 
marcou presena, manifestou-se entre ns",  a palavra grega que diz skin. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do grego s ki n. As duas palavras tm praticamente 
o mesmo radical. Coincidncia, ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado?

Para que se manifeste a glria de Deus, e para que pensemos nEle,  que a Ceia do Senhor  celebrada por Sua Igreja. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanas, e 
somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. So ordenanas sem qualquer benefcio acessrio para a salvao. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo, na verdade 
no precisa, para acrescentar algum valor maior  salvao, do Batismo. O malfeitor da cruz no precisou se batizar, mas j estava com Jesus Cristo no paraso aps 
a crueldade daquele momento. 

A outra ordenana  a Ceia do Senhor. Ento, quando observamos a Ceia do Senhor, fazemos algo pelo Senhor, no por ns ou pelos outros, mas pelo Senhor, porque estamos 
pregando o Seu sacrifcio para a salvao de todo aquele que cr. Estamos dizendo isso quando tomamos o po nas mos, que  o corpo de Jesus Cristo que sofreu no 
Calvrio; e quando tomamos o clice, dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por ns. Estamos pregando a mensagem de livramento de redeno para todo 
o que cr!

Como precisamos de memoriais! Sim; precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos, daquilo que somos, porque estamos aqui, e aonde estamos indo. Quando 
nosso pas joga na Copa, os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados:  a bandeira do Brasil sendo desfraldada. E no existe sentimento maior, e quem 
j passou por isso o sabe, que estar num outro pas, e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. Isso se chama filia, o amor 
cvico, patritico. No  doena, no:  patriotismo mesmo! 

Sim; precisamos de memoriais. Quando se ouve o nome de Maria Quitria, logo lembramos do Dois de Julho, a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal, lembramos 
a aliana. Com certeza: precisamos de memoriais. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdo. Por essa razo, temos o memorial da Ceia do Senhor. 
 isso o exatamente o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida atravs da morte de Jesus Cristo. Assim, quando nos reunimos seriamente para celebrar 
este ato memorial, utilizamos a linguagem da comemorao. 

A LINGUAGEM DA COMUNHO (vv. 17-20)

Paulo disse: "Nisto, porm, que vou dizer-vos no vos louvo; porquanto vos ajuntais, no para melhor, mas para pior" (v. 17). Aconteceu, infelizmente, com a igreja 
de Corinto, que se reuniu no para o melhor, mas para o pior; reunia-se para a indignidade. No confundamos as coisas: quando falamos de comunho, no estamos falando 
de encontro sobrenatural, mstico; no estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo atravs do Nirvana, como querem pregar as religies orientais; no estamos tendo 
uma viso, no; no  comunicao com um morto como querem ensinar por a, no! A Palavra nos ensina que a Ceia do Senhor  um memorial. No h comunho fsica, 
ao se participar da Ceia do Senhor, entre o homem pecador e o Deus perfeito, mas uma comunho espiritual, sem dvida, pela lembrana de Cristo na cruz, se a levamos 
a srio.

Ao longo destes 39 anos de ministrio da palavra e das ordenanas, ainda me emociono quando participo da Ceia do Senhor! E cada vez que seguro o po, e o parto na 
frente dos irmos, eu me emociono, porque me vem  mente que sou indigno pecador, e que pela graa de Deus fui feito Seu filho! Lembro-me, quando tomo a jarra de 
vinho, e derramo um pouco no clice, de que fico com as mos trmulas; so 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente ms a ms (e houve poca quando o fiz 
duas vezes no ms), mas ainda hoje tremo quando tenho na minha memria e corao a cena de Jesus Cristo no Calvrio, e o Seu sangue escorrendo pelas mos, pela Sua 
testa, pela face, e pelo tronco da cruz... 

Sim; h uma comunho espiritual pela lembrana de Cristo na cruz, e pela nossa identificao com essa cruz: a minha cruz, no de Cristo, mas a minha cruz!

H uma comunho entre os crentes na Ceia Memorial, mas no  comunho-de-cafezinho! Por isso, Paulo est preocupado, e diz "Mas, se algum quiser ser contencioso, 
ns no temos tal costume, nem tampouco as igrejas de Deus. Nisto, porm, que vou dizer-vos no vos louvo; porquanto vos ajuntais, no para melhor, mas para pior". 

Havia divises na igreja de Corinto quanto a questes de doutrina. A igreja estava seccionada por causa de trajes (captulo 11)?! Havia divises por causa de uma 
doutrina (cf. captulos 12 e 14); E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor no  para isso, porque a tomamos agora, e se no temos 
essa impresso profunda, sairemos com a mesma amargura e rancor com que entramos. A conduta dos irmos de Corinto destrua o propsito da igreja, e o propsito da 
Ceia! O que Paulo est enfatizando  a harmonia da Ceia, a qualidade de vida espiritual, a unidade da igreja, e quando celebramos com seriedade a Ceia,  isso o 
que estamos proclamando! 

A LINGUAGEM DA CONSAGRAO (vv. 27-29)

Quando celebramos a Ceia usamos esse tipo de linguagem. "De modo que qualquer que comer do po, ou beber do clice do Senhor indignamente, ser culpado do corpo 
e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do po e beba do clice". 

Interessante que a Ceia do Senhor no torna ningum melhor: ningum vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. E, no entanto, h um paradoxo: o irmo pode sair 
pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente!  o que Paulo diz, por essa razo  dever de cada um solene e seriamente examinar-se sobre quais so os seus interesses 
e propsitos quando se aproxima da Mesa do Senhor. Veja bem a seriedade de seus objetivos.

Estive lendo sobre os levitas e sacerdotes (Nmeros 3 e 4). Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislao, como eram as normas no acampamento de Israel 
no deserto: somente podiam se aproximar dos mveis os sacerdotes, nem os levitas que eram os seus auxiliares. 

Quando havia necessidade de desmontar o tabernculo para se transferirem para outro lugar, os sacerdotes entravam, embalavam os mveis, com vrias camadas de tecidos 
(e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade do objeto), e depois que tudo era embalado, e ningum via a forma do objeto, os levitas pegavam o pacote 
e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte pelo deserto. E sempre  lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar ser morto" (Nm 3.10, etc.). 

Os levitas funcionavam, entre outros deveres, como guardas de segurana do tabernculo. A lei no era fcil: era marcial, lei de guerra! O "estranho" no era o pago, 
no; era o prprio povo de Israel. S que h uma diferena muito grande: na Igreja Crist o pastor no  o sacerdote, e os outros, o "povo"! Na Igreja de Cristo 
fomos todos elevados ao sacerdcio, por isso podemos nos aproximar dos objetos, da Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmo vier  Mesa do Senhor com as mos 
sujas, "ser culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11.27b)! O irmo no sai melhor, mas pode sair pior do santurio. Quanto seriedade  exigida dos participantes?!

Ento, estou vindo com f na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreio de Jesus Cristo? So perguntas que tenho que fazer!  Jesus realmente 
o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus, e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia, minha vida  digna da comunho com os outros crentes? Permanece a minha 
aliana com o Deus vivo? Se no conheo a Jesus Cristo, como posso me lembrar dEle? 

Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer trs perguntas: 
 Que  que eu sou? Filho de Deus, salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? 
 Que  que eu tenho feito? Minhas mos esto limpas, ou manchadas. Meu corao est limpo, ou borrado, sujo? 
 Que  que eu desejo? Quais os meus sonhos e vises, que almejo na Causa de Jesus Cristo? 

No  srio? Ento, devemos dar graas a Deus pelo privilgio de termos um dilogo com a Ceia do Senhor, e, assim, que venhamos  mesa do Senhor em esprito de comemorao 
porque essa  a linguagem que falamos agora, em comunho espiritual porque essa  a realidade que vivemos agora, e consagrao pessoal porque esse  o propsito, 
o objetivo, o alvo de nossa vida sempre. E lembrando, sobretudo, que a Ceia do Senhor no  um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor  uma celebrao 
de f, de alegria, de esperana porque ns olhamos para o dia da volta de nosso Senhor Jesus Cristo!

Parte III
O DILOGO DA CEIA DO SENHOR 
 
Porque eu recebi do Senhor o que tambm vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi trado, tomou o po; e, havendo dado graas, o partiu e disse: Isto 
 o meu corpo que  por vs; fazei isto em memria de mim. Semelhantemente tambm, depois de cear, tomou o clice, dizendo: Este clice  o novo pacto do meu sangue; 
Fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memria de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste po e beberdes do clice estareis anunciando a morte do Senhor, 
at que ele venha. De modo que qualquer que comer do po, ou beber do clice do Senhor indignamente, ser culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, 
o homem a si mesmo, e assim como do po e beba do clice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua prpria condenao, se no discernir o corpo do Senhor" (1Co 
11.23-29).
A Ceia Memorial tem sido celebrada num ambiente espiritual, profundo, reverente e cheio de certeza, alm do destaque que a Ceia do Senhor nos fala numa linguagem 
silenciosa porm plena de energia. Temos o po e temos o vinho, elementos simples e destacados nesta celebrao. E nesta simplicidade, ela se torna um meio de comunicao 
de algumas importantes mensagens para o povo de Deus.

A LINGUAGEM DE COMEMORAO (v.25)

Paulo diz isso: "Semelhantemente tambm, depois de cear, tomou o clice, dizendo: Este clice  o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, 
em memria de mim", ou seja, "para que pensem novamente em mim". 

 extraordinria a presena de Jesus Cristo na vida crist. Pela inspirao do Esprito de Deus, at mesmo a escolha de certas palavras tem o seu lugar na Escritura 
Sagrada. Aqui, apenas uma filigrana lingstica: na lngua hebraica, a palavra que significa "manifestao de Deus, presena divina"  shekinah, a gloriosa presena 
de Deus no meio do Seu povo. Cada vez que a glria do Senhor se manifestava no meio do povo de Israel, fosse no deserto, em Cana, ou nas grandes batalhas, sempre 
era celebrada a manifestao da shekinah divina (cf. Sl 78.60; Is 18.1; 22.19). 

Quando Joo escreveu a narrativa que abre o Evangelho que leva o seu nome, ele disse "E o Verbo se fez carne, e habitou entre ns, cheio de graa e de verdade"; 
a palavra grega utilizada nada tem a ver com o hebraico:  outra lngua, outra origem, no tem a mesma categoria, inclusive lingstica. Pois bem, a palavra que 
Joo utilizou para dizer "o Verbo habitou, marcou presena, manifestou-se entre ns",  a palavra grega que diz skin. Percebam o som do hebraico sh ki nah e do 
grego s ki n. As duas palavras tm praticamente o mesmo radical. Coincidncia, ou vontade de Deus que as palavras assemelhadas fossem usadas pelo escritor sagrado?

Para que se manifeste a glria de Deus, e para que pensemos nEle,  que a Ceia do Senhor  celebrada por Sua Igreja. Jesus Cristo estabeleceu duas ordenanas, e 
somente duas: o Batismo e a Ceia Memorial. So ordenanas sem qualquer benefcio acessrio para a salvao. Uma pessoa em sendo salva por Jesus Cristo, na verdade 
no precisa do Batismo para acrescentar algum valor maior  salvao. O malfeitor da cruz no precisou se batizar, mas j estava com Jesus Cristo no paraso aps 
aquele momento cruel. No  preciso, mas o batismo  um ato de obedincia: Jesus at foi batizado por Joo, e mandou que a Igreja praticasse o batismo, o que fazemos 
como testemunho pblico do que Jesus Cristo fez na nossa vida.

A outra ordenana  a Ceia do Senhor. Ento, quando observamos a Ceia do Senhor, fazemos algo pelo Senhor, no por ns ou pelos outros, mas pelo Senhor, porque estamos 
pregando a Sua morte para a salvao de todo aquele que cr. Estamos dizendo isso quando tomamos o po nas mos, que  o corpo de Jesus Cristo que sofreu no Calvrio; 
e quando tomamos o clice, dizemos que o sangue de Jesus Cristo foi derramado por mim e por voc, por ns. Estamos pregando a mensagem de livramento de redeno 
para todo o que cr!

Como precisamos de memoriais! Sim; precisamos de memoriais para que nos lembremos de quem somos, daquilo que somos, porque estamos aqui, e aonde estamos indo. Quando 
nosso pas joga na Copa, os memoriais brasileiros se apresentam por todos os lados:  a bandeira do Brasil sendo desfraldada. E no existe sentimento maior que estar 
em outro pas, e se emocionar com o verde-amarelo tremulando nos mastros com outras bandeiras. Isso se chama filia, o amor cvico, patritico. 

Sim; precisamos de memoriais. Quando se ouve o nome de Maria Quitria, logo lembramos do Dois de Julho, a data principal da Bahia! Falamos de amor conjugal, lembramos 
a aliana. 

Sem dvida, precisamos de memoriais. Temos que lembrar da nossa indignidade e da beleza do perdo. Por essa razo, temos o memorial da Ceia do Senhor.  isso o exatamente 
o que faz a Ceia do Senhor: ela nos relembra o dom da vida atravs da morte de Jesus Cristo. Assim, quando nos reunimos para a Ceia, ela utiliza a linguagem da comemorao. 

A LINGUAGEM DA COMUNHO (vv. 17-20)

Paulo disse: "Nisto, porm, que vou dizer-vos no vos louvo; porquanto vos ajuntais, no para melhor, mas para pior" (v. 17). Isso aconteceu, infelizmente, com a 
igreja de Corinto, que se reunia para a indignidade. Que coisa triste, reunirem-se os nossos irmos para atos indignos!

No confundamos as coisas: quando falamos de comunho, no estamos falando de encontro sobrenatural, mstico; no estamos dizendo que nos unimos a Jesus Cristo atravs 
do Nirvana, como querem pregar orientais; no estamos tendo uma viso, no; no  comunicao com um morto como querem ensinar por a, no! 

 por esses erros todos que doutrinas estranhas surgiram ao longo da histria da Igreja Crist. Como a transubstanciao, ensinando que no momento em que so pronunciadas 
as palavras de instituio ("isso  o meu corpo" e "isso  o meu sangue") que tanto o po quanto o vinho mudam a sua substncia, e as suas substncias tornam-se, 
respectivamente, a da carne e do sangue de Jesus Cristo! O Senhor tenha piedade! Isso no se encontra na Escritura?! A comunho com Cristo no necessita que a substncia 
desses elementos materiais seja mudada.
O Novo Testamento nos ensina que a Ceia do Senhor  um memorial. No h comunho fsica, ao se participar da Ceia do Senhor, entre o homem pecador e o Deus perfeito, 
mas uma comunho espiritual, sem dvida, pela lembrana de Cristo na cruz.

Ao longo destes quase quarenta anos de ministrio da palavra e das ordenanas, tenho me emocionado sempre que participo da Ceia Memorial! E cada vez que seguro a 
cdea de po, e o parto na frente dos participantes, eu me emociono, porque me vem  mente que sou indigno pecador, e que pela graa de Deus fui feito Seu filho! 
Lembro-me, quando tomo esta jarra de vinho, e derramo um pouco no clice, fico com as mos trmulas ainda; so 39 anos celebrando a Ceia do Senhor praticamente ms 
a ms (e houve poca quando o fiz duas vezes no ms), mas ainda hoje tremo quando tenho na minha mente e corao a cena de Jesus Cristo no Calvrio, e o Seu sangue 
escorrendo pelas mos, pela Sua testa, pela face, e pelo tronco da cruz... Sim; h uma comunho espiritual pela lembrana de Cristo na cruz, e pela nossa identificao 
com essa cruz: a minha cruz, no de Cristo, mas a minha cruz!

H uma comunho entre os crentes, mas no  comunho-de-cafezinho, porque a Ceia do Senhor no  isso! Por isso, Paulo est preocupado, e diz "Mas, se algum quiser 
ser contencioso, ns no temos tal costume, nem tampouco as igrejas de Deus. Nisto, porm, que vou dizer-vos no vos louvo; porquanto vos ajuntais, no para melhor, 
mas para pior". Terrvel! 

Havia divises na igreja de Corinto quanto a questes de doutrina. A igreja estava dividida por causa de uma doutrina (cf. captulos 12 e 14); havia divises por 
causa de trajes (captulo 11)?! E depois todos queriam se reunir para "tomar cafezinho"?! A Ceia do Senhor no  para isso, no! Porque tomamos agora, e se no temos 
essa impresso profunda, sairemos de novo com a mesma raiva e amargura do nosso irmo em Jesus Cristo! A conduta dos irmos de Corinto destrua o propsito da igreja, 
e o propsito da Ceia! O que Paulo est enfatizando aqui  a harmonia da Ceia, a qualidade de vida espiritual,  a unidade da igreja, e quando celebramos a Ceia, 
 isso o que estamos dizendo! 

A LINGUAGEM DA CONSAGRAO (vv. 27-29)

Quando celebramos a Ceia usamos essa linguagem. "De modo que qualquer que comer do po, ou beber do clice do Senhor indignamente, ser culpado do corpo e do sangue 
do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do po e beba do clice". Interessante que a Ceia do Senhor no torna ningum melhor. Na verdade, ningum 
vai sair melhor porque tomou a Ceia do Senhor. E agora o paradoxo: o irmo pode sair pior se tomou a Ceia do Senhor indignamente!  o que Paulo diz, por essa razo 
 dever de cada um solene e seriamente examinar-se sobre quais so os seus interesses em Jesus Cristo. Voc participou da Ceia s porque os outros iam ver, e voc 
ia ficar com vergonha se ficasse sentado e no participasse? Quais so seus propsitos quando se aproxima da Mesa do Senhor?

Estive lendo sobre a congregao dos levitas e sacerdotes (Nmeros 3 e 4). Fiquei arrepiado! Que coisa impressionante a legislao, como eram as normas no acampamento 
de Israel no deserto: somente podiam se aproximar dos mveis os sacerdotes, nem os levitas quer eram os seus auxiliares. Quando havia necessidade de desmontar o 
tabernculo para ir para outro lugar, os sacerdotes entravam, embalavam os mveis, com vrias camadas de tecidos (e de cores diferentes para mostrar o grau de santidade 
do objeto), e depois que tudo era embalado, e ningum via a forma do objeto, os levitas pegavam o pacote e faziam o carregamento nos carros de boi para o transporte 
pelo deserto. E sempre  lembrado o seguinte: "e o estranho que se chegar ser morto" (Nm 3.10, etc.). Os levitas funcionavam, entre outros deveres, como guardas 
de segurana do tabernculo. 

A lei no era fcil: era marcial, lei de guerra! O "estranho" no era o pago, no; era o prprio povo de Israel. S que h uma diferena muito grande: na Igreja 
Crist o pastor no  o sacerdote, e os outros, o "povo"! Na Igreja de Cristo fomos todos elevados ao sacerdcio, por isso podemos nos aproximar dos objetos, da 
Mesa do Senhor! Mas tem uma coisa: se o irmo vier  Mesa do Senhor com as mos sujas, "ser culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Co 11.27b)! O irmo no sai 
melhor, mas pode sair pior do santurio.

Ento, estou vindo com f na morte de Jesus Cristo? Vivo diariamente pelo poder da ressurreio de Jesus Cristo? So perguntas que tenho que fazer!  Jesus realmente 
o alimento da minha alma? Sou eu um dos Seus, e sou eu um com os Seus? Estou em harmonia, minha vida  digna da comunho com os outros crentes? Permanece a minha 
aliana com o Deus vivo? Se no conheo a Jesus Cristo, como posso me lembrar dEle? 

Por isso que Phillip Henry diz que o crente quando for participar da Ceia deve fazer trs perguntas: 
 Que  que eu sou? Filho de Deus, salvo pelo sangue de Jesus? Lavado pelo Seu sangue? 
 Que  que eu tenho feito? Minhas mos esto limpas, ou manchadas. Meu corao est limpo, ou borrado, sujo?  Que  que eu desejo? Quais os meus sonhos e vises, 
que almejo na Causa de Jesus Cristo? 

Ento, devemos dar graas a Deus pelo privilgio de termos um dilogo com a Ceia do Senhor, e, assim, que venhamos  mesa do Senhor em esprito de comemorao porque 
essa  a linguagem que falamos agora, em comunho espiritual porque essa  a realidade que vivemos agora, e consagrao pessoal porque esse  o propsito, o objetivo, 
o alvo de nossa vida sempre. E lembrando, sobretudo, que a Ceia do Senhor no  um funeral (para que cara triste?): a Ceia do Senhor  uma celebrao de f, de alegria, 
de esperana porque ns olhamos para aquele dia! Que o Senhor nos ajude e abenoe!

Patte IV
VESTIMENTA NA IGREJA 
Introduo:
"Nesta casa no tem moda, tem recato". Fao minhas as palavras da personagem de Tarcsio Meira na srie Um s Corao, da Rede Globo, para asseverar a minha convico 
espiritual em relao a vestimenta do cristo verdadeiro, pois creio que na igreja de Jesus Cristo no deve existir a preocupao exagerada com a moda, mas sim com 
o recato e o decoro que devem ser peculiares aos santos.
H algum tempo temos alertado a igreja sobre esta questo, mas parece que no temos sido bem-sucedido nestes alertas, razo pela qual decidimos tratar francamente 
deste assunto com toda a igreja.

No pretendemos desenvolver um tratado teolgico sobre o tema e nem desejamos agir com rigorismo em termos de usos e costumes. Apenas desejamos apresentar aos irmos 
textos bblicos que devem nortear a nossa experincia de f e de vida crist, causando transformaes radicais em nossas mentes, transformaes essas que nos atribuam 
redobrada autoridade espiritual e testemunhal diante desta gerao corrompida e perversa em que vivemos.

H uma monumental investida contra a moralidade do ser humano, que se reflete na vestimenta. Seja em nome da moda, da liberao feminina, do tropicalismo, da quebra 
dos paradigmas, dos regionalismos ou da libertinagem e do hedonismo peculiar a ps-modernidade. No importa a razo, as pessoas esto cada vez mais nuas. Aquelas 
que insistem em se vestir bem e com decoro, parece que esto ilhadas, ou seja, cercadas de pessoas nuas por todos os lados.

O trgico  reconhecer que esta nudez desenfreada chegou  igreja. Chegou para ficar e se estabelecer como referencial de comportamento cristo, o que  absurdo. 
Porm, em nome de Jesus, mesmo sob a pecha de radical, de retrgrado, de antiquado ou de autoritrio, pretendemos persistir no combate desta maldio, bem como no 
combate de toda a sorte de malignidade que tenta corromper os parmetros de Deus para a santidade do cristo, permanecendo fiel a Cristo e a convico ministerial 
que temos de que a igreja brasileira necessita urgentemente experimentar um avivamento de santidade.

Vejamos no Texto Sagrado alguns ensinamentos bem objetivos sobre a vestimenta do povo de Deus. 

Inicialmente, vejamos algo sobre...

1. A primeira roupa - Gnesis 3.21: 

Vemos que o primeiro a apresentar a preocupao com a vestimenta do ser humano foi o prprio Deus.

Tais vestimentas so precursoras de muitas outras medidas adotadas por Deus, relacionadas a moral e aos bons costumes, visando o bem-estar fsico, social e espiritual 
da humanidade. Medidas que se tornaram necessrias por causa da corrupo imposta pelo pecado  natureza humana.

Nos versos 10 e 11 de Gnesis 3 o homem alega medo de Deus devido a sua nudez. A nudez neste contexto representa a conscincia da corrupo, da quebra de um padro 
estabelecido por Deus. O homem foi criado em santidade e a nudez no lhe causava constrangimento diante do Criador. Mas depois do pecado, uma vez quebrada a imagem 
e semelhana moral de Deus no homem, a nudez passou a ser motivo de medo.

Desta referncia conclumos que estar na presena de Deus consciente da nudez imoral  afronta contra o Senhor.  pecado.

Pior ainda  a seminudez, que instiga e explora a sensualidade, provocando pensamentos impuros e constrangimentos ao desnudo.

Devemos observar que mesmo sob maldio, em pecado, Deus no expulsou o homem do den nu, para a desonra. Deus fez tnicas de peles, verso 21. Ou seja, roupa que 
cobre tudo o que deve ser preservado e que indica parmetros de moralidade e de respeito entre serem humanos.

Em segundo lugar, vejamos algo sobre...

2. As roupas para a adorao - xodo 28.1-4: 

Neste texto Deus exige roupas especiais, roupas de gala, para o sacerdote na ministrao do culto e da adorao.

Se a sua mente tenta justificar a no aplicao deste texto em sua vida, devo ressaltar que a Palavra de Deus assevera que, a partir do sacrifcio de Jesus, com 
o rasgar do vu no templo, todos fomos feitos sacerdotes para Deus, Apocalipse 1.6 e 1 Pedro 2.9.

Adorao  ato de culto.  reconhecimento do carter divino e da santidade do Deus objeto da adorao. Por esta razo, Deus exige roupas especiais para o ato de 
culto verdadeiro.

O princpio que se encerra neste contexto bblico  o de que as vestimentas que usamos no ato de culto devem ser limpas, puras e santificadas, visto que nos aproximaremos 
de Deus, que  santssimo.

O conceito bsico que estabelece os parmetros da vestimenta sacerdotal  o de que as roupas so como referencial de apresentao diante da glria de Deus e para 
a glria do Deus que  adorado. A glria de Deus manifesta  smbolo real e indiscutvel da presena de Deus no culto ministrado diante dele e para ele.

Podemos verificar tambm os versos 31-35 e 39-43 de xodo 28, que fazem referncia aos paramentos e assessrios sacerdotais, destacando a preocupao de Deus at 
com os cales, ou seja, com a roupa ntima do sacerdote, verso 42, indicando que o cuidado de Deus vai alm da roupa aparente.

Pensando ainda em roupas para a adorao, devemos observar ainda os ensinos de Salmos 29.2 e 96.9. As afirmaes destes versos, embora traduzidas como "esplendor 
do seu santurio" ou "esplendor da sua santidade", ou ainda, como "beleza da sua santidade", indicam, em sua idia mais remota, a luz do contexto geral da Bblia, 
que devemos estar bem vestidos, ou seja, trajados com decncia, quando nos apresentamos diante do Senhor para prestar-lhe culto. No podemos estar na Casa de Deus 
com vestimentas que no sejam expresso da nossa busca de santidade, que  o que nos habilita a estarmos diante do Senhor em adorao, Hebreus 12.14. 

Vale ressaltar que o Texto Sagrado alerta at mesmo aqueles que no so servos de Deus e que no tm, por isso, uma experincia ntima com ele, a tomarem cuidado 
com os seus trajes quando estiverem em uma situao que saibam que estaro diante de Deus.

A realidade, amados,  que Deus requer decncia de cada um de ns. Somos os sacerdotes consagrados por ele e para ele. Deus requer moralidade na adorao e na ministrao 
dos cultos, bem como durante os cultos.

Vejamos em seguida algo sobre...

3. Roupas como sinal de reverncia - 2 Reis 5.1-6: 

Reverncia tem a ver com a postura resultante da conscientizao a que chegamos em relao ao valor do outro.

Este texto mostra que Naam ao se dirigir ao servo de Deus, desejando causar boa impresso e agrada-lo, levou roupas finas e luxuosas, roupas de festa. Este gesto 
de Naam aponta para o reconhecimento da superioridade do profeta em relao a ele e para o reconhecimento da soberania de Deus em relao a sua vida e circunstncia.

Naam, o grande general, no entendia bem tudo o que estava acontecendo. Ficou frustrado e aborrecido ao se sentir desprezado pelo profeta, bem como pelo fato de 
o profeta no aceitar os seus presentes. Afinal, eram roupas especiais, com aplicaes em ouro, prata e cravejadas de pedras preciosas. Porm, o seu corao ainda 
era obstinado e Deus conduziu o profeta para que, com aquela atitude, Naam fosse quebrantado, humilhado, curado e salvo.

Desta maravilhosa narrativa bblica fica para ns a seguinte lio: no  molambo, nem trapo velho encardido, nem modismo, nem roupas indecorosas ou falta de roupa 
que se deve levar para a presena do Senhor ou do servo de Deus, que o representa na ministrao para as nossas vidas. 

Devemos ter a conscincia de que estamos diante do prprio Deus e que, por isso, devemos estar bem trajados, levando o melhor possvel, mesmo que com roupas humildes 
e simples, mas com decncia e decoro, mostrando que reconhecemos a superioridade e a soberania de Deus, o Deus que est pronto a nos quebrantar, a nos curar e ministrar 
salvao.

Vejamos ainda algo sobre...

4. Roupas como sinal de restaurao - Lucas 15.21-22: 

Neste texto identificamos duas questes importantes: O filho reconhecendo o seu estado e admitindo a perda da condio de filho e o pai amoroso dando ao filho prdigo, 
em seu retorno, roupas novas, sapatos e um anel. Vamos nos ater as roupas.

A entrega de roupas novas para o filho, "a melhor roupa", indica a transformao de vida que o jovem experimentara. Os farrapos de uma vida dissoluta e distanciada 
de Deus e dos parmetros da moralidade devem ser jogados fora e trocados por vestimentas novas, limpas e decentes.

Quando nos convertemos Deus nos honra e nos d novas vestes, vestes espirituais, que simbolizam a nossa restaurao e a retomada da nossa condio de filhos. Estas 
roupas novas simbolizam o perdo que nos foi outorgado, servindo tambm como prova da nossa aceitao na casa do Pai, bem como da restituio do nosso direito espiritual 
como herdeiros de Deus em Cristo.

Em Jesus no somos mais pessoas separadas de Deus, como que deserdadas por causa do pecado. Em Cristo nos tornamos pessoas especiais, tendo regatado a nossa posio 
espiritual como filhos de Deus, no podemos mais permanecer maltrapilhos, desnudados ou vestidos de maneira indecorosa. A condio de coitado, miservel e nu  para 
aqueles que sero vomitados pelo Senhor devido a mornido espiritual, Apocalipse 3.14-22, em especial osversos 16-18, e no para os filhos que vivem em perfeita 
comunho com o Pai.

Por fim, vejamos algo sobre...

5. O parmetro de Deus para a vestimenta do cristo - 1 Timteo 2.9-10: 

Estes versos falam em trajes decorosos e sem luxria como a vestimenta ideal para o servo de Deus.

Mais uma vez a sua mente, principalmente a dos homens, pode estar tentando se justificar dizendo que o ensinamento paulino no se aplica a voc. Isso no  verdade. 
A exigncia de decoro e de moralidade na vestimenta  para mulheres e homens ao mesmo tempo. O que comprova isso  o contexto geral do captulo, em especial o verso 
8, que exige dos homens um alto padro de santidade para a orao.

Decoro  recato no comportamento e decncia no vestir. Est relacionado com a postura que adotamos para a vida. Luxria  comportamento desregrado em relao a sexualidade. 
 licenciosidade moral que denota a lascvia, que  pecado, e a concupiscncia, que  o desejo de pecar, do indivduo. A luxria se contrape acirradamente ao decoro.

Em contrapartida, Deus exige dos seus filhos uma vestimenta decorosa e isenta de qualquer sintoma de luxria. Ou seja, Deus exige de ns um comportamento recatado 
atravs do qual as pessoas percebam que estamos libertos do desejo de pecar e que fomos restaurados em nossa moralidade, em nosso carter, que  agora santificado 
pela ao do Esprito Santo que em ns habita.

O termo traduzido por "traje decoroso", utilizado por Paulo, no original, ultrapassa a idia de vesturio simplesmente. Paulo usa o termo para fazer referncia tambm 
a moralidade sexual que nos  exigida por Deus e que deve se refletir em nossas roupas.

Nossas roupas indicam se temos maus ou bons costumes morais. A maneira como nos vestimos ressaltam o valor moral que atribumos ao nosso corpo diante de Deus. O 
jeito como nos vestimos reflete a nossa conscincia moral em termos de sexualidade, bem como o nosso senso de preservao da nossa integridade moral. A nossa roupa 
pode refletir o nosso carter. 

O que vestimos mostra o que esperamos que as pessoas pensem de ns em relao a maneira como tratamos a nossa sexualidade. Se nos vestimos com luxria as pessoas 
podero imaginar que somos licenciosos, ou seja, imorais. Se nos vestimos com decoro, por certo as pessoas percebero que ns nos honramos e que lutamos para nos 
preservar em santidade diante de Deus. Isso  verdade desde que no haja falsidade em nossos coraes

A escolha no  muito difcil. Roupas sobrecarregadas de luxria e de sensualidade, que refletem lascvia e libertinagem imoral, ou roupa decorosa, que reflete a 
sua compostura moral e espiritual. Lembre-se; suas roupas, por certo, falaro mais alto do que as suas palavras em meio ao burburinho esganiado da promiscuidade 
na qual chafurda a nossa sociedade. 

Concluso: 

Outros textos poderamos estudar sobre o tema, tais como Joo 19.23-24, que falam das roupas de boa qualidade, de valor e de discreta beleza usadas por Jesus; Apocalipse 
7.9-17, que fala da roupa dos mrtires na glria, que eram as mesmas vestes que usavam aqui na terra, pois no haver tempo para trocar de roupa antes de entramos 
no cu; e Apocalipse 16.15, que descreve o fato de termos as roupas sempre  mo como sinal de preparo espiritual para o encontro com Jesus, mas creio que j vimos 
o bastante para estabelecermos parmetros ticos para a nossa igreja, no que diz respeito a nossa vestimenta.

Talvez voc esteja se perguntando: Onde se pretende chegar com este estudo? Ou quem sabe voc esta ruminando com os seus botes... "J at sei qual vai ser o resultado 
disso". No importa. No nos preocupa nem mesmo o fato de voc pensar que este assunto no deveria ser tratado na igreja. 

Mas devemos tratar destas questes na igreja sim, visto que imoralidade, promiscuidade, lascvia, explorao da sensualidade na vestimenta e o cinicamente chamado 
nu artstico so aes malficas do diabo contra a natureza humana e a sociedade. O resultado dessas estratgias diablicas tem sido a violncia sexual contra as 
crianas, a gravidez na adolescncia, a prostituio desenfreada, a banalizao do adultrio, a aceitao parcimoniosa do divrcio e, como decorrncia, famlias 
destroadas. O resultado da imoralidade no vestir  uma sociedade corrompida, desigual e agonizante como percebemos a nossa. Ser mesmo que no temos razes que 
justificam estudar este tema?

Vale ressaltar ainda que este estudo, embora de cunho tico,  tambm evangelstico. Pois apresenta o evangelho verdadeiro, sem ajustes humanos, sem relativizaes 
ticas e sem a tentativa de se fazer a vontade humana. Este estudo apresenta o evangelho que  a luta por se fazer a vontade de Deus, que nos quer santos para ele 
e santificadores pelo testemunho cristo autntico. Se voc procura outro evangelho que no o de Jesus Cristo, bateu no estudo errado. A igreja de Cristo no  o 
seu lugar.
Por fim, vamos ao objetivo deste estudo que no  nada que a igreja j no saiba, pois em diversas ocasies manifestamos nossa posio bblica sobre a questo da 
vestimenta do cristo, como j dissemos neste estudo.

Uma vez realizado o estudo, nossa orao  para Deus, pelo Esprito Santo, toque em nossas mentes e coraes a fim de que mudemos radicalmente a maneira de nos vestirmos. 
No s na igreja, mas em casa, no trabalho, na escola, na igreja, em fim, em todo o lugar onde estivermos e no nosso cotidiano. 

No  o pastor que manda.  Bblia.  Palavra de Deus. Lgico que cabe ao pastor a ministrao da Palavra e a superviso quanto a obedincia aos ensinamentos do 
Senhor. Por isso, de hoje em diante, devem ser estabelecidas algumas regras bblicas em relao a vestimenta que se usar para a participao e para ministrao 
nos cultos. Seria uma bno se estas normas fossem aplicadas pelos irmos e irms de modo geral, pois o pastor no deve se dar ao trabalho de vigiar ningum. Deus 
h de restaurar e transformar a conscincia de cada um, visto que, como pastores, no podemos fazer o papel do Esprito Santo no convencimento das pessoas.

Porm, no que diz respeito a utilizao do plpito, ao estar na frente para ministrar o culto, para cantar, para declamar, para qualquer coisa, bem como para se 
subir na plataforma para ministrar o louvor, o culto ou qualquer outra participao, no se deve permitido blusas de alas (aquelas blusas que s tem as alcinhas 
e mais nada), tomara que caia (que para os mais afoitos devia chamar "pena que no caiu"), decote umbilical, no cxi ou no "rego", e nem decotes meia-taa que projetam 
os seios para os olhos incautos dos homens vidos por aconchego ou mesmo dos desavisados... Haja uno para olhar e no pecar. 

No mais se deve permitir o uso de mini-saia, micro-saia, vestidos curtos (daqueles que vo s at a cabea do fmur) ou transparentes e translcidos. No se deve 
ir para a igreja com cala de cs baixo (daqueles que ficam no pbis) sem uma blusa ou camiseta que cubra os quadris, e nem com uma cala comprida atarracada no 
corpo, na genitlia ou no traseiro, por que estas no so roupas adequadas para se estar na frente da congregao. Com roupas deste tipo no se deve participar da 
ministrao.

Seja para dirigir programa, para ministrar o culto ou o louvor. Seja para apresentar visitantes, fazer anncios, cantar, tocar, cantar em conjunto ou pregar. No 
importa. Diante da igreja, para ministrar na presena de Deus, no se deve permitir mais uma vestimenta indecorosa, modismos exagerados e imorais, ou mesmo roupas 
esculachadas, que no condizem com o padro de Deus para a vestimenta do salvo e nem com o testemunho cristo. 

Diante de Deus e da congregao devemos estar bem trajados, demonstrando que no temos mais os temores do pecado quanto a nossa nudez, e que estamos devidamente 
vestidos para a adorao e em profunda e sincera reverncia a Deus. 

Isto por qu? Porque fomos restaurados por Deus da nossa natureza pecaminosa e porque estamos dispostos a obedecer ao Senhor, fazendo a sua vontade, expressa na 
Bblia Sagrada, mesmo que para isso tenhamos que fazer uma "fogueira santa" com as roupas que usvamos at sermos exortados na Palavra de Deus. Seria maravilhoso 
se num domingo fizssemos esta fogueira para queimar as roupas das quais o Senhor nos libertou depois de termos estudado a Palavra. 

Esperamos no Senhor que este estudo seja suficiente para uma tomada de posio nossa como igreja de Cristo no Brasil. No precisaramos ouvir crticas ou cobranas 
por causa de vestimenta.

Somos ns e os nossos filhos que nos vestimos indevidamente. Somos ns que compramos as roupas dos nossos filhos. Se no compramos, admitimos que eles comprem ou 
que usem. Vamos assumir a nossa responsabilidade e corrigir a nossa conduta moral, diante de Deus, no que diz respeito a vestimenta.

Quanto s crticas ao autor e ao estudo, muito obrigado, em nome de Jesus, aos crticos. Porm, entre a frouxido moral e Palavra de Deus, ficamos com a Bblia. 
Entre a relativizao tica e o Texto Sagrado; ficamos com a Bblia. Entre a perverso do modismo e as Escrituras, ficamos com a Palavra de Deus. Mesmo que isso 
nos imponha a impopularidade, o estigma de radical ou a renncia do pastorado.

Amm.

Parte V
"ALEFREI-ME QUANDO ME DISSERAM..."
Alegrei-me quando me disseram: Vamos  casa do Senhor" (Sl 122.1) 
 
A tocante, inspiradora, edificante experincia de ver o povo de Deus chegando cada manh ao templo  uma alegria dominicalmente renovada. Podemos, mesmo, imaginar 
as multides indo  Beth haMikdash (Templo) em Jerusalm, e cantando  medida que iam se aproximando dos portes da Cidade Santa.  o que diz a nota de explicao 
do Salmo 122 com a expresso "cntico de degraus" ("gradual" ou "de romagem", "de romaria" ou "de procisso" em outras tradues). O povo ia ao Templo de Jerusalm, 
e vem hoje ao templo. Porm, com que objetivo?

A Casa de Deus

 lugar de adorao. Est na Palavra Santa: "...aonde sobem as tribos, as tribos do Senhor, como testemunho para Israel, a fim de darem graas ao nome do Senhor" 
(Sl 122.4) Jesus Cristo ensina que o Senhor busca adoradores (J 4.23), ou como bem o expressou A. W. Tozer: "Deus salva os homens para faz-los adoradores, fato 
esquecido hoje em dia por liberais, seitas e (at) cristos bblicos".
Se no somos adoradores, crentes com esprito de louvor, no poderemos trabalhar aceitvel e adequadamente pelo reino de Deus, pois o Esprito Santo age atravs 
do corao, das mos, dos ps, dos lbios que se renderam ao Criador. Assim, o louvor  a nossa resposta ao amor de Deus. Cantar, orar, meditar, tudo leva  adorao. 
Adorar, no entanto,  mais que qualquer um desses atos. 
Na verdade,  se deixar inflamar pelo Deus Pai, pelo Deus Filho e por Deus Esprito Santo; cultuar  confessar que se mantm um relacionamento com o Criador. O crente 
troca a independncia, a auto-suficincia, a rebeldia pela rendio a Deus, pela entrega, submisso e pedido de socorro. No culto, louvamos a Deus em conjunto, confessamos 
nossos pecados em conjunto, recebemos a Palavra em conjunto, e samos para servir com um s propsito embora em situaes e contextos distintos. 
H, porm, que ser assim, visto que, aps a salvao, o passo mais importante que o novo crente, o crente deve dar  unir-se ao povo de Deus na instituio que Ele 
estabeleceu para o propsito de lhe trazer crescimento: a igreja local. No dizer de Paulo, apstolo: "Escrevo-te estas coisas, embora esperando ir ver-te em breve, 
para que, no caso de eu tardar, saibas como se deve proceder na casa de Deus, a qual  a igreja do Deus vivo, coluna e esteio da verdade" (1Tm 3.14,15).  nesse 
pensamento que o poeta exclama com tanto entusiasmo, "Alegrei-me quando me disseram: Vamos  casa do Senhor!" (cf. v. 4).

No culto comunitrio, h pessoas de diferentes origens, nveis sociais, raas e culturas. Todas essas distines, no entanto, se evaporam no canto congregacional, 
no canto coral, na orao, na leitura bblica, na entrega dos bens e vidas, na mesma expectativa quanto  pregao. O crente h de compreender que, ao vir ao culto, 
algo vai acontecer: sua vida ser agraciada pela presena de Deus, pela compreenso do grande, eterno amor, e enriquecida pela comunho dos irmos, aquilo que  
to bem expresso na Bno Apostlica: "A graa do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunho do Esprito Santo sejam com todos vs" (2Co 13.13).  o senso 
de conjunto, de adorao conjunta em perfeito acordo com o que Paulo acentuou em Filipenses 3.5: "Pelo que todos quanto somos perfeitos tenhamos este sentimento, 
e, se sentis alguma coisa de modo diverso, Deus tambm vo-lo revelar". H um popular hineto que diz: "Quando estou com o povo de Deus, 
eu sinto a maior alegria;
quando estou com o povo de Deus,
eu sinto real harmonia..."

 a f estimulada, so as energias espirituais renovadas, a coragem, a robustez, a esperana fortalecidas, por que no culto, Deus est presente: "O Senhor est no 
seu santo templo..." (Hc 2.20); Jesus Cristo est presente: "onde se acham dois ou trs reunidos em meu nome, a estou eu no meio deles" (Mt 18.20); o Esprito Santo 
est presente: "E, tendo eles orado, tremeu o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Esprito Santo, e anunciavam com intrepidez a palavra de Deus" 
(At 4.31). E, quando o culto termina, diz o adorador-em-esprito-e-em-verdade, "Alegrei-me de verdade, alegrei-me com tudo o que eu sou, alegrei-me quando me disseram: 
vamos  casa do Senhor!"
A casa de Deus  um lugar de orao. "Orai pela paz de Jerusalm" pede o salmista no Salmo 122.6. Assim,  ambiente de conseqente avivamento. Por vezes, vidas so 
ridas num mundo rido, surgindo a necessidade de reavivar-se a chama dentro de ns.  o reaquecimento, o despertamento que buscamos, prezamos, queremos e pelo qual 
clamamos.
Habacuque expressou este clamor ao dizer, "Aviva,  Senhor, a tua obra no meio dos anos; faze que ela seja conhecida no meio dos anos; na ira lembra-te da misericrdia" 
(3.2). E o Senhor nos responde: "e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, ento 
eu ouvirei do cu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra" (2Cr 7.14).
A dinmica do culto consiste em deixar-se o crente individualmente, e a igreja como um todo tocar pelo Esprito de Deus. Isso nos recorda o ensino bblico de que 
 pecado trazer no culto divino e ao servio do Senhor qualquer coisa que no proceda de uma vida renascida.  o fogo estranho de que fala Levtico 10.1 e Nmeros 
3.3,4. Irreverncia na casa do Senhor  pecado grave, muito grave, e traz srio prejuzo espiritual para toda a igreja. No expressa a Escritura, "Guarda o teu p 
quando fores  casa de Deus" (Ec 5.1a)?

 at possvel ampliar a explicao exortando a guardar os ouvidos, os olhos, a mos, a mente e o corao. Dominados haveremos de ser por um anseio de uma maior 
consagrao. O cristo evanglico no "assiste ao culto": dele participa. O culto no  um drama encenado para uma platia de espectadores, ou realizado to somente 
pelo oficiante sem a presena de um auditrio.  ato corporativo. Alis, a alegria do culto divino  um sentimento antecipado, e acentuada essa alegria quando compartilhamos 
a adorao com outros crentes. Portanto, no basta a um cristo dizer que pode orar, cantar, ler e meditar em casa, ou ligar a TV e ter a igreja eletrnica com um 
pregador de estdio "olhando" para voc (?!) da tela fria do televisor, porque nada vai compensar o culto que voc perdeu, e nada vai comprar as bnos divinas, 
os temores afastados, as falsas idias e doutrinas corrigidas, e a f revigorada na adorao coletiva.

Algo Prtico

O cantar.  errado chamar a primeira parte do culto de Louvor, visto que, na realidade, todo culto, e o culto todo  uma tremenda apoteose de louvor. No pode haver 
culto se no h adorao com seriedade, se o louvor  sem reverncia, sem humildade, sem esprito de dependncia, sem esprito de cooperao, sem confiana, sem 
quebrantamento e sem consagrao.
A msica so as flores do jardim da adorao. O objetivo  unicamente a glria de Deus, nunca o destaque pessoal. A msica deve afunilar juntamente com as leituras 
bblicas, a orao e as ofertas para o tema a ser explanado e desenvolvido no sermo. Cuidado com a msica de qualquer jeito, sem ensaio, improvisada, porque nosso 
Deus no merece nem tolera isso!
Por que substituir os teolgica e musicalmente bem escritos hinos, hinetos e doxologias por corinhos de paladar duvidoso, escritos em mau portugus, popularescos, 
com uma teologia que no  bblica, como, por exemplo, "Jesus  a aliana entre voc e eu...", onde em poucas palavras h um erro crasso de linguagem? O hino deve 
ser reverente, bblico, trazer o amor de Deus e enfatizar a adorao.
O bom hino comunica o amor do Pai. H quem se interesse pelo som, pela harmonia ou pelo ritmo, mas no pelo Senhor que  exaltado nos seus versos. H quem esteja 
mais interessado no que algum imaginosamente chamou de LIT-ORGIA, em vez da liturgia (palavrinha boa que significa "o trabalho do leigo"); h quem se interesse 
pelo barulho em vez do servio a Deus, o "trio eltrico" evanglico", a "ax music" evanglica em vez da calma onde se manifestou o Esprito de Deus a Elias (1Rs 
19.12b). O irmo Lawrence afirmou, "No consigo imaginar como pessoas religiosas podem viver satisfeitas sem a prtica da presena de Deus". Sim, a alegria da presena 
de Deus, porque a alegria no  encontrada em cantar certo tipo de msica ou viver com certo grupo. Consiste na obedincia.
As ausncias. A palavra de Deus  clarssima sobre esse tema: "consideremo-nos uns aos outros, ... no abandonando a nossa congregao, como  costume de alguns..." 
(Hb 10.24,25). A traduo do Pe. Negromonte esclarece ainda mais, "No deixando as nossas reunies..."
 ausentar-se podendo estar presente, o velho e persistente comodismo.  no deixar que a chuva, o calor, o frio, a TV, a corrida de automveis, o futebol, o dever 
de casa, a praia, os passeios, ou o turismo eclesistico nos impea de vir  prpria congregao, pois  preciso crescer com a igreja, crescer na igreja, crescer 
para a Igreja de Cristo em sua expresso local, a comunidade de f de voc faz parte.
Quando deixamos a congregao, quando nos ausentamos da igreja, no recebemos as bnos do culto, perdemos o fervor, o esprito de unidade, no levamos os filhos 
a crescer e a igreja perde a cooperao. 
Se a adorao, o louvor, o culto no nos transformar, no pode ser chamado culto, louvor, adorao (cf. Mt 5.23,24), visto que adorar, louvar, cultuar  transformar-se. 
Se a adorao no nos levar a maior obedincia,  s agitao, mas no um ato de culto. Quando entramos no templo  a expectativa, quando samos  obedincia; quando 
entramos  f e esperana, quando samos  amor. 

Neemias nos inspira: "porque este dia  consagrado ao nosso Senhor. Portanto no vos entristeais, pois a alegria do Senhor  a vossa fora" (8.10b), por isso, "Alegrei-me 
quando me disseram: Vamos  casa do Senhor!"

Parte VI
A IGREJA PRECISA DE TEOLOGIA? 
 
Introduo e Conceitos

 comum ouvirmos que "a teologia mata a religio" ou que "a Igreja no precisa de teologia e, sim, de vida". Sero verdadeiras essas afirmaes? Admitimos que h 
muita coisa por a levando o nome de "teologia" que no passa de especulao humana, por no se basear em pressupostos de uma hermenutica bblica. E at a "boa 
teologia", quando se torna um fim em si mesma, pode no ter qualquer uso prtico e reduzir-se a mero academicismo. No  disto que falamos aqui. Perguntamos se a 
verdadeira Teologia  necessria  Igreja. 

E o que  verdadeira Teologia? Como o prprio nome indica, Teologia  o estudo de Deus, ou, definindo mais formalmente, " a cincia que trata de Deus em Si mesmo 
e em relao com a Sua obra" (B.B. Warfield). Perguntamos, por conseguinte, se a Igreja pode prescindir do conhecimento de Deus e da Sua obra e ainda ser Igreja 
de Deus.  quase certo que aqueles que negam a necessidade da Teologia na vida da Igreja no diriam, conscientemente, que algum pode ser cristo sem conhecer a 
Deus. O que lhes falta  um bom conhecimento do que  Teologia e de suas implicaes. 

Como podemos conhecer a Deus sem estudar a revelao que Ele faz de Si mesmo? Como saber quem Ele  e o que Ele tem feito e faz, quem somos ns em relao a Ele, 
o que Ele requer de ns,etc., se no investigarmos o que Ele deixou revelado para nosso conhecimento? Pois esse  o trabalho da Teologia. Esse trabalho parte de 
trs pressupostos: O primeiro  o de que Deus existe; o segundo, de que Ele pode ser conhecido, embora no de modo exaustivo e completo; e o terceiro, de que Ele 
tem Se revelado tanto por meio de Suas obras (criao e providncia - Revelao Geral - Sl19:1,2; At 14:17), como, principalmente, nas Santas Escrituras (Revelao 
Especial - Hb1:1,2; 1 Pd 1:20,21).  porque Deus Se revelou que podemos conhece-Lo. Nosso conhecimento de Deus no  intuitivo, nem natural, mas comunicado por Ele 
mesmo atravs dos meios que soberanamente escolheu. "Fazer teologia", portanto, no  inventar teorias a respeito de Deus e de Suas obras, nem mesmo "descobrir" 
a Deus, mas conhecer e compreender a revelao que Ele prprio deu de Si. Por isso, qualquer estudo de Deus que no tiver a Sua revelao como base, meio e princpio 
regulador no  "teologia", devidamente entendida. 

A palavra "teologia" no ocorre na Bblia e o termo que lhe  equivalente, no N.T.,  "doutrina" ( "didache" ou "didaskalia", no grego), que vem de uma raiz que 
significa "ensinar" e pode se referir tanto ao ato de ensinar, propriamente, como ao contedo do que  ensinado (Rm 6:17;1Tm 6:3-4; 2Tim 4:3-4; Tito 1:2,9, etc.). 
Podemos dizer, de modo mais completo agora, que Teologia  o conjunto de verdades extradas dos ensinos bblicos a respeito de Deus e de Sua obra, e que so apresentadas 
de modo sistemtico, na forma de um corpo de doutrinas. A essa forma ordenada de doutrinas, d-se inclusive, o nome de "Teologia Sistemtica". O adjetivo aqui, no 
altera o conceito de "teologia". 

Assim entendidas, fica evidente que no h diferena entre Teologia e Doutrina. Mas voltemos ao nosso tema. Duas so as razes geralmente apresentadas para se dizer 
que a Igreja no precisa de Teologia. Elas se baseiam em duas falsas antteses: 

1. A primeira  a suposio de que o Cristianismo se baseia em fatos e no em doutrinas 

Concordamos que nossa salvao no repousa sobre um conjunto de teorias ou idias, mesmo que extradas corretamente da Bblia, a que damos o nome de "doutrina", 
mas sobre os atos poderosos e eficazes do nosso soberano Deus. No somos salvos atravs de uma correta teoria a respeito da pessoa de Cristo, mas pela prpria pessoa 
de Cristo; nem atravs de um exato entendimento da doutrina da Expiao, mas pelo prprio ato expiatrio.  possvel algum ser "bom telogo", nesse sentido, e ainda 
no experimentar as graas ensinadas nas doutrinas que expe. A doutrina realmente no salva. A obra de Cristo, devidamente aplicada pelo Esprito no corao do 
crente,  que assegura essa graa. Seu nascimento sobrenatural, Sua vida de perfeita obedincia  Lei, Sua morte substitutiva, Sua ressurreio, Sua ascenso e assentamento 
 direita do Pai, Sua segunda vinda, so os grandes fatos que tornam garantida a salvao dos eleitos. 

Mas como sabemos que esses so os fatos? Que sentido teriam esses acontecimentos se no tivessem sido interpretados?  a doutrina que lhes d sentido. Como viemos 
a saber que aquele menino que nasceu em Belm  o Filho de Deus? Por que descansamos na eficcia da Sua morte para a expiao dos nossos pecados? Por que sabemos 
que a Sua ressurreio, h dois mil anos atrs, garante a nossa justificao?  porque esses fatos so todos explicados e interpretados pela doutrina. 

Esta no s informa o fato como tambm d o seu significado. A doutrina no salva, mas pode tornar o homem sbio para a salvao (2Tm 3:15). Doutrina sem fato  
mito, mas fato sem doutrina  mera histria. 

O Cristianismo, portanto, consiste em "fatos que so doutrinas e doutrinas que so fatos", na expresso de B.B. Warfield. Ele diz: "A Encarnao  uma doutrina: 
nenhum olho viu o Filho de Deus descer dos cus e entrar no ventre da virgem; mas se isso no for um fato histrico tambm, nossa f  v e permanecemos ainda em 
nossos pecados"( Selected Shorter Writings, vol 2, p. 234). Fato e doutrina se complementam no Cristianismo. Quando Joo diz: "E o Verbo se fez carne, e habitou 
entre ns, cheio de graa e de verdade" (Jo 1:14), no est apenas apresentando um fato; est explicando-o tambm. Quando Paulo afirma que Jesus "foi entregue por 
causa das nossas transgresses,e ressuscitou por causa da nossa justificao" (Rm 4:25), de igual modo est dando uma interpretao aos fatos da morte e ressurreio 
de Cristo. Isto  o que se v em toda a Escritura, especialmente nas epstolas. 

At mesmo os fatos manifestos na natureza (Revelao Geral) no seriam devidamente compreendidos se no fossem explicados pela Bblia (Revelao Especial). Podemos 
hoje entender que "os cus manifestam a glria de Deus" (Sl 19:1) porque o Criador nos tem revelado isso na Sua Palavra. 

Sem essa explicao, sua mensagem (a dos cus) passaria despercebida e eles poderiam at ocupar o lugar do Criador, gerando a idolatria (devido ao pecado), como 
lemos em Rm 1:18-32. No  o acontece quando as pessoas dizem que "a natureza  sbia", ou quando a chamam de "me natureza"?. Sem a revelao do Criador, a criatura 
toma o seu lugar. Da dizer-se que para se conhecer a Deus  preciso que Ele fale, e no somente que Ele aja. 

Conclumos, portanto, que os fatos s tm sentido quando acompanhados da doutrina. Nem  pertinente perguntar qual dos dois  mais importante. Seria o mesmo que 
indagar qual das duas pernas  mais importante para o nosso caminhar. O ensino da doutrina  uma das nfases da Bblia (1Tm 3:2; 2Tm 2:2; Tito 1:9; Ef 4:11), pois 
sem ela no existe verdadeiro Cristianismo. 

2. A segunda  a suposio de que o Cristianismo consiste em vida, no em doutrina Por trs dessa afirmao podem estar razes do conceito filosfico que exalta 
o misticismo, as emoes, o sentimento religioso do homem, e que procura eliminar da religio todo apelo ao intelecto,  razo. "Religio  vida e a vida  dinmica, 
fluente; a doutrina  esttica, fria, e, portanto, no pode ser compatvel com o carter do Cristianismo", dizem. Aqueles que assim pensam at admitem um certo tipo 
de doutrina, desde que mutvel, adaptada sempre  dinmica da vida e conformada s "necessidades" da poca e do lugar onde a vida do Cristianismo se manifesta. At 
chamam a isso de "teologia contemporanizada" ou "contextualizada". Segundo esse ponto de vista, no  a doutrina que deve dirigir a vida, mas esta quela. "A letra 
mata, mas o esprito vivifica", argumentam. A prtica (prxis)  colocada acima da doutrina no s em importncia, mas tambm no tempo: a doutrina passa a ser um 
produto da vida crist, no a sua norma. H at quem interprete assim a clebre divisa: "Igreja reformada sempre se reformando". 

Mas ser essa a viso bblica do Cristianismo? Podemos dizer, com base na palavra de Deus, que o Cristianismo  vida e no doutrina, ou, primeiramente vida, depois 
doutrina? Existe tal anttese? Se essa posio for verdadeira, ento no haver verdade absoluta, nem princpio fixo, nem revelao objetiva. Tudo cair no campo 
dos valores relativos e passar a depender do subjetivismo, da "piedade", das emoes. No admira que haja tanta "fluidez" e instabilidade entre os que assim pensam, 
e que sejam facilmente levados "por todo vento de doutrina". Para estes, a doutrina  o que menos interessa. 

Concordamos tambm que Cristianismo  vida, e graas a Deus por isso! Onde a vida no se manifesta, nos moldes escritursticos, falta a alma da verdadeira religio. 
Mas devemos ou podemos prescindir da doutrina para que essa vida se manifeste? Antes de tudo,  a verdade de Deus relativa? Depende o seu valor do lugar e da poca 
em que se encontram os homens? Sabemos que esta  a posio atual dos que se denominam pluralistas e esse  o pressuposto bsico desta posio. Ser que aquilo que 
foi deixado por Paulo e pelos outros apstolos como doutrina para os seus dias deveria ser mudado nos dias de Agostinho, depois nos dias de Lutero e Calvino, depois 
nos dias de Warfield e dos Hodge e, assim, sucessivamente, at os nossos dias, para dar lugar s manifestaes de vida? No creio que a Bblia justifique essa posio 
nem que esses telogos a tenham entendido assim. O princpio de que "a Igreja reformada deve estar sempre se reformando" visa manter sempre a mesma posio em relao 
 verdade, no alter-la, para que seja aplicvel em todas as pocas.  para que continue sempre sacudindo de si toda tradio e acrscimo humano que no estejam 
de acordo com os valores fixos e absolutos da palavra de Deus. 

Reformar  voltar s origens, ao que foi intencionado no princpio por Deus. E no h outra forma de se fazer isto a no ser pela doutrina. 

Foi a doutrina bblica, to bem exposta pelos reformadores e to negligenciada pela Igreja, que a trouxe de volta s origens e lhe recuperou a vida, no sculo XVI. 
Foi a falta da verdadeira doutrina que enfraqueceu a Igreja e a lanou num tradicionalismo vazio e pago.  a correta aplicao da doutrina que produz a verdadeira 
vida crist. No basta apenas um sentimento religioso para fazer de um homem um cristo.  preciso que sua vida seja moldada na doutrina de Cristo. a doutrina que 
d caracterstica  vida. 

Sem dvida, no estamos afirmando que apenas a doutrina, independente da obra santificadora do Esprito, produz vida. A doutrina , isto sim, o meio que o Esprito 
soberanamente usa para nos fazer conhecer a vontade de Deus e nos levar a pratic-la.  atravs dela que ficamos sabendo que a vontade de Deus  a nossa santificao 
e que, sem esta, ningum ver o Senhor ( 1 Ts 4:3; Hb 12:14).  ela que nos aponta os meios de graa deixados pelo prprio Senhor, que  quem nos santifica (Lv 20:7-8; 
Ef 5:26). Nas epstolas paulinas, a ntima relao entre doutrina e prtica  evidenciada pelo seu mtodo de apresentar primeiro a argumentao teolgica (doutrinria) 
para depois tirar as implicaes prticas dela decorrentes (Ex. Rm 1-11: doutrina; 12-16: prtica). Isso se torna ainda mais claro na orao sacerdotal de Cristo, 
em que Ele associa a prtica da santificao com a doutrina da Palavra: "Santifica-os na verdade; a tua palavra  a verdade" (Jo 15 :17) e em Joo 7:17, onde o fazer 
a vontade de Deus est ligado ao conhecer a doutrina: "Se algum quiser fazer a vontade dele, conhecer a respeito da doutrina, se ela  de Deus ou se eu falo por 
mim mesmo". 

O conhecimento de Deus comea pela porta do intelecto, da razo, para depois pervadir todas as reas do ser e se transformar em manifestaes de vida que O agradem 
e glorifiquem. Por isso, o ensino da doutrina  indispensvel na Igreja, tanto atravs do plpito como pelos estudos semanais, pela Escola Dominical e por qualquer 
outro meio disponvel. Nossa demonstrao de vida pode impressionar as pessoas e despertar nelas certa admirao, mas  pela pregao da Palavra que vem a f que 
transforma (Rm 10:7) A espada do Esprito  a Palavra (Ef 6:17). Concluso 

Conclumos, portanto, que a Igreja precisa da Teologia, porque precisa da doutrina nela contida para dar sentido e expresso aos fatos do Cristianismo e para prover 
os meios de manifestao da verdadeira vida crist.

Parte VII
A IGREJA, CORPO DE CRISTO
TEXTO: EFSIOS 1:22-23 
 
PROPOSTA: A nossa proposta  a de conhecer o que a Bblia fala sobre a igreja. Qual o verdadeiro significado deste termo!
Quais as responsabilidades daqueles que dela participam. 

01. A ORIGEM DA IGREJA

1.1 - A primeira referncia bblia sobre a igreja aparece em Mateus 16:18
1.2 - O nascimento da Igreja ocorreu n dia de Pentecoste. Atos 2:1-4

02. A NATUREZA E AS FUNES DA IGREJA COMO CORPO

2.1 - No Novo Testamento - "povo de Deus"
"Ekklesia" - "chamados para fora"

- Outros ttulos:

- Corpo de Cristo - Ef. 1:22-23
- Templo do Esprito Santo - Ef. 2:21-22
- Plenitude de Cristo - Ef. 1:23
- Noiva do Cordeiro - 2 Cor. 11:2; Ap. 19:7

- A Igreja como corpo deve:
- ministrar
- manter a unidade da f
- reconhecer ministrios
- participar do louvor, da comunho, dos desafios
- instruir seus filhos na Palavra

03. A FORMAO A IGREJA

- Ela  formada pela unio de seus membros - 1 Cor. 12:17
- Ela tem responsabilidades - Ef. 1:4; Rom. 8:29; 1 Ped. 2:9;
Observe as expresses: "escolheu"; "conheceu"; "eleita", "para sermos"; "para serem"; "a fim de".




04. AS FUNES DOS MEMBROS

- criar unidade no corpo - Ef. 4:16
- nutrir os demais membros - 1 Cor. 12:25
- sustentar os membros - Col. 2:19 
- transmitir ordens - Fil. 4:9

05. CARACTERSTICAS DO CORPO

- Colaborao - 1 Cor. 12:12
- Exclusividade - 1 Cor. 12:14
- Individualidade - 1 Cor. 12:21
- Harmonia - 1 Cor. 12:25
- Diversificao de ministrios - 1 Cor. 12:28-29

06. SMBOLOS BBLICOS QUE DESCREVEM A IGREJA

- Rebanho - Joo 10:16
- Lavoura de Deus - 1 Cor. 3:9
- Edifcio de Deus - 1 Cor. 3:9
- Santurio de Deus - 1 Cor. 3:16
- Coluna e Baluarte da verdade - 1 Tim. 3:15
- 
Parte VIII
A IGREJA, CORPO DE CRISTO II
TEXTO: MATEUS 28:18 
PROPOSTA: Este estudo visa mostrar que a mesma autoridade que Jesus recebeu do Pai, foi tambm delegada a igreja.
Ela se tornou a agncia mediante a qual o Senhor manifesta o seu poder, a sua graa e autoridade. 

01. AUTORIDADE E PODER

A autoridade representa a prpria essncia de Deus, enquanto o poder expressa os seus atos! Isaas 40:25-26
Deus pode perdoar aqueles que duvidam de seus feitos, mas retm o perdo queles que menosprezam a sua autoridade.
A queda de Satans ocorreu, porque ele desejou ser igual a Deus, e no simplesmente realizar os mesmos feitos de Deus. Isaas 14:13-14
Obs. Satans no tem medo de uma pessoa que prega a Palavra.
Ele tem medo das pessoas que se submetem a autoridade de Cristo.

02. AUTORIDADE E PODER DELEGADOS  IGREJA

- A igreja como corpo, recebeu do Senhor Jesus, toda a autoridade e poder para se tornar uma igreja viva e vitoriosa.

2.1 - Autoridade sobre a natureza - Mat. 17:20; Mat. 20-21-22
- esse poder  manifestado atravs da orao. Ela se torna em realidade devido a autoridade que Cristo concedeu  igreja.

2.2 - Autoridade sobre os espritos - Luc. 10:19; Mat. 10:8
- A luta profetizada pr Jesus:
- Igreja x Portas do inferno
- "Portas do Hades" - Hades representa o deus que tinha autoridade sobre os mortos!
- Porta - representava a corte, o poder do reino do mundo inferior!
- Resumo: a igreja no pode morrer. Ela  eterna.

2.3 - A autoridade da igreja  maior do que o poder do Diabo
- Mar. 5:9; Luc. 8:30
- Jesus comandou o esprito que atormentava o jovem e o expulsou. A autoridade a ns foi delegada, fora o diabo a nos obedecer.


2.4 - Autoridade sobre os pecados - Mat. 6:14; J 20:23; Tg. 5:14-15

Diferena entre: "pecado" e "pecados"
- A igreja pode perdoar os pecados (ofensas) cometidos contra ela. Mas, o pecado, provocado pela queda do homem, s atravs do sangue de Cristo.

2.5 - Autoridade para ligar e desligar - Mat. 18:18; Mat. 16:19; 1Cor. 5:3-5

- Para exercer esta autoridade a igreja precisa estar em perfeita sintonia com o Esprito Santo. Esta autoridade no  um exerccio individual, e, sim, coletivo.

3.0 - CONTESTANDO A AUTORIDADE DELEGADA
- A nossa obedincia deve ser praticada no em funo da pessoa mas da autoridade nela investida. No se obedece a homens, e, sim,  autoridade de Deus que est 
nesse homem.

- Obs. Watchamann Nee: "A maior das exigncias que Deus faz ao homem no  a de carregar a cruz, servir, dar ofertas, ou negar-se a si mesmo. A maior das exigncias 
 que ele obedea" - 1 Sam. 15:22-23

- Obs. Os maiores castigos mencionados na Bblia ocorreram em razo da desobedincia  autoridade delegada pr Deus.

3.1 - Queda do querubim da guarda - Ezequiel 28:13-17
3.2 - Queda de Ado e Eva - Gnesis 2 e 3
3.3 - Rebelio de Co - Gnesis 9:20-27
3.4 - Rebelio de Nadabe e Abi - Levtico 10:1-2
3.5 - Castigo de Aro e Miri - Nmeros 12
3.6 - Rebelio de Cor - Nmeros 16
3.7 - A desobedincia de Saul - 1 Samuel 15
3.8 - A insubmisso de Absalo - 2 Samuel 15
3.9 - A idolatria de Salomo - 1 Reis 11
3.10 - A transgresso de Uzias - 2 Crnicas 26:16

4.0 - AUTORIDADE E A LIDERENA DA IGREJA
- A igreja s crescer quando todos os membros estiverem debaixo do autoridade de Deus delegada aos seus ministros.
1 Tes. 5:12-13; 1 Cor. 16:15-16; Heb. 13:17; Zac. 13:7

Parte IX
A IGREJA, CORPO DE CRISTO III
TEXTO: ROMANOS 12:1-2
 
PROPSITO: A maior necessidade do mundo, das pessoas, como tambm da igreja,  a necessidade de adaptao ao curso da Histria. Esta adaptao s se viabiliza mediante 
a disposio do mundo, das pessoas, e da igreja em se transformarem. Transformao  o segredo de um organismo vivo. 

Ilust. Leon Tolsti: "Todos pensam em mudar a humanidade e ningum pensa em mudar-se a si mesmo".

1.1 - A comunicao se processa atravs de trs elementos bsicos:
a . Kerygma - mensagem
b. Koinonia - comunho
c. Diakonia - servio

1.2 - Encurtando as distncias - Joo 13:12-17
A mensagem - Kerygna - no funciona isoladamente. Para que ela produza resultados positivos,  necessrio que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. 

0.2 - TRANSFORMANDO A NOSSA RELAO COM OS OUTROS MEMBROS

Este processo de transformao ocorre atravs da prtica de quatro princpios bblicos.
2.1 - Princpio da integrao - 1 Cor. 12:15-16
- cada membro tem sua funo. Um membro no deve aspirar o lugar do outro, 
quando isso ocorre todo o corpo  prejudicado.
- A quebra desse princpio provoca:
- desvalorizao do membro
- contestao da vontade de Deus
- Afastamento dos outros membros
- desperdcio de foras

2.2 - Princpio da oportunidade - 1 Cor. 12:17-18
- este princpio visa das a todos os membros a mesma chance de trabalho. Um membro no pode inibir a ao do outro.
- A falta de oportunidade produz:
- desequilbrio em todo o sistema
- um esprito de concorrncia
- um anemiamento espiritual

2.3 - Princpio de Dependncia - 1Cor. 12:21-22
- quando este princpio  quebrado, ocorre:
- um enfraquecimento de todos os membros
- o egosmo passa a predominar nas relaes
- a arrogncia quebra a linha de comunicao

2.4 - Princpio da Unidade - 1Cor. 12:25-26; Ez. 34:17
- a unidade  a fonte geradora de toda a energia, de troca a mobilidade e harmonia do corpo. Sem unidade, a igreja perde a sua funo. Joo 17:23
3.0 - TODA TRANSFORMAO EXIGE UMA FONTE DE DISCIPLINA PESSOAL - 1Cor. 9: 24

- A igreja precisa ser a autora e no a espectadora no processo de mudanas. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformao da sociedade.

- Disciplina na prtica de ouvir/falar - Joo 8:47
- Disciplina na prtica do perdo - Marcos 11:25
- Disciplina na prtica da f - 2 Cor. 13:5
- Disciplina na prtica da liberdade - Gal. 5:13
- Disciplina na prtica dos hbitos - Col. 3:17
- Disciplina na prtica do tempo - Ef. 5:15-16
- Disciplina na prtica da santidade - 1 Tim. 5:22

Parte X
A IGREJA, CORPO DE CRISTO IV
TEXTO: EZEQUIEL 37:1-14 
 
Autor(a): PR. VANDERLEI FRARI
PROPSITO: Cerca de 2960 anos nos separam da experincia de Ezequiel junto ao vale de ossos secos. Mas a realidade daquele vale ainda  a mesma em nossos dias. O 
alvo deste estudo  recriar uma nova esperana no corao daqueles que como membros, fazem parte da Igreja do Senhor Jesus. 

01. UMA CONVIVNCIA DESAGRADVEL - V. 1

Ezequiel no s foi levado ao vale de ossos secos. Ele andou pr entre aqueles ossos. Conviveu com a morte. Sentiu os odores daquele ambiente ftido.
- A experincia de Neemias - Ne. 2:11-15
- Esta convivncia foi necessria:
1.1 - para identificar a situao do povo
1.2 - para comprometer o profeta com o desafio de restaurao
1.3 - para mostrar qual o propsito de Deus

02. HARMONIZANDO O CORPO

O texto de Ezequiel 37:6 nos ensina quatro verdades bsicas sobre a harmonia do corpo de Cristo.

2.1 - "Porei tendes (nervos) sobre vs..."
- "tendes" - cria a unio; d sustentao; mantm a flexibilidade e resistncia do corpo.
- "nervos" - estimulam; mantm a sensibilidade.
- hipersensibilidade - enferma o corpo!
- Rom. 12:15,17; Rom. 15:2; Gl. 5:26; Ef. 4:22

2.2 - "Farei crescer carne sobre vs..."
- H trs aspectos importantes sobre este elemento:
a . a carne representa unidade, participao, integrao - Gn. 2:23
b. a carne  o elemento do corpo. A distrofia - perturbao da nutrio -prejudica o metabolismo do corpo. Fil. 2:3; 2 Cor. 8:13-15
c. a carne fala do conhecimento da Palavra.  o alimento slido. 1 Cor. 3:1-2;
Heb. 5:11-14

2.3 - "E sobre vs estenderei pele..."
- a pele  o elemento de proteo. Ela funciona tambm como um filtro. Uma pele ressecada prejudica a respirao do corpo. Col. 3:12

2.4 - "E porei em vs o flego da vida e vivereis..."
O resultado final de um corpo equilibrado e harmnico  a presena do Esprito Santo agindo em todos os membros.

3.0 - COMO SE PROCESSA ESTA RESTAURAO?
Ezequiel foi o instrumento usado pr Deus para restaurar os ossos secos. Cabe a cada membro do corpo a mesma responsabilidade. O processo de restaurao ocorre atravs 
da ao proftica.

3.1 - O que profetizar?
a . que Deus pode vivificar o que est morto em nossas vidas - v.5
b. que Deus harmonizar o corpo beneficiando assim cada membro em particular - v.7
c. que Deus far de membros soltos e sem vida, um grande exrcito - v.10
d. que Deus abrir as sepulturas e libertar todos os que vivem presos - v.12-13
e. que Deus derramar o seu Esprito Santo - v.14

Parte XI
A IGREJA, CORPO DE CRISTO V
TEXTO: PROVRBIOS 4:7
 
Pr falta de sabedoria, a igreja tem lutado mais contra si mesma do que contra os verdadeiros adversrios; tem usado ignorantemente a armadura de Saul; tem fomentado 
divises; tem perdido enfim o poder de atuao.
"Realmente estar em perigo a sorte do mundo, se no surgirem homens mais sbios. O homem sbio  aquele que  capaz de reconhecer um necessitado, um pobre, um que 
precisa de orao".(Conclio Vaticano II) 

01. DEFININDO A SABEDORIA

- Sabedoria  saber fazer a coisa certa, no momento certo, e  pessoa certa. Moiss nos d um bom exemplo de falta de sabedoria. xodo 18:13-18
a . sabedoria como doutrina - Prov. 19:18; 22:6
b. sabedoria como virtude de homem - Gn. 41:38; Dan. 1:17
c. sabedoria como atributo e qualidade de Deus - Is. 28:29; Jer. 10:12

02. A IMPORTNCIA DA SABEDORIA

Pr vivermos em grupos sociais, a sabedoria torna-se em elemento indispensvel em nossos relacionamentos inter - pessoais.

2.1 - sabedoria no dilogo - Prov. 26:4; Ecl. 7:16
2.2 - sabedoria nas decises - Prov. 8:12; 1 Reis 3:25-28
2.3 - sabedoria nas amizades - Jer. 9:4-5
2.4 - sabedoria no comportamento - Ef. 5:15; 1 Pd. 3:1-2
2.5 - sabedoria nos negcios - Gn. 41:39
2.6 - sabedoria em tudo...

03. SABEDORIA, AGENTE ESPIRITUALIZANTE

A sabedoria no  uma virtude isolada, e muito menos eletrizante. No  contrria a verdadeira espiritualidade. Ela  antes de tudo o fiel da balana espiritual.

3.1 - Exigncia dos apstolos - Atos 6:3
3.2 - A fora de Estevo - Atos 6:8-10
3.3 - A oferta do Esprito Santo - 1 Cor. 12:8
3.4 - A verdadeira busca - Tiago 3:13-18
Resumo: Igreja sbia produz santos verdadeiros!

Parte XII
A IGREJA QUE FAZ A DIFERENA
Mateus 26.17-30 
Introduo
A igreja ser apenas uma instituio humana se no tiver a viso de Jesus Cristo para o contexto e a realidade histrica na qual est inserida.

Falar dos objetivos da igreja em contraposio as megatendncias da ps-modernidade e o modismo quanto a quebra de paradigmas que resultam na perda da identidade 
doutrinria, do mundanismo que gera a mundanalidade incrustada na igreja pela relativizao da tica crist, arrefecendo a autoridade da igreja em sua ao reformadora 
no mundo, Efsios 3.10.

A igreja deve interagir na histria, no andar a reboque da historieta escrita nos alfarrbios desta gerao corrompida e perversa. Somos o povo do Deus que  Senhor 
da histria e que se manifesta atravs da histria. A igreja  manifestao de Deus na histria. No podemos nos contentar em causar impacto na histria com os nossos 
escndalos ou com a nossa inrcia contemplativa enquanto o cu no vem.  imperativo fazermos diferena no mundo, escrevendo a histria da salvao na vida das pessoas 
e para isto,  imperioso resgatarmos a relevncia da igreja no contexto sociocultural em que trilhamos a jornada da santificao.

Mas amados, a igreja s ser relevante para o mundo e para o Reino, fazendo verdadeira diferena neste mundo com Agncia reformadora de Deus, quando...

1. Estivermos preocupados com a vontade do Mestre e no com a nossa prpria vontade - (Vs. 17).

Devemos evitar a viso antropocntrica e buscarmos uma viso horizonal, cristocntrica, cristolgica e cristossmel.

"Onde queres" - Thleis, vontade ativa, soberana. A vontade decisiva e decisria de Deus onde no cabe relativizaes ou negociatas, apenas a submisso.

Os anseios e vontades humanas desembocam sempre no hedonismo ou nas guerras cruentas e desumanas. S a vontade de Deus para a igreja  "boa, agradvel e perfeita", 
Romanos 12.1.

Como Jesus, devemos admitir nossa humanidade em sua plenitude mas sempre orando: "no se faa a minha vontade, mas a tua", Lucas 22.42.

2. Estivermos conscientes da brevidade do tempo da salvao - (Vs. 18).

O tempo da Deus  kairs, eterno, infinito, e no kronos, limitado, mensurado e controlado pelo homem, como se fossemos senhores do tempo. 

Na dispensao da igreja, da graa salvadora, o tempo  sempre presente,  hoje, e a pregao deve ser levada a efeito "a tempo e fora de tempo", 2 Timteo 4.2. 

Vale ressaltar a expresso "o Mestre diz". Mestre, didskalos, algum que ensina revestido de capacidade, honra e dignidade. Jesus, sendo Deus,  Senhor do tempo 
e fala com autoridade quanto a brevidade do tempo para a pregao do evangelho. "Meu tempo est prximo", diz o Mestre.

A Igreja no pode postergar a pregao. No sabemos quando o Mestre voltar, Mateus 25.13. Estar preparados para adentrarmos com ele em sua glria implica em testemunho 
e pregao incessantes.

3. Nossos cultos se tornarem verdadeira celebrao ao Cristo vivo, no  liturgia,  Denominao ou  Eclesiologia - (Vs. 18b e 19).

 imperioso buscarmos a conscincia de libertao, Pscoa, e de celebrao, de festa, de alegria e satisfao prezeirosa em nossos cultos, devido a presena do prprio 
Deus entre ns.

O texto no prev sectarismo ou uniformidade. No induz ao radicalismo ou ao xtase emocional espiritualista esotericamente espiritualizado. Se quer, o texto aponta 
para um denominacionalismo desvairado e promotor de uma nefasta negligncia ao que  bblico em defesa de um hediondo tradicionalismo histrico-denominacional. 

A festa, a Pscoa, era um memorial da libertao do Egito, da morte s mo do opressor, no sangue da remisso, xodo 12.14-17. Da mesma forma, nossos cultos devem 
ser verdadeira celebrao pela e para salvao em Cristo. Uma festa alegre e vvida em gratido pela libertao do pecado que nos  outorgada por Cristo.

Devemos buscar a conscincia de que o Senhor est em seu trono de glria para receber de ns um culto "vivo, santo e agradvel", Romanos 12.1, resultado de mentes 
renovadas em Cristo no entendimento dos mistrios da salvao, 1 Corntios 2.14-16. 

Se perseguimos palco, apresentaes e nmeros especiais, ou se queremos vislumbrar os nossos olhos com feitos pitorescos ou com manifestaes pneumotcnicas, aqui 
no  nosso lugar.

4. Somos contristados pela possibilidade de sermos o traidor - (Vs. 21 e 22).

Qual a nossa reao diante da expresso "um de vs me trair". Somos assolapados pela conscincia de pecado que desemboca no arrependimento ou permanecemos insensveis 
e nada nos impulsiona  santidade?

A expresso do verso 21, "me entregar", no original, denota que Jesus bem sabia das intenes daqueles que o perseguiam.  assombroso que muitos crentes no sintam 
o sabor amargo de pecado como sentiram Moiss, Jac, Isaas, Jeremias, Pedro, Paulo e muitos outros indicados no Texto Sagrado, insistindo nos passos de Caim e na 
deciso diablica tomada por Judas Iscariotes, persistindo na traio.

Muitos, mesmo estando diante de Jesus e sendo desafiados ao arrependimento, no conseguem olhar para Jesus e identific-lo com Senhor absoluto de todas as coisa, 
Krios, admitindo-o apenas como rabi, mestre da lei, o que no  uma caracterstica da personalidade de Jesus. 

No culto verdadeiro Deus sempre manifesta sua glria, Isaas 6.1-8, e se nos dispomos  perfeita adorao, sempre somos levados  contrio e ao arrependimento, 
a fim de que dediquemos nossas vidas em perfeito louvor, evidenciado na proclamao do evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 

Retirar-se do culto sem experimentar restaurao santificadora, permanecendo na inrcia petrificada do comodismo,  constituir-se em traidor.

Em quinto e ltimo lugar, afirmo que a igreja far diferena no mundo e resgatar sua relevncia e autoridade na pregao quando...

5. O sangue do pacto promover aliana de compromisso em ns - (Vs. 28).

Como igreja, se buscamos relevncia para a sociedade, se pretendemos fazer a diferena j em nosso tempo, profetizando um futuro melhor, no podemos permanecer aguilhoados 
ao pelourinho do pecado e dissociados pelo preconceito que ressalta as idiossincrasias. Se somos igreja, devemos vivenciar ntima comunho, irmanados em Jesus Cristo, 
Efsios 2.14-18 e 1 Joo 4.20. 

O sangue do pacto foi derramado "para a remisso de pecados", para cobrir e apagar o escrito de culpa que recaia sobre ns, Colossenses 2.14, para nos reconciliar 
com Deus, 2 Corntios 5.18 e 19, fazendo-nos um s povo, Efsios 4.4 e conjugando-nos em s corao, Atos 4.32. No divisionismo ou sectarismo autofgico e se quer, 
para um preconceito satanicamente beatificado pelo denominacionalismo coercitivo. 

O sangue que "nos purifica de todo o pecado", a partir do arrependimento e da confisso sincera diante de nosso Advogado e nico mediador, Jesus Cristo, l Joo 1.8, 
2.2 e 1 Timteo 2.5, nos impe a comunho que afaga o corao e acarinha o aflito e o existencialmente desesperanado. Pelo que, a igreja deve retirar-se do templo, 
aps o culto prestado, restaurada, perdoada, transbordando em amor e alegria e amalgamada no sangue de Jesus Cristo. 

Todo o nosso pecado e preconceito devem ser abandonados aos ps da cruz de Cristo, o Cristo que " tudo em todos", Colossenses 3.11.

Concluso

Amados,  urgente e premente uma reflexo quanto relevncia e a atuao da igreja no mundo da globalizao e, em especial, aqui em So Paulo.
Se no identificamos estas cinco assertivas em nossa expresso cltica e identidade doutrinria e denominacional, corremos o risco de sermos vitimados por descomunal 
aridez teolgica, eclesiolgica e doutrinria. Nos tornaremos insipientes, insignificantes e dispensveis ao homem que carece de salvao e no de liturgias, eventos 
sociais ou verdadeiros shows pseudo-espirituais aromatizados com essncia de enxofre, no com o hlito do Esprito Santo.

Sejamos igreja. Corpo vivo de Cristo. Submissos a ordem do Mestre e conscientes da brevidade do tempo para a salvao. Sejamos igreja que festeja a vitria de Cristo 
na Cruz e que  contristada pela conscincia de pecado. Sejamos igreja santa e poderosa na evangelizao para que desfrutemos as benesses do perdo, do amor e da 
comunho ntima, expresso inconteste da nossa reconciliao com Deus em Cristo Jesus.

Parte XIII
A LIDERANA CRIST E O DISCIPULADO 
 
Creio na liderana crist e creio no discipulado. Compreendo que a liderana crist tem o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que 
de Deus recebeu. Creio numa liderana comprometida com o reino de Deus (cf. Mt 6.33), o que, alis,  uma qualidade-chave do lder cristo. Uma liderana comprometida 
 fiel (1Co 4.2), disponvel (Lc 9.57-62), receptiva  capacitao, ou seja, ao treinamento (um teste  convidar 12 a 20 pessoas para reunies de treinamento, e 
observar quem retorna a partir da segunda reunio. O treinamento, por sinal, j  uma seleo). Descobrir pessoas que possuam potencial  tarefa do lder, e isso 
com o objetivo de trein-las de modo a que em dado momento a organizao possa funcionar sem ele, lder.  um facilitador no ensino dos novos discpulos e na participao 
deles no global do processo;  exemplo e ajuda em vez de apenas verbalizar, valoriza a participao dos outros,  paciente e confia no Esprito Santo como conselheiro 
e auxlio nas dificuldades. 

Creio na liderana capacitada pelo Esprito de Deus, "carismatizada" para o benefcio da Igreja de Cristo, para que todo o edifcio bem ajustado cresa para templo 
santo cuja glria seja unicamente a de Deus, ou como colocou a Bblia em Portugus Corrente (edio da Sociedade Bblica de Portugal, 1993): " em Cristo que todo 
o edifcio est seguro e cresce at se transformar num templo que honre ao Senhor" (Ef 2.21).

Creio tambm no discipulado cristo, pois  somente observar a nfase dada por Jesus ao cuidado, carinho, busca e instruo dos que O seguiam. "Discpulo", por sinal, 
parece ser a palavra favorita de Jesus para aqueles cuja vida estava ligada a dEle. Aparece 269 vezes nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apstolos.
O lder cristo do sculo 21 no pode esquecer que as condies do discpulo so um daqueles princpios imutveis, apesar das transformaes litrgicas, administrativas, 
pelas quais a Igreja de Cristo vem passando atravs dos sculos. Quem as declara so os Evangelhos:
 Transportar a cruz (Lc 14.27). A cruz no  brinquedo, mas instrumento de morte, na qual o eu deve morrer. Ir-para-o-Calvrio  um caminho escolhido deliberadamente, 
visto que a cruz  o smbolo da perseguio, vergonha e abuso que o mundo jogou sobre o Filho de Deus e jogar sobre os que escolhem navegar contra a corrente, o 
discpulo.
 Renncia (Lc 14.33), que  entrega irrevogvel a Jesus Cristo, autonegao, nos termos de Lucas 14.26 e Mateus 16.24. Nosso amor a Jesus e  Sua causa h de ser 
to evidente que, em comparao, todos os demais sero diminudos. Billy Graham afirmou que "a salvao  de graa, mas o discipulado custa tudo o que temos".
 Constncia (Jo 8.31).  passar a viver em companhia de Jesus, comunho de destinos com Ele, segui-Lo, permanecer nEle. O verdadeiro discpulo se caracteriza pela 
estabilidade.
 Produo de frutos (Jo 15.8). Unio frutfera como Senhor (Jo 15.4,5). 

O lder cristo h de observar os dois aspectos bsicos do discipulado em sua prpria experincia de vida: a unio com Cristo e a dedicao sem reservas, que Jesus 
Cristo descreveu em termos de videira e ramos (cf. Jo 15.5ss). Em relao ao primeiro aspecto, Paulo usa inmeras vezes a expresso "em Cristo" para com isso significar 
que ns estamos nEle e Ele est em ns (Cl 1.27). Por sua vez, Romanos 6.1-12 indica o significado do regime de dedicao exclusiva a Jesus.

O alvo do discipulado deve permanecer bem definido na mente do lder cristo:  a semelhana de Cristo em carter e em servio. O Esprito Santo d-nos o carter 
de filhos de Deus, e nessa linha de raciocnio, o fruto do Esprito  o retrato desse carter: amor, alegria, paz, pacincia, benignidade, bondade, fidelidade, mansido 
e autodomnio.

OIKOS, UM CONCEITO PARA O SCULO 21

As grandes cidades, sejam capitais legais, formais ou informais so um centro dominante A caracterstica maior  a concentrao de populao vrias vezes superior 
 cidade seguinte em importncia. Tem primazia poltica, econmica, acadmica e cultural (a rea metropolitana de Tquio  maior que a metade da populao do Canad). 
 tambm nessa situao que o lder cristo h de exercer o discipulado.

So caractersticas dos habitantes da urbis:

 Um ser solitrio. Quem mora na roa vive praticamente num sistema de cl (estilo semita bblico). Na cidade grande est perdido.
 Um ser pobre. Mora em invaso.
 Um ser que sonha. No perdeu essa capacidade.
 Um ser que escuta. E a ele muitos "discipuladores" querem falar.

OIKOS, UM NOVO VELHO CONCEITO

Oikos  o "lar familiar", a esfera de influncia.  o sistema social primrio composto por aqueles que que so relacionados por laos comuns de famlia, trabalho 
e vizinhana. Trs so as constantes culturais: o parentesco, a comunidade e a associao:
 parentesco so laos de sangue ou de afinidade.
 A associao  voluntria com normas, autoridade, mobilizao de recursos, e movidas por amizade, sexo, poder, ideais, interesses, prestgio (sindicatos, igrejas, 
clubes).

 A comunidade  determinada pela geografia.

Se isso existe hoje, e  uma constante antropolgica, existiu nos dias neotestamentrios.  o oikos (cf. Michael Green. Evangelizao na Igreja Primitiva). Alguns 
casos so:

 a famlia de Betnia (Jo 12.1-3);
 a casa de Cornlio, oficial romano (At 10);
 a casa de Ldia (At 16.13-15);
 a famlia do carcereiro de Filipos (At 16.25-34);
 a casa de Prisca e qila (Rm 16.3-5);
 a casa de Aristbulo (Rm 16.10);
 a casa de Narciso (Rm 16110.

Os descrentes tm dois problemas: o de informao (no conhecem a um cristo de verdade), e o de reputao (conhecem um "cristo" que no tem a mente de Cristo).


IMPEDIMENTOS

Liderana que no encarna ideais e falta de mobilizao do povo de Deus. Falar de liderana  falar de pastores, presbteros, diconos, ministros na vrias reas, 
professores, conselheiros, relatores, etc. Atravs da histria, Deus tem chamado homens e mulheres para abenoar Seu povo. 

No sculo 21 muita coisa tem mudado: igrejas querem dinheiro, no poder do Esprito; santurios cheios de pessoas, mas no de poder; animao, mas no renovao. 

A liderana h de ter viso.

A LIDERANA E A PALAVRA DE DEUS 
 

A liderana crist no pode prescindir de utilizar a Bblia Sagrada como fonte de reflexo, de meditao, de discipulado e caminho de vida. O desenvolvimento do 
Salmo 119 bem o demonstra. Afinal, a Bblia se evidencia Palavra de Deus nas profecias e cumprimentos, em mostrar o ser humano em sua realidade e pelos seus efeitos 
na vida do homem que  transformado em discpulo de Jesus Cristo. 

Por essa razo, h o lder de nela meditar (Sl 1.1,2), de nela viver (v.3) e conhec-la para crescer em graa (v.3).

OMO A PALAVRA DE DEUS TEM SIDO DESAFIADA

A proposta de um evangelho para o Terceiro Milnio. 
Exemplo tpico deste desafio  Escritura Sagrada e o seu ensinamento  o feito por Huscar Terra do Valle em seu Tratado de Teologia Profana. No captulo em que 
trata de "Alm do Bem e do Mal", Valle explica que a moral do judasmo se resume na expresso "Olho por olho, dente por dente", buscando provar com tal exposio 
que o Deus dos hebreus,  mau e vingativo. Jav  colocado no mesmo nvel de Marduque dos babilnios, de Baal dos fencios e outros deuses semitas. Civilizado , 
no seu entender, o Zoroastrismo que prega a eterna luta entre o bem e o mal (Ormuz e Arim) e a presena de Mitra, encarregado de ajudar o ser humano a lutar pelo 
bem.

Chega esse pensador  concluso que a figura de Deus vem do fundo do inconsciente, referindo-se ao comando instintivo dos genes. H uma tremenda carga emocional 
que inspira profundo respeito e  codificada para o entendimento do consciente como Deus onipotente, criador, etc. Expresso dessa carga emocional  o misticismo. 
Religio, diz ele,  uma adorao da prpria raa, que so os genes, ou na figura de Deus ou na imagem dos ancestrais.

Pecado  a desobedincia aos mandamentos dos genes, sendo, a rigor, um conceito tribal.

A proposta de uma nova moral. 

Tratando-se de uma nova moral para o Terceiro Milnio, no se pode negar a sobrevivncia do mais apto, ou seja, daquele que soubesse compatibilizar os interesses 
do indivduo com os da sociedade. As religies nada fizeram para melhorar os padres de moralidade da sociedade como um todo, visto que vivem confinadas em suas 
prprias doutrinas, e consideram os elementos de outras religies como gentios ou pagos. 

A nova moral, como a nova religio, tem que ser universal excluindo apenas um grupo, os fanticos. A idia de Deus no  indispensvel para um comportamento moral. 
A proposta  a de um cdigo de tica baseado na cincia, pois a Astronomia mostra a insignificncia do ser humano no universo; a Biologia, a Gentica, a Teoria da 
Evoluo e a Sociobiologia de mostram que o ser humano no foi criado  semelhana de Deus, e sim do macaco e de outros animais. Valle declara no acreditar em outra 
vida, por isso o cu deve ser procurado nesta, evitando, tambm que a vida se transforme em um inferno. O destino do ser humano  entregar aos descendentes os genes 
que recebeu dos antepassados, o que o transforma em uma mquina de sobrevivncia apenas.

Igreja 

 a prostituio da religio. A verdadeira religio consiste em agir desinteressadamente, visando ao bem da coletividade, e no, entre outras coisas, citar a Bblia, 
fazer sermes de duvidosa sinceridade, ou pagar o imposto do cu (o dzimo). Por isso, prescinde de Deus. O sentimento religioso pode ser transmitido de vrias maneiras, 
sobressaindo-se a msica, que  emoo pura. O arrebatamento religioso poder vir por meio dela. 

 PRECISO...

Resgatar o senso da soberania e majestade de Deus. 
Ou seja, um conceito adequado de Deus e da sua doutrina. Porque homens e mulheres levaram Deus a srio, foram escolhidos para altas misses (Gn 6.9; 7.1; 12.1-3; 
Is 6.1ss); tiveram vises (2Rs 6.17; Ez 1); foram mes de grandes homens (1Sm 1.1ss; Jz 13.2,3; Lc 1.1ss). Deus no  algo, uma fora ou uma influncia. Mas, ensina 
a Escritura e a nossa prpria experincia, uma Pessoa com quem podemos manter comunho. 

O Nome e o toque de Deus. O Deus  minha imagem e semelhana: o Deus Papai Noel, o Deus da Arte, o Deus-que-me-obedece, o Deus utilitrio. 

Quem  Deus?  o Deus nico (Is 45.22; Dt 6.4);  o Deus que est presente (Ez 48.35);  o Deus Vivo, Santo e Verdadeiro.

Resgatar o senso da messianidade e da obra de Jesus Cristo. 
A doutrina de Cristo, no Cristianismo, d significado a todas as outras (Revelao, o Ser Humano, Igreja, Escatologia, etc.) Uma pergunta to antiga quanto o evangelho 
 "Quem dizem os homens que eu sou?" (Lc 9.18,19).
* "O Homem Perfeito"
* "O Homem Ideal", modelo dos outros
* "A mais bela alma que jamais existiu" (Auguste Sabatier, filsofo francs)
* "Curvo-me diante de Jesus Cristo como diante da revelao divina do princpio supremo da moralidade" (Goethe)
* "Um grande mestre"
* "(Jesus com) seu perfeito idealismo,  a mais alta regra da vida, a mais destacada e a mais virtuosa. Ele criou o mundo das almas puras..." (Ernest Renan)
* "(foi Jesus quem) ps  luz, pela primeira vez, o valor de cada alma humana e ningum pode desfazer o que ele fez" (Harnack).

Pedro faz a confisso de f evanglica ao dizer "o Cristo, o Filho do Deus Vivo" (Mt 16.16).

Um modo de reconhecer os atributos de Jesus Cristo  examinar os seus ttulos no Novo Testamento:
Jesus ("Salvao do Senhor"), 
Cristo ("Ungido"), 
Senhor, Verbo ou Palavra, etc.

Resgatar o valor da Escritura Sagrada como norma de vida 
Os estandartes da Reforma: Sola Gratia, Sola Fide, Sola Scriptura. O propsito da Bblia Sagrada e dos seus registros: para que homens e mulheres venham a crer (Jo 
20.31) e os crentes cresam (1Pe 2.2,3).

A Palavra de Deus  viva e eficaz (Hb 4.12), e penetrante e apta.

Livros sugeridos
BLANCHARD, John. Aceptado por Dios. Edinburgh, El Estandarte de la Verdad, 1974. Trad. J.M. Blauch. 128 p.
BROWN, Lavonn D. Truths that Make a Difference. Nashville, Convention Press, 1980.
CHRISTIAN, C.W. Shaping your Faith. Waco, Word, 1973.
KNUTSON, Kent S. His Only Son Our Lord. Minneapolis, Augsburg, 1966.
LAMEGO, Maria J.R. e RAHM, Haroldo. Eu Sou Quem Sou. SP, Loyola, 1976.82 p.
NEILL, Stephen. Quem  Jesus Cristo? Rio, Confederao Evanglica do Brasil, 1961. Trad. L. A Caruso
SNOWDEN, Rita. Christianity Close to life. Glasgow, Collins, 1978. 57 p.
VALLE, Huscar Terra do. Tratado de Teologia Profana. SP, Alfa mega, 1998. 349 p.

Parte XIV
A MISSO DA IGREJA
Na confrontao com a opresso espiritual 
 
Uma das questes mais cruciais da missiologia  a definio do prprio conceito de misso. O que se deve entender por misses crists? Quais so a natureza e os 
objetivos da misso da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teolgicos. 
Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelizao e "civilizao."1 Hoje  mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. Diferentes autores 
do sculo XX tm procurado expressar a misso da igreja em termos de desenvolvimento, presena crist, dilogo inter-religioso, justia e paz, diaconia e outros 
conceitos.

Certamente este  um assunto controvertido, mas tambm sumamente importante para a igreja e para os cristos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e 
fazer o que deve fazer se no tiver uma clara compreenso acerca do seu propsito na sociedade e no mundo?

O objetivo deste estudo  abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar, um dos mais destacados missilogos evanglicos contemporneos da Amrica Latina. 
A escolha de Escobar justifica-se por vrias razes. Ele tem um profundo conhecimento da situao religiosa, social e poltica da Amrica Latina, tendo trabalhado 
em vrios pases como pastor e missionrio;  um telogo, escritor e orador extremamente articulado e criativo; tem sido um lder respeitado em crculos missiolgicos 
e teolgicos; tem estado em dilogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latino-americano e mundial; finalmente, por vrios 
anos ele tem sido professor em instituies teolgicas norte-americanas, o que o coloca numa posio privilegiada para falar a uma audincia mais ampla e levar ao 
primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de misses.

Nossa anlise comea com um retrospecto histrico da discusso missiolgica protestante na Amrica Latina. A seguir, iremos fornecer algumas informaes biogrficas 
sobre Samuel Escobar, fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e nfases da sua reflexo missiolgica. 
Ao longo dos anos, Escobar tem defendido um conceito de misso que  ao mesmo tempo bblico, evanglico, contextual e sensvel s complexas realidades espirituais, 
polticas, sociais e econmicas da Amrica Latina. Criticando os modelos missionrios reducionistas ou dicotmicos, ele prope um programa que implica em levar o 
evangelho integral ao ser humano integral, na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas prprias convices 
a respeito do tema em questo, ou seja, a misso da igreja na sociedade.

I. ANTECEDENTES
A reflexo sistemtica e abrangente sobre o trabalho missionrio protestante na Amrica Latina foi desencadeada pela clebre Conferncia Missionria Mundial, realizada 
em Edimburgo em 1910.2 Todavia, esse estmulo ocorreu s avessas, uma vez que somente foram convidadas para a conferncia as sociedades missionrias que atuavam 
entre povos no-cristos.3 Isso excluiu a Amrica Latina do mbito daquele encontro, sendo admitidas apenas as misses que trabalhavam entre as tribos pags desse 
continente. 

Durante a conferncia, Robert E. Speer (1867-1947), o secretrio executivo da Junta de Misses Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, convidou 
vrios delegados interessados na Amrica Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. Como resultado desses entendimentos, 
realizou-se em Nova York, em maro de 1913, uma conferncia sobre misses na Amrica Latina, sob os auspcios da Conferncia de Misses Estrangeiras da Amrica do 
Norte.4 Essa conferncia criou a Comisso de Cooperao na Amrica Latina (CCLA), tendo como presidente o prprio Robert Speer e como secretrio executivo Samuel 
Guy Inman.

Por sua vez, a CCLA patrocinou o Congresso de Ao Crist na Amrica Latina, reunido no Panam em fevereiro de 1916, o maior encontro das foras protestantes desse 
continente realizado at aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperao em reas como educao religiosa, misses, literatura e formao teolgica. 
Mais especificamente, suas metas principais foram a evangelizao das classes cultas, a unificao da educao teolgica atravs de seminrios unidos, o desejo de 
dar uma dimenso social ao trabalho missionrio na Amrica Latina e o esforo em promover a unidade protestante.5

Na realidade, o Congresso do Panam foi uma reunio de representantes de juntas missionrias estrangeiras, antes que um encontro de lderes protestantes latino-americanos. 
Dos 230 delegados oficiais, apenas 21 eram latino-americanos natos.6 Mesmo assim, o evento produziu a primeira discusso sria do protestantismo latino-americano 
e estimulou a criao de rgos cooperativos regionais em vrios pases. Por outro lado, o Congresso do Panam revelou duas nfases que se tornariam problemticas 
para os evanglicos latino-americanos: uma atitude simptica para com a Igreja Catlica e uma forte influncia do "evangelho social."

Como resultado do encontro do Panam, nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionrios regionais. O primeiro, denominado Congresso de Ao Crist na 
Amrica do Sul, reuniu-se em Montevidu, Uruguai, em 1925. Aqui, embora a participao de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo 
Braga foi eleito presidente do congresso), os norte-americanos ficaram a cargo da organizao e presidiram todas as comisses. Finalmente, em 1929 reuniu-se em Havana 
o Congresso Evanglico Hispano-Americano, presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Desta feita, o congresso foi inteiramente organizado e conduzido 
por latino-americanos e as nfases recaram sobre a nacionalizao e o auto-sustento das igrejas evanglicas.

Uma segunda srie de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por trs Conferncias Evanglicas continentais: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA 
II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969).7 Essas conferncias estavam ligadas s denominaes histricas, que rapidamente tornavam-se minoritrias no contexto 
geral do protestantismo da Amrica Latina. O protestantismo ecumnico das CELAs recebia a influncia do protestantismo histrico declinante do hemisfrio norte, 
buscava aproximar-se do catolicismo posterior ao Conclio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder  difcil situao social do continente com uma teologia 
radical, que eventualmente identificou-se com a clebre "teologia da libertao."

A teologia da libertao adquiriu notoriedade no mbito catlico romano com a segunda assemblia da Conferncia Episcopal Latino-Americana (CELAM), reunida em Medelln, 
Colmbia, em 1968.8 Anos antes, em 1962, os protestantes haviam criado a organizao Igreja e Sociedade na Amrica Latina (ISAL), aps uma consulta realizada em 
Huampan, Peru, no ano anterior. Ela tornou-se o centro de convergncia dos telogos protestantes da libertao, tendo como rgo o peridico Cristianismo e Sociedade. 
Em 1972, as duas correntes teolgicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristos pelo Socialismo, realizado em Santiago do Chile.

Ao lado das Conferncias Evanglicas continentais (CELAs) e do ISAL, o protestantismo ecumnico latino-americano criou vrias estruturas para-eclesisticas com o 
fim de promover os seus objetivos. Alguns organismos importantes so ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristo (MEC), Unio Latino-Americana de Juventudes 
Evanglicas - depois, Ecumnicas (ULAJE), Agncia de Servios Ecumnicos Latino-Americanos (ASEL), Comisso Evanglica Latino-Americana de Educao Crist (CELADEC), 
Coordenadoria de Projetos Ecumnicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).9

Uma caracterstica desse protestantismo ecumnico era o crescente declnio do seu mpeto evangelizador, em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a misses 
independentes ou ao movimento pentecostal, que mantinham o seu vigor evangelstico apesar das debilidades da sua teologia. Do seio desse protestantismo majoritrio 
surgiu o impulso para os Congressos Latino-Americanos de Evangelizao, que constituem a terceira das sries mencionadas acima: CLADE I (Bogot, 1969), CLADE II 
(Lima, 1979) e CLADE III (Quito, 1992). O CLADE IV dever realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.10

O primeiro CLADE foi organizado pela Associao Evangelstica Billy Graham, sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelizao (Berlim, 1966), convocado pela revista 
evanglica Christianity Today. O CLADE I permitiu que lderes preocupados em relacionar a f evanglica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas 
inquietaes. Para Valdir Steuernagel, esse congresso teve duas marcas distintivas:

Manifestou com clareza que, na Amrica Latina, somos e queremos ser evanglicos. E, como evanglicos, somos e queremos ser latino-americanos. Naquela ocasio e naquele 
contexto, tornava-se urgente que, sendo evanglicos, buscssemos uma teologia da encarnao que estabelecesse as pautas para um dilogo com a situao de sofrimento 
e opresso que se vivia em toda a Amrica Latina.11

Foi no CLADE I que se articulou a criao da Fraternidade Teolgica Latino-Americana, organizada no ano seguinte em Cochabamba, Bolvia, tendo Pedro Savage como 
seu primeiro secretrio e Samuel Escobar como seu primeiro presidente. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade:

Desde o primeiro momento, a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e dilogo teolgico da qual participassem pastores, missionrios e pensadores evanglicos, 
dentro do marco evanglico de uma lealdade comum  autoridade bblica e  f evanglica como base da reflexo e de um compromisso ativo com o cumprimento da misso 
crist.12

Por sua vez, a Fraternidade Teolgica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores, inclusive o que ir realizar-se no ano 2000.13 A Fraternidade procurou estar 
to consciente da problemtica social latino-americana quanto o grupo ISAL, mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questo de uma perspectiva que entendia 
ser mais bblica e equilibrada. Ela  tambm mais representativa do protestantismo popular da Amrica Latina que a sua congnere ecumnica. Entre os seus participantes 
mais destacados e influentes est o lder que  o enfoque principal deste artigo - Samuel Escobar.14
II. DADOS BIOGRFICOS E ESCRITOS
Samuel Escobar nasceu no Peru e freqentou uma escola missionria inglesa em Arequipa. Em 1956, ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educao na Universidade 
de So Marcos, em Lima, aps o que dedicou-se ao ensino nos nveis primrio, secundrio e superior.

Em 1959 Escobar tornou-se o secretrio itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evanglicos (International Fellowship of Evangelical Students) - representada 
no Brasil pela Aliana Bblica Universitria -, visitando praticamente todos os pases da Amrica Latina. Ele trabalhou como missionrio entre estudantes universitrios 
na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evanglica Kairs, em Buenos Aires. Alguns anos depois, ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.D.) 
na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretrio da Fraternidade Crist Universitria (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canad, 
com sede em Toronto.16

Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teolgica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretrio geral 
da Fraternidade Internacional de Estudantes Evanglicos. Nas dcadas de 1960 e 1970, ele e outros telogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em crculos 
evanglicos e ecumnicos internacionais atravs de sua participao em importantes conferncias. Alm disso, h muitos anos ele  membro da Comisso Teolgica da 
Fraternidade Evanglica Mundial (World Evangelical Fellowship), tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente, Samuel Escobar  presidente 
das Sociedades Bblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminrio Teolgico Batista do Leste, em Filadlfia, Estados Unidos.18 Ele tambm leciona sobre 
misses em seu pas natal, o Peru.

Samuel Escobar  autor de vrios livros sobre teologia e missiologia: Dilogo entre Cristo y Marx (1967), Quien es Cristo Hoy? (1970, com C. Ren Padilla), Decadencia 
da la Religin (1972), Christian Mission and Social Justice (1978, com John Driver), Irrupcin Juvenil (1978), La Fe Evangelica y las Teologas de la Liberacin 
(1987), Evangelio y Realidad Social (1988), Liberation Themes in Reformational Perspective (1989), Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993), entre outros. 
Um dos seus livros mais recentes  Desafios da Igreja na Amrica Latina: Histria, Estratgia e Teologia de Misses, publicado em 1998 pela Editora Ultimato.

Escobar tambm escreveu diversos ensaios que foram publicados como captulos de livros. Alguns ttulos representativos podem dar-nos uma idia de seus temas prediletos: 
"Social Concern and World Evangelism," em Christ the Liberator (1971); "The Social Impact of the Gospel," em Is Revolution Change? (1972); "Evangelism and Mans 
Search for Freedom, Justice and Fulfillment," em Let the Earth Hear His Voice (1974); "The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American 
View," em Bible Translation and the Spread of the Church (1990); "Latin America," em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993); "A Pauline Paradigm 
of Mission: A Latin American Reading," em The Good News of the Kingdom (1993); "La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones," em Historia 
y Misin: Revisin de Perspectivas (1994); "The Church in Latin America after Five Hundred Years" e "Conflict of Interpretations of Popular Protestantism," em New 
Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994); "The Search for a Missiological Christology in Latin America," em Emerging Voices in Global 
Christian Theology (1994); "The Training of Missiologists for a Latin American Context," em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996); "Religion 
and Social Change at the Grass Roots in Latin America,"19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997).

Finalmente, seus numerosos artigos tm aparecido em renomados peridicos como Evangelical Missions Quarterly, Evangelical Review of Theology, International Bulletin 
of Missionary Research, Transformation, Missiology e International Review of Mission, entre outros. Uma vez mais, os prprios ttulos de alguns artigos representativos 
do uma clara idia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: "The Social Responsibility of the Church in Latin America" (EMQ, 
1970), "Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America" (IBMR, 1982), "Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope" (Transformation, 
1986), "Missions and Renewal in Latin American Catholicism" (Missiology, 1987), "Recruitment of Students for Mission" (Missiology, 1987), "Has McGavrans Missiology 
Been Devoured by a Lion?" (Missiology, 1989), "From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission" (Urban Mission, 1990), "A Movement Divided: Three 
Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another" (Transformation, 1991), "Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological 
Christology" (Missiology, 1991), "Mission in Latin America: An Evangelical Pespective" (Missiology, 1992), "The Elements of Style in Crafting New International Mission 
Leaders" (EMQ, 1992), "500 Years after Columbus: Requiem or Te Deum?" (EMQ, 1992), "The Legacy of John Alexander Mackay" (IBMR, 1992), "The Whole Gospel for the 
Whole World from Latin America" (Transformation, 1993), "Missions New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models 
for Worldwide Ministry" (Christianity Today, 1994), "Beyond Liberation Theology: A Review Article" (Themelios, 1994), "A Missiological Approach to Latin American 
Protestantism" (IRM, 1998).20

As influncias recebidas por Escobar, especialmente atravs dos movimentos de que participou a partir da dcada de 1960, ajudam a entender as preocupaes reveladas 
pelos ttulos dos seus escritos.

III. REFLEXO TEOLGICA E ENVOLVIMENTOS
Samuel Escobar identifica-se como um evanglico.21 Isto significa, por um lado, que ele no tem nenhuma conexo particular com as correntes da teologia da libertao 
que foram e ainda so uma expresso importante da teologia latino-americana, tanto catlica quanto protestante. Por outro lado, ele est longe de partilhar das idias 
e compromissos do fundamentalismo, sendo bastante crtico da sua teologia/ideologia.

Sua identidade latino-americana tambm  essencial para a reflexo e os envolvimentos teolgicos de Escobar. Tendo vivido em um perodo de grande turbulncia na 
histria latino-americana, marcado por injustia e opresso generalizada, violncia poltica, golpes militares, regimes ditatoriais e caos scio-econmico, Escobar 
e alguns colegas sentiram que no era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. Para ele, o evangelho tem relevncia para a totalidade da vida. A igreja 
deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliao com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida 
neste mundo, como indivduos e como membros da sociedade. O evangelho tem implicaes sociais e polticas revolucionrias que no podem ser omitidas.

Conseqentemente, Escobar tem um profundo interesse em misses. Como pastor, lder de movimentos estudantis, professor e telogo, ele sempre interessou-se pela misso 
da igreja, especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. Para ele, a mensagem bblica em geral, e os ensinos e o ministrio de Jesus em particular, mostram 
o interesse de Deus por todas as necessidades humanas, e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia 
holstica e inspirar outras pessoas - estudantes, pastores, leigos e lderes cristos - a compartilhar essa viso.

Em seu livro Mission Theology, Rodger C. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de misso ecumnica, evanglica conservadora e catlica, especialmente 
entre 1948 e 1975. Ele observa que, em meados da dcada de 60, os evanglicos comearam a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma viso abrangente 
de misses, em particular depois de 1966, o ano em que eles patrocinaram duas grandes conferncias mundiais sobre misses e evangelizao.22

Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estgio na emergncia de uma identidade evanglica,  medida que evanglicos de todo o mundo comearam a empreender 
juntos uma anlise da situao enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com misses e evangelismo em todos os continentes. Nesse contexto, Bassham identifica 
vrios desdobramentos importantes: os primrdios de uma teologia evanglica de misso altamente representativa (a Declarao de Wheaton), a luta em torno da relao 
entre evangelizao e ao social, o forte impacto do conceito de "crescimento da igreja" sobre a teologia evanglica de misses, e o crescente nmero de vozes evanglicas 
provenientes de fora da Amrica do Norte.

O Congresso Mundial de Evangelizao (Berlim, 1966) - a primeira grande reunio mundial de evanglicos no sculo XX - tambm estimulou congressos regionais de evangelizao 
em vrios continentes. Estes por sua vez contriburam para o Congresso Internacional de Evangelizao Mundial (Lausanne, 1974), que evocou manifestaes de opinio 
de toda a comunidade evanglica,  medida que os participantes se debatiam com as questes da teologia de misso no mundo contemporneo. Para Bassham, o Pacto de 
Lausanne demonstra que "os evanglicos desenvolveram uma teologia de misso amadurecida, positiva e consistente."23

Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participao de telogos latino-americanos, Samuel Escobar estando entre eles. Escobar foi ouvido pela 
primeira vez por grandes audincias internacionais nas convenes da Fraternidade Crist Universitria realizadas em Urbana, Estados Unidos, nos anos 60. Ele e outros 
oradores da Amrica Latina desafiaram os evanglicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justia social e reformas polticas como parte dos seus 
deveres como cristos.24 Na conveno de 1970, Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relao entre as preocupaes sociais e 
a evangelizao mundial.

No Congresso Mundial de Evangelizao (Berlim, 1966), Escobar estava entre os muitos lderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. 
Ele exortou os missionrios a superar a mentalidade paternalista, imperialista e colonialista, a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas aliceradas na f, 
dotadas de uma liderana nacional bem-treinada, e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local.25

No entanto, o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelizao Mundial (Lausanne, 1974). Bassham observa 
que "as apresentaes e discusses de Lausanne mostraram um esprito de abertura, diversidade de perspectivas e profundidade de anlise jamais alcanado anteriormente 
em uma assemblia evanglica."26 Uma das grandes influncias nas deliberaes do congresso veio atravs das contribuies de oradores do terceiro mundo. O impacto 
de lderes como Samuel Escobar e C. Ren Padilla, atravs do grupo de Discipulado Radical, foi de especial importncia.

Enquanto que a orientao teolgica de Lausanne permaneceu firmemente evanglica, acentuando a autoridade da Bblia, a singularidade de Cristo e a necessidade da 
evangelizao, ela tambm produziu algumas mudanas bem-definidas na teologia evanglica de misses. O Pacto de Lausanne foi muito alm das declaraes evanglicas 
tradicionais, demonstrando que o evangelismo bblico  inseparvel da responsabilidade social, do discipulado cristo e da renovao da igreja. Lausanne abordou 
o tema abrangente da evangelizao mundial, referindo-se com isso ao ministrio e  misso total da igreja.

Em seu captulo sobre a "Responsabilidade Social Crist," o Pacto de Lausanne declara:

Afirmamos que Deus  tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar da sua preocupao com a justia e a reconciliao em toda a sociedade 
humana e com a libertao dos homens de todo tipo de opresso. Porque a humanidade foi feita  imagem de Deus, toda pessoa, no importa qual seja a sua raa, religio, 
cor, cultura, classe, sexo ou idade, tem uma dignidade intrnseca em razo da qual deve ser respeitada e servida, e no explorada. Tambm aqui manifestamos o nosso 
arrependimento, tanto pela nossa negligncia quanto por s vezes termos considerado a evangelizao e a preocupao social como mutuamente exclusivas. Embora a reconciliao 
com o ser humano no seja o mesmo que a reconciliao com Deus, nem a ao social seja evangelismo, nem a libertao poltica seja salvao, todavia afirmamos que 
tanto a evangelizao como o envolvimento socio-poltico so parte do nosso dever cristo.27

Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ao social em favor dos pobres e necessitados, at mesmo 
ao ponto de se esforarem pela mudana das estruturas sociais. Oradores latino-americanos como Ren Padilla, Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declaraes 
mais fortes no sentido de que a preocupao com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas  uma parte necessria do testemunho e da responsabilidade 
dos cristos em favor do mundo. Bassham cita as seguintes afirmaes de Escobar:

Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos dirios da vida - sociais, econmicos e polticos -,  religiosidade e no cristianismo... De uma vez por todas, 
devemos rejeitar a falsa noo de que a preocupao com as implicaes sociais do evangelho e as dimenses sociais do testemunho cristo resultam de uma falsa doutrina 
ou de uma ausncia de convico evanglica. Ao contrrio,  o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimenso social.28

No mbito continental, Samuel Escobar teve uma importante participao no Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelizao (CLADE I, Bogot, 1969), planejado 
em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim, trs anos antes.29 Dentre os 28 discursos principais, a sua apresentao sobre 
a responsabilidade social da igreja recebeu a ateno mais entusistica. Ele argumentou eloqentemente que tanto a evangelizao quanto a ao social so necessrias 
para o testemunho cristo.30 Escobar afirmou a certa altura:

Existe base suficiente na histria da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupao pelo aspecto social do testemunho 
evanglico no mundo no  um abandono das verdades fundamentais do Evangelho; pelo contrrio,  levar s suas ltimas conseqncias os ensinos a respeito de Deus, 
de Jesus Cristo, do homem e do mundo, que formam a base desse Evangelho... Sustentamos que uma evangelizao que no toma conhecimento dos problemas sociais e que 
no anuncia a salvao e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem,  uma evangelizao defeituosa, que trai o ensino bblico e no segue 
o modelo proposto por Cristo, que envia o evangelista.31

Essa nfase achou lugar na Declarao Evanglica de Bogot, que afirmou: " chegada a hora de ns, evanglicos, levarmos a srio a nossa responsabilidade social." 
Os participantes afirmaram que "o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crtica situao latino-americana de subdesenvolvimento, injustia, fome, violncia e 
desespero,"32 se os cristos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto scio-cultural.

Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os catlicos (II Conferncia Episcopal Latino-Americana, em Medelln, Colmbia). 
Naquele ano, alm do CLADE I, os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferncia - a Conferncia Evanglica Latino-Americana (CELA III), 
em Buenos Aires. Apesar das diferenas existentes entre os dois movimentos, Costa v nos documentos de ambos os eventos a emergncia de novas tendncias missiolgicas 
caracterizadas por um trplice interesse: a busca de um entendimento histrico de misses, de uma expresso mais autntica de unidade crist no empreendimento missionrio 
e de uma reflexo missiolgica mais sria e profunda. Em sua opinio, essa terceira busca tem assumido vrias formas, uma das quais  o modelo tico-missiolgico 
- misso da perspectiva de questes ticas - articulado por, entre outros, Samuel Escobar e C. Ren Padilla.33

O prprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como "holstico."34 Ele argumenta que os evanglicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne 
como uma expresso do seu consenso doutrinrio bsico e do seu claro compromisso com um modelo de misso integral e bblico.35

Em um captulo sobre a Amrica Latina que escreveu para o livro Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993), Escobar menciona duas outras conferncias 
missionrias latino-americanas, ambas realizadas no Brasil. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionrio Latino-Americano (Curitiba, 1976), cujo pacto manteve 
a nfase de Lausanne sobre a preocupao social como parte da misso da igreja: "Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua misso foi um chamado para 
cruzar fronteiras geogrficas, hoje o Senhor est nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade, injustia e idolatria ideolgica."36

Todavia, ele lamenta o fato de que o Congresso Missionrio Ibero-Americano (COMIBAM, So Paulo, 1987) deixou de abordar conceitos bsicos do entendimento de misses, 
inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o prprio local em que se reuniram os delegados.37

Por essa razo, Escobar  um crtico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja, iniciado por Donald McGavran em 1960. Ele preocupa-se com a "missiologia gerencial" 
que d nfase  proclamao verbal e ao crescimento numrico de adeses  igreja como o principal componente das misses crists. Reagindo contra o triunfalismo 
fcil das estatsticas e a tirania do controle de dados, Escobar acredita que o xito do avano protestante na Amrica Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas 
srias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuio para a justia nas relaes sociais.38

Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de misses e evangelizao, mas tambm o esforo consciente de executar essa tarefa 
segundo moldes bblicos. Assim sendo, testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama  "integridade" da misso e procura associar o zelo 
evangelstico com a paixo holstica.39

Em resposta a um artigo de McGavran, Escobar afirma que, como evanglico, ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro, a igreja nunca 
deve perder o seu senso de misso e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Segundo, porque Jesus Cristo  Senhor, somente em seu nome 
h salvao para a humanidade, e essa singularidade de Jesus Cristo  essencial para a mensagem da igreja.40 O que Escobar questiona  se uma pessoa pode realmente 
evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e ento deixar a questo do senhorio de Cristo sobre toda a criao para uma segunda etapa, que poder nunca chegar.

Ele observa que os grandes missionrios dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distino entre "espiritual" (evangelizao) e "o resto," que McGavran 
faz. Eles no procurariam estabelecer prioridades nesses termos, pois operavam com uma noo bblica holstica do ser humano. O que o movimento do Crescimento da 
Igreja necessita  o corretivo de uma slida teologia bblica. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta  diferente: A obra 
missionria ser realizada segundo o modelo de Jesus e a prtica apostlica, ou ir adotar as tcnicas e padres da sociologia funcionalista, do marketing e das 
relaes pblicas?41

Compreensivelmente, Escobar v com apreciao o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na Amrica Latina. Como evanglico, ele aborda 
esse movimento na qualidade de "um observador-participante, algum que tem procurado ser um crtico e intrprete amoroso - um crtico severo em alguns pontos - do 
lado de dentro."42 Ele destaca vrias lies missiolgicas que podem ser extradas do impressionante crescimento do pentecostalismo latino-americano:  um movimento 
religioso (e no social ou poltico),  um movimento popular, mobiliza as pessoas para a misso e cria um senso de comunidade. Escobar declara que

"para as massas em transio, essas igrejas esto oferecendo no somente um abrigo ou refgio no sentido mais limitado, mas a nica maneira disponvel de encontrar 
aceitao social, alcanar dignidade humana e sobreviver ao impacto das foras anmicas que atuam nas grandes cidades."43

Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos tambm escolheram o Pacto de Lausanne como expresso do seu compromisso com um modelo de misso holstico e 
bblico.

Se, por um lado, Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja, por outro lado ele no sente entusiasmo pela Teologia da Libertao. Ele observa como, no incio 
das misses protestantes na Amrica Latina, o evangelho era a verdadeira fora libertadora nas vidas dos latino-americanos, e a religio oficial uma fora opressora.44 
Em dcadas recentes,  medida que a Igreja Catlica Romana latino-americana buscou nova relevncia social e poltica, a Teologia da Libertao foi uma das conseqncias 
desse processo.

Escobar entende que a Teologia da Libertao  uma voz eloqente que procura reinterpretar a histria crist e a mensagem crist. A missiologia evanglica deve avali-la.45 
A Teologia da Libertao confronta a missiologia evanglica com dois desafios, um na rea da conscincia histrica e o outro na da hermenutica. Com relao ao primeiro, 
embora Escobar considere inadequadas a anlise marxista e a "escatologia" da Teologia da Libertao, ele admite que a missiologia evanglica est aprendendo a encarar 
a histria missionria com uma atitude menos ingnua e mais madura. Ele admite: "Ns no mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a srio as realidades 
polticas e sociais."46

Na rea da hermenutica, Escobar reafirma a nfase evanglica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideolgica da interpretao bblica 
demonstrada pelos telogos da libertao. Ele admite que a hermenutica evanglica necessitar ser constantemente purificada de pressuposies ideolgicas, e apela 
a uma genuna cristologia missiolgica que, nas palavras de Ren Padilla, enfatize "o discipulado cristo como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo 
do senhorio de Jesus Cristo."47 Contra o Cristo "doctico" do catolicismo latino-americano tradicional, Escobar e os seus colegas da Fraternidade Teolgica Latino-Americana 
tm refletido sobre o Jesus dos evangelhos, sobre como a sua obra e ensino so relevantes para todas as reas da vida, tanto individual quanto social. Essa reflexo 
inclui uma crtica do cristianismo evanglico na Amrica Latina. Escobar cita novamente seu amigo Ren Padilla: "(O evangelicalismo) afirma o poder transformador 
de Cristo em relao ao indivduo, mas  totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a tica social e a vida social."48

Essa missiologia cristolgica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ao missionria. O material bblico  abordado a partir de vrias perspectivas possuidoras 
de significado missiolgico. H uma sria reflexo acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazar. H tambm uma preocupao quanto 
s marcas da misso de Jesus, com o entendimento de que ser seu discpulo  ser chamado por ele tanto para conhec-lo quanto para participar da sua misso. Alm 
disso, h uma busca do significado e da "integridade" do evangelho - Jesus Cristo  tanto o contedo quanto o modelo e o alvo da proclamao do evangelho.

Escobar identifica essa reflexo missiolgica que est vindo no s da Amrica Latina, mas tambm da frica e da sia, como uma missiologia crtica da periferia. 
Ele observa que tal missiologia " caracterizada por uma forte nfase hermenutica que insiste na importncia de ler o mundo e ler a Palavra, mesmo que essa leitura 
signifique um exame incmodo e srio da herana evanglica."49

Ele argumenta que seria grandemente desejvel para a globalizao das misses e da teologia evanglica se as diferentes correntes missiolgicas do evangelicalismo 
(europias, crescimento da igreja, terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionria do terceiro 
milnio.

Em um artigo sobre a preparao de lderes de misses, Escobar observa que a internacionalizao das misses crists implica em reconhecer que Deus tem levantado 
igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. Nessas igrejas do hemisfrio sul, as igrejas dos pobres, Deus est despertando uma nova fora missionria. Escobar 
gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: "Vamos descobrir o que Deus est fazendo em outras partes do mundo, especialmente nas fronteiras de misso, 
e como ele o est fazendo, e vamos unir-nos aos nossos irmos e irms a fim de completarmos a tarefa inacabada."50

Em sua obra publicada recentemente em portugus, mencionada no incio deste trabalho, Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupaes mais fundamentais. 
Inicialmente, ele destaca a importncia do treinamento de missionrios e missilogos para o contexto latino-americano. Nesse sentido, ele argumenta que "nosso programa 
de treinamento na Amrica Latina precisa ser elaborado com base em convices bblicas, experincia de vida, conscincia histrica e preocupao pastoral."51 Mais 
uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua nfase na mobilizao dos leigos, suas formas contextualizadas de 
culto e ao missionria e o destaque dado ao ministrio do Esprito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a misso da igreja.

Aps salientar o "fator novo" na histria do cristianismo que  a transferncia do dinamismo missionrio para o hemisfrio sul (frica, sia e Amrica Latina), ele 
aponta que os evanglicos latino-americanos tm maior afinidade com os pietistas, morvios e avivalistas dos sculos XVIII e XIX do que com os reformadores do sculo 
XVI. Isso tem levado Escobar, em anos recentes, a dar uma grande nfase ao papel do Esprito Santo nas misses crists, ao lado da sua anterior nfase cristocntrica. 
Ele entende que "os evanglicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Esprito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus."52

Ao mesmo tempo que expressa sua admirao pelas igrejas populares, Escobar reconhece que, com sua nfase na converso de indivduos ao evangelho, elas enfrentam 
os riscos do excesso de individualismo, esprito de competio, falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectrias. Para superar esses problemas ele novamente 
prope o modelo de misso integral, que vai alm da experincia religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo.53

Finalmente, Escobar alerta os cristos evanglicos para a necessidade de um constante processo de encarnao e contextualizao que rejeita toda e qualquer forma 
de paternalismo e discriminao, a partir da sua prpria comunidade local. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupao igualmente 
intensa com as exigncias ticas do evangelho, e conclui com uma anlise do modelo missionrio de Paulo, com sua notvel interao entre reflexo e ao missionria.

REFLEXES FINAIS
Samuel Escobar no se identifica como um reformado ou calvinista. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexo preponderante com a tradio anabatista, uma 
vez que est filiado  Igreja Menonita. No obstante, algumas de suas suas nfases certamente contariam com o aval de Joo Calvino e de muitos dos seus seguidores. 
Nos escritos do grande reformador, seja em seus comentrios, cartas, sermes ou nas Institutas, vemos uma preocupao constante com as implicaes sociais e comunitrias 
do Evangelho, fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores.54 Historicamente, os reformados tm acentuado um conceito abrangente acerca da 
misso da igreja, muito embora as suas prticas nem sempre tenham correspondido s suas convices.

No precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. Na realidade, alguns pontos da sua missiologia merecem reparos, como a sua nfase quase que exclusiva 
sobre as massas empobrecidas da Amrica Latina como objeto da ao missionria da igreja. Ainda que isso no deixe de ser importante, o nosso continente testemunha 
o crescimento cada mais acentuado de uma classe mdia significativa que tambm deve ser alvo do interesse da igreja. Ao lado disso, Escobar tende a superestimar 
os valores positivos das igrejas populares, dando pouca ateno a alguns srios problemas apresentados pelas mesmas, notadamente nas reas doutrinria e tica, como 
 caso de alguns recentes movimentos neopentecostais.

No obstante, Escobar e seus colegas tm algo importante a dizer s igrejas evanglicas histricas da Amrica Latina e do Brasil, que realmente correm o risco de 
tornar-se irrelevantes na sociedade caso no despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. Tal ocorrncia seria um retrocesso histrico lastimvel, 
pois que a igreja crist em geral e as igrejas evanglicas de modo particular tm uma longa e honrosa tradio de "misso integral" ao mundo. Basta lembrarmos o 
intenso esforo de misses e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos sculos XVIII e XIX, na Europa e nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo, as igrejas e cristos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol 
da extino do trfico negreiro, da abolio da escravatura, da reforma das prises, da luta contra o trabalho infantil, do combate ao alcoolismo e de tantas outras 
causas nobres. Infelizmente, no incio deste sculo, as disputas teolgicas to bem exemplificadas pela controvrsia modernista-fundamentalista nos Estados Unidos, 
produziram a concepo dicotmica da misso da igreja que hoje observamos. Os conservadores em grande parte aferraram-se  idia de que a misso exclusiva da igreja 
 a evangelizao, tendo como alvo a converso individual, ao passo que os liberais, poucos afeitos  pregao do evangelho, optaram decididamente por atividades 
de cunho social.

Num perodo conturbado da histria recente da Amrica Latina, quando nosso continente foi sacudido por profundas convulses polticas, ideolgicas e sociais, muitos 
cristos aderiram  agenda revolucionria da Teologia da Libertao. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teolgica Latino-Americana fizeram um esforo 
srio no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bblica, evanglica e igualmente radical em suas implicaes. Eles demonstraram que as igrejas 
podem permanecer fiis s suas convices histricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relao aos problemas sociais.

Como cristos brasileiros preocupados tanto com a misso da igreja quanto com as difceis realidades scio-econmicas de nosso pas, devemos levar a srio os desafios 
desses lderes, que falam com convico, coerncia e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo, como agente e instrumento 
de Deus. Como Escobar destaca, a atitude e as aes de Deus em relao ao mundo, especialmente como reveladas no seu Filho, Jesus Cristo, so o nosso grande paradigma 
de misso. A Bblia fala de um Deus que toma a iniciativa, que busca a humanidade com amor e compaixo, que quer dar vida e dignidade  sua criao. Isso foi ilustrado 
de maneira extraordinria por Jesus, quando, em seu ministrio terreno, manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral.

O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas - espirituais, fsicas e emocionais; a sua mensagem e aes desafiam todas as reas da 
vida particular e coletiva. Tudo deve ser colocado debaixo do propsito e do senhorio de Deus. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos 
os tipos de relacionamentos humanos. Por causa do seu forte senso de misso, Jesus lutou e morreu na cruz. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra 
de proclamao do reino (Jo 20.21s).

Evidentemente, esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expresso nas vidas dirias dos cristos e das igrejas. Inevitavelmente  levantada a questo das 
prioridades: uma vez que no podemos fazer tudo que Deus espera que faamos, vamos concentrar os nossos esforos no que  primordial - a evangelizao - e as outras 
preocupaes cuidaro de si mesmas.

Desde uma perspectiva evanglica, a evangelizao - convidar os indivduos, as famlias e as comunidades  reconciliao e nova vida em Jesus Cristo - certamente 
 bsica e essencial. Todavia, a preocupao com prioridades, praticidade ou, muitas vezes, estatsticas e resultados rpidos no deve cegar a igreja para a integridade 
da misso, o propsito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida.  medida que a igreja evangeliza, ela tambm precisa expressar o interesse de 
Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: "Eu vinham para que tenham vida, e a tenham em abundncia."

A igreja no deve ser reduzida a uma organizao social ou a um grupo de presso poltica como tantos que existem na sociedade. Ela  uma instituio singular, com 
uma contribuio e uma mensagem singular. Essa mensagem, se vivida at as suas ltimas conseqncias, necessariamente far com que a igreja enfrente as diferentes 
situaes que afetam a vida humana neste mundo cado.  para essas implicaes mais amplas do evangelho e da misso da igreja que cristos comprometidos e inquiridores 
como Samuel Escobar chamam a nossa ateno. 

Obs.: O presente estudo  uma verso ampliada do artigo "Samuel Escobar e a Misso Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana," publicado em Vox Scripturae 
8/1 (Julho 1998): 95-111.

Ver, a esse respeito, o importante livro de William R. Hutchison, Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University 
of Chicago Press, 1987). 
A Conferncia de Edimburgo  considerada o bero do moderno movimento ecumnico. Seus lderes, como Joseph H. Oldham, John R. Mott e Robert E. Speer, eram provenientes 
do movimento cristo de estudantes. Ver Kenneth S. Latourette, "Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the International Missionary Council," em A History 
of the Ecumenical Movement: 1517-1948, eds. Ruth Rouse e Stephen C. Neill, 3 ed., 353-402 (Genebra: World Council of Churches, 1986). 
Da o subttulo utilizado: "Para considerar os problemas missionrios relativos ao mundo no-cristo." 
William R. Hogg, Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers, 
1952), 131-32. 
John Kessler e Wilton M. Nelson, "Panam 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano," Pastoralia 1/2, ed. especial (Novembro 1978): 5-21. 
Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas trs brasileiros, os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira, lvaro Reis e Erasmo Braga. Erasmo eventualmente 
tornou-se o secretrio da Comisso Brasileira de Cooperao, entidade que promoveu o maior esforo cooperativo at hoje empreendido pelas igrejas evanglicas brasileiras 
e foi precursora da Confederao Evanglica do Brasil. 
O historiador Sidney Rooy identifica uma seqncia de trs sries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. Ver Samuel Escobar, "Los 'CLADEs' y 
la Misin de la Iglesia," Iglesia y Misin 67/68 (Jan-Jul 1999), 20. 
Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutirrez, autor de Uma Teologia da Libertao (1971). Outros nomes 
importantes no campo catlico so Juan Luis Segundo, Jon Sobrino, Jos Porfirio Miranda, Hugo Assmann, Henrique Dussel e Leonardo Boff; no campo protestante destacaram-se 
Jos Miguez Bonino e Rubem Alves, entre outros. 
Entre os evanglicos conservadores, o rgo cooperativo correspondente ao CLAI  a Confraternidade de Evanglicos da Amrica Latina (CONELA). 
Os prprios locais dessas conferncias e congressos so reveladores. Das trs CELAs, duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires, enquanto que todos os 
CLADEs ocorreram nos pases andinos, com seus enormes problemas sociais e suas dinmicas igrejas populares. 
Citado por Tito Paredes em "Visin Histrica de los 'CLADEs'," Iglesia y Misin 67/68 (Jan-Jul 1999), 13. 
Escobar, "Los 'CLADEs' y la Misin de la Iglesia," 22. 
Os critrios de seleo procuram ser os mais abrangentes possveis em termos de faixas etrias dos participantes, sexo, identidade tnica e filiao eclesistica. 
Neste ltimo aspecto, metade das inscries  reservada para participantes pentecostais. Iglesia y Misin 67/68 (Jan-Jul 1999), 35. 
Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teolgica so C. Ren Padilla, Rolando Gutirrez, Tito Paredes, Emlio A. Nnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. 
Sobre a sua relao com o Brasil, o prprio Escobar afirma em uma obra recente: "Desde a minha primeira visita ao Brasil, em 1953, como jovem delegado peruano a 
um congresso mundial da juventude batista, apaixonei-me por esse imenso pas. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom nmero de centros universitrios. 
Cheguei de avio, um velho Catalina da Panair, de Iquitos, na selva peruana, at Manaus. Dali percorri o Norte e o Nordeste, at chegar a So Paulo, onde, entre 
1962 e 1964, trabalhei como missionrio na frente estudantil, nos primeiros anos da Aliana Bblica Universitria." Samuel Escobar, Desafios da Igreja na Amrica 
Latina: Histria, Estratgia e Teologia de Misses (Viosa, MG: Editora Ultimato, 1997), 11. 
Por fora de suas ocupaes, Escobar tambm foi responsvel por vrios peridicos. Por exemplo, ele foi editor de Certeza, uma revista para estudantes universitrios, 
e diretor de Pensamiento Cristiano, um rgo de exposio do pensamento evanglico, publicado na Argentina. 
Por exemplo, em 1982 Escobar participou da Consulta de Telogos do Terceiro Mundo, realizada em Seul, na Coria do Sul. A revista Evangelical Review of Theology, 
rgo oficial da referida Comisso Teolgica, publicou os trabalhos apresentados nessa consulta, um deles escrito por Escobar e trs colegas latino-americanos. Ver 
Samuel Escobar, Pedro Arana, Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata, "A Latin American Critique of Latin American Theology," Evangelical Review of Theology 7, n 1 
(abril 1983): 48-62. Mais recentemente, em maro de 1998, Escobar participou de uma conferncia sobre economia e misses promovida pelo Conclio de Ministrios Internacionais 
das igrejas menonitas norte-americanas. Segundo o Mennonite Brethren Herald, "o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holstico de misso conclama os 
cristos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais, culturais e tecnolgicos." 
Escobar tambm leciona no curso de Administrao do Eastern College, em nvel de ps-graduo. Seu papel principal  ajudar os estudantes a considerar as misses 
crists no contexto da justia econmica. 
Tambm publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). 
Para os leitores no familiarizados com o ingls, esta  a traduo dos ttulos dos artigos de Escobar: "A responsabilidade social da igreja na Amrica Latina"; 
"Alm da teologia da libertao: missiologia evanglica na Amrica Latina"; "Transformao em Ayacucho: da violncia  paz e esperana"; "Misses e renovao no 
catolicismo latino-americano"; "O recrutamento de estudantes para misses"; "A missiologia de McGavran foi devorada por um leo?"; "De Lausanne 1974 at Manilla 
1989: a peregrinao da misso urbana"; "Um movimento dividido: trs abordagens da evangelizao mundial permanecem em tenso entre si"; "Teologia evanglica na 
Amrica Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiolgica"; "Misso na Amrica Latina: uma perspectiva evanglica"; "Elementos de estilo na formao de novos 
lderes missionrios internacionais"; "500 anos aps Colombo: Requiem ou Te Deum?"; "O legado de John A. Mackay"; "O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir 
da Amrica Latina"; "A nova ordem mundial das misses: o sculo XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministrio mundial procedentes do sculo XIX"; 
"Alm da teologia da libertao: artigo-resenha" e "Uma abordagem missiolgica do protestantismo latino-americano." 
Como no Brasil, historicamente, o termo "evanglico" tem sido virtualmente sinnimo de "protestante," os estudiosos esto utilizado o anglicismo "evangelical" para 
designar especificamente os evanglicos conservadores, em distino dos progressistas ou liberais, como ocorre nos Estados Unidos. David Bosch menciona pelo menos 
seis tipos bsicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham), que tentam unificar todos os evangelicais; (2) evangelicais separatistas (como Carl McIntire e o 
seu Conclio Internacional de Igrejas Crists); (3) evangelicais por confisso (como Peter Beyerhaus); (4) evangelicais pentecostais e carismticos; (5) evangelicais 
radicais (como Samuel Escobar, Ren Padilla e Orlando Costas); e (6) evangelicais ecumnicos (como John Stott, Festo Kivengere e Arthur Glasser). Ver Internet, www.homenet.com.br/c
em/postura.html. 
Rodger C. Bassham, Mission Theology: 1948-1975 - Years of Worldwide Creative Tension - Ecumenical, Evangelical, and Roman Catholic (Pasadena, Califrnia: William 
Carey Library, 1979), 291. 
Ibid., 295. 
Ibid., 187. 
Ibid., 225. 
Ibid., 231. 
John Stott, The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide, 1975), 25. 
Bassham, Mission Theology, 237. 
Escobar atribui ao CLADE I, que recebeu 920 delegados de 25 pases, o surgimento de uma "teologia nacional" entre os evanglicos latino-americanos. Desafios da Igreja, 
22. Esse congresso foi o bero da Fraternidade Teolgica Latino-Americana. 
Quando Escobar concluiu sua palestra, os delegados colocaram-se de p e demonstraram a sua aprovao aplaudindo-o entusiasticamente. A palestra foi publicada na 
ntegra por Edies Vida Nova. Ver Samuel Escobar, A Responsabilidade Social da Igreja, Tpicos do Momento 3 (So Paulo: Vida Nova, 1970). 
Ibid., 7-8. 
Bassham, Mission Theology, 262. 
Orlando Costas, "Missiology in Contemporary Latin America: A Survey," em Missions and Theological Education in World Perspective, ed. Harvie M. Conn e Samuel F. 
Romen (Farmington, Michigan: Urbanus, 1984), 104. 
"Holstico," do grego hlos ("inteiro", "completo"), denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos, em contraste com a anlise, tratamento ou diviso 
em partes. A medicina holstica, por exemplo, procura tratar tanto a mente como o corpo. 
Samuel Escobar, "Mission in Latin America: An Evangelical Perspective," Missiology 20 (Abril 1992), 244. 
Samuel Escobar, "Latin America," em Toward the Twenty-First Century in Mission, ed. James M. Phillips e Robert T. Coote (Grand Rapids: Eerdmans, 1993), 131. 
Ibid. O COMIBAM deu uma forte nfase  segunda vinda de Cristo. 
Ibid., 133. 
Um bom exemplo das idias de Escobar acerca da evangelizao pode ser encontrado no seu artigo "Vivir y Evangelizar," em Pensamiento Cristiano 93 (Maro 1978): 170-175. 
Samuel Escobar, "Has McGavrans Missiology been Devoured by a Lion?" Missiology 17 (Julho 1989), 349-350. 
Ibid., 350. 
Escobar, "Mission in Latin America," 241. 
Escobar, "Latin America," 134. "Anmicas" deriva de "anomia," a instabilidade social resultante do colapso dos padres e valores; no sentido individual, significa 
a inquietao, alienao e incerteza que decorre da ausncia de propsito ou ideais. 
Samuel Escobar, "Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America," International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982), 108. 
Ibid., 110. 
Ibid., 111. 
Samuel Escobar, "Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology," Missiology 19 (Julho 1991), 316. 
Ibid., 321. 
Ibid., 328. 
Samuel Escobar, "The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders," Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992), 7. 
Escobar, Desafios da Igreja na Amrica Latina, 19. 
Ibid., 48. H poucos anos, Escobar participou de mais uma consulta da Comisso Teolgica da Fraternidade Evanglica Mundial. Tal consulta, realizada em Londres de 
9 a 14 de abril de 1996, teve como tema "F e Esperana para o Futuro: Por Uma Teologia Evanglica Vital e Coerente para o Sculo XXI." Escobar foi o autor de um 
dos seis estudos apresentados ao plenrio, sob o ttulo "Discernindo o Esprito na Amrica Latina," em que revela o seu grande interesse pela dimenso pneumatolgica 
da misso da igreja e conclama os evanglicos a estarem receptivos ao novo vento do Esprito que sopra na igreja, gerando uma espiritualidade nova e radical. Samuel 
Escobar, "Maana - Discerning the Spirit in Latin America," Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). 
Escobar, Desafios da Igreja na Amrica Latina, 64.  o caso de Andr Biler, O Pensamento Econmico e Social de Calvino, trad. Waldyr Carvalho Luz (So Paulo: Casa 
Editora Presbiteriana, 1990). Ver tambm, do autor do presente artigo, "Amando a Deus e ao Prximo: Joo Calvino e o Diaconato em Genebra," Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 
1997), 69-88, e "Jonathan Edwards: Telogo do Corao e do Intelecto," Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998), 72-87

Parte XV
A MISSO INTEGRAL DA IGREJA 
 Introduo:
Que  misso integral? O que envolve a misso da Igreja a ponto de investigarmos o que  mito e o que  realidade?

Na procura de respostas para estas e outras perguntas semelhantes  que este estudo veio a lume. No  um trabalho original e nem exaustivo. No  original porque 
misso integral j faz parte da discusso teolgica da Igreja h algum tempo. No  exaustivo porque o nmero de telogos, missilogos e pensadores que tm escrito 
e palestrado sobre a misso da Igreja, e em seus vrios aspectos,  enorme. Um bom exemplo da diversidade da misso integral  o livro A Misso da Igreja, organizado 
pelo Dr. Valdir Steuernagel em 1994. Nele nada menos que 27 articulistas tratam da misso integral da Igreja. Mas existem muitos outros autores que no aparecem 
no livro de Steuernagel. Alm disso, obras como as de Ren Padilla e Timteo Carriker so dignas de nota, conforme observamos no captulo sobre o conceito de misso 
integral da Igreja na teologia contempornea. Por causa dessa variedade de autores foi preciso adotar alguns critrios, vez ou outra mencionados no corpo deste trabalho.

Nosso estudo divide-se em trs captulos principais. O primeiro trata da misso integral como mito e realidade propriamente dito. Os outros dois so uma explanao 
bblico-teolgica e pragmtica do primeiro. Nosso objetivo  mostrar que a Igreja evanglica brasileira s pode ser verdadeiramente missionria quando no desempenho 
de sua misso integral.

I. O MITO E A REALIDADE DA MISSO INTEGRAL DA IGREJA

1.1. O mito da misso integral da Igreja

O que poderamos denominar de mito ou mitos na misso integral da Igreja? Aps relativa pesquisa e anlise cuidadosa deste assunto, chegamos  concluso que dois 
pontos resumiriam bem o mito de misso integral da Igreja. O primeiro deles estaria relacionado a um debate que perdura j algum tempo na igreja evanglica mundial 
e na brasileira em particular, a saber, a polarizao entre evangelizao e a responsabilidade social da Igreja. O segundo mito estaria diretamente ligado  dicotomia 
humana, isto , o ser humano considerado em partes separadas ao invs do todo. Alguns fatores que possibilitaram o surgimento desses mitos  o que veremos, tambm, 
neste captulo.

a. O mito da polarizao teolgica

Que evangelizao e responsabilidade social so verdades bblicas para a Igreja de Jesus Cristo no h dvida, ou pelo menos no deveria haver (1). Felizmente, a 
conscincia social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas dcadas atrs. Entretanto, se por um lado a Igreja vem melhorando em sua viso social, 
por outro, ainda no amadureceu tanto em sua concepo de misso integral, justamente porque ao se discutir prioridades (estamos falando apenas de evangelizao 
e ao social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. 

Evangelizao e responsabilidade social devem andar juntas como causa e efeito de uma mesma verdade evanglica. Com isso no queremos dizer que evangelizao e ao 
social devam ser entendidas como sendo a mesma coisa. Por outro lado, tambm no estamos afirmando que sejam duas coisas diametralmente separadas. "Um ministrio 
integral verdadeiro define a evangelizao e a ao social como funcionalmente separadas, mas relacionalmente inseparveis e necessrias para um ministrio integral 
da igreja" (YAMAMORI, 1998, p. 14). 

O relatrio da Consulta Internacional realizada em Grand Rapids (EUA), presidida por John Stott em 1982, concluiu que na questo da primazia entre evangelizao 
e ao social "a evangelizao tem uma certa prioridade. No estamos falando em prioridade temporal, mas em prioridade lgica, pois h situaes em que o ministrio 
social precisa vir primeiro" (STOTT, 1983, p. 23). 

E na prtica?

Na prtica, como aconteceu no ministrio pblico de Jesus, estas duas realidades (evangelizao e ao social) so inseparveis, pelo menos nas sociedades livres, 
e raramente teremos de optar entre uma e outra. Em lugar de estarem em competio, elas se sustentam e fortalecem mutuamente, numa espiral ascendente de preocupao 
crescente (STOTT, 1983, p. 23)

A discusso pouco louvvel no meio cristo sobre a misso prioritria da Igreja no mundo tambm levou o comit de Lausanne a elaborar uma declarao sbria e amadurecida. 
Diz assim, em seus artigos, o chamado Pacto de Lausanne: "Os resultados da evangelizao incluem a obedincia a Cristo, o ingresso em sua igreja e um servio responsvel 
no mundo" (O PACTO DE LAUSANNE, 1983, IV). E ainda:

Afirmamos que Deus  o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justia e pela reconciliao em toda a sociedade humana, 
e pela libertao dos homens de todo tipo de opresso. Porque a humanidade foi feita  imagem de Deus, toda pessoa, sem distino de raa, religio, cor, cultura, 
classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrnseca em razo da qual deve ser respeitada e servida, e no explorada. Aqui tambm nos arrependemos de nossa 
negligncia e de termos algumas vezes considerado a evangelizao e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliao com o homem no seja reconciliao 
com Deus, nem a ao social evangelizao, nem a libertao poltica salvao, afirmamos que a evangelizao e o envolvimento scio-poltico so ambos parte do nosso 
dever cristo. (Idem, V) (Grifos nossos)

E mais: "A salvao que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A f sem obras  morta" (Idem, 
V). 

Evangelizao e responsabilidade social so partes integrantes da missio Dei, portanto, inseparveis e indispensveis na misso integral da Igreja de Jesus Cristo 
no mundo e para o mundo (2).

Faamos, a seguir, uma rpida apresentao de dois grandes movimentos que contriburam negativamente para o distanciamento da Igreja de sua misso integral. 

O evangelho social e a teologia da libertao

A influncia perniciosa e nefasta do liberalismo teolgico do sculo XX, em particular das teologias do evangelho social e da libertao, foi um dos fatores que 
colaboraram para a polarizao entre evangelizao e a ao social no meio evanglico. O esforo de se combater a teologia do evangelho social e depois a teologia 
da libertao (por causa da nfase social  parte do evangelho bblico e de uma filosofia marxista, principalmente desta ltima), provocou um mal-estar na igreja 
brasileira. Resultado: No af de se preservar o espiritual, a Igreja acabou se equivocando e no enxergou a mensagem social autntica que o mesmo evangelho oferecia. 

Se de um lado as teologias liberais mencionadas cometeram o pecado do social sem espiritualidade, a igreja evanglica brasileira, por outro lado, pecou na espiritualidade 
sem encarnao. Contudo, h de se admitir que, por sua vez, tanto o evangelho social quanto a teologia da libertao provocaram uma reao positiva na Igreja. A 
Igreja foi levada a refletir seus valores, dando uma reviravolta considervel nessa histria toda. Hoje em dia, boa parte das igrejas brasileiras est envolvida 
em trabalhos sociais, e sem qualquer preocupao de ser rotulada e perseguida por isso, como ocorria em tempos atrs.

b. O mito da dicotomia humana

Ver o indivduo completo, no dictomizado,  uma necessidade urgente em nossos dias, conforme veremos no decorrer deste estudo. Um dos maiores males cometidos na 
igreja evanglica brasileira de hoje  limitar o conceito de salvao, achando que Cristo veio salvar apenas a alma do homem ou da mulher.
O ser humano - homem ou mulher -  um todo e deveria sempre ser visto assim, como o  pela Bblia. Partindo da perspectiva bblica, o ser humano poderia ser definido 
como sendo 'uma comunidade integrada de corpo e alma' (STOTT, 1989, p. 38). Entretanto, a ausncia da compreenso do indivduo como ser integral, pela prpria Igreja, 
tem levado a mesma a desvalorizar no somente o ser humano na sociedade, como tambm o prprio evangelho para o qual ela foi chamada a proclamar no mundo, pois, 
como salientou muito bem Manfred (1987, p. 59), "s existe fidelidade na evangelizao quando existe fidelidade na misso integral da igreja". 

Veremos a seguir que pelo menos trs fatores contriburam negativamente para o surgimento do mito da dicotomia humana, isto , o platonismo, a influncia missionria 
europia e norte-americana e a teologia sistemtica. 

A influncia missionria e da teologia sistemtica

Norman L. Geisler (1985, p. 154) observa que parte do descuido do "homem total" tem sua origem na nfase platnica no-crist sobre a dualidade do ser humano. "Esta 
nfase foi dirigida pelos cristos na Idade Mdia e tem sido transmitida para o presente". Em sntese o platonismo argumenta que o ser humano  essencialmente um 
ser espiritual e que apenas tem conexo funcional com um corpo que, na melhor das hipteses,  um impedimento e, na pior, um grande mal. A correo deste erro est 
no ensino bblico acerca da unidade essencial do ser humano.

Alm da influncia platnica, os missionrios europeus e norte-americanos que aqui estiveram parece que no conseguiram passar adiante a idia da misso integral. 
Nossa herana missionria  deveras espiritualista. O que  facilmente percebido nas mensagens bblicas e hinos que os missionrios nos legaram. Porm, isso no 
quer dizer que no houve qualquer tipo de envolvimento social, pelo contrrio, a histria da igreja brasileira registra dignos exemplos de missionrios como Robert 
e Sarah Kalley, Ashbell Green Simonton e outros, que desempenharam um papel social muito grande em nosso pas. Mas ento, por que a igreja evanglica brasileira 
de modo geral no herdou a totalidade da viso desses bons exemplos de missionrios, e durante tanto tempo vem caminhando lentamente na questo social? Pelo menos 
por trs razes principais: Uma delas tratamos h pouco, isto , a omisso da Igreja, at hoje sentida, por causa daquela reao ao evangelho social e  teologia 
da libertao. Outra razo  que a maioria dos missionrios estrangeiros que aqui chegaram tendia para a corrente do evangelho individual (KRIEGER, In Teses,1988, 
pp. 39,40). Isso explica, embora no justifique,  claro, nosso espiritualismo desencarnado no campo social; o que, de certa forma, contribuiu para a difuso do 
evangelho social e principalmente da teologia da libertao em nosso pas. Uma terceira razo foi observada pelo missilogo norte-americano Timteo Carriker, quando 
diz que boa parte dos missionrios europeus e norte-americanos que aqui estiveram "realizaram o trabalho, ora nobre e sacrificial, ora dominador e paternalista, 
mas, com rarssimas excees, no transmitiam a mesma viso missionria para as igrejas autctones. Assim, deixaram a impresso de que misses  coisa que o Brasil 
recebe e no que faz (CARRIKER, 1993, p. 55). (Grifo nosso) (3)

Outro fator que infelizmente tem colaborado para a dicotomia humana  a teologia sistemtica, independente de sua linha confessional. Embora a teologia sistemtica 
seja uma tentativa interessante de organizar em um ou mais compndios conceitos e pensamentos religiosos variados,  preciso ter cautela com a mesma. Bruce A. DEMAREST, 
em seu artigo Teologia Sistemtica (In EHTIC1990, p. 515), faz uma advertncia importante:

Alguns consideram a teologia sistemtica como um depsito eterno e inaltervel de verdades divinas. Embora as Escrituras sejam inviolveis, novos entendimentos teolgicos 
e reformulaes so necessrios a cada gerao. Primeiro: porque  medida que a linguagem e as formas culturais mudam, o conjunto da verdade crist deve ser vestido 
em roupagens contemporneas a fim de permanecer inteligvel; e segundo: porque novas questes e problemas continuam a surgir para desafiar a igreja. Por isso, de 
tempos em tempos, o texto bblico precisa ser reinterpretado e reaplicado ao contexto moderno. No estudo da natureza do ser humano na teologia sistemtica, na anlise 
da questo corpo, alma e/ou esprito, e em seus conceitos dicotmicos e tricotmicos, perdeu-se de vista a perspectiva bblica de que somos um todo. E, certamente, 
isto tem sido um dos fatores prejudiciais na compreenso da misso da Igreja. 

1.2. A realidade da misso integral da Igreja

Em contrapartida ao mito da teologia de misso integral da Igreja, destaquemos dois fatores que, em nossa opinio, expressam bem a realidade dessa misso. 

a. A misso da Igreja  holstica e diaconal

Por mais bvia que parea esta afirmao, sabemos que a ortopraxia da misso integral no  to bvia como deveria ser. No  fcil inculcar na cabea do nosso povo 
que o envolvimento da Igreja deve ser total. No s no que se refere ao indivduo, mas tambm  criao de Deus em geral. Onde est, por exemplo, a conscincia ecolgica 
da Igreja? (4)

Alm disso, a Igreja como sal da terra e luz do mundo deve fazer a diferena nos vrios setores da sociedade, principalmente no socorro aos menos favorecidos.

A injustia social, verdadeira afronta contra a imagem e semelhana de Deus, tem solapado nosso pas e a Igreja muitas vezes tem se afastado como se nada tivesse 
com isso.  verdade que a Igreja no  uma instituio poltico-partidria que deva defender qualquer bandeira poltica.  mais que isso. Ela  uma instituio divina 
supra partidria. Por isso mesmo, tem o dever tico e moral de ser mais justa do que qualquer governo ou partido poltico pretenda ser. Conforme salientou Jorge 
GOULART (1941, p. 229), a Igreja "no prega uma forma de governo, mas cria uma conscincia democrtica,  luz dos conceitos de liberdade, de dignidade humana, de 
respeito ao prximo e, sobretudo, de amor a Deus e  humanidade".

Os cristos foram postos no mundo para ser a conscincia da sociedade, como diria Orlando COSTAS (1979, p. 102). A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto 
a fim de fazer a diferena no mundo. Precisa deixar o monte da transfigurao (entenda-se contemplao) e descer at ao sop onde se encontram os excludos. Uma 
opo preferencial pelos pobres? E por que no? O evangelho  para todos, porm, somente o pobre precisa ser atendido tambm em suas necessidades bsicas prioritrias, 
por causa da m distribuio de renda de nosso pas, como resultado de uma poltica social opressora.

Quando se coloca o pobre e o rico lado a lado, em se tratando de benefcios a serem recebidos, o primeiro sempre sai perdendo.  preciso sim que os pobres desse 
mundo recebam um tratamento preferencial porque foi assim que Deus os tratou na Bblia, como veremos mais adiante.

Orlando Costas via nesta dimenso diaconal ou encarnacional da Igreja "a intensidade de servio que a igreja presta ao mundo, como prova concreta do amor de Deus" 
(COSTAS, 1994, p. 113). E ainda:

Esta dimenso envolve o impacto que o ministrio reconciliador da igreja exerce sobre o mundo, o seu grau de participao na vida, conflitos, temores e esperanas 
da sociedade e a medida em que seu servio ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condies sociais que tm condenado milhes de homens, mulheres e crianas 
 pobreza. Sem esta dimenso a igreja perde sua autenticidade e credibilidade, pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade  sua vocao 
de amor e servio ela pode esperar ser ouvida e respeitada. (COSTAS, 1994, pp. 113,4).

b. A misso da Igreja  bblica

Quando dizemos que a misso integral da Igreja  bblica, significa que ela (a misso integral da Igreja) no  uma filosofia cega ou um modismo passageiro. A misso 
da Igreja no  filosofia e muito menos modismo.  uma verdade bblica que precisa ser resgatada e praticada em sua totalidade. A Bblia no existe para o deleite 
de nossa mente carnal. A Bblia no incentiva nenhum bl-bl-bl terico desinteressado. A Bblia  doutrina e prtica. A opo por apenas um desses seus aspectos 
(doutrina ou prtica) causar profunda ojeriza em Deus. Sua Palavra  um todo, como um todo deve ser a misso integral de Sua Igreja.

A integralidade da Igreja  bblica e se baseia na misso integral de Deus. A misso integral da Igreja  ampla, assim como  ampla a misso integral de Deus, visto 
que a dimenso dessa misso  vertical e horizontal. O compromisso da Igreja com Deus (vertical) resulta nela um compromisso com a criao em geral e com o ser humano 
em particular (horizontal). No  por acaso que GRELLERT (1987, p. 22) resumiu a misso intergral da Igreja em "comunho, adorao, edificao, evangelismo e servio".

No captulo 2 desse estudo falaremos um pouco mais sobre a base bblica da misso integral da Igreja.

II. A BASE BBLICA E TEOLGICA DA MISSO INTEGRAL DA IGREJA

2.1. A misso integral na Bblia

A misso integral tem razes bblicas profundas. Tetsunao YAMAMORI (1998, p. 15) salienta:

Tanto no Antigo como no Novo Testamentos a Bblia ordena  igreja que ministre  pessoa como um todo. Isto quer dizer que se deve atender tanto s necessidades fsicas 
como s espirituais, que esto inseparavelmente relacionadas, ainda que sejam separadas em termos funcionais. 

No captulo anterior mencionamos que a misso integral da Igreja  ampla. Isso  verdade. Por isso mesmo nosso objetivo agora ser tratar,  luz da Bblia, apenas 
de um dos aspectos da misso integral, isto , aquele que est diretamente relacionado  pessoa do indivduo ou, mais especificamente, aos pobres deste mundo. "Nada 
 mais claro na Bblia do que ser Deus o campeo dos pobres, dos oprimidos e dos explorados". (BRYANT, 1988, p. 56).

Segue abaixo uma abordagem resumida sobre o assunto.

a. No Antigo Testamento

Se folhearmos as pginas do Antigo Testamento veremos que existe uma clara opo preferencial de Deus pelos pobres e oprimidos. Isto no significa que Deus faa 
acepo de pessoas ou de classe social. De modo algum! Mas com certeza Ele olha de maneira especial para aqueles que no tm vez, que no tm voz. S no AT ns temos 
300 referncias sobre causas, realidade e conseqncias da pobreza. Vinte e cinco palavras hebraicas para falar do oprimido, do humilhado, do desesperado, do que 
clama por justia, do fraco, do desamparado, do destitudo, do carente, o pobre, a viva, o rfo, o estrangeiro. Em Isaas 58.3-8, quando o povo de Deus pergunta: 
"Por que  que ns oramos e jejuamos e tu no nos respondes?", Deus diz: " porque vocs jejuam e oram para a iniqidade, vocs esto oprimindo os pobres, e seus 
prprios operrios, e o jejum que eu quero,  que vocs cortem as ligaduras da impiedade,  que ajam com justia em relao aos desamparados". Veja tambm Isaas 
1.17; 10.1,2. 

Ezequiel 16.49 afirma que o pecado de Sodoma, alm do orgulho, da vaidade e da imoralidade era que aquela cidade, sendo rica e abastada, nunca atendeu o pobre e 
o necessitado. Se olharmos na legislao do povo de Deus no Velho Testamento, veremos que o objetivo de toda a legislao era que no houvesse miserveis e injustiados 
no meio do povo de Israel.

b. No Novo Testamento

Jesus Cristo  a revelao mxima da misso integral de Deus no mundo. No incio de seu ministrio terreno o Senhor Jesus deixou bem clara a sua misso quando declarou: 
"O Esprito do Senhor est sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertao aos cativos e restaurao da vista aos cegos, 
para por em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitvel do Senhor" (Lc 4.18,19). O cuidado de Jesus com os pobres e marginalizados  enorme. "Ns nunca encontramos 
Jesus Cristo de dedo apontado contra os pobres e marginalizados, mas enfrentando exatamente aqueles que oprimiam o povo, quer pelo sistema religioso, quer pelo sistema 
econmico, ou sistema poltico de sua prpria poca". (MACEDO FILHO, 1988, p. 35).

Em Mateus 4.23 lemos tambm: "Percorria Jesus toda a Galilia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenas e enfermidades 
entre o povo". E ainda em Mateus (cap. 25) notamos que alm da questo do se "fazer igualmente a Cristo", a nossa atitude para com os desfavorecidos deste mundo 
ser um critrio importante de julgamento no Juzo Final.

Os apstolos deram continuidade ao tema da misso integral de Jesus em seus ministrios. Veja por exemplo Atos 5 e 6.

Em Jerusalm as trs colunas do colgio apostlico (Pedro, Tiago e Joo) recomendaram a Paulo e a Barnab que no se esquecessem dos pobres, "o que tambm me esforcei 
por fazer", diz o apstolo em Glatas 2.10.

Vrias igrejas foram orientadas por cartas a agirem com a mesma viso de integralidade bblica dos apstolos. Destacamos, dentre outras, as igrejas de Corinto (II 
Co 8 e 9), da Galcia (Gl 6.2-10) e das doze tribos da disperso (Tg 2. 1-7,14-26; 5.1-6).

2.2. A misso integral na teologia contempornea

O nmero de telogos que escreveram e escrevem sobre a misso integral da Igreja no  pequeno. Um bom exemplo disso  a obra do Dr. Valdir Steuernagel em que ele 
rene nada menos que 27 autores. Falar do trabalho de cada um desses autores, sem considerar outro tanto que Steuernagel no menciona, seria simplesmente impossvel 
para as dimenses do nosso trabalho. Estou tomando, ento, a liberdade de selecionar apenas dois deles, a saber, Timteo Carriker e Ren Padilla, e explico porqu. 
Em primeiro lugar, nossos dois telogos so duas das maiores autoridades mundiais sobre a misso integral da Igreja. Em segundo lugar, cada um deles escreveu um 
livro com o mesmo ttulo (Misso Integral) com cerca de 300 pginas cada. Em terceiro lugar, vale a pena conferir a nfase e a abordagem distintas que ambos conferem 
em seus respectivos livros acerca da misso integral da Igreja. 

a. O conceito de Timteo Carriker

O livro de Timteo Carriker  uma teologia bblica de misses. Seu objetivo  ressaltar as diversas dimenses, na palavra de Deus, da identidade e tarefa missionrias 
do povo de Deus (1992, p. 11). A seguir exporemos alguns dos principais conceitos da misso integral de Carriker.

No Antigo Testamento Jav  o Deus soberano sobre toda a sua criao. Esta imagem de Deus est no corao do Novo Testamento tambm. Um Deus soberano e misericordioso 
 o ator ltimo das parbolas de Jesus.  este Deus salvador que alcana alm das leis judaicas. Sua aproximao do homem exige a atitude de converso. O seu reino 
tem um escopo universal at csmico. Os marginalizados, mulheres, samaritanos, e gentios recebem a misericrdia de Deus. 

Deus tem um plano salvfico que alcana tanto judeu quanto gentio, e Ele vai cumpri-lo. A confiana no cumprimento do seu plano d a igreja motivao para perseverar 
at o fim.

A igreja, contudo, no fica passiva em relao  soberania de Deus. Reconhecer que a misso  essencialmente de Deus, missio Dei, no significa que a participao 
da igreja na evangelizao mundial tem pouca significncia. Muito pelo contrrio, a missio Dei exige os missiones eclesiae. So praticamente dois lados da mesma 
moeda.

O Deus da Bblia  o Deus que age na histria. No  principalmente apresentado como um conceito ou idia, uma doutrina que podemos elaborar. Ele , acima de tudo, 
pessoal e age nos eventos e experincias concretas das nossas vidas. Deus no se restringe a uma dimenso mstica da nossa vida. Atua atravs do xodo, do dilvio 
e do cativeiro no Velho Testamento, todos eventos histricos at "seculares". Ele atua atravs da vida humana do seu filho Jesus, atravs da sua morte e ressurreio, 
eventos bem visveis que fazem parte da nossa histria.

 na nossa histria humana que Deus se revela e o faz com movimento para frente. Percebemos, atravs da histria, a sua concluso. Assim, a perspectiva crist da 
histria  essencialmente escatolgica. A humanidade est indo na direo do cumprimento, julgamento e salvao, e este movimento entrou na sua fase final com a 
ressurreio de Cristo. Hoje  o dia da salvao.

b. O conceito de Ren Padilla

A abordagem de Ren Padilla  mais teolgica e menos bblica. Por "mais teolgica" queremos dizer que os argumentos de Padilla esto mais na rea das idias, o que 
no diminui, de modo algum, o valor da obra dele. Por "menos bblica" queremos afirmar que o livro de Padilla no  uma teologia bblica nos moldes do livro de Timteo 
Carriker, porm, seus princpios so eminentemente bblicos. Apesar de no termos o objetivo de comparar os dois autores, vale ressaltar que as aplicaes de Padilla 
so mais contextualizadas que as de Carriker. 

Padilla desenvolve seu tratado em termos de desafios. Diz ele que o maior desafio que a igreja enfrenta atualmente  o desafio da misso integral (1992, p. 139).

O desafio da misso integral, por sua vez, subdivide-se em outros trs, a saber: O desafio da evangelizao e do discipulado, o desafio da colaborao e da unidade 
e o desafio do desenvolvimento e da justia. Seus argumentos principais so os seguintes:

Um conceito um tanto romntico da obra missionria impulsionou as misses a concentrarem seu esforo em pequenas tribos nas selvas, esquecendo-se das cidades. A 
"exploso urbana"  um fenmeno mundial. A misso urbana, portanto,  uma prioridade em todas as partes. L, na cidade, com todo seu poder desumanizante, v-se com 
clareza a necessidade de um evangelho com poder para transformar a totalidade da vida. Num mundo que est se urbanizando rapidamente, a cidade , sem dvida, o smbolo 
do desafio que a evangelizao e o discipulado colocam para a igreja. 

Porque h um mundo, uma igreja e um evangelho, a misso crist no pode ser outra coisa que misso realizada em colaborao mtua. Chegou o momento de encontrar 
maneiras de reduzir a distncia entre as igrejas no Ocidente e no Terceiro Mundo. J h experincias teis que esto sendo levadas a cabo com este propsito, mas 
 necessrio fazer muito mais para desenvolver modelos de solidariedade acima das barreiras polticas, econmicas, sociais e culturais, e para estimular a colaborao 
mtua entre as igrejas.

O desafio que a igreja encara no campo de desenvolvimento hoje  fundamentalmente o desafio de um desenvolvimento humano, no contexto da justia. Fazem falta modelos 
de misso plenamente adaptados a uma situao marcada por uma distncia abismal entre ricos e pobres. Os modelos de misso baseados na riqueza do Ocidente solidarizam-se 
com esta situao de injustia e condenam as igrejas do mundo pobre a uma permanente dependncia. No final das contas, portanto, so contraproducentes para a misso.

O desafio tanto para os cristos no Ocidente como para os cristos nos pases subdesenvolvidos  criar modelos de misso centrados num estilo de vida proftico, 
modelos que apontem para Jesus Cristo como Senhor da totalidade da vida,  universalidade da igreja e  interdependncia dos seres humanos no mundo.

III. OS DESAFIOS E IMPLICAES DA MISSO INTEGRAL DA IGREJA

3.1. Desafios da misso integral da Igreja
Observamos no captulo anterior que Ren Padilla apresenta a misso integral da Igreja em termos de desafios. Entretanto, sua abordagem  ampla, no sentido de envolver 
a misso da Igreja num mbito mundial ou, no mnimo, na Amrica Latina. Os desafios que agora mencionaremos tratam da igreja brasileira em solo brasileiro. Dividimo-nos 
em duas partes distintas, isto , os desafios sociais e os desafios eclesiais.

a. Os desafios sociais da Igreja

No so poucos e nem pequenos os problemas sociais brasileiros. A igreja evanglica brasileira tem desafios enormes nesta rea. Porm, de incio  preciso que encaremos 
com seriedade e maturidade o dilema de at onde podemos e devemos nos envolver nestes desafios. Que a igreja evanglica brasileira no deve se esquivar de sua misso 
integral,  o nosso comum acordo com a declarao de Lausanne: 

Embora a reconciliao com o homem no seja reconciliao com Deus, nem a ao social evangelizao, nem a libertao poltica salvao, afirmamos que evangelizao 
e o envolvimento scio-poltico so ambos parte do nosso dever cristo.

 preciso sim que a Igreja seja a conscincia da sociedade e a voz proftica que denuncia os desmandos desta mesma sociedade. No devemos, como Igreja de Cristo, 
partir para a ignorncia e violncia, mas podemos e devemos fazer confrontaes sociais srias. Confrontao no  violncia. Robert C. Linthicum (1996, pp. 171,2) 
explica:

H muita confuso sobre a natureza da confrontao e da violncia. Confrontao  simplesmente a atividade entre seres humanos na qual eles discordam, e devido a 
esta discordncia, esto desafiando uns aos outros. A palavra significa literalmente "testa-a-testa" - isto , as testas colocadas fisicamente uma contra-a-outra. 
 um encontro face a face, direto, procurando o fim da resoluo.

Por outro lado, violncia  o exerccio da fora fsica, a fim de ganhar uma disputa. Enquanto a confrontao  verbal, a violncia  fsica. De uma forma mais profunda, 
essas palavras no so sinnimas, e sim antnimas, pois, em sua prpria natureza, um ato de violncia  a indicao de que a confrontao falhou. A confrontao 
boa e eficaz nunca deve levar  violncia, mas  resoluo do problema.

 nesse esprito de verdadeira confrontao que a Igreja deve encarar seus desafios sociais, com propostas teraputicas para uma sociedade enferma. Portanto, empenhemos-nos 
pela dignidade do povo brasileiro. Reivindiquemos, pois, os seus e os nossos direitos: Sade, segurana, educao, trabalho e salrio digno. 

E at onde podemos e devemos ir nesta questo toda? At onde os direitos sejam verdadeiramente assegurados, o amor ao prximo evidenciado, a moral dignificada, o 
evangelho e o bom testemunho no sejam prejudicados e, sobretudo, o nome de Jesus seja glorificado. 

O governo tem (e como tem!) suas culpas e responsabilidades, mas no podemos ficar indiferentes ao que ocorre em nossa volta, simplesmente criticando por criticar 
o governo. Pesa (e como pesa!) sobre o povo de Deus tambm a responsabilidade pelo bem-estar social do nosso pas.

b. Os desafios eclesiais da Igreja

Certamente um dos maiores desafios da igreja brasileira na atualidade  vencer seus prprios desafios. Tentarei explicar esta minha tese.

Os desafios sociais da igreja brasileira no so combatidos e vencidos como deveriam porque falta vontade eclesistica por parte da mesma. Ou porque a liderana 
no se empenha, ou porque os liderados no se envolvem na obra. O certo : Se no chegarmos a um consenso; se no juntarmos foras, jamais sairemos do lugar comum. 
Continuaremos marcando passo, salgando a ns mesmos e iluminando nossos umbigos.

Uma lio  preciso aprender com a igreja de Jerusalm. A igreja de Jerusalm estava consciente de sua misso no mundo. Era uma igreja unida em seus propsitos e 
se amava de verdade. Internamente ela estava pegando fogo, desejosa de pregar o evangelho, em obedincia ao mandado de Cristo. Porm, externamente os desafios eram 
humanamente insuperveis. Pilatos, Herodes e muita gente se levantaram contra a Igreja de Deus. Ento a Igreja orou: "agora, Senhor, olha para as suas ameaas e 
concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes as mos para fazer curas, sinais e prodgios por intermdio do nome do 
teu santo Servo Jesus" (At 4.29,30). 

E Deus atendeu ao clamor de sua Igreja (At 4.31). Atendeu porque a Igreja deixou de lado seus prprios interesses para servir ao mundo. Hoje, o que muito se v, 
 nvel de igreja local,  a prpria igreja criando obstculos para no fazer a obra do Senhor. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se 
viu, mas internamente muito de nossas igrejas esto enfermas, quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!

A seguir daremos duas sugestes prticas para que esse quadro sombrio possa se reverter. 

3.2. Implicaes da misso integral da Igreja

As implicaes que aqui abordaremos no deixam de ser verdadeiros desafios para a igreja brasileira, porm, entendemos que estes desafios so implicaes naturais 
para uma igreja que queira verdadeiramente cumprir sua misso integral.

a. A reviso de estruturas no-funcionais

O que muito tem contribudo para um mau desempenho da Igreja em sua misso integral  a falta de estruturas que funcionem. Estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo 
matam ou impedem a viso de uma igreja. 

A quebra de paradigmas  uma das coisas fundamentais para que a estrutura de uma igreja se torne funcional. s vezes  preciso muita coragem para mudar certos parmetros 
que j no funcionam mais.  primeira vista parece fcil mudar aquilo que se tornou obsoleto, mas no  to simples assim. Antes  preciso mudar a mentalidade dos 
acomodados e principalmente dos saudosistas, daqueles que confundem inovao com inovacionismo, tradio com tradicionalismo. O que est "matando" muito crente novo 
(e velho tambm)  a igreja no-funcional, que se limita a suas atividades internas, fechada em quatro paredes.

Contudo, por uma questo de prudncia e respeito queles que no pensam como ns,  preciso que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. As idias devem ser amadurecidas 
no meio da comunidade, sem atropelos, mas progressivamente. 

Uma coisa aprendi em meus poucos anos de ministrio pastoral: Se a igreja no comprar a nossa idia, no ser por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer 
xito. Um dilogo franco, aberto e amigvel  a chave do sucesso.

b. A reafirmao do compromisso missionrio

Aquelas igrejas que um dia receberam orientao missionria, se no forem constantemente lembradas daquele compromisso, rapidamente minguaro. 

E como revitalizar uma igreja que comeou com tanto entusiasmo por misses e de repente esfriou? Em primeiro lugar  preciso reconscientizar a igreja de sua misso 
no mundo. Em segundo lugar  preciso conscientiz-la de que ela est no mundo para servir o mundo integralmente.

Se a igreja chegou a se empolgar com misso algum dia,  sinal que ela tem potencial para fazer, com a graa de Deus, o que fez antes. Sermes e estudos bblicos 
missionrios, filmes especficos como As Primcias, Etal e Atrs do Sol, alm do auxlio de uma boa agncia ou junta missionria, com certeza produziro novo alento. 
Geralmente a frieza por misses acontece por causa da rotina. Uma vez que o mal foi detectado  necessrio que seja combatido com atividades variadas.

O mais importante  que a igreja seja cientificada de que sua misso no mundo  integral. Evangelizar no  simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam, 
mas sim, atender o indivduo na totalidade de suas necessidades. Por isso mesmo, a Igreja nunca deveria deixar se levar pela prtica do paternalismo e assistencialismo 
paliativos, porm, deveria partir sempre para uma ao social transformadora, do indivduo e da sociedade, para a honra e glria de Deus Pai.

Cada igreja deve refletir sobre sua motivao em praticar evangelismo e ao social, e todas as atividades nestas direes devem estar debaixo do servio a Deus 
em primeiro lugar (A. C. BARRO, sem data, p. 5). O ponto de partida  o parmetro bblico e o contexto da igreja local.

Concluso:

A misso integral da Igreja  basicamente evangelizao e ao social. Dizemos "basicamente" porque a misso integral da Igreja  na verdade universal. Abrange vrios 
aspectos. Evangelizar  a sua qualidade primordial. A Igreja que troca a evangelizao por qualquer outra responsabilidade social est fora de propsito e, portanto, 
descaracterizada como igreja de Jesus Cristo. Por outro lado, que nenhuma igreja pense ser mais espiritual porque optou pela evangelizao. Concordamos que uma igreja 
possa fazer uma opo temporria entre evangelizar e assistir ao necessitado, mas nunca uma opo permanente. A verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa 
em sua integralidade. A mesma igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mo ao necessitado.

Misso integral  uma realidade bblica. Os mitos no fazem sentido quando so resultados baratos de um reducionismo evanglico, polarizao entre evangelizao 
e ao social, e quando se deixa de contemplar o indivduo em sua totalidade. Os mitos (pelo menos os que aqui estudamos) deturpam a misso integral da Igreja. 

Se queremos atentar para o ensino bblico, ento devemos almejar por uma igreja brasileira autntica, que no seja ela mesma um mito, mas a realidade bblica de 
uma misso integral em nossa sociedade.

Bibliografia
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ZANDRINO, Dr. Ricardo. Curar tambm  tarefa da igreja. So Paulo: Nascente, 1986.


(1) Veja Manfred Grellert (1987, p. 41).

(2) Para um argumento interessante contra este reducionismo evanglico (a polarizao teolgica ente evangelizao e ao social) veja Manfred Grellert (1987, pp. 
41-43).

(3) Veja tambm MACEDO FILHO (In TESES, 1988, p. 33).

(4) Para uma compreenso importante sobre a responsabilidade da Igreja com a natureza, veja Francis A. Schaeffer (Poluio e morte do homem) e Norman L. Geisler 
(O cristo e a ecologia).

Parte XVI
A MISSO DA IGREJA
Uma perspectiva latino-americana 
 Uma das questes mais cruciais da missiologia  a definio do prprio conceito de misso. O que se deve entender por misses crists? Quais so a natureza e os 
objetivos da misso da igreja? Evidentemente essas perguntas podem receber uma grande variedade de respostas a partir de diferentes pressupostos e compromissos teolgicos. 
Uma antiga abordagem foi o debate em torno de evangelizao e "civilizao."1 Hoje  mais comum falar-se em evangelismo e responsabilidade social. Diferentes autores 
do sculo XX tm procurado expressar a misso da igreja em termos de desenvolvimento, presena crist, dilogo inter-religioso, justia e paz, diaconia e outros 
conceitos.

Certamente este  um assunto controvertido, mas tambm sumamente importante para a igreja e para os cristos individuais. Como pode a igreja ser o que deve ser e 
fazer o que deve fazer se no tiver uma clara compreenso acerca do seu propsito na sociedade e no mundo?

O objetivo deste estudo  abordar o tema a partir da perspectiva de Samuel Escobar, um dos mais destacados missilogos evanglicos contemporneos da Amrica Latina. 
A escolha de Escobar justifica-se por vrias razes. Ele tem um profundo conhecimento da situao religiosa, social e poltica da Amrica Latina, tendo trabalhado 
em vrios pases como pastor e missionrio;  um telogo, escritor e orador extremamente articulado e criativo; tem sido um lder respeitado em crculos missiolgicos 
e teolgicos; tem estado em dilogo constante com representantes de grupos e movimentos importantes do cristianismo latino-americano e mundial; finalmente, por vrios 
anos ele tem sido professor em instituies teolgicas norte-americanas, o que o coloca numa posio privilegiada para falar a uma audincia mais ampla e levar ao 
primeiro mundo uma valiosa perspectiva do terceiro mundo acerca de misses.

Nossa anlise comea com um retrospecto histrico da discusso missiolgica protestante na Amrica Latina. A seguir, iremos fornecer algumas informaes biogrficas 
sobre Samuel Escobar, fazer um apanhado dos principais movimentos de que tem participado e apresentar alguns dos principais temas e nfases da sua reflexo missiolgica. 
Ao longo dos anos, Escobar tem defendido um conceito de misso que  ao mesmo tempo bblico, evanglico, contextual e sensvel s complexas realidades espirituais, 
polticas, sociais e econmicas da Amrica Latina. Criticando os modelos missionrios reducionistas ou dicotmicos, ele prope um programa que implica em levar o 
evangelho integral ao ser humano integral, na amplitude de suas necessidades e relacionamentos. Concluiremos o estudo acrescentando algumas de nossas prprias convices 
a respeito do tema em questo, ou seja, a misso da igreja na sociedade.

I. ANTECEDENTES

A reflexo sistemtica e abrangente sobre o trabalho missionrio protestante na Amrica Latina foi desencadeada pela clebre Conferncia Missionria Mundial, realizada 
em Edimburgo em 1910.2 Todavia, esse estmulo ocorreu s avessas, uma vez que somente foram convidadas para a conferncia as sociedades missionrias que atuavam 
entre povos no-cristos.3 Isso excluiu a Amrica Latina do mbito daquele encontro, sendo admitidas apenas as misses que trabalhavam entre as tribos pags desse 
continente. 

Durante a conferncia, Robert E. Speer (1867-1947), o secretrio executivo da Junta de Misses Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, convidou 
vrios delegados interessados na Amrica Latina a se reunirem informalmente para discutir como essa lacuna poderia ser suprida. Como resultado desses entendimentos, 
realizou-se em Nova York, em maro de 1913, uma conferncia sobre misses na Amrica Latina, sob os auspcios da Conferncia de Misses Estrangeiras da Amrica do 
Norte.4 Essa conferncia criou a Comisso de Cooperao na Amrica Latina (CCLA), tendo como presidente o prprio Robert Speer e como secretrio executivo Samuel 
Guy Inman.

Por sua vez, a CCLA patrocinou o Congresso de Ao Crist na Amrica Latina, reunido no Panam em fevereiro de 1916, o maior encontro das foras protestantes desse 
continente realizado at aquela data. O Congresso mostrou a necessidade de maior cooperao em reas como educao religiosa, misses, literatura e formao teolgica. 
Mais especificamente, suas metas principais foram a evangelizao das classes cultas, a unificao da educao teolgica atravs de seminrios unidos, o desejo de 
dar uma dimenso social ao trabalho missionrio na Amrica Latina e o esforo em promover a unidade protestante.5

Na realidade, o Congresso do Panam foi uma reunio de representantes de juntas missionrias estrangeiras, antes que um encontro de lderes protestantes latino-americanos. 
Dos 230 delegados oficiais, apenas 21 eram latino-americanos natos.6 Mesmo assim, o evento produziu a primeira discusso sria do protestantismo latino-americano 
e estimulou a criao de rgos cooperativos regionais em vrios pases. Por outro lado, o Congresso do Panam revelou duas nfases que se tornariam problemticas 
para os evanglicos latino-americanos: uma atitude simptica para com a Igreja Catlica e uma forte influncia do "evangelho social."

Como resultado do encontro do Panam, nos anos seguintes realizaram-se dois congressos missionrios regionais. O primeiro, denominado Congresso de Ao Crist na 
Amrica do Sul, reuniu-se em Montevidu, Uruguai, em 1925. Aqui, embora a participao de latino-americanos tenha sido maior (o pastor presbiteriano brasileiro Erasmo 
Braga foi eleito presidente do congresso), os norte-americanos ficaram a cargo da organizao e presidiram todas as comisses. Finalmente, em 1929 reuniu-se em Havana 
o Congresso Evanglico Hispano-Americano, presidido pelo metodista mexicano Gonzalo Baez-Camargo. Desta feita, o congresso foi inteiramente organizado e conduzido 
por latino-americanos e as nfases recaram sobre a nacionalizao e o auto-sustento das igrejas evanglicas.

Uma segunda srie de encontros do protestantismo latino-americano foi representada por trs Conferncias Evanglicas continentais: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA 
II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969).7 Essas conferncias estavam ligadas s denominaes histricas, que rapidamente tornavam-se minoritrias no contexto 
geral do protestantismo da Amrica Latina. O protestantismo ecumnico das CELAs recebia a influncia do protestantismo histrico declinante do hemisfrio norte, 
buscava aproximar-se do catolicismo posterior ao Conclio Vaticano II (1962-1965) e procurava responder  difcil situao social do continente com uma teologia 
radical, que eventualmente identificou-se com a clebre "teologia da libertao."

A teologia da libertao adquiriu notoriedade no mbito catlico romano com a segunda assemblia da Conferncia Episcopal Latino-Americana (CELAM), reunida em Medelln, 
Colmbia, em 1968.8 Anos antes, em 1962, os protestantes haviam criado a organizao Igreja e Sociedade na Amrica Latina (ISAL), aps uma consulta realizada em 
Huampan, Peru, no ano anterior. Ela tornou-se o centro de convergncia dos telogos protestantes da libertao, tendo como rgo o peridico Cristianismo e Sociedade. 
Em 1972, as duas correntes teolgicas puseram-se em contato no I Congresso Latino-Americano de Cristos pelo Socialismo, realizado em Santiago do Chile.

Ao lado das Conferncias Evanglicas continentais (CELAs) e do ISAL, o protestantismo ecumnico latino-americano criou vrias estruturas para-eclesisticas com o 
fim de promover os seus objetivos. Alguns organismos importantes so ou foram os seguintes: Movimento Estudantil Cristo (MEC), Unio Latino-Americana de Juventudes 
Evanglicas - depois, Ecumnicas (ULAJE), Agncia de Servios Ecumnicos Latino-Americanos (ASEL), Comisso Evanglica Latino-Americana de Educao Crist (CELADEC), 
Coordenadoria de Projetos Ecumnicos (COPEC) e Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI).9

Uma caracterstica desse protestantismo ecumnico era o crescente declnio do seu mpeto evangelizador, em contraste com a vitalidade das igrejas vinculadas a misses 
independentes ou ao movimento pentecostal, que mantinham o seu vigor evangelstico apesar das debilidades da sua teologia. Do seio desse protestantismo majoritrio 
surgiu o impulso para os Congressos Latino-Americanos de Evangelizao, que constituem a terceira das sries mencionadas acima: CLADE I (Bogot, 1969), CLADE II 
(Lima, 1979) e CLADE III (Quito, 1992). O CLADE IV dever realizar-se em setembro do ano 2000 no Equador.10

O primeiro CLADE foi organizado pela Associao Evangelstica Billy Graham, sob o impulso do Congresso Mundial de Evangelizao (Berlim, 1966), convocado pela revista 
evanglica Christianity Today. O CLADE I permitiu que lderes preocupados em relacionar a f evanglica com a realidade latino-americana compartilhassem as suas 
inquietaes. Para Valdir Steuernagel, esse congresso teve duas marcas distintivas:

Manifestou com clareza que, na Amrica Latina, somos e queremos ser evanglicos. E, como evanglicos, somos e queremos ser latino-americanos. Naquela ocasio e naquele 
contexto, tornava-se urgente que, sendo evanglicos, buscssemos uma teologia da encarnao que estabelecesse as pautas para um dilogo com a situao de sofrimento 
e opresso que se vivia em toda a Amrica Latina.11

Foi no CLADE I que se articulou a criao da Fraternidade Teolgica Latino-Americana, organizada no ano seguinte em Cochabamba, Bolvia, tendo Pedro Savage como 
seu primeiro secretrio e Samuel Escobar como seu primeiro presidente. Escobar assim expressou os objetivos da Fraternidade:

Desde o primeiro momento, a FTL procurou ser uma plataforma de encontro e dilogo teolgico da qual participassem pastores, missionrios e pensadores evanglicos, 
dentro do marco evanglico de uma lealdade comum  autoridade bblica e  f evanglica como base da reflexo e de um compromisso ativo com o cumprimento da misso 
crist.12

Por sua vez, a Fraternidade Teolgica Latino-Americana convocou os CLADEs posteriores, inclusive o que ir realizar-se no ano 2000.13 A Fraternidade procurou estar 
to consciente da problemtica social latino-americana quanto o grupo ISAL, mas ao mesmo tempo preocupou-se em abordar a questo de uma perspectiva que entendia 
ser mais bblica e equilibrada. Ela  tambm mais representativa do protestantismo popular da Amrica Latina que a sua congnere ecumnica. Entre os seus participantes 
mais destacados e influentes est o lder que  o enfoque principal deste artigo - Samuel Escobar.14

II. DADOS BIOGRFICOS E ESCRITOS

Samuel Escobar nasceu no Peru e freqentou uma escola missionria inglesa em Arequipa. Em 1956, ele recebeu o seu grau de mestre em artes e educao na Universidade 
de So Marcos, em Lima, aps o que dedicou-se ao ensino nos nveis primrio, secundrio e superior.

Em 1959 Escobar tornou-se o secretrio itinerante da Fraternidade Internacional de Estudantes Evanglicos (International Fellowship of Evangelical Students) - representada 
no Brasil pela Aliana Bblica Universitria -, visitando praticamente todos os pases da Amrica Latina. Ele trabalhou como missionrio entre estudantes universitrios 
na Argentina e no Brasil15 e foi diretor da Comunidade Evanglica Kairs, em Buenos Aires. Alguns anos depois, ele fez o curso de doutorado em filosofia (Ph.D.) 
na Universidade Complutense de Madri e eventualmente trabalhou como secretrio da Fraternidade Crist Universitria (Inter-Varsity Christian Fellowship) do Canad, 
com sede em Toronto.16

Escobar foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Fraternidade Teolgica Latino-Americana (1970-1984) e de 1979 a 1985 ocupou o cargo de secretrio geral 
da Fraternidade Internacional de Estudantes Evanglicos. Nas dcadas de 1960 e 1970, ele e outros telogos latino-americanos tornaram-se bem conhecidos em crculos 
evanglicos e ecumnicos internacionais atravs de sua participao em importantes conferncias. Alm disso, h muitos anos ele  membro da Comisso Teolgica da 
Fraternidade Evanglica Mundial (World Evangelical Fellowship), tendo participado de muitas de suas consultas ao redor do mundo.17 Atualmente, Samuel Escobar  presidente 
das Sociedades Bblicas Unidas e professor titular de missiologia no Seminrio Teolgico Batista do Leste, em Filadlfia, Estados Unidos.18 Ele tambm leciona sobre 
misses em seu pas natal, o Peru.

Samuel Escobar  autor de vrios livros sobre teologia e missiologia: Dilogo entre Cristo y Marx (1967), Quien es Cristo Hoy? (1970, com C. Ren Padilla), Decadencia 
da la Religin (1972), Christian Mission and Social Justice (1978, com John Driver), Irrupcin Juvenil (1978), La Fe Evangelica y las Teologas de la Liberacin 
(1987), Evangelio y Realidad Social (1988), Liberation Themes in Reformational Perspective (1989), Paulo Freire: Una Pedagogia Latinoamericana (1993), entre outros. 
Um dos seus livros mais recentes  Desafios da Igreja na Amrica Latina: Histria, Estratgia e Teologia de Misses, publicado em 1998 pela Editora Ultimato.

Escobar tambm escreveu diversos ensaios que foram publicados como captulos de livros. Alguns ttulos representativos podem dar-nos uma idia de seus temas prediletos: 
"Social Concern and World Evangelism," em Christ the Liberator (1971); "The Social Impact of the Gospel," em Is Revolution Change? (1972); "Evangelism and Mans 
Search for Freedom, Justice and Fulfillment," em Let the Earth Hear His Voice (1974); "The Role of Translation in Developing Indigenous Theologies: A Latin American 
View," em Bible Translation and the Spread of the Church (1990); "Latin America," em Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993); "A Pauline Paradigm 
of Mission: A Latin American Reading," em The Good News of the Kingdom (1993); "La Presencia Protestante en America Latina: Conflicto de Interpretaciones," em Historia 
y Misin: Revisin de Perspectivas (1994); "The Church in Latin America after Five Hundred Years" e "Conflict of Interpretations of Popular Protestantism," em New 
Face of the Church in Latin America: Between Tradition and Change (1994); "The Search for a Missiological Christology in Latin America," em Emerging Voices in Global 
Christian Theology (1994); "The Training of Missiologists for a Latin American Context," em Missiological Education for the Twenty-First Century (1996); "Religion 
and Social Change at the Grass Roots in Latin America,"19 em The Role of NGOs: Charity and Empowerment (1997).

Finalmente, seus numerosos artigos tm aparecido em renomados peridicos como Evangelical Missions Quarterly, Evangelical Review of Theology, International Bulletin 
of Missionary Research, Transformation, Missiology e International Review of Mission, entre outros. Uma vez mais, os prprios ttulos de alguns artigos representativos 
do uma clara idia dos principais temas com os quais Escobar tem trabalhado ao longo dos anos: "The Social Responsibility of the Church in Latin America" (EMQ, 
1970), "Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America" (IBMR, 1982), "Transformation in Ayacucho: From Violence to Peace and Hope" (Transformation, 
1986), "Missions and Renewal in Latin American Catholicism" (Missiology, 1987), "Recruitment of Students for Mission" (Missiology, 1987), "Has McGavrans Missiology 
Been Devoured by a Lion?" (Missiology, 1989), "From Lausanne 1974 to Manilla 1989: The Pilgrimage of Urban Mission" (Urban Mission, 1990), "A Movement Divided: Three 
Approaches to World Evangelization Stand in Tension with One Another" (Transformation, 1991), "Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological 
Christology" (Missiology, 1991), "Mission in Latin America: An Evangelical Pespective" (Missiology, 1992), "The Elements of Style in Crafting New International Mission 
Leaders" (EMQ, 1992), "500 Years after Columbus: Requiem or Te Deum?" (EMQ, 1992), "The Legacy of John Alexander Mackay" (IBMR, 1992), "The Whole Gospel for the 
Whole World from Latin America" (Transformation, 1993), "Missions New World Order: The Twenty-First Century Calls for us to Give up our Nineteenth-Century Models 
for Worldwide Ministry" (Christianity Today, 1994), "Beyond Liberation Theology: A Review Article" (Themelios, 1994), "A Missiological Approach to Latin American 
Protestantism" (IRM, 1998).20

As influncias recebidas por Escobar, especialmente atravs dos movimentos de que participou a partir da dcada de 1960, ajudam a entender as preocupaes reveladas 
pelos ttulos dos seus escritos.

III. REFLEXO TEOLGICA E ENVOLVIMENTOS

Samuel Escobar identifica-se como um evanglico.21 Isto significa, por um lado, que ele no tem nenhuma conexo particular com as correntes da teologia da libertao 
que foram e ainda so uma expresso importante da teologia latino-americana, tanto catlica quanto protestante. Por outro lado, ele est longe de partilhar das idias 
e compromissos do fundamentalismo, sendo bastante crtico da sua teologia/ideologia.

Sua identidade latino-americana tambm  essencial para a reflexo e os envolvimentos teolgicos de Escobar. Tendo vivido em um perodo de grande turbulncia na 
histria latino-americana, marcado por injustia e opresso generalizada, violncia poltica, golpes militares, regimes ditatoriais e caos scio-econmico, Escobar 
e alguns colegas sentiram que no era suficiente pregar um evangelho puramente espiritual. Para ele, o evangelho tem relevncia para a totalidade da vida. A igreja 
deve proclamar Jesus Cristo como Salvador e Senhor porque os seres humanos carecem tanto de reconciliao com Deus quanto de dignidade e integridade em sua vida 
neste mundo, como indivduos e como membros da sociedade. O evangelho tem implicaes sociais e polticas revolucionrias que no podem ser omitidas.

Conseqentemente, Escobar tem um profundo interesse em misses. Como pastor, lder de movimentos estudantis, professor e telogo, ele sempre interessou-se pela misso 
da igreja, especialmente em um contexto de pobreza e sofrimento. Para ele, a mensagem bblica em geral, e os ensinos e o ministrio de Jesus em particular, mostram 
o interesse de Deus por todas as necessidades humanas, e a igreja deve partilhar desse interesse de Deus. Escobar considera sua tarefa articular essa missiologia 
holstica e inspirar outras pessoas - estudantes, pastores, leigos e lderes cristos - a compartilhar essa viso.

Em seu livro Mission Theology, Rodger C. Bassham descreve o desenvolvimento das teologias de misso ecumnica, evanglica conservadora e catlica, especialmente 
entre 1948 e 1975. Ele observa que, em meados da dcada de 60, os evanglicos comearam a constituir uma comunidade verdadeiramente global com uma viso abrangente 
de misses, em particular depois de 1966, o ano em que eles patrocinaram duas grandes conferncias mundiais sobre misses e evangelizao.22

Os congressos de Wheaton e Berlim marcaram um novo estgio na emergncia de uma identidade evanglica,  medida que evanglicos de todo o mundo comearam a empreender 
juntos uma anlise da situao enfrentada por aqueles que estavam envolvidos com misses e evangelismo em todos os continentes. Nesse contexto, Bassham identifica 
vrios desdobramentos importantes: os primrdios de uma teologia evanglica de misso altamente representativa (a Declarao de Wheaton), a luta em torno da relao 
entre evangelizao e ao social, o forte impacto do conceito de "crescimento da igreja" sobre a teologia evanglica de misses, e o crescente nmero de vozes evanglicas 
provenientes de fora da Amrica do Norte.

O Congresso Mundial de Evangelizao (Berlim, 1966) - a primeira grande reunio mundial de evanglicos no sculo XX - tambm estimulou congressos regionais de evangelizao 
em vrios continentes. Estes por sua vez contriburam para o Congresso Internacional de Evangelizao Mundial (Lausanne, 1974), que evocou manifestaes de opinio 
de toda a comunidade evanglica,  medida que os participantes se debatiam com as questes da teologia de misso no mundo contemporneo. Para Bassham, o Pacto de 
Lausanne demonstra que "os evanglicos desenvolveram uma teologia de misso amadurecida, positiva e consistente."23

Em todos esses acontecimentos importantes houve uma decidida participao de telogos latino-americanos, Samuel Escobar estando entre eles. Escobar foi ouvido pela 
primeira vez por grandes audincias internacionais nas convenes da Fraternidade Crist Universitria realizadas em Urbana, Estados Unidos, nos anos 60. Ele e outros 
oradores da Amrica Latina desafiaram os evanglicos norte-americanos a reconhecer a necessidade de promover justia social e reformas polticas como parte dos seus 
deveres como cristos.24 Na conveno de 1970, Escobar falaria apaixonadamente sobre a necessidade de se estabelecer uma relao entre as preocupaes sociais e 
a evangelizao mundial.

No Congresso Mundial de Evangelizao (Berlim, 1966), Escobar estava entre os muitos lderes do terceiro mundo que falaram enfaticamente em prol das igrejas nativas. 
Ele exortou os missionrios a superar a mentalidade paternalista, imperialista e colonialista, a fim de permitir o surgimento de igrejas nativas aliceradas na f, 
dotadas de uma liderana nacional bem-treinada, e capazes de atuar eficazmente em seu contexto local.25

No entanto, o principal forum internacional em que se ouviu a voz de Escobar foi o Congresso Internacional de Evangelizao Mundial (Lausanne, 1974). Bassham observa 
que "as apresentaes e discusses de Lausanne mostraram um esprito de abertura, diversidade de perspectivas e profundidade de anlise jamais alcanado anteriormente 
em uma assemblia evanglica."26 Uma das grandes influncias nas deliberaes do congresso veio atravs das contribuies de oradores do terceiro mundo. O impacto 
de lderes como Samuel Escobar e C. Ren Padilla, atravs do grupo de Discipulado Radical, foi de especial importncia.

Enquanto que a orientao teolgica de Lausanne permaneceu firmemente evanglica, acentuando a autoridade da Bblia, a singularidade de Cristo e a necessidade da 
evangelizao, ela tambm produziu algumas mudanas bem-definidas na teologia evanglica de misses. O Pacto de Lausanne foi muito alm das declaraes evanglicas 
tradicionais, demonstrando que o evangelismo bblico  inseparvel da responsabilidade social, do discipulado cristo e da renovao da igreja. Lausanne abordou 
o tema abrangente da evangelizao mundial, referindo-se com isso ao ministrio e  misso total da igreja.

Em seu captulo sobre a "Responsabilidade Social Crist," o Pacto de Lausanne declara:

Afirmamos que Deus  tanto o Criador como o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar da sua preocupao com a justia e a reconciliao em toda a sociedade 
humana e com a libertao dos homens de todo tipo de opresso. Porque a humanidade foi feita  imagem de Deus, toda pessoa, no importa qual seja a sua raa, religio, 
cor, cultura, classe, sexo ou idade, tem uma dignidade intrnseca em razo da qual deve ser respeitada e servida, e no explorada. Tambm aqui manifestamos o nosso 
arrependimento, tanto pela nossa negligncia quanto por s vezes termos considerado a evangelizao e a preocupao social como mutuamente exclusivas. Embora a reconciliao 
com o ser humano no seja o mesmo que a reconciliao com Deus, nem a ao social seja evangelismo, nem a libertao poltica seja salvao, todavia afirmamos que 
tanto a evangelizao como o envolvimento socio-poltico so parte do nosso dever cristo.27

Muitas vezes durante o congresso os participantes afirmaram ter um interesse profundo e permanente pela ao social em favor dos pobres e necessitados, at mesmo 
ao ponto de se esforarem pela mudana das estruturas sociais. Oradores latino-americanos como Ren Padilla, Orlando Costas e Samuel Escobar proferiram as declaraes 
mais fortes no sentido de que a preocupao com as necessidades sociais da humanidade e o envolvimento com as mesmas  uma parte necessria do testemunho e da responsabilidade 
dos cristos em favor do mundo. Bassham cita as seguintes afirmaes de Escobar:

Uma espiritualidade sem discipulado nos aspectos dirios da vida - sociais, econmicos e polticos -,  religiosidade e no cristianismo... De uma vez por todas, 
devemos rejeitar a falsa noo de que a preocupao com as implicaes sociais do evangelho e as dimenses sociais do testemunho cristo resultam de uma falsa doutrina 
ou de uma ausncia de convico evanglica. Ao contrrio,  o interesse pela integridade do Evangelho que nos motiva a acentuarmos a sua dimenso social.28

No mbito continental, Samuel Escobar teve uma importante participao no Primeiro Congresso Latino-Americano de Evangelizao (CLADE I, Bogot, 1969), planejado 
em resposta a pedidos de delegados latino-americanos presentes no Congresso de Berlim, trs anos antes.29 Dentre os 28 discursos principais, a sua apresentao sobre 
a responsabilidade social da igreja recebeu a ateno mais entusistica. Ele argumentou eloqentemente que tanto a evangelizao quanto a ao social so necessrias 
para o testemunho cristo.30 Escobar afirmou a certa altura:

Existe base suficiente na histria da Igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupao pelo aspecto social do testemunho 
evanglico no mundo no  um abandono das verdades fundamentais do Evangelho; pelo contrrio,  levar s suas ltimas conseqncias os ensinos a respeito de Deus, 
de Jesus Cristo, do homem e do mundo, que formam a base desse Evangelho... Sustentamos que uma evangelizao que no toma conhecimento dos problemas sociais e que 
no anuncia a salvao e a soberania de Cristo dentro do contexto no qual vivem os que ouvem,  uma evangelizao defeituosa, que trai o ensino bblico e no segue 
o modelo proposto por Cristo, que envia o evangelista.31

Essa nfase achou lugar na Declarao Evanglica de Bogot, que afirmou: " chegada a hora de ns, evanglicos, levarmos a srio a nossa responsabilidade social." 
Os participantes afirmaram que "o exemplo de Cristo devia ser encarnado na crtica situao latino-americana de subdesenvolvimento, injustia, fome, violncia e 
desespero,"32 se os cristos quisessem testemunhar fielmente em seu contexto scio-cultural.

Orlando Costas comenta que 1969 foi para os protestantes o que 1968 havia sido para os catlicos (II Conferncia Episcopal Latino-Americana, em Medelln, Colmbia). 
Naquele ano, alm do CLADE I, os protestantes latino-americanos realizaram ainda outra grande conferncia - a Conferncia Evanglica Latino-Americana (CELA III), 
em Buenos Aires. Apesar das diferenas existentes entre os dois movimentos, Costa v nos documentos de ambos os eventos a emergncia de novas tendncias missiolgicas 
caracterizadas por um trplice interesse: a busca de um entendimento histrico de misses, de uma expresso mais autntica de unidade crist no empreendimento missionrio 
e de uma reflexo missiolgica mais sria e profunda. Em sua opinio, essa terceira busca tem assumido vrias formas, uma das quais  o modelo tico-missiolgico 
- misso da perspectiva de questes ticas - articulado por, entre outros, Samuel Escobar e C. Ren Padilla.33

O prprio Escobar acha que o seu modelo pode ser melhor descrito como "holstico."34 Ele argumenta que os evanglicos latino-americanos escolheram o Pacto de Lausanne 
como uma expresso do seu consenso doutrinrio bsico e do seu claro compromisso com um modelo de misso integral e bblico.35

Em um captulo sobre a Amrica Latina que escreveu para o livro Toward the Twenty-First Century in Christian Mission (1993), Escobar menciona duas outras conferncias 
missionrias latino-americanas, ambas realizadas no Brasil. Uma delas foi o Primeiro Congresso Missionrio Latino-Americano (Curitiba, 1976), cujo pacto manteve 
a nfase de Lausanne sobre a preocupao social como parte da misso da igreja: "Assim como no passado o chamado de Jesus Cristo e da sua misso foi um chamado para 
cruzar fronteiras geogrficas, hoje o Senhor est nos chamando para cruzarmos as fronteiras da desigualdade, injustia e idolatria ideolgica."36

Todavia, ele lamenta o fato de que o Congresso Missionrio Ibero-Americano (COMIBAM, So Paulo, 1987) deixou de abordar conceitos bsicos do entendimento de misses, 
inclusive a clamorosa realidade de pobreza que circundava o prprio local em que se reuniram os delegados.37

Por essa razo, Escobar  um crtico rigoroso do movimento do Crescimento da Igreja, iniciado por Donald McGavran em 1960. Ele preocupa-se com a "missiologia gerencial" 
que d nfase  proclamao verbal e ao crescimento numrico de adeses  igreja como o principal componente das misses crists. Reagindo contra o triunfalismo 
fcil das estatsticas e a tirania do controle de dados, Escobar acredita que o xito do avano protestante na Amrica Latina deve ser interpretado fazendo-se perguntas 
srias sobre o seu dinamismo transformador e a sua contribuio para a justia nas relaes sociais.38

Ele acha que a base desse questionamento tem sido o compromisso claro com a tarefa de misses e evangelizao, mas tambm o esforo consciente de executar essa tarefa 
segundo moldes bblicos. Assim sendo, testemunha-se o surgimento de uma nova teologia contextual que conclama  "integridade" da misso e procura associar o zelo 
evangelstico com a paixo holstica.39

Em resposta a um artigo de McGavran, Escobar afirma que, como evanglico, ele concorda integralmente com dois pontos do apelo de McGavran: primeiro, a igreja nunca 
deve perder o seu senso de misso e do seu chamado para proclamar a Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Segundo, porque Jesus Cristo  Senhor, somente em seu nome 
h salvao para a humanidade, e essa singularidade de Jesus Cristo  essencial para a mensagem da igreja.40 O que Escobar questiona  se uma pessoa pode realmente 
evangelizar anunciando a Cristo como Salvador e ento deixar a questo do senhorio de Cristo sobre toda a criao para uma segunda etapa, que poder nunca chegar.

Ele observa que os grandes missionrios dos primeiros 1800 anos da igreja dificilmente fariam a distino entre "espiritual" (evangelizao) e "o resto," que McGavran 
faz. Eles no procurariam estabelecer prioridades nesses termos, pois operavam com uma noo bblica holstica do ser humano. O que o movimento do Crescimento da 
Igreja necessita  o corretivo de uma slida teologia bblica. Escobar argumenta que o grande dilema para o qual a missiologia deve estar alerta  diferente: A obra 
missionria ser realizada segundo o modelo de Jesus e a prtica apostlica, ou ir adotar as tcnicas e padres da sociologia funcionalista, do marketing e das 
relaes pblicas?41

Compreensivelmente, Escobar v com apreciao o dinamismo e o crescimento do protestantismo popular (pentecostalismo) na Amrica Latina. Como evanglico, ele aborda 
esse movimento na qualidade de "um observador-participante, algum que tem procurado ser um crtico e intrprete amoroso - um crtico severo em alguns pontos - do 
lado de dentro."42 Ele destaca vrias lies missiolgicas que podem ser extradas do impressionante crescimento do pentecostalismo latino-americano:  um movimento 
religioso (e no social ou poltico),  um movimento popular, mobiliza as pessoas para a misso e cria um senso de comunidade. Escobar declara que

"para as massas em transio, essas igrejas esto oferecendo no somente um abrigo ou refgio no sentido mais limitado, mas a nica maneira disponvel de encontrar 
aceitao social, alcanar dignidade humana e sobreviver ao impacto das foras anmicas que atuam nas grandes cidades."43

Ele observa que alguns pentecostais latino-americanos tambm escolheram o Pacto de Lausanne como expresso do seu compromisso com um modelo de misso holstico e 
bblico.

Se, por um lado, Escobar diverge da escola do Crescimento da Igreja, por outro lado ele no sente entusiasmo pela Teologia da Libertao. Ele observa como, no incio 
das misses protestantes na Amrica Latina, o evangelho era a verdadeira fora libertadora nas vidas dos latino-americanos, e a religio oficial uma fora opressora.44 
Em dcadas recentes,  medida que a Igreja Catlica Romana latino-americana buscou nova relevncia social e poltica, a Teologia da Libertao foi uma das conseqncias 
desse processo.

Escobar entende que a Teologia da Libertao  uma voz eloqente que procura reinterpretar a histria crist e a mensagem crist. A missiologia evanglica deve avali-la.45 
A Teologia da Libertao confronta a missiologia evanglica com dois desafios, um na rea da conscincia histrica e o outro na da hermenutica. Com relao ao primeiro, 
embora Escobar considere inadequadas a anlise marxista e a "escatologia" da Teologia da Libertao, ele admite que a missiologia evanglica est aprendendo a encarar 
a histria missionria com uma atitude menos ingnua e mais madura. Ele admite: "Ns no mais podemos aceitar uma missiologia que recusa-se a levar a srio as realidades 
polticas e sociais."46

Na rea da hermenutica, Escobar reafirma a nfase evanglica na centralidade da Escritura e questiona a abordagem fortemente ideolgica da interpretao bblica 
demonstrada pelos telogos da libertao. Ele admite que a hermenutica evanglica necessitar ser constantemente purificada de pressuposies ideolgicas, e apela 
a uma genuna cristologia missiolgica que, nas palavras de Ren Padilla, enfatize "o discipulado cristo como algo que implica em colocar a totalidade da vida debaixo 
do senhorio de Jesus Cristo."47 Contra o Cristo "doctico" do catolicismo latino-americano tradicional, Escobar e os seus colegas da Fraternidade Teolgica Latino-Americana 
tm refletido sobre o Jesus dos evangelhos, sobre como a sua obra e ensino so relevantes para todas as reas da vida, tanto individual quanto social. Essa reflexo 
inclui uma crtica do cristianismo evanglico na Amrica Latina. Escobar cita novamente seu amigo Ren Padilla: "(O evangelicalismo) afirma o poder transformador 
de Cristo em relao ao indivduo, mas  totalmente incapaz de relacionar o Evangelho com a tica social e a vida social."48

Essa missiologia cristolgica busca um novo modelo para inspirar e moldar a ao missionria. O material bblico  abordado a partir de vrias perspectivas possuidoras 
de significado missiolgico. H uma sria reflexo acerca daquilo que os evangelhos dizem sobre a pessoa e a obra de Jesus de Nazar. H tambm uma preocupao quanto 
s marcas da misso de Jesus, com o entendimento de que ser seu discpulo  ser chamado por ele tanto para conhec-lo quanto para participar da sua misso. Alm 
disso, h uma busca do significado e da "integridade" do evangelho - Jesus Cristo  tanto o contedo quanto o modelo e o alvo da proclamao do evangelho.

Escobar identifica essa reflexo missiolgica que est vindo no s da Amrica Latina, mas tambm da frica e da sia, como uma missiologia crtica da periferia. 
Ele observa que tal missiologia " caracterizada por uma forte nfase hermenutica que insiste na importncia de ler o mundo e ler a Palavra, mesmo que essa leitura 
signifique um exame incmodo e srio da herana evanglica."49

Ele argumenta que seria grandemente desejvel para a globalizao das misses e da teologia evanglica se as diferentes correntes missiolgicas do evangelicalismo 
(europias, crescimento da igreja, terceiro mundo) pudessem convergir em um movimento mais articulado e cooperativo para enfrentar a tarefa missionria do terceiro 
milnio.

Em um artigo sobre a preparao de lderes de misses, Escobar observa que a internacionalizao das misses crists implica em reconhecer que Deus tem levantado 
igrejas grandes e florescentes no terceiro mundo. Nessas igrejas do hemisfrio sul, as igrejas dos pobres, Deus est despertando uma nova fora missionria. Escobar 
gostaria de ouvir as igrejas norte-americanas dizerem: "Vamos descobrir o que Deus est fazendo em outras partes do mundo, especialmente nas fronteiras de misso, 
e como ele o est fazendo, e vamos unir-nos aos nossos irmos e irms a fim de completarmos a tarefa inacabada."50

Em sua obra publicada recentemente em portugus, mencionada no incio deste trabalho, Escobar aborda em cinco ensaios algumas de suas preocupaes mais fundamentais. 
Inicialmente, ele destaca a importncia do treinamento de missionrios e missilogos para o contexto latino-americano. Nesse sentido, ele argumenta que "nosso programa 
de treinamento na Amrica Latina precisa ser elaborado com base em convices bblicas, experincia de vida, conscincia histrica e preocupao pastoral."51 Mais 
uma vez ele expressa o seu entusiasmo pelo protestantismo popular (pentecostalismo) devido a sua nfase na mobilizao dos leigos, suas formas contextualizadas de 
culto e ao missionria e o destaque dado ao ministrio do Esprito Santo e ao elemento de conflito espiritual relacionado com a misso da igreja.

Aps salientar o "fator novo" na histria do cristianismo que  a transferncia do dinamismo missionrio para o hemisfrio sul (frica, sia e Amrica Latina), ele 
aponta que os evanglicos latino-americanos tm maior afinidade com os pietistas, morvios e avivalistas dos sculos XVIII e XIX do que com os reformadores do sculo 
XVI. Isso tem levado Escobar, em anos recentes, a dar uma grande nfase ao papel do Esprito Santo nas misses crists, ao lado da sua anterior nfase cristocntrica. 
Ele entende que "os evanglicos latino-americanos necessitam de um impulso renovado do Esprito Santo e de uma leitura nova e contextual da Palavra de Deus."52

Ao mesmo tempo que expressa sua admirao pelas igrejas populares, Escobar reconhece que, com sua nfase na converso de indivduos ao evangelho, elas enfrentam 
os riscos do excesso de individualismo, esprito de competio, falta de uma eclesiologia clara e atitudes sectrias. Para superar esses problemas ele novamente 
prope o modelo de misso integral, que vai alm da experincia religiosa pessoal para incluir a comunidade e o mundo.53

Finalmente, Escobar alerta os cristos evanglicos para a necessidade de um constante processo de encarnao e contextualizao que rejeita toda e qualquer forma 
de paternalismo e discriminao, a partir da sua prpria comunidade local. Ele encarece a necessidade de uma espiritualidade profunda aliada a uma preocupao igualmente 
intensa com as exigncias ticas do evangelho, e conclui com uma anlise do modelo missionrio de Paulo, com sua notvel interao entre reflexo e ao missionria.

REFLEXES FINAIS

Samuel Escobar no se identifica como um reformado ou calvinista. Sua biografia e envolvimentos revelam uma conexo preponderante com a tradio anabatista, uma 
vez que est filiado  Igreja Menonita. No obstante, algumas de suas suas nfases certamente contariam com o aval de Joo Calvino e de muitos dos seus seguidores. 
Nos escritos do grande reformador, seja em seus comentrios, cartas, sermes ou nas Institutas, vemos uma preocupao constante com as implicaes sociais e comunitrias 
do Evangelho, fato que tem sido amplamente documentado por diversos pesquisadores.54 Historicamente, os reformados tm acentuado um conceito abrangente acerca da 
misso da igreja, muito embora as suas prticas nem sempre tenham correspondido s suas convices.

No precisamos concordar com tudo o que Samuel Escobar tem escrito. Na realidade, alguns pontos da sua missiologia merecem reparos, como a sua nfase quase que exclusiva 
sobre as massas empobrecidas da Amrica Latina como objeto da ao missionria da igreja. Ainda que isso no deixe de ser importante, o nosso continente testemunha 
o crescimento cada mais acentuado de uma classe mdia significativa que tambm deve ser alvo do interesse da igreja. Ao lado disso, Escobar tende a superestimar 
os valores positivos das igrejas populares, dando pouca ateno a alguns srios problemas apresentados pelas mesmas, notadamente nas reas doutrinria e tica, como 
 caso de alguns recentes movimentos neopentecostais.

No obstante, Escobar e seus colegas tm algo importante a dizer s igrejas evanglicas histricas da Amrica Latina e do Brasil, que realmente correm o risco de 
tornar-se irrelevantes na sociedade caso no despertem para algumas dolorosas realidades que existem ao seu redor. Tal ocorrncia seria um retrocesso histrico lastimvel, 
pois que a igreja crist em geral e as igrejas evanglicas de modo particular tm uma longa e honrosa tradio de "misso integral" ao mundo. Basta lembrarmos o 
intenso esforo de misses e de reforma social gerado pelos grandes despertamentos dos sculos XVIII e XIX, na Europa e nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo que enviavam pregadores do evangelho para todos os quadrantes do mundo, as igrejas e cristos individuais estavam na vanguarda de movimentos em prol 
da extino do trfico negreiro, da abolio da escravatura, da reforma das prises, da luta contra o trabalho infantil, do combate ao alcoolismo e de tantas outras 
causas nobres. Infelizmente, no incio deste sculo, as disputas teolgicas to bem exemplificadas pela controvrsia modernista-fundamentalista nos Estados Unidos, 
produziram a concepo dicotmica da misso da igreja que hoje observamos. Os conservadores em grande parte aferraram-se  idia de que a misso exclusiva da igreja 
 a evangelizao, tendo como alvo a converso individual, ao passo que os liberais, poucos afeitos  pregao do evangelho, optaram decididamente por atividades 
de cunho social.

Num perodo conturbado da histria recente da Amrica Latina, quando nosso continente foi sacudido por profundas convulses polticas, ideolgicas e sociais, muitos 
cristos aderiram  agenda revolucionria da Teologia da Libertao. Samuel Escobar e seus companheiros da Fraternidade Teolgica Latino-Americana fizeram um esforo 
srio no sentido de apresentar uma alternativa a essa teologia que fosse bblica, evanglica e igualmente radical em suas implicaes. Eles demonstraram que as igrejas 
podem permanecer fiis s suas convices histricas e ao mesmo tempo adotar uma postura ousada e coerente em relao aos problemas sociais.

Como cristos brasileiros preocupados tanto com a misso da igreja quanto com as difceis realidades scio-econmicas de nosso pas, devemos levar a srio os desafios 
desses lderes, que falam com convico, coerncia e clareza sobre a necessidade de um entendimento abrangente da tarefa da igreja no mundo, como agente e instrumento 
de Deus. Como Escobar destaca, a atitude e as aes de Deus em relao ao mundo, especialmente como reveladas no seu Filho, Jesus Cristo, so o nosso grande paradigma 
de misso. A Bblia fala de um Deus que toma a iniciativa, que busca a humanidade com amor e compaixo, que quer dar vida e dignidade  sua criao. Isso foi ilustrado 
de maneira extraordinria por Jesus, quando, em seu ministrio terreno, manifestou o interesse de Deus por todos os tipos de pessoas e pela pessoa integral.

O Cristo do Novo Testamento interessa-se por todas as necessidades humanas - espirituais, fsicas e emocionais; a sua mensagem e aes desafiam todas as reas da 
vida particular e coletiva. Tudo deve ser colocado debaixo do propsito e do senhorio de Deus. O reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos 
os tipos de relacionamentos humanos. Por causa do seu forte senso de misso, Jesus lutou e morreu na cruz. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a sua obra 
de proclamao do reino (Jo 20.21s).

Evidentemente, esses sublimes ideais nem sempre encontram plena expresso nas vidas dirias dos cristos e das igrejas. Inevitavelmente  levantada a questo das 
prioridades: uma vez que no podemos fazer tudo que Deus espera que faamos, vamos concentrar os nossos esforos no que  primordial - a evangelizao - e as outras 
preocupaes cuidaro de si mesmas.

Desde uma perspectiva evanglica, a evangelizao - convidar os indivduos, as famlias e as comunidades  reconciliao e nova vida em Jesus Cristo - certamente 
 bsica e essencial. Todavia, a preocupao com prioridades, praticidade ou, muitas vezes, estatsticas e resultados rpidos no deve cegar a igreja para a integridade 
da misso, o propsito total de Deus para a humanidade e para a comunidade redimida.  medida que a igreja evangeliza, ela tambm precisa expressar o interesse de 
Deus por toda a vida e espelhar a atitude daquele que disse: "Eu vinham para que tenham vida, e a tenham em abundncia."

A igreja no deve ser reduzida a uma organizao social ou a um grupo de presso poltica como tantos que existem na sociedade. Ela  uma instituio singular, com 
uma contribuio e uma mensagem singular. Essa mensagem, se vivida at as suas ltimas conseqncias, necessariamente far com que a igreja enfrente as diferentes 
situaes que afetam a vida humana neste mundo cado.  para essas implicaes mais amplas do evangelho e da misso da igreja que cristos comprometidos e inquiridores 
como Samuel Escobar chamam a nossa ateno. 

Obs.: O presente estudo  uma verso ampliada do artigo "Samuel Escobar e a Misso Integral da Igreja: Uma Perspectiva Latino-Americana," publicado em Vox Scripturae 
8/1 (Julho 1998): 95-111.

Ver, a esse respeito, o importante livro de William R. Hutchison, Errand to the World: American Protestant Thought and Foreign Missions (Chicago: The University 
of Chicago Press, 1987). 
A Conferncia de Edimburgo  considerada o bero do moderno movimento ecumnico. Seus lderes, como Joseph H. Oldham, John R. Mott e Robert E. Speer, eram provenientes 
do movimento cristo de estudantes. Ver Kenneth S. Latourette, "Ecumenical Bearings of the Missionary Movement and the International Missionary Council," em A History 
of the Ecumenical Movement: 1517-1948, eds. Ruth Rouse e Stephen C. Neill, 3 ed., 353-402 (Genebra: World Council of Churches, 1986). 
Da o subttulo utilizado: "Para considerar os problemas missionrios relativos ao mundo no-cristo." 
William R. Hogg, Ecumenical Foundations: A History of the International Missionary Council and its Nineteenth-Century Background (Nova York: Harper and Brothers, 
1952), 131-32. 
John Kessler e Wilton M. Nelson, "Panam 1916 y su Impacto sobre el Protestantismo Latinoamericano," Pastoralia 1/2, ed. especial (Novembro 1978): 5-21. 
Entre os latino-americanos presentes no congresso estavam apenas trs brasileiros, os presbiterianos Eduardo Carlos Pereira, lvaro Reis e Erasmo Braga. Erasmo eventualmente 
tornou-se o secretrio da Comisso Brasileira de Cooperao, entidade que promoveu o maior esforo cooperativo at hoje empreendido pelas igrejas evanglicas brasileiras 
e foi precursora da Confederao Evanglica do Brasil. 
O historiador Sidney Rooy identifica uma seqncia de trs sries ou ciclos de encontros do protestantismo latino-americano. Ver Samuel Escobar, "Los 'CLADEs' y 
la Misin de la Iglesia," Iglesia y Misin 67/68 (Jan-Jul 1999), 20. 
Um dos primeiros e mais importantes articuladores dessa teologia foi o sacerdote peruano Gustavo Gutirrez, autor de Uma Teologia da Libertao (1971). Outros nomes 
importantes no campo catlico so Juan Luis Segundo, Jon Sobrino, Jos Porfirio Miranda, Hugo Assmann, Henrique Dussel e Leonardo Boff; no campo protestante destacaram-se 
Jos Miguez Bonino e Rubem Alves, entre outros. 
Entre os evanglicos conservadores, o rgo cooperativo correspondente ao CLAI  a Confraternidade de Evanglicos da Amrica Latina (CONELA). 
Os prprios locais dessas conferncias e congressos so reveladores. Das trs CELAs, duas realizaram-se na cosmopolita e culta Buenos Aires, enquanto que todos os 
CLADEs ocorreram nos pases andinos, com seus enormes problemas sociais e suas dinmicas igrejas populares. 
Citado por Tito Paredes em "Visin Histrica de los 'CLADEs'," Iglesia y Misin 67/68 (Jan-Jul 1999), 13. 
Escobar, "Los 'CLADEs' y la Misin de la Iglesia," 22. 
Os critrios de seleo procuram ser os mais abrangentes possveis em termos de faixas etrias dos participantes, sexo, identidade tnica e filiao eclesistica. 
Neste ltimo aspecto, metade das inscries  reservada para participantes pentecostais. Iglesia y Misin 67/68 (Jan-Jul 1999), 35. 
Outros membros bem conhecidos da Fraternidade Teolgica so C. Ren Padilla, Rolando Gutirrez, Tito Paredes, Emlio A. Nnez e o brasileiro Valdir Steuernagel. 
Sobre a sua relao com o Brasil, o prprio Escobar afirma em uma obra recente: "Desde a minha primeira visita ao Brasil, em 1953, como jovem delegado peruano a 
um congresso mundial da juventude batista, apaixonei-me por esse imenso pas. Em 1959 e 1960 percorri como evangelista e discipulador um bom nmero de centros universitrios. 
Cheguei de avio, um velho Catalina da Panair, de Iquitos, na selva peruana, at Manaus. Dali percorri o Norte e o Nordeste, at chegar a So Paulo, onde, entre 
1962 e 1964, trabalhei como missionrio na frente estudantil, nos primeiros anos da Aliana Bblica Universitria." Samuel Escobar, Desafios da Igreja na Amrica 
Latina: Histria, Estratgia e Teologia de Misses (Viosa, MG: Editora Ultimato, 1997), 11. 
Por fora de suas ocupaes, Escobar tambm foi responsvel por vrios peridicos. Por exemplo, ele foi editor de Certeza, uma revista para estudantes universitrios, 
e diretor de Pensamiento Cristiano, um rgo de exposio do pensamento evanglico, publicado na Argentina. 
Por exemplo, em 1982 Escobar participou da Consulta de Telogos do Terceiro Mundo, realizada em Seul, na Coria do Sul. A revista Evangelical Review of Theology, 
rgo oficial da referida Comisso Teolgica, publicou os trabalhos apresentados nessa consulta, um deles escrito por Escobar e trs colegas latino-americanos. Ver 
Samuel Escobar, Pedro Arana, Valdir Steuernagel e Rodrigo Zapata, "A Latin American Critique of Latin American Theology," Evangelical Review of Theology 7, n 1 
(abril 1983): 48-62. Mais recentemente, em maro de 1998, Escobar participou de uma conferncia sobre economia e misses promovida pelo Conclio de Ministrios Internacionais 
das igrejas menonitas norte-americanas. Segundo o Mennonite Brethren Herald, "o missiologista Samuel Escobar disse que um conceito holstico de misso conclama os 
cristos a compartilhar tanto a vida espiritual quanto recursos materiais e a utilizar instrumentos espirituais, culturais e tecnolgicos." 
Escobar tambm leciona no curso de Administrao do Eastern College, em nvel de ps-graduo. Seu papel principal  ajudar os estudantes a considerar as misses 
crists no contexto da justia econmica. 
Tambm publicado em Annals of the American Academy of Political & Social Science 554 (Nov 1997). 
Para os leitores no familiarizados com o ingls, esta  a traduo dos ttulos dos artigos de Escobar: "A responsabilidade social da igreja na Amrica Latina"; 
"Alm da teologia da libertao: missiologia evanglica na Amrica Latina"; "Transformao em Ayacucho: da violncia  paz e esperana"; "Misses e renovao no 
catolicismo latino-americano"; "O recrutamento de estudantes para misses"; "A missiologia de McGavran foi devorada por um leo?"; "De Lausanne 1974 at Manilla 
1989: a peregrinao da misso urbana"; "Um movimento dividido: trs abordagens da evangelizao mundial permanecem em tenso entre si"; "Teologia evanglica na 
Amrica Latina: o desenvolvimento de uma cristologia missiolgica"; "Misso na Amrica Latina: uma perspectiva evanglica"; "Elementos de estilo na formao de novos 
lderes missionrios internacionais"; "500 anos aps Colombo: Requiem ou Te Deum?"; "O legado de John A. Mackay"; "O evangelho inteiro para o mundo inteiro a partir 
da Amrica Latina"; "A nova ordem mundial das misses: o sculo XXI nos conclama a abandonarmos nossos modelos de ministrio mundial procedentes do sculo XIX"; 
"Alm da teologia da libertao: artigo-resenha" e "Uma abordagem missiolgica do protestantismo latino-americano." 
Como no Brasil, historicamente, o termo "evanglico" tem sido virtualmente sinnimo de "protestante," os estudiosos esto utilizado o anglicismo "evangelical" para 
designar especificamente os evanglicos conservadores, em distino dos progressistas ou liberais, como ocorre nos Estados Unidos. David Bosch menciona pelo menos 
seis tipos bsicos: (1) novos evangelicais (como Billy Graham), que tentam unificar todos os evangelicais; (2) evangelicais separatistas (como Carl McIntire e o 
seu Conclio Internacional de Igrejas Crists); (3) evangelicais por confisso (como Peter Beyerhaus); (4) evangelicais pentecostais e carismticos; (5) evangelicais 
radicais (como Samuel Escobar, Ren Padilla e Orlando Costas); e (6) evangelicais ecumnicos (como John Stott, Festo Kivengere e Arthur Glasser). Ver Internet, www.homenet.com.br/c
em/postura.html. 
Rodger C. Bassham, Mission Theology: 1948-1975 - Years of Worldwide Creative Tension - Ecumenical, Evangelical, and Roman Catholic (Pasadena, Califrnia: William 
Carey Library, 1979), 291. 
Ibid., 295. 
Ibid., 187. 
Ibid., 225. 
Ibid., 231. 
John Stott, The Lausanne Covenant: An Exposition and Commentary (Minneapolis: World Wide, 1975), 25. 
Bassham, Mission Theology, 237. 
Escobar atribui ao CLADE I, que recebeu 920 delegados de 25 pases, o surgimento de uma "teologia nacional" entre os evanglicos latino-americanos. Desafios da Igreja, 
22. Esse congresso foi o bero da Fraternidade Teolgica Latino-Americana. 
Quando Escobar concluiu sua palestra, os delegados colocaram-se de p e demonstraram a sua aprovao aplaudindo-o entusiasticamente. A palestra foi publicada na 
ntegra por Edies Vida Nova. Ver Samuel Escobar, A Responsabilidade Social da Igreja, Tpicos do Momento 3 (So Paulo: Vida Nova, 1970). 
Ibid., 7-8. 
Bassham, Mission Theology, 262. 
Orlando Costas, "Missiology in Contemporary Latin America: A Survey," em Missions and Theological Education in World Perspective, ed. Harvie M. Conn e Samuel F. 
Romen (Farmington, Michigan: Urbanus, 1984), 104. 
"Holstico," do grego hlos ("inteiro", "completo"), denota o que diz respeito a totalidades ou sistemas completos, em contraste com a anlise, tratamento ou diviso 
em partes. A medicina holstica, por exemplo, procura tratar tanto a mente como o corpo. 
Samuel Escobar, "Mission in Latin America: An Evangelical Perspective," Missiology 20 (Abril 1992), 244. 
Samuel Escobar, "Latin America," em Toward the Twenty-First Century in Mission, ed. James M. Phillips e Robert T. Coote (Grand Rapids: Eerdmans, 1993), 131. 
Ibid. O COMIBAM deu uma forte nfase  segunda vinda de Cristo. 
Ibid., 133. 
Um bom exemplo das idias de Escobar acerca da evangelizao pode ser encontrado no seu artigo "Vivir y Evangelizar," em Pensamiento Cristiano 93 (Maro 1978): 170-175. 
Samuel Escobar, "Has McGavrans Missiology been Devoured by a Lion?" Missiology 17 (Julho 1989), 349-350. 
Ibid., 350. 
Escobar, "Mission in Latin America," 241. 
Escobar, "Latin America," 134. "Anmicas" deriva de "anomia," a instabilidade social resultante do colapso dos padres e valores; no sentido individual, significa 
a inquietao, alienao e incerteza que decorre da ausncia de propsito ou ideais. 
Samuel Escobar, "Beyond Liberation Theology: Evangelical Missiology in Latin America," International Bulletin of Missionary Research 6 (Julho 1982), 108. 
Ibid., 110. 
Ibid., 111. 
Samuel Escobar, "Evangelical Theology in Latin America: The Development of a Missiological Christology," Missiology 19 (Julho 1991), 316. 
Ibid., 321. 
Ibid., 328. 
Samuel Escobar, "The Elements of Style in Crafting New International Mission Leaders," Evangelical Missions Quarterly 28 (Janeiro 1992), 7. 
Escobar, Desafios da Igreja na Amrica Latina, 19. 
Ibid., 48. H poucos anos, Escobar participou de mais uma consulta da Comisso Teolgica da Fraternidade Evanglica Mundial. Tal consulta, realizada em Londres de 
9 a 14 de abril de 1996, teve como tema "F e Esperana para o Futuro: Por Uma Teologia Evanglica Vital e Coerente para o Sculo XXI." Escobar foi o autor de um 
dos seis estudos apresentados ao plenrio, sob o ttulo "Discernindo o Esprito na Amrica Latina," em que revela o seu grande interesse pela dimenso pneumatolgica 
da misso da igreja e conclama os evanglicos a estarem receptivos ao novo vento do Esprito que sopra na igreja, gerando uma espiritualidade nova e radical. Samuel 
Escobar, "Maana - Discerning the Spirit in Latin America," Evangelical Review of Theology 20/4 (Outubro 1996). 
Escobar, Desafios da Igreja na Amrica Latina, 64. 
 o caso de Andr Biler, O Pensamento Econmico e Social de Calvino, trad. Waldyr Carvalho Luz (So Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990). Ver tambm, do autor 
do presente artigo, "Amando a Deus e ao Prximo: Joo Calvino e o Diaconato em Genebra," Fides Reformata 2:2 (Jul-Dez 1997), 69-88, e "Jonathan Edwards: Telogo 
do Corao e do Intelecto," Fides Reformata 3:1 (Jan-Jun 1998), 72-87


Parte XVII
APRENDENDO DA HISTRIA DOS AVIVAMENTOS 
 
Estamos vivendo numa poca em que muitos membros das nossas igrejas oram: "Aviva a tua obra,  Senhor, no decorrer dos anos."(1) Talvez no se expressem exatamente 
com estas palavras, mas de fato almejam um avivamento autntico. Outros se arrepiam imediatamente quando ouvem falar do assunto. No  que no queiram que as igrejas 
sejam vivas e dispostas para a obra do Senhor; ao contrrio. Mas avivamento? J passamos por tanta confuso, tribulao e separao amarga. No seria melhor evitar 
o assunto? Neste artigo estudaremos um pouco da histria para ver se podemos descobrir algumas lies para os dias de hoje. No  possvel repetir a histria, mas 
podemos aprender com ela. 

As nossas igrejas no Brasil foram plantadas por missionrios da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. Nesse pas tambm houve vrias pocas de avivamento com 
bnos e problemas incontveis. Vamos perguntar  nossa me espiritual: "Conte, mame, como  que foi?" Voltemos, ento, para a poca que entrou na histria como 
o "Grande Despertamento" (Great Awakening, 1739-1745).

I. O Presbiterianismo na Amrica do Norte

O Brasil foi descoberto em 1500. Foi na poca em que Portugal e Espanha comearam a navegar pelos oceanos e fundar o seu imprio ibrico. Somente um sculo mais 
tarde naes protestantes comearam a zarpar pelos oceanos, depois que foi quebrada a espinha dorsal martima da Espanha com a derrota da sua Armada (1588). A Inglaterra 
implantou colnias na Amrica do Norte, sendo Virgnia a primeira (1607), com a Igreja Anglicana como a igreja oficial.(2) Os holandeses fundaram Nova Amsterd (1614) 
com sua Igreja Reformada (mas os ingleses capturariam a colnia cinqenta anos depois, rebatizando-a como Nova York). Os "Pais Peregrinos" foram para o nordeste 
do continente (1620) e estabeleceram fortes colnias congregacionais.

Por volta de 1700 havia muitas famlias presbiterianas espalhadas por todas as colnias, especialmente escocesas-irlandesas, e em 1701 um jovem pastor do nordeste 
da Irlanda, Francis Makemie, iniciou o seu trabalho itinerante de Nova York at as Carolinas.(3) Ele  considerado o "pai do presbiterianismo americano," tendo organizado 
igrejas e at consagrado ministros. Era um homem preparado para o trabalho de Deus: converso clara, chamada consciente, viso ampla, santificao constante e disposio 
incansvel. O Senhor abenoou o seu trabalho. Muitas igrejas foram organizadas e j cinco anos depois o presbitrio reuniu-se pela primeira vez em Filadlfia. No 
ano seguinte, Makemie foi preso por ter pregado em Nova York. Ele defendeu o seu prprio caso, que ficou famoso na jurisprudncia sobre a liberdade religiosa. Foi 
absolvido, mas adoeceu gravemente devido  permanncia no calabouo e foi promovido  glria. Porm, o crescimento continuou e em 1717 organizou-se o primeiro snodo. 
Foi adotada a ordem eclesistica da Esccia, e tambm o seu selo e lema: Nec Tamen Consumebatur.(4) 

Apesar do crescimento numrico das igrejas em geral, a situao religiosa nas colnias no era boa. Muitos colonos viviam longe das igrejas e, pior ainda, da Palavra 
de Deus. Nos lares crentes de fato havia leitura bblica e o catecismo era decorado, mas por outro lado existiam muitos obstculos  santificao, mormente a embriaguez... 
at entre pastores.  que os colonos eram pobres, e os preos dos produtos da lavoura muito baixos, a no ser que pudessem ser industrializados. Os escoceses sabiam 
fazer isto, s que no conseguiam vender o whisky a tempo. Nesse caso, o pastor podia ser pago em espcie e, chegando em casa depois de uma longa cavalgada numa 
tempestade de neve, era tentado a tomar uns tragos. E havia outros problemas. Portanto, no  de estranhar que algumas pessoas reconhecessem que a igreja precisava 
ser purificada para tornar-se realmente uma igreja puritana. E essa purificao devia comear com o corpo ministerial.(5)

Havia algumas escolas para preparao de pastores no nordeste americano, tais como Harvard e Yale, mas infelizmente nem sempre zelavam pela ortodoxia e pela ortopraxia. 
Alm disso, as distncias eram grandes e as despesas altas. Ento, recorreu-se ao sistema conhecido na Irlanda do Norte, em que candidatos ao ministrio eram treinados 
na casa de um ou outro pastor com o dom de mestre. Um desses foi o velho Rev. William Tennent, que preparou uns poucos jovens para o ministrio sagrado, entre eles 
seus prprios filhos, no seu humilde "colgio de toras" (Log College).(6) O casal Tennent era um exemplo de piedade e o prprio George Whitefield, depois de visit-los, 
comparou-os a Zacarias e Isabel. A sua orao diria era pela "purificao dos filhos de Levi."(7) A converso era absolutamente necessria (inclusive para os presbiterianos) 
e essa converso devia ser visvel.

II. O Grande Despertamento, 1739-1745

Essa nfase na pregao tinha sido (re)iniciada naquela regio por "Dominie"(8) Theodore J. Frelinghuysen, o pastor de uma das Igrejas Reformadas holandesas, que 
eram muitas por causa da antiga colonizao holandesa e que continuaram a crescer mesmo depois da conquista de Nova Amsterd pelos ingleses.(9) Nesse sentido, o 
Rev. Theodore era herdeiro de uma nfase do puritanismo holands, que por sua vez tinha recebido muita influncia do puritanismo ingls(10) no somente uma doutrina 
e f bblicas, mas tambm uma tica e comportamento bblicos. Quando, pois, o jovem ministro Gilbert Tennent comeou a pregar como o seu colega reformado (1733), 
isso no foi algo estranho ao puritanismo presbiteriano americano.(11) Ao mesmo tempo, o Senhor estava operando nas Igrejas Congregacionais do nordeste americano 
(1734) e algum tempo depois o Rev. Jonathan Edwards pregou o seu clebre sermo "Pecadores nas mos de um Deus irado" (1741).(12) Na Inglaterra, a pregao de George 
Whitefield e de John Wesley levou muitas pessoas ao Senhor, e quando Whitefield fez uma campanha evangelstica nas colnias (1739-1741), em dois anos mais de trinta 
mil pessoas foram ganhas, ou seja, 10% da populao americana da poca.(13)

Apesar desses resultados positivos, houve problemas humanos, como sempre ocorre quando o Senhor d a sua bno. Vrios pastores no souberam controlar a sua lngua. 
A gritaria de um certo James Davenport passou tanto dos limites, que at os seus correligionrios o consideraram mentalmente fraco. O prprio Gilbert Tennent abusou 
da palavra. Em 1740 ele pregou uma mensagem com um ttulo apropriado sobre os perigos de um ministrio no convertido, mas com um vocabulrio por vezes muito veemente, 
referindo-se aos colegas como "ces mortos" e outros termos negativos. No era incomum o uso de linguagem violenta, mas o impacto do sermo de Gilbert foi mais amplo 
pelo fato de ter sido impresso.(14) Tambm puderam ser observados vrios desvios teolgicos, tais como: a Lei no se aplicaria aos crentes; se algum no sabia quando 
estivera sem Cristo, no poderia ser considerado convertido; se algum no sentia o sopro do Esprito Santo como um vento verdadeiro, seria um crente carnal. Algumas 
irregularidades contra a ordem presbiteriana tambm azedaram as relaes eclesisticas, j tensas por causa da frieza, zombaria e forte oposio dos tradicionalistas 
e de um certo radicalismo e farisaismo dos avivados, afetando ambos os grupos como um vrus maligno.

III. O Cisma Presbiteriano, 1741-1758

Infelizmente as tenses aumentaram tanto durante a poca do Grande Despertamento, que ocorreram divises no corpo de Cristo.(15) O cisma na Igreja Presbiteriana 
comeou em 1741. No incio do snodo daquele ano um grupo de doze ministros apresentou um documento chamado "Protestao," que simplesmente declarava que os avivados 
no tinham lugar "neste conclio de Cristo." Sete dos "protestadores" pertenciam ao Presbitrio de Donegal, que havia se tornado uma foco de oposio, e quatro deles 
deviam ser afastados do ministrio por causa de problemas graves. Dizendo-se leais a Cristo, praticaram uma lealdade dplice por causa do seu corporativismo.(16) 
Alegando apoio na Constituio Presbiteriana, pisaram o direito eclesistico. O grupo de tradicionalistas ficou conhecido como a "Ala Velha" do Snodo de Filadlfia, 
e os avivados como a "Ala Nova" do Snodo de Nova York.(17)

A Ala Nova  mais conhecida por causa do seu trabalho evangelstico. Em primeiro lugar, pelo esforo missionrio transcultural de homens como o Rev. David Brainerd, 
que nos deixou o seu conhecido dirio.(18) Brainerd havia sido expulso do curso teolgico de Yale por afirmar que um certo professor no tinha mais da graa de Deus 
do que uma cadeira. Depois da sua ordenao, David trabalhou incansavelmente durante quatro anos entre os indgenas, at sucumbir  tuberculose na casa do seu futuro 
sogro, o Rev. Jonathan Edwards. Poucos meses depois, a sua noiva Jerusha tambm faleceu vitimada pela mesma enfermidade (1748).

Menos conhecido, mas no menos importante, foi o trabalho de "misses nacionais" da Ala Nova. Samuel Davies, tambm formado num "colgio (teolgico) de toras," implantou 
o trabalho presbiteriano na regio de Richmond, na Virgnia (1747-1759), que resultou no primeiro presbitrio do sul, o de Hanover (1755). No somente pregou aos 
colonos europeus, mas tambm aos escravos africanos, que gostavam de cantar salmos em sua cozinha. No seu dirio ele anotou que de vez em quando acordava com uma 
torrente de melodias celestiais. Davies teve o privilgio de batizar uns 150 deles. Nessa poca, Jonathan Edwards, que era presidente do colgio teolgico de Princeton, 
veio a falecer por causa da varola. Davies foi chamado para substitu-lo, mas tambm faleceu depois de dois curtos anos. Colocaram no tmulo desse servo, que pregava 
como o embaixador de um rei poderoso, uma frase de um dos seus 600 hinos: "Inspira a minha alma,  graa real, e toca meus lbios com fogo celestial."(19)

Um problema muito interessante era a tenso entre educao e misso. O fato era que as igrejas, congregaes e pontos de pregao se multiplicavam, mas havia falta 
de pastores para atender aqueles vastos campos. No  que os presbiterianos no tivessem viso, mas havia falta de obreiros por causa das rigorosas exigncias na 
educao teolgica, o que diminuia o nmero dos que podiam estudar. Mas os que conseguiam fazer o curso teolgico saam como homens bem preparados. Quando chegavam 
aos seus campos de trabalho, freqentemente na ento fronteira colonial, eram bem-vindos como pastores e tambm como professores, porque eram as pessoas mais educadas 
da comunidade. Os colonos pediam que o pastor ensinasse seus filhos.(20) Mas o bom era o inimigo do melhor, porque uma vez envolvidos no ensino dirio, mal sobrava 
tempo para visitarem as congregaes espalhadas, que s vezes perdiam o contato com a igreja presbiteriana e filiavam-se a outras denominaes.(21)

IV. A Reunio, 1758

Depois de dezessete anos, as duas alas conseguiram restabelecer a paz. Uma das alavancas foi o sofrimento comum causado pela guerra contra os franceses. O restabelecimento 
da unio tambm foi possvel porque ambos os lados haviam permanecido presbiterianos na doutrina e os renovados no tinham rejeitado o batismo dos filhos da aliana. 

Porm, o mais importante  que o clima havia se tornado mais ameno, basicamente por existir mais humildade nos dois lados. Os tradicionalistas ainda tinham certas 
restries, mas reconheceram que de fato houve muitas converses sinceras e permanentes. Tambm admitiram ser necessrio que os pastores (e conseqentemente os candidatos 
ao ministrio sagrado), tivessem uma experincia religiosa, e no somente uma f formal.(22) Os avivados, por outro lado, sentiam ainda um profundo desejo de pregar 
em todo e qualquer lugar, mas reconheceram que erraram algumas vezes ao invadirem campos pastorais de colegas tradicionalistas sem serem convidados, no respeitando 
assim as normas constitucionais. Tambm reconheceram que as suas lnguas no haviam sido batizadas pelo Esprito Santo quando usavam certas expresses pejorativas 
ao referirem-se aos seus colegas. Insistiram que o avivamento era uma obra santa do Senhor, mas admitiram que houve falta de discernimento espiritual, pois os convertidos 
que apresentavam reaes fsicas (como arrepios, gritos, desmaios, etc.), mas sem os frutos do Esprito Santo, estavam seriamente iludidos. E a Lei do Senhor era 
sem dvida uma norma de gratido para a vida do crente convertido. As duas correntes uniram-se novamente, sendo o prprio Gilbert Tennent o maior defensor dessa 
reunio.(23)

Porm, a paz entre os dois grupos deve ter sido um pouco difcil, especialmente para os da Ala Velha, por causa da maioria numrica da Ala Nova. No comeo do cisma 
os avivados eram uma minoria, mas cresceram muito durante os anos da separao.(24) Um pouco de estatstica pastoral demonstra isto claramente: em 1741 a Ala Velha 
tinha 27 pastores e a Ala Nova 22; em 1758 a Ala Velha tinha 23 pastores e a Ala Nova 73.

De fato, foi como o historiador Trinterud afirmou: "Two sides, two tides" (duas alas, duas mars).(25) Mas qual teria sido a causa dessa diferena to patente? Muito 
se tem discutido. A Ala Velha insistiu que os avivados tinham sido beneficiados pela imigrao e fundos do Velho Mundo, mas assim tambm o foram os tradicionalistas. 
Talvez tenhamos de lembrar a distino entre causas diurnas, patentes a todos, e causas noturnas, ocultas  maioria.(26) Embora a Ala Velha tambm tenha feito algo 
pelas misses nacionais, a "causa diurna" do crescimento maior da Ala Nova deve ter sido o trabalho evangelstico mais intenso e mais descentralizado dos irmos 
avivados, as misses sendo sempre um ndice preciso do avivamento autntico. 

E existiria ainda alguma "causa noturna"? Cremos que sim. O fato  que o avivamento real procura maior santificao em todos os setores da vida, comeando pelo individual. 
Faltando essa caracterstica essencial, o avivamento no passa de emoo litrgica. Sem dvida, no incio a Ala Velha no reconheceu essa necessidade premente de 
santificao, focalizando suas crticas em aspectos mais circunstanciais. Dos doze "protestadores" que iniciaram o cisma expulsando os avivados, quatro tinham problemas 
morais e, no fim desse perodo, mais quatro, ou seja, ao todo dois teros do mesmo grupo! Em virtude do "corporativismo," os seus presbitrios faltaram com a disciplina 
fraternal. Sim, infelizmente a "causa noturna" mais provvel por que o brao tradicionalista da Igreja Presbiteriana americana murchou at mesmo durante o "Grande 
Despertamento" foi a falta de santificao, santificao esta que  o alvo do Esprito Santo em cada efuso especial do poder do alto, para que a igreja seja testemunha 
no tempo e no lugar onde Deus a colocou na histria.

V. Dia da Renovao da Aliana

Devemos ainda acrescentar um pargrafo sobre as lies espirituais que emanam desse perodo,  luz das Escrituras? Calvino certa vez disse o seguinte sobre aqueles 
que querem tirar uma srie de aplicaes de um texto bblico: "A Escritura  frutfera em si mesma." Parece que as lies histricas neste caso so bvias. E cada 
um de ns deve aplic-las  vida, dependendo da nossa posio no processo histrico atual. Oremos para que aprendamos a andar em humildade, a fim de no perdermos 
o verdadeiro avivamento, no promovendo um avivamento pelo esforo prprio, nem rejeitando as bnos incontveis da obra do Senhor.

"Avivamento"  uma palavra muito bblica, significando reviver. No deveramos perd-la por causa de abusos. O conceito de avivamento tambm  muito bblico: retornar 
ao Senhor, humilhar-se e comear a ter uma vida purificada, produzindo mais frutos do Esprito Santo.(27) No devamos perder o contedo por causa de uma palavra. 
Se no quisermos usar a palavra "avivamento," para ns da tradio reformada uma expresso como "Renovao da Aliana" ajudaria muito a entender o que o Senhor quer 
de ns. Aquela splica - "Aviva a tua obra,  Senhor, no decorrer dos anos" -  uma orao ensinada pelo prprio Esprito Santo. E o Senhor nos convoca a renovarmos 
a aliana que ele estabeleceu conosco, renov-la em todos os seus aspectos. Um dia especial para enfatizar essa renovao da aliana pode ser para ns presbiterianos 
o dia do aniversrio da nossa igreja, 12 de agosto. Ou talvez o dia de Pentecoste, o dia do aniversrio da igreja universal. Mas, qualquer dia que seja, seria um 
dia de orao e jejum para que o Senhor no nos lance fora, ao contrrio, nos use, no para o nosso prprio triunfalismo oco, e sim para a sua glria, para a salvao 
de muitos perdidos, e para a santificao e edificao da igreja, a fim de que ela seja sal da terra e luz neste mundo tenebroso, como  o desejo profundo de todo 
verdadeiro presbiteriano.

Notas

1 Habacuque 3.2 (Almeida Revista e Atualizada).

2 Para um resumo sobre religio na Amrica do Norte, ver W. S. Hudson, Religion in America (New York: Scribner's, 1993). Para o perodo colonial, ver W. W. Sweet, 
Religion in Colonial America (New York: Scribner's, 1942).

3 Sobre Makemie, ver I. M. Page, The Life Story of Rev. Francis Makemie (Grand Rapids: Eerdmans, 1938).

4 Adotado pela Igreja Presbiteriana da Esccia em 1635. Os Estados Unidos tornaram-se independentes em 1776, e em 1789, o ano em que a Frana sangrava por causa 
da revoluo, realizou-se a primeira Assemblia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos, incorporando muitos dos antigos huguenotes.

5 Assim tambm Philipp J. Spener, o grande lder do pietismo na Igreja Luterana da Alemanha, em seu famoso livro Pia Desideria ("desejos piedosos"), publicado em 
1675.

6 Sobre Tennent e sua escola, ver M. A. Tennent, Light in Darkness: The Story of William Tennent, Sr. and the Log College (Greensboro, NC: Greensboro Printing Co., 
1971).

7 Ml 3.3; absolutamente necessrio, seno Deus amaldioar at as nossas bnos (Ml 2.2)!

8 Como eram chamados os ministros da Igreja Reformada Holandesa: dominie, do latim dominus, "senhor."

9 Sobre a posio oficial, o crescimento e os problemas dessas igrejas reformadas (inclusive depois da conquista de Nova Amsterd pelos ingleses em 1664), ver Gerald 
F. De Jong, The Dutch Reformed Church in the American Colonies (Grand Rapids: Eerdmans, 1978).

10 Wilhelm Goeters, Die Vorbereitung des Pietismus in der Reformierten Kirche der Niederlande bis zur Labadistischen Krisis, 1670 (Amsterdam: T. Bolland, 1974).

11 L. J. Trinterud, The Forming of an American Tradition (Philadelphia: Westminster Press, 1949).

12 Jonathan Edwards, Pecadores nas Mos de um Deus Irado, 3a. ed. (So Paulo: Publicaes Evanglicas Selecionadas, c.1993).

13 Sobre Whitefield, ver A. A. Dallimore, George Whitefield, 2 vols. ([London]: Ed. Banner of Truth Trust, [1970]).

14 A. Alexander, comp., Sermons and Essays by the Tennents and their Contemporaries (Philadelphia: Presbyterian Board of Publication, [1855]).

15 Os congregacionais dividiram-se em "Old Lights" e "New Lights," os batistas em "Regulars" e "Separatists." 

16 Se houve tambm uma dupla lealdade por causa de ligaes manicas, no ficou claro at agora. Nesse sculo XVIII de racionalismo, a maonaria era uma espcie 
de reao mstica contra o rido desmo. Comeou em Londres em 1717 e trinta anos depois j era influente na colnia americana.

17 "The Old and New Side" do sculo XVIII no devem ser confundidos com "The Old and New School" do sculo XIX.

18 Ver Jonathan Edwards, A Vida de David Brainerd (So Jos dos Campos, SP: Editora Fiel, 1993). Para essa biografia do seu genro, Edwards baseou-se em grande parte 
no dirio de Brainerd.

19 "Almighty grace, my soul inspire, and touch my lips with heavenly fire."

20 Dessas escolas paroquiais nasceram instituies educacionais conhecidas, como a Universidade de Pittsburgh, na Pensilvnia.

21 Valeria a pena um estudo aprofundado sobre as congregaes da IPB que foram perdidas.

22 Exigncia includa tambm na Constituio da Igreja Presbiteriana do Brasil, no seu Art. 32.

23 Cf. o seu sermo publicado, "Irenicum Ecclesiasticum" (1749).

24 O mesmo fenmeno de crescimento numrico ocorreu entre os congregacionais: na regio de Boston havia nessa altura quase trs vezes mais pastores avivados do que 
tradicionalistas.

25 Trinterud, Forming of an American Tradition, cap. 8: "The Withered Branch."

26 Ruy dos Santos Pereira, Piso e a Medicina Indgena (Recife: Instituto Arqueolgico, Histrico e Geogrfico Pernambucano e Universidade Federal de Pernambuco, 
1980), 23.27 2 Cr 7.14. Existem muitos exemplos histricos, como Js 5, 24; 2 Cr 29-30; Ne 8, etc
Fonte: Revista Fides Reformata

Parte XVIII
AS QUATRO INDISPENSVEIS QUALIDADES
Uma Igreja Missionria 
 

"E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Esprito Santo: Separai-me, agora, Barnab e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Ento, jejuando, e orando, 
e impondo sobre eles as mos, os despediram" (At 13.2,3). 

Como deve ser caracterizada a igreja evanglica brasileira em seu propsito de ser uma igreja verdadeiramente missionria no Brasil e no mundo? Biblicamente falando, 
todo campo missionrio deveria se tornar, obrigatoriamente, numa base missionria. Mas por uma srie de fatores que lamentamos, nem sempre  essa a realidade em 
termos de igreja brasileira. J a igreja de Antioquia era, sem sombra de dvida, um exemplo de igreja missionria. A igreja que outrora foi campo, que o Esprito 
Santo preparou para receber a boa semente do evangelho, cresceu e frutificou, passando a ser oficialmente o portal da misso entre os gentios; pois quando o Esprito 
Santo disse em Atos 13.2, "Separai-me agora ..." a partir daquele momento a igreja de Antioquia no seria mais a mesma em termos de viso e ao missionrias. 

Os princpios que nortearam a vida da igreja de Antioquia, e que, com certeza, deveriam inspirar todas as igrejas, foram cuidadosamente observados e registrados 
por Lucas em Atos 13. 

Igreja missionria  igreja adoradora 

Atos 13.2 inicia assim: "E, servindo eles ao Senhor...". O particpio presente leitourgountwn (servindo [ARA], workshiping [NIV]), do verbo leitourgw,  empregado 
por Lucas em Atos 13.2 com o mesmo significado de latrw, isto , "servir em adorao"; "prestar culto a Deus". O particpio presente indica ao contnua. 

Uma igreja s pode ser verdadeiramente missionria se for verdadeiramente adoradora e vice-versa. Orlando Costas estava certo quando disse que "o culto est intrinsecamente 
relacionado com a ao de Deus na histria e a converso das naes ao Deus trino e uno". 

E ainda: 

O culto, em sua dimenso humana, surge da misso.  o resultado espontneo da experincia da redeno. Do mesmo modo, a misso deve ser vista como um acontecimento 
cultual, porquanto celebra o que Deus tem feito por homens e mulheres em Jesus Cristo e os chama a receber e compartilhar o dom da graa de Deus. 

Talvez um dos piores males que tm assolado, dividido e enfraquecido a igreja brasileira em nossos dias seja os constantes debates em torno da tarefa prioritria 
da igreja. E no estamos nos referindo  questo da evangelizao e responsabilidade social, outro assunto desnecessariamente polarizado. Ao contrrio, estamos falando 
da dicotomia existente entre culto e misses. E a discusso no  se a igreja deve adorar ou evangelizar (embora s vezes  o que de fato acontece), mas sim, o que 
deve ser considerado em primeiro lugar. 

As opinies so as mais variadas e extremistas at. De um lado temos os que insistem que "misses so a segunda mais importante atividade no mundo", ou que "misses 
existem porque o culto no existe". Do outro lado, tem quem afirme ser "um absurdo dizer que muitas so as responsabilidades da igreja. Igreja  misses". Para os 
defensores da primeira posio, s o fato do culto ser dirigido a Deus e as misses aos homens j definiria, por si s, a questo da prioridade da igreja. Os defensores 
da segunda posio argumentam, por sua vez, que  preciso mais que adorao. " preciso ter paixo pelos perdidos e obedecer ao ide de Jesus". Ser que precisamos 
mesmo priorizar uma tarefa em detrimento da outra, como temos visto na prtica? Ser que podemos afirmar que culto  mais importante que misses ou vice-versa? Mais 
uma vez contamos com o argumento equilibrado de Orlando Costas: 

No existe dicotomia alguma entre culto e misso. O culto  a reunio do povo enviado ao mundo para celebrar o que Deus fez em Cristo e est fazendo mediante a participao 
deles na ao testemunhal do Esprito. A misso  a culminao e antecipao do culto. No culto e na misso a comunidade redimida d evidncia concreta do fato de 
que , ao mesmo tempo, um povo de orao e testemunho". 

Vemos, ento, que o culto deve levar a igreja a fazer misses (cf. At 2.42-47), e misses, por sua vez, devem levar os perdidos a prestarem culto a Deus (cf. At 
13.44-49). Pois uma adorao que no leva a igreja a evangelizar no passa de mera contemplao, e uma evangelizao que no leva os pecadores a adorarem a Deus 
est fora dos propsitos do prprio Deus. "A liturgia sem misso  como um rio sem manancial, a misso sem culto  como um rio sem mar. Ambos so necessrios. Sem 
um o outro perde sua vitalidade e significado". 

Igreja missionria  igreja de orao 

Jos Martins disse corretamente: "A orao  a essncia da obra missionria. No  s uma atividade necessria ao sucesso da obra -  a obra em si.  a prtica mais 
missionria possvel, quando vivida de maneira bblica".  evidente que Martins no quer dizer que orao e misses so a mesma coisa, e sim, que essas duas atividades 
devem vir interligadas uma na outra. Nunca  demais enfatizar a importncia da prtica da orao na obra missionria. 

Quando o Esprito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnab para a obra que os tinha chamado, a igreja estava em orao. Esta verdade est 
implcita e explcita em Atos 13.2 e 3, respectivamente. 

Implicitamente porque o versculo dois diz o seguinte: "E, servindo eles ao Senhor, e jejuando...". O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava 
tambm orando. 

Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando no estivesse em orao. Nem toda orao  feita em jejum, mas todo jejum bblico  
feito com orao. Alm disso, temos uma evidncia explcita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasio: "Ento, jejuando e orando..." (v3). No 
sabemos ao certo se o jejum do verso 3  o mesmo do verso 2. Pela urgncia do chamado do Esprito, tudo indica que sim. Mas se  o mesmo ou deixa de ser, no  to 
importante sabermos. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de orao e que fazia da orao a base de sua misso. 

 provvel que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministrio de Paulo. Paulo foi um homem de orao e recomendava s igrejas que orassem 
por ele e pela expanso do evangelho de Jesus Cristo. 

Agora, mais do que simplesmente orar, a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prtica do jejum.  impressionante a nfase que Lucas d ao jejum na igreja 
de Antioquia. Em Atos 13.2 ele diz que a igreja jejuava, e no menciona a orao, embora sabemos que ela tambm orava, conforme dissemos acima. No verso 3, do mesmo 
captulo 13, Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". No texto grego  a mesma coisa: nestusantes kai proseuxamenoi. A ordem das palavras  significativa 
e no pode ser menosprezada, como tem feito a maioria dos autores que consultamos. 

A nfase de Lucas  importante por duas razes pelo menos: 1) No devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resqucios do judasmo. Esta no 
seria uma forma inteligente de pensar, primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Sria) e, por isso mesmo, qual o interesse dele 
em dar tanta nfase a uma prtica estritamente judaica? Segundo, a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado, naquilo que se refere s 
prticas religiosas do judasmo. Direta ou indiretamente o Conclio de Jerusalm de Atos 15 aconteceu em razo desse anti-judasmo-cerimonialista. 2) Acreditamos 
que Lucas fez questo em enfatizar a prtica do jejum pela igreja de Antioquia, primeiramente para mostrar que jejum e orao no so incompatveis na vida de uma 
igreja e, em segundo lugar, mostrar como esta prtica era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionria. 

Se muitas de nossas igrejas tm falhado na prtica da orao, e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara, em interceder 
pelos missionrios e orar pela obra missionria de um modo geral, o que dizer ento da prtica do jejum em nossas igrejas? 

Acredito que as igrejas histricas tm falhado at agora em subestimar a importncia do jejum na vida do povo de Deus. Quantos so os membros destas igrejas que 
jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de ns mal oramos, diga-se de passagem. 

Na minha prpria denominao, Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), aprendi: "Sem o propsito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que no seja 
o dia do Senhor, em casos muito excepcionais de calamidades pblicas, como guerras, epidemias, terremotos, etc.,  recomendvel a observncia de dia de jejum ou, 
cessadas tais calamidades, de aes de graas" (Princpios de Liturgia, XI). Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades pblicas, 
como guerras, epidemias, terremotos, etc.", conforme prescrevem os princpios de liturgia da IPB, nunca existir um dia de jejum neste pas! Que o jejum deve ser 
praticado em dias de calamidades pblicas no questionamos, pois a Bblia nos d vrios exemplos disso. Mas ser que devemos jejuar somente em casos muito excepcionais 
de calamidades pblicas? Da forma como foi redigido o princpio para a prtica de jejum na IPB, ao invs de estimular o crente a pratic-lo, ele faz exatamente o 
contrrio. No que o princpio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja, porm, na prtica  o que tem acontecido. Creio que o captulo sobre 
jejum deveria ser revisto pela IPB, primeiro porque ele no expressa corretamente a realidade brasileira e tambm por no apresentar uma definio mais completa 
do verdadeiro conceito bblico de jejum. 

Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provaes, nada indica que naquela ocasio especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando 
e orando porque passava por momentos difceis. Pelo contrrio, o contexto prximo (cap. 12) indica que a Igreja Primitiva, de modo geral, estava vivendo um dos seus 
melhores dias. Pedro havia sido libertado milagrosamente da priso e um dos maiores inimigos da igreja, o rei Herodes Agripa I, foi morto mediante a interveno 
de um anjo do Senhor. Enquanto isso, "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12.24). 

A igreja de Antioquia buscava a presena de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. 

E continuou assim quando enviou seus missionrios e os sustentou com fervorosas oraes. 

Que Deus conceda  igreja brasileira a graa de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presena, intercedendo dia aps dia pela obra missionria do Brasil 
e do mundo. 

Igreja missionria  igreja que ouve a voz do Esprito Santo 

Enquanto a igreja orava,  provvel que o Esprito Santo falou pelos profetas que ali estavam, tornando Sua vontade conhecida. No sabemos ao certo como o Esprito 
Santo falou aos profetas da igreja de Antioquia. Seja como for, Ele falou e a igreja ouviu. 

O verbo "ouvir"  empregado em mais de um sentido nas Escrituras. Pode significar: captar, entender, abraar e obedecer o que se ouve. Algum pode escutar e ouvir, 
no sentido literal, o som das palavras, entender as palavras, mas ser totalmente surdo quanto  prtica dessas palavras. 

A igreja de Antioquia era uma igreja sensvel  voz do Esprito, e mais do que aguar os ouvidos para ouvir a Sua voz, ela ouviu, principalmente, obedecendo. E  
exatamente nesse sentido de fazer o que Deus ordena que a igreja brasileira hoje deve ouvir, atravs da Escritura, o que "o Esprito diz s igrejas". 

O Esprito Santo continua falando e ouvimos a Sua voz, mas lamentavelmente, este "ouvir" nem sempre tem sido traduzido em termos de "obedincia". O Esprito Santo 
falou  igreja de Antioquia e ela imediatamente colocou Paulo e Barnab no mundo. Eis a a voz do Esprito que muitas vezes tem sido ignorada pelos crentes: A igreja 
no mundo e para o mundo.  nisso que Deus espera ser ouvido e obedecido. 

Se ouvir o Esprito Santo significa obedec-lo, uma das grandes expresses dessa obedincia  estar no mundo para ouvir o mundo. E o que significa ouvir o mundo? 
John Stott responde: "O mundo de hoje est repleto de clamores que refletem ira, frustrao e sofrimento. Mas muitas vezes ns nos fazemos de surdos diante dessas 
vozes de angstia". Stott nos lembra, ainda, que existem dois grupos de pessoas no mundo que, alm de precisarem ouvir o que a igreja tem a lhes dizer, precisam, 
antes, ser ouvidos pela igreja. Diz ele: 

Primeiro, temos o sofrimento daqueles que nunca ouviram o nome de Jesus, ou que, embora tenham ouvido falar nele, ainda no o aceitaram e, portanto, em sua alienao 
e perdio, esto sofrendo terrivelmente. Neste caso, o que costumamos fazer  sair correndo com o evangelho nas mos, subir no nosso poleiro e vomitar a nossa mensagem, 
sem a mnima considerao para com a situao cultural ou as verdadeiras necessidades dessas pessoas. O resultado  que, com muito mais freqncia do que gostaramos 
de admitir, ns afastamos as pessoas e at mesmo aumentamos sua alienao, pois a forma como apresentamos a Cristo  insensvel, desajeitada e at irrelevante. De 
fato, "responder antes de ouvir  estultcia e vergonha". 

A melhor coisa  ouvir antes de falar, procurar penetrar no mundo das idias e pensamentos da outra pessoa, tentar descobrir quais so as suas possveis objees 
ao evangelho e ento compartilhar com ela as boas novas de Jesus Cristo de uma maneira que fale s suas necessidades. Esta atividade desafiadora, humilde e perspicaz 
 chamada, e com razo, de "contextualizao". Mas  essencial acrescentar que contextualizar o evangelho no  de maneira alguma manipul-lo. 

... Em segundo lugar, temos o sofrimento dos pobres e dos famintos, dos despossudos e dos oprimidos. Muitos de ns s agora  que esto despertando para a obrigao 
que a Escritura sempre colocou sobre o povo de Deus, de preocupar-se com a justia social. Ns deveramos ouvir com mais ateno os clamores e os suspiros daqueles 
que esto sofrendo. Quero compartilhar aqui um versculo bblico que ns temos negligenciado e que, em se tratando deste assunto, quem sabe deveramos destacar. 
Ele contm uma solene palavra de Deus para aqueles que, dentre o seu povo, carecem de conscincia social. Encontra-se em Provrbios 21.13: "O que tapa o ouvido ao 
clamor do pobre tambm clamar e no ser ouvido. 

Complementando Jonh Stott, lembramos ainda de Orlando Costas, que tambm costumava chamar o compromisso da igreja para com a sociedade e o mundo de dimenso diaconal 
ou encarnacional, isto , "a intensidade de servio que a igreja presta ao mundo, como prova concreta do amor de Deus". E mais: 

Esta dimenso envolve o impacto que o ministrio reconciliador da igreja exerce sobre o mundo, o seu grau de participao na vida, conflitos, temores e esperanas 
da sociedade e a medida em que seu servio ajuda a aliviar a dor humana e a transformar as condies sociais que tm condenado milhes de homens, mulheres e crianas 
 pobreza. Sem esta dimenso a igreja perde sua autenticidade e credibilidade, pois somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade  sua vocao 
de amor e servio ela pode esperar ser ouvida e respeitada. 

Se a igreja brasileira der ouvidos  voz do Esprito, com certeza ouvir a voz dos que precisam ser ouvidos. 

Igreja missionria  igreja compromissada com os missionrios 

O que determina, de certo modo, se uma igreja  ou no missionria  o seu envolvimento e compromisso com os missionrios. Este compromisso mostrar at onde a igreja 
est engajada em misses e, principalmente, at onde ela tem sido obediente  voz do Esprito de Deus, mesmo quando atua na retaguarda. 

A igreja de Antioquia era uma igreja de compromissos. Ela estava compromissada com Deus (servindo a Deus, jejuando e orando, Atos 13.2,3) e com os missionrios (impondo 
sobre eles [Barnab e Saulo] as mos, os despediram, Atos 13.3). 

 importante destacar, antes de tudo, que o envolvimento missionrio da igreja de Antioquia no estava limitado queles cinco nomes de Atos 13.1. E mesmo se a imposio 
de mos sobre Paulo e Barnab tivesse sido realizada por apenas trs deles, nem por isso deixaria de ser o trabalho da igreja toda. Comentando o envio dos missionrios 
pela igreja de Antioquia, Kistemaker diz com razo que "toda a igreja de Antioquia estava envolvida em comissionar Barnab e Saulo, pois quando os missionrios retornaram, 
eles relataram  igreja o que Deus tinha feito (14.27)". E ainda, "o Esprito Santo movimenta a igreja e no meramente cinco pessoas para se engajarem na obra missionria". 

A imposio de mos sobre Paulo e Barnab no deve ser entendida, conforme observa Liefeld, como "uma ordenao para ensinar (Paulo e Barnab j tinham estado no 
ministrio cristo, e Paulo considerava que a sua autoridade vinha diretamente de Deus, e no dos homens, nem sequer por intermdio dos homens, Gl 1.1)". E ainda: 
"O certo  que Paulo e Barnab foram enviados para uma obra especfica numa atmosfera de adorao, orao e jejuns (At 13.1-3), uma ao que, segundo Atos 14.26, 
os 'recomendou  graa de Deus'". 

A interpretao de Liefeld quanto  imposio de mos em Atos 13.3  boa mas poderia ser melhorada.  que, alm do que Liefeld diz, houve naquela ocasio um "pacto" 
entre a igreja de Antioquia e os missionrios, no qual a igreja ficaria definitivamente vinculada aos missionrios e os missionrios  igreja. 

Uma palavra grega que expressa muito bem o vnculo do relacionamento e do compromisso cristos entre missionrio e igreja  koinwnw (associar). Certa vez o apstolo 
Paulo expressou sua gratido para com os filipenses, pelo cuidado a ele dispensado e, depois de observar que "tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.13), acrescentou: 
"Todavia, fizestes bem, associando-vos na minha tribulao. E sabeis tambm vs,  filipenses, que, no incio do evangelho, quando parti da Macednia, nenhuma igreja 
se associou comigo no tocante a dar e receber, seno unicamente vs outros" (Fp 4.14,15, grifos nossos). Por duas vezes o apstolo usa o verbo "associar" nesta passagem. 
Comentando este texto de Filipenses 4.14,15, Edison Queiroz destaca: 

A palavra que Paulo est usando aqui para "associar-se"  uma palavra comercial, usada quando duas pessoas decidem formar uma sociedade. Assim como eles se tornam 
scios, em um projeto missionrio um dos scios  o missionrio e sua famlia, e o outro  a igreja local; a igreja e a famlia esto indo juntas ao campo. 

Lucas registra que a igreja de Antioquia "acompanhou" as viagens missionrias de Paulo e este, por sua vez, relatava a ela as coisas que Deus fazia por seu intermdio. 
Em Atos 14.26-28, por exemplo, a primeira viagem missionria termina com o retorno de Paulo e Barnab  igreja enviadora para repartir os "lucros" com os "scios", 
para compartilhar os frutos do trabalho com ela: "... navegaram para Antioquia, onde tinham sido recomendados  graa de Deus para a obra que haviam j cumprido. 
Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas cousas fizera Deus com eles e como abrira aos gentios a porta da f. E permaneceram no pouco tempo com os discpulos". 

A igreja de Antioquia tomou para si a responsabilidade da obra missionria. E por que? Porque ela se props a ser co-participante do Esprito no envio e sustento 
dos missionrios. A misso do Esprito seria a misso da igreja. 

Em Atos 13.3 no aconteceu o que vemos hoje em dia. Paulo e Barnab no foram lanados num campo e deixados "ao deus dar". A igreja no se esqueceu daqueles que 
enviou e os missionrios, por outro lado, no se lembraram da igreja somente quando o dinheiro da misso encurtou. No queremos generalizar, mas no , infelizmente, 
o que muitas vezes temos visto? Alm disso, a igreja de Antioquia no entregou Paulo e Barnab aos cuidados da igreja de Jerusalm e muito menos os deixou por conta 
de uma agncia missionria. De maneira nenhuma! A igreja de Antioquia tinha responsabilidade missionria. Havia nela o que Queiroz chama de "personalizao". 

Atualmente, o que temos visto com freqncia so as agncias ou juntas de misses ocupando o lugar da igreja local. No que as agncias no tenham seu devido valor, 
 claro que tm. Ademais, as agncias de misses, em si, no tiram a responsabilidade missionria das igrejas. Contudo, se hoje elas esto ocupando o lugar das igrejas, 
indo alm de suas atribuies,  porque as igrejas esto aqum de sua vocao. 

Del Pino complementa o conceito da responsabilidade missionria da igreja dizendo: Um grande nmero de igrejas espalhadas por este nosso Brasil precisa ver-se como 
vocacionadas por Deus para exercerem a tarefa missionria como um fator de peso em seu ministrio, precisa ver-se como a fora missionria de Deus nesse mundo e 
em nosso pas. 

Falando ainda acerca da importncia da igreja local em misses, Del Pino destaca quatro coisas que, segundo ele, deveriam acontecer em nossas igrejas. Em resumo, 
so elas: 

1. A igreja local como um todo precisa receber, compreender e assumir a viso de seu lugar na obra missionria, alm de compreender as dimenses bblica, espiritual, 
cultural e financeira desta tarefa. 

2. A igreja local, compreendendo sua importncia para misses, no pode transferir esta responsabilidade. 

3. A igreja local, ainda, precisa assumir por completo a sua responsabilidade missionria. O que mais comumente vemos  que a igreja muito se alegra com o despertar 
de uma vocao em seu meio, ora por aquele irmo e diz para ele ir. Mas quando chega o momento de assumir o compromisso financeiro regular e decente, ela se silencia, 
como se isso no fosse problema dela. 

4. Por fim, a igreja local precisa conscientizar-se e ver-se como a principal agncia missionria da face da Terra. Orar tendo isso em mente, agir tendo isso em 
mente, pregar tendo isso em mente, trabalhar tendo isso em mente. 

Para Deus s existem duas coisas: Ou somos campo, ou somos base missionria. Se somos campo, precisamos ser evangelizados, mas se somos base, ento est na hora 
de trabalhar. A omisso no pode ser a misso de uma igreja vocacionada pelo Esprito Santo de Deus.

Notas
Segundo Orlando Costas, "a prova de uma vigorosa experincia cultual ser a participao dinmica na misso: a prova de um fiel compromisso missionrio ser uma 
profunda experincia de culto" (Orlando E. COSTAS, Compromiso y misin. San Jos-Costa Rica: Editorial Caribe, 1979, p. 151).
Idem, p. 150.
Ibidem.
Cf. Evangelizao e responsabilidade social. 2a ed. So Paulo-Belo Horizonte: ABU Editora/Mundo Cristo, 1985, p. 17-25. Por falar em evangelizao e responsabilidade 
social da igreja, vale a pena ressaltar que o verdadeiro conceito de misso para a igreja de Antioquia era (como os missilogos contemporneos costumam denominar) 
o de misso integral, isto , o indivduo assistido em sua totalidade, conforme Atos 11.27-30.
COSTAS, op. cit., p. 150.
Idem, p. 150,151.
7 Jos MARTINS, A orao dominical e misses. In: Misses e a igreja brasileira: perspectivas teolgicas, p. 67. V. t. Durvalina B. BEZERRA, A misso de interceder: 
orao na obra missionria. Londrina: Descoberta, 2001, p. 229-244.
Cf. Simon J. KISTEMAKER, New Testament Commentary: Exposition of the Acts of the Apostles. Grand Rapids: Baker Book House, 1990, p. 20,21..
Cf. KISTEMAKER, op. cit., p. 455.
John STOTT, Oua o Esprito, oua o mundo. 2 ed. So Paulo: ABU Editora, 1998, p. 123.. 
STOTT, p. 123-125.
COSTAS, p. 113.
Idem, p. 113,114.
KISTEMAKER, op. cit., p. 455. V. t. J. H. BAVINCK, An introduction to the science of missions. Phillipsburg: The Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1960, 
p. 58-60.
KISTEMAKER, p. 455. Cf. Atos 15.40.
Walter L. LIEFELD, Imposio de mos. In: ELWELL, Walter A. (ed.). Enciclopdia histrico-teolgica da igreja crist, Vol. II. So Paulo: Vida Nova, 1990, p. 323.
Idem, p. 324.
A expresso "os despediram" de Atos 13.3 refora a idia de que a igreja de Antioquia estava enviando Paulo e Barnab, e continuaria vinculada a eles, uma vez que 
o verbo apolyw, diferentemente de apospaw (At 21.1), no sugere "despedida definitiva". V. t. Paul E. PIERSON, Atos que contam. Londrina: Descoberta, 2000, p. 117.
Edison QUEIROZ, O melhor para misses. 2a ed. Londrina-Curitiba: Descoberta, 1999, p. 50. V. t. Neal Pirolo, A misso de enviar: como sustentar o seu missionrio. 
Londrina: Descoberta, 2001, p. 13-31,179-200; Hugo PIRIZ, A igreja e a integridade pessoal e familiar do obreiro do Senhor. In: STEUERNAGEL, Valdir (ed.). E o Verbo 
se fez carne: desde a Amrica Latina. 
Curitiba: Encontro Editora, 1995, p. 153-160.
E, certamente, este "sustento" significava mais do que orar por eles. No concordo com A. T. Robertson (em Word Pictures in the New Testament: The Acts of the Apostles. 
Grand Rapids: Baker Book House, 1930, p. 178,9) quando afirma que "Paulo e Barnab tiveram que financiar a prpria viagem", com base em Filipenses 4.15. De fato, 
Paulo passou por muitas dificuldades em seu ministrio, inclusive financeiras (cf. Fp 4.12), mas isto no aconteceu por falta de compromisso da igreja de Antioquia, 
e sim, por causa das circunstncias poltico-religiosas da poca. s vezes faltava oportunidade para uma melhor participao da igreja (cf. Fp 4.10).
E. QUEIROZ, op. cit., p. 60. Diz ele: "O objetivo da igreja, ao fazer misses, deve ser promover a mxima personalizao, fazer com que o maior nmero possvel de 
membros da igreja tenha contato com os missionrios". V. t. Oswaldo PRADO, Do chamado ao campo. So Paulo: Sepal, 2000, p. 87,88.
Edison Queiroz destaca muito bem alguns pontos que evidenciam a importncia de uma agncia missionria. Diz ele: "H inmeras dificuldades para o envio de um missionrio. 
Precisa haver contatos com outras agncias missionrias, com autoridades governamentais, emisso de vistos de entrada e permanncia, cmbio e envio de dinheiro, 
orientao quanto aos relacionamentos no campo com igrejas, governo e outras agncias e avaliao in loco do andamento do trabalho.
Todas estas tarefas so difceis para a igreja. Da, a importncia das juntas e organizaes missionrias" (E. QUEIROZ, Igreja local e misses. 3a ed. So Paulo: 
Vida Nova, 1991, p. 56).
Cf. Carlos Del PINO, A importncia da igreja local em misses. In: Misses e a igreja brasileira, p. 60.
Idem, p. 60,61. V. t. E. QUEIROZ, op. cit., p. 43-58; A misso da igreja e o despertar missionrio na Amrica Latina. In: STEUERNAGEL, Valdir R. (ed.). A misso 
da igreja. Belo Horizonte: Misso Editora, 1994, p.117-126 e O. E. COSTAS, La misin, el ministerio y el Esprito Santo: el caso de la iglesia de Antioquia. In: 
Misin y ministerio en America Latina, artigo no publicado, p. 1-7.

Parte XIX
ATOS 1.8 E A MISSO DA IGREJA 
 
O contexto de Atos 1.8  a ascenso de Cristo. Os que estavam reunidos no monte das Oliveiras perguntaram ao Mestre quando seria o tempo da restaurao do reino 
de Israel. O Senhor respondeu que no competia a eles conhecer tempos e pocas que o Pai reservou para a Sua exclusiva autoridade. Porm, prometeu:

"Mas recebereis poder, ao descer sobre vs o Esprito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalm, como em toda a Judia e Samaria, e at aos confins da 
terra".

Em Atos 1.8 o Senhor Jesus repete as promessas da Grande Comisso (Mt 28.18-20; Mc 16.14-18; Lc 24.44-49; J.o 20.21).

1. O poder do Esprito 

H uma srie de termos para "poder" no Novo Testamento. Lucas empregou dynamis em At 1.8, mas tem tambm exousia, thronos, bia, ischys, energia, kratos e keras. 
Ser que existiu algum motivo especial para que Lucas usasse a palavra dynamis ao invs de qualquer outra, ou ele a escolheu aleatoriamente? Vejamos: exousia  uma 
palavra usada com muita freqncia no Novo Testamento. A rigor  traduzida como "autoridade". Contudo, geralmente era empregada num contexto poltico (cf. Rm 13.1-3). 
Thronos indicava, a priori, a sede do governo, mas depois passou a significar a pessoa que detinha semelhante posio de autoridade ou fora. Bia est associada 
ao emprego da fora coerciva. Energia  poder no seu exerccio; fora em ao. Ischys significa fora fsica. Kratos tem um sentido semelhante ao de ischys, mas 
se refere mais ao exerccio da autoridade. E keras (lit.: chifre), por sua vez, indica fora e, juntamente com kratos, formam as duas palavras do NT cujo significado 
fica mais perto de exousia e dynamis. Contudo, dynamis tem um sentido todo exclusivo.  a palavra do poder sem fronteiras, por assim dizer. Ela  a palavra por excelncia 
para se referir ao poder do Esprito Santo. Portanto, Lucas sabia muito bem que ao escolher dynamis estava utilizando o termo que melhor representava a ao poderosa 
do revestimento do Esprito na vida do crente e da igreja. "... permanecei, pois na cidade", disse Jesus aos discpulos, a quem Ele havia comissionado para evangelizar 
o mundo, "at que do alto sejais revestidos de poder..." (Lc 24.49; At 1.8). 

Quando o Esprito Santo foi derramado por ocasio do Pentecostes, "com grande poder os apstolos davam o testemunho da ressurreio do Senhor Jesus..." (At 4.33). 
E ainda: "Estvo, cheio de graa e poder, fazia prodgios e grandes sinais..." (At 6.8). Temos tambm a declarao de Pedro na casa de Cornlio a respeito de Jesus, 
que "Deus ungiu...com o Esprito Santo e poder..." (At 10.38). Nestes exemplos Lucas revela que desde o princpio o evangelho foi disseminado pelo poder do Esprito 
Santo.

O poder do Esprito  o segredo do sucesso da misso da igreja. Lembremos que os discpulos de Jesus foram homens que andaram cerca de trs anos com o Mestre. Conheceram-nO 
intimamente, foram ensinados por Ele, ouviram Seus sermes e viram Seus milagres. Viram Seus sofrimentos, morte, ressurreio e ascenso. Se alguma vez existiram 
homens que estivessem em melhor posio e condio de falar ao mundo acerca da ressurreio de Jesus e de todos os fatos a respeito dEle, estes homens eram Seus 
discpulos. Entretanto, o que o Senhor Jesus diz  que eles seriam totalmente incapazes de faz-lo se do alto no fossem revestidos do poder do Esprito.

2. Poder e testemunho

No dia de Pentecostes a promessa de Atos 1.8 se cumpriu (1). A igreja foi batizada e revestida do poder do Esprito Santo. Entretanto, o poder do Esprito para a 
igreja no tem, como nunca teve, um fim em si mesmo. Em Atos no existe esta concepo moderna equivocada de que o poder do Esprito  para edificar o crente e ficar 
tudo por isso mesmo. No! O poder do Esprito tinha como finalidade primordial capacitar os crentes para dar testemunho de Cristo. No Novo Testamento os dons ou 
manifestaes do Esprito (lnguas, curas, profecias, etc.) foram dados com o nico objetivo de que a igreja testemunhasse de Jesus ao redor do mundo. (2). Nada 
do que a igreja recebe do Esprito tem nela um fim em si mesmo. "Recebereis poder, ao descer sobre vs o Esprito Santo, e sereis minhas testemunhas...", disse Jesus 
(At 1.8). 

Neste tpico procuraremos observar, de modo prtico, o que significava nos tempos bblicos e o que deveria significar para a igreja evanglica brasileira hoje ser 
testemunha de Jesus Cristo. E para uma reflexo imediata, vale conferir um alerta do Dr. Charles van Engen:

"Logo antes de sua ascenso, Jesus disse a seus discpulos, como est registrado em Atos 1.8: "... sereis minhas testemunhas [kai esesthe mou martyres]...", comeando 
em Jerusalm e espalhando-se geogrfica e culturalmente para fora, para os confins da terra (es eschatou ts gs). Muito dessa comisso, quanto  expanso geogrfica 
e cultural da Igreja, se cumpriu. Mas provavelmente no captamos as palavras de Cristo em todo o seu peso: "...sereis minhas testemunhas...".(3)

O substantivo grego martys (4) (martyres) do verbo martyreo j possua, nos tempos bblicos, cinco significados principais, sendo que o ltimo deles era a expresso 
mais elevada daquilo que significava ser testemunha de Jesus; a saber:

testemunha judicial de fatos; 
testemunha de fatos numa confisso de f; 
declarao de um fato como testemunha ocular de um ocorrido; 
o testemunho evangelstico da natureza e da importncia de Cristo; 
martrio. (5). 
Pela prpria natureza da evangelizao e pelas perseguies e adversidades futuras que desafiariam a Igreja Primitiva, seria imprescindvel o poder do alto para 
testemunhar de Jesus. Que a igreja muitas vezes testemunhou ao preo de sangue  algo que dispensa comentrios. Contudo,  importante ressaltar, pelo menos, dois 
aspectos do testemunho pelos quais os cristos muitas vezes tiveram que pagar com a vida. A Igreja em Atos testemunhava:

1) No poder do Esprito com sinais e maravilhas
Quanto a esta questo, vale a pena conferir o telogo alemo Otto Betz:

"Cristo era "poderoso em obras e palavras" (Lc 24.19). Seus milagres so chamados dynameis (cf. Heb. gebrt; i., "atos poderosos"), porque neles, o reino de Deus 
na terra comea a ter efeito poderoso, e a luta contra o diabo  levada a efeito no nvel da existncia humana (Mt 12.22-30; Mc 6.2; Lc 19.37; At 10.58). Jesus  
o "mais forte" que, como Representante de Deus, subjuga o "homem forte", o diabo (cf. Mc 1.8 com 3.22-30). Os milagres de Jesus so operados por um poder dentro 
dEle (Mc 5.39 par. Lc 5.17; Mc 6.14). Lucas liga este poder, dado por Deus, com o Esprito Santo em Lc 1.35; 4.14; At 1.8; 10.38. Os milagres, portanto, so encarados 
como evidncia da parte de Deus quanto a Jesus ser o Messias, Aquele que foi ungido pelo Esprito (At 2.22; 10.38). A glorificao do Messias faz dEle, em grau ainda 
maior, Mediador do poder salvfico de Deus. , pois, pelo poder do Esprito que Jesus derramou sobre os Seus servos, que estes podem operar atos poderosos (At 4.7; 
6.8; 8.13; 19.11)". (6).

s vezes os sinais e prodgios preparavam o palco, por assim dizer, para uma pregao cheia do Esprito (cf. At 3; 16.16-34); outras vezes estavam intercalados numa 
pregao (cf. At 20.7-12), mas na maioria das vezes sucediam a mensagem do evangelho (cf. At 19.8-12). 

2) No poder do Esprito na pregao da Palavra 

Em Atos o Esprito Santo, a pregao e o ensino da Palavra esto estritamente relacionados. Isto salienta o fato de que o Esprito de Deus costuma agir atravs da 
Palavra de Deus. A Palavra  a espada do Esprito (cf. Ef 6.17). Michel Green diz que um dos grandes mritos do livro de C.K.Barret, Luke the Historian,  a maneira 
como ele destaca esta verdade da ligao do Esprito Santo com a Palavra. "O principal meio atravs do qual o Esprito estende a soberania de Cristo  a Palavra 
de Deus" (7), que inclua expresses como "palavra do Senhor", "palavra da salvao", "palavra do evangelho", e "a palavra" tout simple. (8).

Os cristos primitivos levavam a Palavra para qualquer lugar que fossem (8.4). O que manteve Paulo dezoito meses ou mais em Corinto foi a Palavra (18.5). Em feso 
a mesma coisa, durante os dois anos em que trabalhou ali (19.10). E quando Lucas quer indicar o sucesso de uma misso, ele diz que a Palavra do Senhor "crescia e 
prevalecia poderosamente" (9). 

"A pregao autoritativa dos apstolos (At 4.33; Cf. 6.8-10)  vista como prova de um poder sobrenatural" (10). No  por menos que o evangelho causou tanto impacto 
sobre Tefilo (At 1.1; cf. Lc 1.1), o centurio Cornlio (10.44), o procnsul de Chipre (13.7) e os cidados de Antioquia (13.44). No  de admirar que o ministrio 
da Palavra fosse prioridade para os doze (6.4). Tambm no  de admirar que eles comprometessem seus convertidos com ela (20.28) e que os missionrios annimos de 
Atos 8.4 a tinham como sua grande arma. Quando algum cria  porque a Palavra trouxe f (4.4). Quando algum recebia o Esprito isto acontecia por ouvir a Palavra 
(10.44). Quando algum se tornava cristo  porque o Esprito iluminava o corao dos ouvintes com a mensagem apostlica (16.14). "No  exagero dizer que a Palavra 
 o principal instrumento na misso evangelizadora da igreja, sob o poder do Esprito de Deus". (11).

Ser que o poder do Esprito dos tempos bblicos continua sendo o mesmo para a igreja evanglica brasileira hoje? Com certeza, pois precisamos testemunhar. E no 
 possvel um testemunho autntico de Jesus sem o poder do Esprito. A Igreja Primitiva tinha desafios imensurveis, mas no se curvava diante deles. Clamava a Deus 
para ser revestida com mais e mais poder para proclamar com ousadia e intrepidez as verdades do Senhor a quem ela tanto amava (At 4.23-31). Era uma igreja de orao 
que buscava constantemente a plenitude e enchimento do Esprito Santo. A igreja de hoje, principalmente no mundo ocidental, tambm possui seus desafios. Felizmente 
(ou seria infelizmente?) seus desafios so mais de ordem interna que externa. Atualmente j no so tantos os Pilatos, os Herodes, os judeus e gentios que esto 
perseguindo a igreja. Hoje, a igreja  perseguida pelo fantasma de sua prpria morbidez por persistir, muitas vezes, numa vida contemplativa, alienada do mundo, 
com pouca ou nenhuma perspectiva da misso para a qual ela foi chamada. 

Em outro estudo de minha autoria (A Misso Integral da Igreja), disse algo a respeito da igreja de Jerusalm que poderia ser repetido aqui. "Uma lio  preciso 
aprender com a igreja de Jerusalm: A igreja de Jerusalm estava consciente de sua misso no mundo. Era uma igreja unida em seus propsitos e se amava de verdade. 
Internamente ela estava pegando fogo, desejosa de pregar o evangelho, em obedincia ao mandado de Cristo. Porm, externamente os desafios eram humanamente insuperveis. 
Pilatos, Herodes e muita gente se levantaram contra a igreja de Deus. Ento a igreja orou: "agora, Senhor, olha para as suas ameaas e concede aos teus servos que 
anunciem com toda a intrepidez a tua palavra, enquanto estendes as mos para fazer curas, sinais e prodgios por intermdio do nome do teu santo Servo Jesus" (At 
4.29,30). 

E Deus atendeu ao clamor de sua igreja (At 4.31). Atendeu porque a igreja deixou de lado seus prprios interesses para servir ao mundo. Hoje, o que muito se v, 
 nvel de igreja local,  a prpria igreja criando obstculos para no fazer a obra do Senhor. Externamente desfruta-se de uma liberdade religiosa como nunca se 
viu, mas internamente muito de nossas igrejas esto enfermas, quando na verdade eram elas que deveriam estar curando!".

Esta  a triste realidade de muitas igrejas histricas e pentecostais brasileiras em nossos dias. Mas graas ao bom Deus, no  a realidade de todas elas. O vento 
sopra onde quer e est soprando em muitas de nossas igrejas. Deus seja louvado! Entretanto, precisamos orar mais, precisamos ser avivados (no verdadeiro conceito 
bblico desse avivamento), precisamos do poder e enchimento do Esprito para transpor nossos prprios portes, a fim de sermos o verdadeiro sal da terra e a verdadeira 
luz do mundo. A ordem e a promessa de Atos 1.8  para a gente tambm!

Gostaria de concluir este tpico com uma declarao urgente e atual do Comit de Lausanne sobre a importncia do poder do Esprito Santo na misso da igreja:

"Cremos no poder do Esprito Santo. O Pai enviou o seu Esprito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vo. Convico de pecado, 
f em Cristo, novo nascimento e crescimento cristo,  tudo obra dele. De mais a mais, o Esprito Santo  um Esprito missionrio; de maneira que a evangelizao 
deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Esprito. A igreja que no  missionria se contradiz a si mesma e debela o Esprito. A evangelizao mundial s 
se tornar realidade quando o Esprito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na f, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristos 
para que orem pedindo pela visita do soberano Esprito de Deus, a fim de que o seu fruto todo aparea em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueam o corpo 
de Cristo. S ento a igreja inteira se tornar um instrumento adequado em suas mos, para que toda a terra oua a Sua voz". (12). 

. A esfera de atuao da igreja

A misso da igreja consiste em percorrer o mundo todo para pregar o evangelho a toda criatura (cf. Mc 16.15). Em Atos 1.8 Jesus especifica a misso global da igreja 
dizendo que ela deveria testemunhar "...tanto em Jerusalm, como em toda a Judia e Samaria, e at aos confins da terra". A expresso "tanto...como" de Atos 1.8 
 formada, no grego, pela partcula encltica te mais a conjuno kai. Em grego "tanto...como" equivale ao nosso adjetivo comparativo e sugere, em Atos 1.8, simultaneidade 
de trabalho; isto , Jesus no estava dizendo simplesmente que a Sua igreja precisava escolher uma dessas reas geogrficas para trabalhar ou que deveria comear 
por uma de cada vez. Pelo contrrio, a idia bblica do termo aqui : atuar ao mesmo tempo em todos os lugares da terra. (13). 

Infelizmente, hoje em dia no so poucos os crentes equivocados quanto  compreenso da ordem do Mestre. Quantas vezes j no ouvimos indagaes mais ou menos assim: 
"Por que mandar ou sustentar missionrios no estrangeiro se temos tanto o que fazer no Brasil?". Como sabemos, a maioria dos que pensam assim no est preocupada 
com a obra missionria nem mesmo no seu prprio pas. Jesus ordena que o trabalho missionrio da igreja seja te...kai, isto , temos que evangelizar l sem esquecer 
de c e vice-versa.

Uma aplicao contextualizada das regies citadas por Jesus fica por conta da nossa imaginao, mas sem, evidentemente, deturpar o texto bblico. Jerusalm foi o 
bero dos acontecimentos bsicos do cristianismo. Boa parte do ministrio de Jesus ocorreu em Jerusalm. Nela Jesus morreu, ressuscitou e ordenou a evangelizao 
do mundo. Nela Jesus prometeu o Esprito Santo e nela, no dia de Pentecostes, a igreja crist foi inaugurada e habilitada para cumprir a Grande Comisso. Para efeito 
de comparao e aplicao da ordem de Jesus, podemos identificar Jerusalm com a cidade em que moramos. A Judia, por sua vez, era a provncia que tinha Jerusalm 
como capital. Supomos que a nossa Judia seja o estado onde estamos vivendo. Samaria era uma regio mais afastada, situada ao norte da Judia. Poderamos comparar 
Samaria ao nosso pasl? Os confins da terra (14) significam, naturalmente, que devemos ser testemunhas de Jesus para todos os povos. Atualmente sabe-se que "os confins 
da terra" de Atos 1.8  mais que "universalidade concebida de forma geogrfica".  geografia sim mas tambm  etnia. A misso da igreja contempornea  mais do que 
misso estrangeira,  misso transcultural que envolve, por exemplo, os ndios do Brasil.

NOTAS
(1) Harry Boer, missionrio reformado na Nigria na dcada de 50, escreveu Pentecost and Missions (1961). "A tese desse trabalho", segundo Samuel Escobar (Desafios 
da Igreja na Amrica Latina (So Paulo: Ultimato, 1997), p. 43), " que no estudo de misses prestou-se muita ateno  Grande Comisso, mas no de igual modo a 
Pentecostes, e que o ponto de partida de misses no Novo Testamento  o que aconteceu em Pentecostes. Ele prope uma reviso no s da teologia de misses, mas da 
teologia em geral,  luz desse fato. Seu cuidadoso estudo do material bblico seguia a convico de que escreveu-se muito sobre a obra do Esprito Santo na salvao 
dos seres humanos, mas muito pouco sobre seu significado crucial para o testemunho missionrio da igreja. O assunto no foi totalmente ignorado, mas deveria ser 
central na reflexo sobre misses, e tem sido relegado  periferia". Desde que no se entenda que o Pentecostes deve ser desvinculado da Grande Comisso, a ponto 
de no ter ligao alguma com ela, estou de pleno acordo com Boer e Escobar.

(2) Cf. R. C. Sproul, O Mistrio do Esprito Santo (So Paulo: Cultura Crist, 1997), p. 144. 

(3) (3) C. van Engen, Povo Missionrio, Povo de Deus (So Paulo: Vida Nova, 1996), pp. 122,3 (Grifo nosso).

(4) Das 34 ocorrncias de "martys" no Novo Testamento, 13 esto em Atos.

(5) Cf. Kittel, G. & Friedrich, G., "martys", em The Theological Dictionary of the New Testament apud C. van Engen, Op. Cit., p. 123. 

(6) O.Betz, "Poder" em Dicionrio de Teologia do Novo Testamento, Vol. III (3. ed. So Paulo: Vida Nova, 1985), p. 576. 

(7) Barret apud M.Green, Evangelizao na Igreja Primitiva (2. ed. So Paulo: Vida Nova, 1989), p.185. Barret, segundo Green, afirma que "a pregao ou recebimento 
desta Palavra  mencionado nada menos que trinta e duas vezes em Atos" (p. 202).

(8) Idem, p. 185.

(9) Foi assim na Judia (6.7), Samaria (8.4-7,14), na primeira viagem missionria (13.49) e na sia (19.20).

(10) O. Betz, Op. Cit., p. 576.

(11) M. Green, Op. Cit., p. 185.

(12) O Pacto de Lausanne, XIV. V.t. Jonh Stott Comenta o Pacto de Lausanne (So Paulo: ABU Editora), 1983. 

(13) Jlio Paulo Tavares Zabatiero discorda da idia de simultaneidade de Atos 1.8. Para ele "a expresso grega te kai, em Lucas, significa simplesmente "e" (Lc 
23.12; At 1.1; 4.27; 5.24; 21.30)" (Zabatiero, "Poder e Testemunho - Misses em Atos 1 e 2" em Misses e a Igreja Brasileira, Vol. III (So Paulo: Mundo Cristo, 
1993), p. 83). Pela fraseologia de Zabatiero e as referncias citadas, tudo indica que ele est seguindo o Lxico do N.T. Grego/Portugus de F. Wilbur Gingrich e 
Frederick W. Danker do qual ele foi o tradutor. Para Gingrich e Danker te kai "freqentemente significa simplesmente e" (p. 204). Entretanto, "freqentemente" no 
 o mesmo que "sempre". Alm disso, na relao das referncias de Atos, onde te kai poderia possivelmente ser traduzido como "e", Gingrich e Danker no mencionam 
Atos 1.8. E esta omisso no aparece somente na traduo de Zabatiero, que at justificaria por ser um resumo de A Greek-English Lexicon of the New Testament and 
other Early Christian Literature, porm, nem mesmo nesta volumosa obra (900 pginas!) Atos 1.8  citado para provar tal argumento. Ser que os autores simplesmente, 
sem mais nem menos, deixaram de incluir na lista deles uma das principais passagens de Atos? Acredito que no.

(14) Convm lembrar que o conceito de confins da terra da maioria das pessoas nos tempos bblicos no era o mesmo conceito de Jesus e do Esprito Santo. A concepo 
geogrfica dos cristos primitivos era limitada. Paulo, por exemplo, mostrou-se desejoso de ir  Espanha (Rm 15.24,28), naturalmente porque entendia que ela fosse 
os confins do extremo ocidental da terra.

BATISMO DE CRIANAS
Algumas Consideraes 
 

A prtica de batizar os filhos dos cristos vem desde os primrdios do cristianismo. Pais da Igreja, como Irineu (sculo II), se referem ao batismo infantil. Orgines 
(sculo IV) foi batizado quando criana. Hoje, milhares de cristos evanglicos no mundo continuam a prtica, embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados 
apenas porque faz parte da tradio religiosa na qual nasceram. Para outros, o batismo  um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor, com votos solenes de educ-los 
nos caminhos de Deus at, a idade da razo.

Evidentemente nem todos os evanglicos concordam que o batismo infantil seja a nica maneira de se fazer isso. Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor, 
sem batiz-los, pois acreditam que o batismo  somente para adultos que crem. Porm, tanto os que batizam seus filhos, quanto os que os apresentam, tm um desejo 
s, de v-los crescer nos caminhos do Evangelho, e, quando chegarem  idade prpria, publicamente professar sua f pessoal em Cristo Jesus.

Alguns me perguntam por que apresentei meus quatro filhos para serem batizados, quando cada um ainda no tinha mais que dois meses. Minha resposta  que acredito 
estar seguindo a tradio bblica, que remonta ao tempo do Antigo Testamento, e que no foi abolida no Novo, de incluir os filhos dos fiis na aliana de Deus com 
o seu povo. Batizei meus filhos crendo que, atravs desse rito iniciatrio, eles passaram a fazer parte da Igreja visvel de Cristo aqui na terra. Minha crena s 
baseia no fato de que, quando Deus fez um pacto com Abrao, incluiu seus filhos na aliana, e determinou que fossem todos circuncidados (Gn. 17.1-14). A circunciso, 
na verdade, era o selo da f que Abrao tinha (ver Rm 4-3,11 com Gn 15.6), mas, mesmo assim, Deus determinou-lhe que circuncidasse Ismael e, mais tarde, Isaque, 
antes de completar duas semanas (Gn. 21.4). Abrao creu e o sinal da sua f foi aplicado  Isaque, mesmo quando este ainda no podia crer como seu pai. Mais tarde, 
quando Moiss aspergiu com o sangue da aliana as tbuas da Lei dada por Deus, aspergiu tambm todo o povo presente no monte Sinai, incluindo obviamente as mes 
e seus filhos de colo (Hb 9.19-20).

Estou persuadido de que a Igreja crist  a continuao da Igreja do Antigo Testamento. Smbolos e rituais mudaram, mas  a mesma Igreja, o mesmo povo. O Sbado 
tomou-se em Domingo, a Pscoa, em Ceia, e a circunciso, em batismo. Os crentes so chamados de "filhos de Abrao" (Gl 3.7,29) e a Igreja de "o Israel de Deus" (Gl 
6.16). No  de se admirar que Paulo chame o batismo de "a circunciso de Cristo" (C12.11).

Foi uma grande alegria ter meus filhos batizados e v-los, assim, receber o selo da f que minha esposa e eu temos no Senhor Jesus. Deus sempre tratou com famlias 
(Dt 29.9-12), embora nunca em detrimento da responsabilidade individual. Assim, Deus mandou que No e sua famlia entrassem na arca (Gn. 7.1), chamou Abrao e sua 
famlia (Gn 12.1-3) e castigou Ac, Cor e suas famlias juntamente. Paulo, ao refletir sobre a histria de Israel e ao mencionar a passagem dos israelitas pelo 
Mar Morto, diz que todo o povo foi batizado com Moiss, na nuvem e no mar inclusive as crianas,  claro, pois havia milhares delas (1 Co 10.1-4). No  de se admirar, 
portanto, que Pedro, no dia de Pentecostes, ao chamar os ouvintes ao arrependimento,  f em Cristo e ao batismo, disse-lhes que a promessa do Esprito Santo era 
para eles e para seus filhos (At 2.38-39). E no  de admirar que os apstolos batizavam casas inteiras em suas viagens missionrias: Paulo batizou Ldia e toda 
sua casa (,At. 16.15), o carcereiro e todos os seus (At 16.3233), a casa de Estfanas (1 Co 1.16).  verdade que no se mencionam crianas nessas passagens, mas 
o entendimento mais natural de "casa" e "todos os seus"  que se refira  famlia do que creu e fica difcil imaginar que, se houvesse crianas, elas teriam sido 
excludas. Pois, para Paulo, os filhos dos crentes eram "santos" (1 Co 7.14), ao contrrio dos filhos dos incrdulos. Talvez ele estivesse seguindo o que o Senhor 
Jesus havia dito, que no impedissem as crianas de virem a Ele (Mc 10.13-16).

Compreendo a dificuldade que alguns tero quanto ao batismo infantil, pois no h exemplos claros de crianas sendo batizadas no Novo Testamento.  verdade. Mas 
 igualmente verdade que no h nenhum exemplo de um filho de crente sendo batizado em idade adulta. Neste caso, talvez seja mais seguro ficar com o ensino do Antigo 
Testamento., Se os judeus que se converteram a Cristo no podiam batizar seus filhos, era de se esperar que houvesse alguma proibio neste sentido por parte dos 
apstolos, j que estavam acostumados a incluir seus filhos em todos os aspectos da religio judaica. Mas no h nenhuma proibio apostlica quanto a isso.

Compreendo tambm que alguns tm dificuldades com o batismo infantil por causa da prtica da Igreja Catlica e de algumas denominaes evanglicas, que adotam a 
idia da regenerao batismal, isto , que, pelo batismo, a criana tenha seus pecados lavados e seja salva. Pessoalmente no creio que seja este o ensino bblico. 
O batismo infantil no salva a criana. Meus filhos tero de exercer f pessoal em Cristo Jesus. No sero salvos pela minha f ou da minha esposa. Eles tero de 
se converter de seus pecados e crer no Senhor Jesus, para que sejam salvos. O batismo foi apenas o ritual de iniciao pelo qual foram admitidos na comunho, da 
Igreja visvel. Simboliza a f dos seus pas nas promessas de Deus quanto aos seus filhos (cf. Pv 22.6; At 2.38; At 16.31) e expressa os termos da aliana que ns 
e nossos filhos temos com o Senhor (Dt ' 6.6,7; Ef 6.4). Se, ao crescer, uma criana que foi batizada resolver desviar-se dos caminhos em que foi criada,  da sua 
inteira responsabilidade, assim como os que foram batizados em idade adulta, e que se desviam depois.

Certamente que o Novo Testamento fala do batismo como sendo uma expresso de f e de arrependimento por parte daqueles que se convertem a Cristo - coisas que uma 
criana em tenra idade no pode fazer. Por outro lado, lembremos que passagens assim no tinham em vista os filhos dos fiis, mas toda uma primeira gerao de adultos 
que se converteram pela pregao do Evangelho.

Mas, ao fim, tanto os que batizaram seus filhos quanto os que os apresentaram, devem orar com eles e por eles, serem exemplos de vida crist, lev-los  Igreja, 
instru-los nas Escrituras e viver de tal modo que, ao crescer, os filhos desejem servir ao mesmo Deus de seus pais.

Fonte: Revista Fides Reformata

Parte XX
COMO MEMBROS DO CORPO DE CRISTO 
 

"Porque, assim como o corpo  um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos formam um s corpo, assim tambm  Cristo. Pois em um s Espirito 
fomos ns batizados em um s corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos ns foi dado beber de um s Espirito. Para que no haja diviso 
no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros padecem com ele; e, se um membro  honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vos sois 
corpo de Cristo, e individualmente seus membros"
(1Co 12.12,13,24-27)

A Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza militante, e  descrita atravs de imagens riqussimas como "Povo de Deus", "Corpo de Cristo" e "Comunho no Esprito". 
Expressa-se tambm como um corpo local. Assim, falamos na Igreja Batista Sio, na Igreja Presbiteriana da Bahia, na Igreja Evanglica Fluminense como uma dessas 
comunidades locais, onde o nome de Jesus Cristo  exaltado, Sua palavra, estudada, e onde nos estimulamos e encorajamos a crescer em amor. "A Igreja  uma companhia 
de crentes regenerados e batizados que se associam num conceito de f e fraternidade do evangelho".

A IGREJA

A Igreja  isso: uma congregao de crentes cuja nica cabea  Jesus Cristo.  uma fraternidade de pessoas que crem em Jesus Cristo como Salvador pessoal, e Lhe 
obedecem seguindo-O como discpulos e tendo-O como Senhor.

Sim, formamos uma comunidade (At 2.42; 1Jo 1.3,6,7), e, se comunidade temos algo em comum: a f comum em Cristo Jesus (Tt 1.4; 1Co 1.9), o sangue de Cristo (1Co 
10.16), o Esprito Santo (Fp 2.1; 2Co 13.13). A verdadeira comunidade crist  criada e sustentada por uma f e uma vida comuns em Cristo, um compromisso de obedincia 
comum a Cristo como Senhor, uma participao comum no Espirito.

Somos "irmos".  a mais freqente designao do Novo Testamento para os crentes em Jesus Cristo. Aparece cerca de 250 vezes nos Atos e cartas.  uma saudao natural 
(cf. Rm 8.29; Tg 2.15; 1Jo 2.10), e quer dizer que fraternidade tem a ver com amor, com responsabilidade mtua, plena participao na famlia de Deus, e um compartilhar 
pleno na realizao da vida da igreja. Jesus disse que "irmo" era quem fazia a vontade de Deus: "Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse  meu irmo, irm 
e me" (Mc 3.35).

No h superioridade, no h diferena quando chamamos o outro de "meu irmo" (Mt 23.8). Diferena que exista  de dom e funo na Causa de Cristo, "Ora h diversidade 
de dons, mas o Espirito  o mesmo. E h diversidade de ministrios, mas o Senhor  o mesmo. E h diversidade de operaes, mas  o mesmo Deus que opera tudo em todos. 
A cada um, porm,  dada a manifestao do Espirito para o proveito comum" (1Co 12.4-7).

Somos membros uns dos outros, sim, porque confessamos a um s Senhor: Jesus Cristo (Mt 10.32; 1Jo 2.23; 4.15); porque filhos do mesmo Pai (Jo 1.12, Rm 8.14-17); 
porque regenerados pelo poder do Santo Esprito (Tt 3.5; Ef 1.13; Lc 11.13).

A Igreja de Jesus Cristo, da qual somos membros pelas razes j expostas,  , ento, um centro de trabalho e de lealdade. E visto que o propsito redentor de Deus 
 para ser realizado por meio da Igreja, "Para que agora a multiforme sabedoria de Deus seja manifestada , por meio da Igreja, aos principados e potestades nas regies 
celestes, segundo o eterno propsito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor." (Ef 3.10,11), a participao nesse plano deve ser o ponto focal da lealdade do irmo 
e do seu trabalho. E  realizado atravs da Igreja local, o que significa que seu esforo, sua atividade, sua iniciativa devem ser atravs desta abenoada comunho 
local.  uma questo de investimento espiritual, investimento de alto retorno em termos de crescimento, de conhecimento, de graa, de amor alegria, paz, bnos! 
Muitas bnos!

E PARA SER MEMBRO DA IGREJA?

H condies, pois pode uma pessoa ser crist e no ser membro de uma Igreja local. Por outro lado, h quem participe da comunho terrena, mas no do nascimento 
celestial. Por isso, "Saram dentre ns, mas no eram dos nosso; porque, se fossem dos nosso, teriam permanecido conosco; mas todos eles saram para que se manifestasse 
que no so dos nossos" (1Jo 2.19).

Todos devem ser salvos antes de se tornarem membros de uma Igreja; e se  salvo,  normal que busque a comunho do povo de Deus. Ento, a esta a primeira exigncia 
para ser membro da Igreja de Cristo: regenerao atravs do arrependimento, "Arrependei-vos, e cada um de vs seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remisso 
de vossos pecados; e recebereis o Dom do Espirito Santo" (At 2.38).

Importa que isso acontea porque o salvo  batizado no Esprito Santo, e assim unido  Igreja de Deus: "Pois em um s Esprito fomos todos ns batizados em um s 
corpo , quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos ns foi dado beber de um s Esprito" (1Co 12.13), e essa expresso "batismo no Esprito Santo"significa 
o ministrio do Esprito em favor do que cr. No se pode ser membro por ordem de outros, por procurao, ou sem exerccio da f como no caso de recm-nascidos.

Aps a regenerao, o passo da obedincia: o batismo. O ingresso tem seguimento pelo batismo: Jesus deu ordem definida sobre isso (cf. Mt 28.19; cf. At 8.36-38; 
10.47; 16.33; Gl 3.27), e o batismo h de ser realizado em nome do Pai, e do Filho, e do Esprito Santo (Mt 28.19). Deste modo, o novo convertido  batizado para 
se tornar clula viva, membro ativo na comunho de irmos que se chama Igreja de Jesus Cristo.

QUALIDADES DO MEMBRO DA IGREJA DE CRISTO

1. Amor ao estudo da Palavra de Deus. Na Reforma Protestante do sculo 16, a exclamao "Sola Scriptura!" ("apenas e unicamente a Escritura Sagrada!"). A Palavra 
de Deus que alegra o corao, fortalece o espirito e alimenta a alma (Mc 12.24; 2Tm 3.16,17). Tom-la para "ler, viver e crescer", lembrando a exortao: "Procura 
apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que no tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade". Com o objetivo de "antes santificai 
em vossos coraes a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansido e temor a todo aquele que vos pedir a razo da esperana que h em 
vs" (2Tm 2.15; 1Pe 3.15).

2. Fervor na Orao. Jesus ensinou: "Contou-lhes tambm uma parbola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer" (Lc 18.1); Paulo exortou "orai sem cessar" 
(1Ts 5.17), e Tiago deixou claro: "Confessai portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A splica de um justo pode 
muito na sua atuao" (Tg 5.16). Pois orao implica em atitude de dependncia de Deus, em comunho com Deus, em absoluta confiana em Deus.

3. Assiduidade os cultos. Est em Hebreus 10.25: "No abandonando a nossa congregao, como  costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, 
quando vedes que se vai aproximando aquele dia" (cf. At. 2.42)

E isso para ir ao encontro do Senhor e dos irmos (Sl 84.2,4; 133.1), para receber do Senhor bnos e mais abundncia de vida (Sl 133.3; Mt 18.20; Jo 10.10), para 
imitar o exemplo dos primeiros cristos (At 2.46).

4. Atividade. Conscincia dos dons que recebeu e us-los: pregar, ensinar, exortar, consolar. Socorrer, cantar, administrar, o que quer que seja.

H membros e h membros. H os salvos, batizados no Espirito, regenerados, portanto; lavados no sangue de Cristo, exemplares, teis, vidas inspiradoras, e que levam 
a igreja a crescer. H os postios, agregados ao Corpo de Cristo, mas como um corpo estranho. No crescem, no fazem crescer escandalizam at. Jesus os chamou "joio"no 
meio do trigal, "bodes" no meio das ovelhas (Mt 13.24ss; 25.32ss). Levam freqentemente a igreja  tristeza, criam problemas.

Mas  preciso recordar e viver a comunho com Cristo no batismo (Rm 6.3,4), na morte (v.4), na ressurreio (v.5; Ef 2.6), na vida eterna (v.8). Crucificados com 
Ele (Gl 2.20), vivificados com Ele (Ef 2.5), e com Ele nos cus (Ef 2.6; cf. Mt 8.11; 23.2; Cl 3.1; 2Ts 2.4; hb 8.1; Ap 3.21). E tambm a comunho com os outros, 
to essencial que Joo a pe como prova de converso (1Jo 3.14-18; cf. Jo 13.35; 17.21; 1Co 13.1-13).

A IGREJA LOCAL

O princpio da Igreja diz que pertencer-lhe  um santo privilgio e um sagrado dever. H uma alegria especial em ser membro da igreja. Alis, o Novo Testamento no 
fala de experincia crist praticada independentemente, e isolada dos outros crentes. Jesus andava e mantinha comunho com seus discpulos, homens e mulheres, unidos 
todos em amor comum e lealdade (cf. Mt 10.1ss, 28; 27.55; Mc 6.7ss; Lc 8.1-3; 9.1ss; Mt 20.17).

Como  voc como membro da Igreja de Cristo? Como eram os primeiros cristos?  somente ler Atos ou as Cartas. Era imperativo que vigiassem sua conduta, que preservassem 
a harmonia entre eles, e tivessem a conscincia de que a verdade divina lhes fora confiada; eram ativos no testemunho de Jesus Cristo; estavam vigilantes quanto 
 Sua Segunda vinda, encontravam alegria na comunho, a igreja era um investimento de vida. Na igreja, todos os crentes tm direito a privilgios iguais. Isso no 
se refere a diferenas de habilidades ou capacidades espirituais das pessoas.

Dizer isso significa que ningum tem privilgio especial sobre outro. S Cristo! Ento, j que h direitos iguais de acesso a Deus, h privilgios iguais na igreja. 
Essa  a razo porque somos uma fraternidade, uma famlia da qual Deus  o Pai, e Jesus Cristo o irmo mais velho (R.M. 8.29; Mt 6.9; 12.50; 23.9; Lc 8.21; Ef 4.6; 
1Pe 1.17). A igreja no  uma relao de scios ou de membros ou de filiados.  uma comunho. Se algum est fora dessa comunho, seja por falta grave, abandono, 
escndalo, falsa doutrina, deve ser excludo da igreja porque, de fato, j se auto-excluiu (Rm 16.17; 1Co 5.5,3-5, 9-11,13; 2Ts 3.6,14,15; 1Tm 1.18-20; Tt 2.10,13; 
2Jo 9-11; Jd 4,10-13, 16-19; 1Tm 5.2b; 2Tm 3.5; Tt 3.10).

O falecido mestre do Seminrio Teolgico Batista do Norte do Brasil (no Recife), Pr. Harald Schaly, ensinou haver trs tipos de membros de igreja que podem ser comparados 
a barcos: os que tem motor prprio; os que possuem vela (precisam de vento, de agitao, de movimento, de campanhas, de novidades para vir  igreja); aqueles que 
so como balsas (so puxados). Estes so peso morto na igreja, alguns fazem pouco ou nada fazem, no trabalham e do trabalho; tm nome no rol de membros, mas s 
aparecem no Natal ou Noite de Ano Novo. Vo  igreja como quem vai ao teatro: esperam boa msica, bom sermo, e que todos sejam sociveis. H quem, sendo membro 
da igreja, espere convite especial para vir; h quem venha se tiver cargo; h quem, sendo membro de uma igreja,  muito operoso, apreciado, mesmo, porm em outras 
igrejas, nunca na sua (?!). O mesmo Pr. Schaly conta uma histria. A do vaqueiro crente: "eu trabalho para "seu" Vicente; mas mesmo que eu passasse todo o tempo 
falando de "seu" Vicente , dizendo que  o melhor patro, e cantasse muito para ele (j que ele gosta de msica sertaneja), e no fizesse meu servio com o gado, 
ele me mandaria embora!" Jesus no falou naqueles que dizem "Senhor, Senhor! E que no entraro no reino dos cus?"

Pois ; a igreja  chamada a crescer. E o modelo  o de Atos 2.47: "Louvando a Deus, e caindo na graa de todo p povo. E cada dia acrescentava-lhes o senhor os que 
iam sendo salvos".

Crescer em todas as direes: 

para o alto, buscando o altar de Deus; 
para baixo, aprofundando-se na doutrina do Senhor; 
para os lados, atingindo os no conhecem a salvao em Cristo Jesus; 
de dentro para fora, pela vida espiritual intensa pela consagrao  causa; 
e de fora para dentro, agregando pecadores regenerados. 
Cresce a igreja, cresce o reino de Deus.  um crescimento lento porem continuado. Como rvore que nasce da semente, ou o fermento na massa do po (Mt 13.31-3). Crescimento, 
no inchao!

 isso: precisamos de crentes que busquem o reino de Deus em primeiro lugar; que sejam luz do mundo; que sejam santos porque o Senhor  santo; que amem a Deus de 
todo o corao, de toda a alma e de todo o entendimento; que amem ao prximo como amam a si mesmos; que confiem no poder da interveno; que exeram o sacerdcio 
dos crentes; que amem a Palavra de Deus; que faam do crescimento pessoal assunto de perseverana, cuidado e prtica diria. Precisamos de crentes que entendam ser 
a igreja local o lugar previsto por Deus para a comunho, e onde os recursos para o crescimento cristo ao dispor (venha, portanto,  EBD!).  esse, alis, o mais 
eficiente meio de deter nossa tendncia de fazer renascer a velha criatura. Por isso, "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama 
Hoje, para que nenhum de vs se endurea pelo engano do pecado" (Hb 3.13).

Que nos comprometamos a ter cuidado uns dos outros, que nos lembremos uns dos outros em nossas oraes, que nos ajudemos mutuamente em nossas enfermidades (Tg 5.16b), 
a cultivar relaes francas e a delicadeza no trato e a estar pronto a perdoar as ofensas (Mt 6.12-15), a buscar a paz com todos. Que Deus nos ajude!

Parte XXI
COMO SE FAZ UMA GRANDE IGREJA 
 

"Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de gua pela palavra, para a apresentar a 
si mesmo igreja gloriosa, sem mcula, nem ruga, nem coisa semelhante, porm santa e sem defeito" (Ef 5.15b-27).

 desejo comum que esta nossa igreja seja grande em todos os sentidos. Por isso, oramos no sentido que cresa em nmero e espiritualidade. Uma grande igreja no 
 a que tem o maior templo da cidade, nem as melhores salas para a educao religiosa do seu povo, o melhor coro, ou o maior balancete mensal, ou a que levanta as 
maiores ofertas missionrias e para outros fins. No  aquela cujo pastor  o melhor orador da cidade, e os membros os mais destacados da sociedade.

No entanto, incidentalmente, uma grande igreja pode ter tudo o que foi mencionado.. No entanto, uma grande igreja  a quem tem certas caractersticas bblicas que 
passaremos a enumerar.

UMA GRANDE IGREJA  A QUE TEM UM MINISTRIO PARA TODOS

Cada crente  chamado por Deus para ser um ministro. Isso  interessante porque podemos pensar que a palavra "ministro"  to elevada, pois, afinal de contas,  
utilizada no primeiro escalo do governo. Falamos em Ministro da Educao, Ministro das Finanas, e assim por diante. Palavra, portanto, usada para pessoas de altssimo 
gabarito, do alto escalo do governo. 

No entanto,  palavra to simples. H uma diferena abismal entre as palavras "ministro" e "mestre". "Mestre" vem de uma palavra da lngua latina, magister, de onde 
procedem, ainda, "magistrio", "magistrado", designando algum que era procurado por ter "algo a mais (magis)". Era que tinha com que contribuir. "Ministro" vem 
de minister, procedente de minus, algum que tem "algo de menos", o servo, o escravo.

A Bblia diz que ns temos um servio. Essa palavra "ministro"  usada, sobretudo, para dizer "servo" e o conseqente servio prestado. Somos todos chamados para 
ser ministros de Jesus Cristo. Isso  algo bsico,  um conceito bblico, evanglico em todos os sentidos porque Jesus declarou "O Filho do Homem (Cristo) no veio 
para ser servido, mas para servir...",e  igualmente prtico (cf. Ef 4.11,12; Mc 10.45). 

Talvez uma pergunta esteja na mente dos leitores: "se todos vo ser ministros, quem vai ser o pastor?"  precisamente neste tipo de pergunta que h mal-entendidos, 
pelo fato de algumas pessoas ainda presumirem que o pastor tem que fazer tudo na igreja, de preferncia ao mesmo tempo, e, estar em todas as reunies, algumas marcadas 
ao mesmo tempo, e, se possvel, que ele tenha o singular condo nunca esperado de outras pessoas, de estar presente em todas essas reunies. 

No entanto, ensina a Palavra Santa que a principal tarefa do pastor  preparar, capacitar os cristos para o exerccio eficiente de seus ministrios. Lembremos que 
o pastor trabalha COM a igreja capacitando-a, treinando-a para o exerccio eficaz do ministrio de cada pessoa. Esse  um fato altamente prtico, e quer dizer que 
cada um de ns tem um ministrio. Voc vai dizer, "Pastor, no sei qual  o meu ministrio, o meu dom". Os chamados testes dos dons do uma pista. Dom no  o talento 
natural, pois algum pode ter um grande talento em certa rea, e no ter sido capacitada por Deus para exerc-lo no ambiente de formao espiritual da igreja. Voc 
reconhece o seu dom espiritual pela compulso que parte do seu ntimo. Voc sente o desejo de realizar algo. H um irmo em nossa igreja que tem o evidente carisma 
do socorro, da ajuda. No  a contribuio em dinheiro para resolver a dbil situao econmica de algum.  que no momento em que voc diz "Preciso de tal coisa", 
ele responde "Pronto, diga onde est que vou buscar". Sem alarde, ele diz "Vou resolver". 

Essa  uma grande igreja, a que tem um ministrio para cada pessoa. Cada um sabe qual o seu ministrio, se evangelismo, se ao social, se ensino. Cada um faz alegria, 
com prazer, e no  preciso pedir "Por favor" porque o Esprito Santo j capacitou para tal trabalho. Soube de uma igreja no estado da Flrida (EUA) onde no indicao 
para os cargos. As posies so disponveis e os membros dizem  Comisso, "Quero trabalhar nessa funo", e os cargos vo sendo preenchidos de acordo com a vontade 
de trabalhar da pessoa. Assim fazendo, trabalha quem quer trabalhar, porque infelizmente, muita gente fica esquecida quando a Comisso de Indicaes vai estudar 
os nomes e cargos. Uns so esquecidos, outros recebem trs, quatro, cinco cargos. Com um ministrio para cada um, essa  uma grande igreja!

UMA GRANDE IGREJA  AQUELA QUE TEM FIRMEZA DE F E DE DOUTRINAS 

Como  possvel obter uma f estvel, firme, que no seja levada por todo vento de heresia ou de corrupo? Temos algumas pistas na Palavra de Deus. Uma muito simples 
 compartilhando as experincias nos cultos. A Carta aos Hebreus quase que diz "No deixando a vossa congregao como  costume de... Fulano de Tal..."Mas o Esprito 
Santo diz "No deixando a vossa congregao como  costume de alguns". E esses "alguns" sabem quem so e quais so os costumes: de faltar sem necessidade, de passear 
pelas outras igrejas (o chamado "turismo eclesistico"). 

Irmo amado, irm querida, qual a sua mesa espiritual? J imaginou se seu filho resolvesse que amanh vai almoar na casa do vizinho, e tera-feira na casa da tia, 
quarta-feira vai para a do primo, e assim cada dia da semana. Seria uma tremenda economia para o irm, mas o feijo-com-arroz  em casa. Fora, h banquete, mas h 
tantos banquetes que fazem mal. Feijo-com-arroz bem preparado, bem temperado edifica, faz crescer, engorda e faz ficar bonito. O mesmo com a doutrina: edifica, 
fortalece, encaminha. 

O hbito da freqncia sistemtica aos cultos  uma bno na vida do cristo por ser fundamental para a firmeza de suas convices. Li uma frase (mas no vou dar 
100% de crdito porque conheo a luta de alguns irmos): "No domingo de manh, vm todos;  noite, s os fiis". Achei-a um tanto pesada.  meio complicado para 
um igreja de centro da cidade ter uma altssima freqncia  noite: h quem more muito distante, h quem seja idoso, h quem tenha filhos ainda pequenos, e outra 
tantas razes. Porm, se voc no tem nenhum desses impedimentos, venha. Traga sua alegria, seu louvor, sua contribuio de presena  Celebrao do Nome de Jesus.

E o Culto de Orao nas quartas ou quintas-feiras que tem virado uma lstima em algumas igrejas? Algum me repassou uma Nota de Falecimento que diz o seguinte:
Nota de falecimento 
Faleceu, na Igreja dos negligentes e frios na f, dona "Reunio de Orao", que j estava enferma desde os primeiros sculos da era crist. 

Foi proprietria de grandes avivamentos bblicos e de grande poder e influncia no passado. Os mdicos constataram que sua doena foi motivada pela "frieza de corao", 
devido  falta de circulao do "sangue da f". 

Constataram ainda: "dureza de joelhos" - no dobravam mais - "fraqueza de nimo" e muita falta de boa vontade. Foi medicada, mas erroneamente, pois lhe deram grande 
dose de "administrao de empresa", mudando-lhe o regime; o xarope de reunies sociais" sufocou-a; deram-lhe "injees de competies esportivas", o que provocou 
m circulao nas amizades, trazendo ainda os males da carne: rivalidades, cimes, principalmente entre os jovens. Administraram-lhe muitos "acampamentos", e comprimidos 
de "clube de campo". At cpsulas de "gincana" lhe deram pra tomar! 

RESULTADO: Morreu Dona "Reunio de Orao"! A autpsia revelou: falta de alimentao, como "po da vida", carncia de "gua viva", e ausncia de vida espiritual. 
Em sua memria, a Igreja dos negligentes, situada na Rua do Mundanismo, nmero 666, estar fechada nos cultos do meio da semana. Aos domingos, haver Culto ou Escola 
Bblica, s pela manh, assim mesmo quando no houver dias feriados, emendando o lazer de sexta a segunda e viglia, nem pensar. 

Agora, uma pergunta: SER QUE O LEITOR NO AJUDOU A MATAR A DONA "REUNIO DE ORAO"?

Quantos pastores se ressentem da ausncia de irmos (at da liderana...) que deveriam e at poderiam estar presentes no Culto de Orao. A presena nos Cultos  
fundamental para a solidez da f, tanto quanto participar das atividades da Denominao fortalece os laos de amor entre as igrejas locais.

UMA GRANDE IGREJA  A QUE TEM UMA VIDA DE DISCIPLINA 

Os primeiros seguidores de Jesus foram chamados de "discpulos", isto , "aqueles que esto debaixo de uma disciplina". Na Palavra de deus, a disciplina de Jesus 
Cristo  uma atitude e uma atividade.  uma atitude de submisso, de entrega, de quebrantamento, de reconhecimento do senhorio de Jesus Cristo sobre ns com o objetivo 
nosso de aprender. 
E  uma atividade que se demonstra em tudo o que fazemos. Como Jesus expressou: "So os teus olhos a lmpada do teu corpo; se os teus olhos forem bons, todo o teu 
corpo ser luminoso; mas, se forem maus, o teu corpo ficar em trevas"(Lc 11.34), e Paulo, o apstolo, em Filipenses 3.13,14, "Irmos, quanto a mim, no julgo hav-lo 
alcanado; mas uma coisa fao: esquecendo-me das coisas que para trs ficam e avanando para as que diante de mim esto, prossigo para o alvo, para o prmio da soberana 
vocao de Deus em Cristo Jesus".  uma atividade que olha para o alvo que  a cruz de Jesus Cristo, o prprio Senhor Jesus Cristo.

Essa disciplina se manifesta na devoo e na vida de servio. O exerccio da orao  prova disso. Jesus manteve uma vida de orao. Sua vida de orao era intensa: 
ou Ele Se levantava de madrugada para orar, ou ficava at de madrugada em orao. Orava durante o dia, orava na sinagoga, no Templo, chegou a ensinar uma orao-modelo, 
pela qual pautamos a nossa orao; modelo porque no  recitada simplesmente, embora at a recitemos. Mas temos que nela colocar alma para que no vire reza (palavra 
que vem de "recitar"). Observem que os discpulos no pediram a Jesus "Ensina-nos a pregar", mas "Ensina-nos a orar". A orao torna a nossa marcha mais firme, a 
nossa vida mais constante, e o nosso trabalho mais abundante no Senhor.

Atravs do estudo da Palavra. No posso entender o crente que no se alegra com a leitura da Palavra de Deus. Isso quando a Bblia fala tanto de alegria e felicidade. 
H at uma bem-aventurana: no Salmo 1, onde fala do "varo que tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite". Prefiro esta ltima expresso 
"dia e noite" a uma outra traduo que ensina "de dia e de noite", porque a primeira fala de constncia, permanncia na Palavra, enquanto a segunda pode dar idia 
de tirar uma horinha de dia, e outra horinha de noite para meditar na Palavra. Ela s  meditao constante quando aplicada  vida e cada coisa que fizermos, cada 
palavra que pronunciarmos, cada atitude que expressamos est marcada por essa disciplina que vem da Escritura Sagrada. 

O propsito da leitura e estudo da palavra de Deus  confirmar e estimular nossa f, como ensina Paulo: "a f vem pela... palavra de Cristo" (cf. Rm 10.17). Lemos 
a Bblia com o objetivo de estud-la e de nela meditar. H, alis, uma bem-aventurana para aquele que "tem prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite".

Atravs de vida disciplinada no servio. Todos somos chamados, e aquele que deseja fazer de sua vida um real ministrio, deve nele disciplinar-se. As horas consumidas 
no preparo disciplinado no constituem tempo perdido.

Nossa igreja tem realizado seminrios e simpsios de capacitao. Eles vm para melhorar a nossa vida pessoal e da igreja como um todo.

UMA GRANDE IGREJA  AQUELA QUE TEM UMA VIDA DE TESTEMUNHO

Mateus 5.16 e Atos 1.8b so textos basilares sobre o testemunho do cristo: "Assim resplandea a vossa luz diante dos homens..."; "Vs sois a luz do mundo"; "Vs 
sois o sal da terra". Tudo isso  testemunho! O apstolo Paulo tem uma expresso em 2Corntios 3.2< "Vs sois... conhecida e lida por todos os homens, estando j 
manifestos como carta de Cristo, produzida pelo ministrio, escrita no com tinta, mas pelo esprito do Deus vivente..." O que  impressionante  que muita gente 
nunca vai abrir a Bblia Sagrada, mas vai ler a minha e a sua vida, a nica Bblia que estas pessoas iro ler. Portanto, uma grande igreja aquela que tem uma vida 
de testemunho.

Outra realidade impressionante  que o melhor testemunho no  aquele que eu pesquiso e repasso s pessoas:  o da minha vida,  o que eu conto sobre o que Deus 
fez por mim. Nos bondes, no passado bem passado, havia uma propaganda que dizia 

"EU ERA ASSIM (e mostrava um indivduo bem apessoado) 
CHEGUEI A FICAR QUASE ASSIM (a figura era de um esqueleto) 
TOMEI [E DIZIA O NOME DO FORTIFICANTE], 
FIQUEI ASSIM (corado, bonito, forte).

Perceberam que isso  o que Jesus faz?  o evangelho! EU ERA ASSIM (o pecado em deixou desta maneira, na lama, quase me arrastando, e o evangelho veio e me resgatou 
para Jesus!!!)  a minha histria e a sua tambm. Ns ramos assim (que palavra terrvel!), e a Bblia diz, "No h um justo, nem um sequer"" (Rm 3.10), e , ainda, 
""pois todos pecaram e destitudos esto da glria de Deus (Rm 3.23). Ningum fique iludido pensando no ter pecado. Se disse que no o tem, j est pecando.

Que , no entanto, ser testemunha de Jesus Cristo?  compartilhar algo da prpria experincia. Pode at acontecer que em nosso testemunho ao mundo perdido sejamos 
um tanto vacilantes, mas sempre devemos comear com a nossa prpria experincia nos termos de 1Joo 1.3, "O que temos visto e ouvido anunciamos tambm a vs outros, 
para que vs, igualmente, mantenhais comunho conosco". O que eu vi, eu conto. O melhor testemunho  contar a vida; o melhor testemunho  dizer "eu era ssim, eu 
fazia isso, mas a minha vida mudou", e voc passa a ser respeitado. E sabe quando voc comea a ser respeitado? Quando aquela rodinha no trabalho ou na escola se 
cala quando voc chega, e no conta mais aquela piada indecente que voc costumava ouvir.

O contedo do testemunho aponta para Jesus Cristo e Sua obra na vida humana. Somente temos que ler o livro dos Atos dos Apstolos para confirmar o que foi dito. 
Que livro extraordinrio!  uma leitura empolgante. Parece que estamos andando com os discpulos, e entrando com eles nas cidades, e participando das pregaes. 
Nesse livro, o testemunho  pessoal, e comea na prpria experincia de Pedro (At 2.32), de Pedro e Joo (3.4-6), de Estvo (7.56), de Paulo (20.24; 22.14,15). 

Fico impressionado com o testemunho de Estvo. Ele estava sendo apedrejado, e naqueles momentos finais, ele exclamou: "Eis que vejo os cus abertos e o Filho do 
Homem, em p  direita de Deus" (7.56). No foi ele que pediu a Deus que peroasse os seus algozes? (7.60). Olha o nome: Atos dos Apstolos: o Testemunho dos Apstolos! 
Um livro inteiro s de testemunhos do que Deus fez atravs dele.

, em todos os casos, testemunho pessoal que parte da experincia pessoal. Um testemunho eficaz inclui dois elementos bsicos: um modo de viver: um modo de vida 
e uma comunicao oral. A nica prova disponvel para que o mundo veja a obra de Cristo em ns  nossa prpria vida. Deste modo, o mundo quer ver esta realidade 
vital genuna que s Cristo pode oferecer. 

O Pr. Toms Munguba contou-me sobre um operrio de uma fbrica em sua cidade (Joo Pessoa). O homem tem dez filhos, e todo incio de semana chegava embriagado ao 
trabalho. Seu chefe, um descrente, amigo do Pr. Toms, se perguntava o que poderia fazer para ajudar. Numa certa segunda-feira, deu-se um milagre: chegou sbrio 
 fbrica e assim permaneceu por toda a semana e sempre. Quando o chefe soube que ele estava freqentando uma igreja evanglica, perguntou ao Pr. Toms, usando a 
linguagem da psicologia: "Que vocs, protestantes, esto fazendo para condicionar a atitude comportamental de Fulano?" Responde o pastor, "Nada. No fizemos qualquer 
lavagem cerebral, nada. Mas o Esprito Santo trabalhou..."

UMA GRANDE IGREJA  AQUELA QUE TEM O PODER DO ESPRITO SANTO

No obstante, nada acontecer sem o poder do Esprito Santo. Absoluta nada. No haver um ministrio para cada um; no haver estabilidade de f; nem vida de disciplina, 
nem vida de testemunho.

H uma histria sobre um grupo de missionrios acampados na selva perto das vilas e aldeias, mas tambm perto de uma colnia de chimpanzs selvagens. Cada tardinha, 
voltavam das aldeias, acendiam uma fogueira e ficavam ao redor contando as experincias e as bnos. Uma tarde, quando os missionrios regressaram, viram os macacos 
que os estavam imitando: puseram lenha para fazer uma fogueira, e estavam sentados ao redor da fogueira apagada se "esquentando" como os missionrios faziam nas 
noites frias: esfregavam as mos, faziam rudos. Faltava, porm, algo importante naquela fogueira: o fogo. Era apenas uma imitao.

Assim  com a igreja: sem o fogo do Esprito, a igreja no tem sentido.  um clube religioso,  uma reunio de amigos, de gente idealista, mas no  uma igreja onde 
Jesus Cristo  Senhor.  uma mascarada, uma fantasia. Lembremos que o fogo que aquece a igreja  o Esprito Santo, na inspirao de Zacarias 4.6, "No por fora 
nem por poder, mas pelo meu Esprito, diz o Senhor dos Exrcitos".

EXPRESSES PARA DESCREVER O MINISTRIO DO ESPRITO

O Novo Testamento tem dois termos para descrever o ministrio do Esprito Santo na vida e experincia dos crentes: a habitao do Esprito Santo e a plenitude do 
Esprito Santo ou ser cheio do Esprito. O primeiro se refere  converso (1Co 3.16; Tg 4.5). O segundo significa ser controlado pelo Esprito Santo (Ef 5.18).

Por incrvel que possa parecer, Paulo faz uma analogia entre a intoxicao alcolica, a embriaguez, e o controle do Esprito de Deus. Ele o faz em Efsios 5.18: 
"No vos embriagueis com vinho, no qual h dissoluo, mas enchei-vos do Esprito". Quando uma pessoa est "cheia de vinho" no significa que est cheia da cabea 
aos ps como uma garrafa, mas que cada parte de seu corpo est afetada pela bebida: seu modo de caminhar, sua conversa, seu olhar, seus pensamentos.

Ser "cheio do Esprito" significa que cada ao nossa, cada pensamento e palavra est sob Sua influncia.  o controle e o domnio do Esprito Santo sobre. A plenitude 
do Esprito Santo no  instantnea como a embriaguez tambm no o . Sua comunho com o Esprito vai fazendo com que sua vida seja controlada, e cada vez mais controlada, 
de tal modo que quando voc fala, anda ou toca as pessoas, todos compreendem que voc est sob o domnio do Esprito de Deus. 

Esta deve ser uma nova hora para cada pessoa que l esta reflexo. A hora de cada crente renovar sua aliana com Deus. A hora de se firmar mais e cada vez mais em 
Jesus Cristo, nossa Rocha Eterna. A hora de buscar a plenitude do Esprito, se o que desejamos  uma vida abundante e vitoriosa.

Este  o momento srio de renovar o pacto com suas convices, se o que queremos  uma grande igreja, forte e espiritual!

Parte XXII
CREIO NA CONTRIBUIO CRIST 
 

"Fazei todas as vossas obras com amor"
(1Co 16.14)

A causa de Jesus Cristo tem seu lado financeiro, o que ningum desconhece. Isso faz lembrar a palavra de um evangelista que afirmou com muita propriedade, "Na verdade, 
a gua da vida  grtis, mas o balde em que  transportada tem que ser comprado." Quer isso significar que quando se anuncia o reino de Deus isso  feito de modo 
absolutamente gratuito, havendo, no entanto, um custo financeiro. Quando os irmos se renem para o crescimento, quando a igreja se rene para a edificao ou quando 
espalha a mensagem atravs de ondas do rdio, da televiso, ou atravs da imprensa escrita, a gua da vida  levada. E o crente que se consagra, reconhece que o 
dinheiro no  o lado profano, secular, de algo sagrado chamado Igreja. A contabilidade de uma igreja local  to sagrada quanto a mensagem que sai do plpito, to 
sagrada quanto a lio da Escola Bblica que  repassada para os alunos em uma classe; to sagrada quanto uma cesta bsica que  dada para uma famlia menos valida, 
porque na Igreja de Jesus Cristo no reconhecemos coisas profanas e coisas sagradas. Para o cristo, tudo tem sacralidade. Assim o era no Antigo Testamento. A Constituio 
do povo de Israel era a prpria Lei de Moiss. O aspecto civil da lei de Moiss confundia-se com o lado cultual, ritual e litrgico. 

Dinheiro, portanto,  assunto srio. To srio, to sagrado que Jesus tinha um tesoureiro no colgio apostlico. E havia pessoas fiis que sustentavam o Seu ministrio. 
Vamos a Lucas 8.2,3, que apresentam o seguinte: "E tambm algumas mulheres que haviam sido curadas de espritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, 
da qual saram sete demnios; E Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras as quais o serviam com seus bens." Sustentavam a obra de 
Jesus Cristo. 

Sim; existe um aspecto sagrado no dinheiro que entregamos  igreja. H, at, quem pense que a Bblia ensina que o dinheiro  a raiz de todos os males. E algum disse, 
"Est na Bblia". Isso no existe na palavra de Deus. Se assim fosse, no seria ordenado "trazei todos os dzimos  casa do tesouro". O que a Bblia diz,  que "o 
amor ao dinheiro  a raiz de todos os males". O que a Escritura ensina  que a avareza, o amor ao dinheiro, a ganncia,  a raiz de todos os problemas e sofrimentos. 
No livro de J no captulo 31, diz o verso 24: "Se no ouro pus a minha esperana, ou disse ao ouro fino: Tu s a minha segurana; Se me alegrei por ser grande a 
minha riqueza, e por ter a minha mo alcanado muito; Tambm isto seria pecado para ser punido pelos juizes, pois eu teria sido infiel a Deus que est l em cima." 
Na palavra de Jesus, em Lucas 12.15: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; a vida de um homem no consiste na abundncia dos bens que ele possui". Mateus 6.24, 
faz parte do "Sermo do Monte. Nele est que "Ningum pode servir a dois senhores. Ou a de odiar a um e amar o outro, ou se devotar a um e desprezar o outro. No 
podeis servir a Deus e as riquezas". Algumas tradues tm "No podeis servir a Deus e a Mamon". Mamon  a personalizao do dinheiro, das riquezas. 

Alis, neste ltimo versculo, h um sugestivo ensinamento sobre uma gradao no relacionamento entre o homem e o seu dinheiro. Porque comea dizendo assim, "Ningum 
pode servir, ningum pode se devotar e ningum pode cultuar." A idia  essa mesmo: servir, amar e dedicar-se a Deus e dedicar-se aos bens, s posses,  conta bancria. 
No servir, odiar e desprezar a Deus. No pode ser dessa maneira. 

Temos nesta histria todo um sistema de valores. Dinheiro, no  apenas um meio de adquirir bens. Dinheiro  um sistema de valores.  um sistema de valores econmicos, 
espirituais e morais. Por isso que o valor de um objeto  medido pela quantidade de dinheiro que ns gastamos nele. Se algum vai comprar um refrigerador, e a loja 
diz que custa R$ 450,00, e h um outro bem semelhante nas caractersticas e funes e custa R$ 580,00, voc vai querer saber porque um custa duzentos e pouco e o 
outro quinhentos e alguma coisa. E normalmente se d mais valor ao que custa mais caro. Ento, ns colocamos no dinheiro um sistema de valores porque damos preo 
a um objeto pela quantidade de dinheiro investido nele. 

O dinheiro , tambm, um sistema de valores morais porque representa o seu tempo, o seu trabalho, e, at, a sua personalidade.  um sistema de valores espirituais, 
dependendo do modo como voc o usa, como o emprega na causa de Jesus Cristo. E ento, ns entramos na questo do dzimo. 

O dzimo faz parte desse sistema de valores. Dar  sinal da graa de Deus. Tive a curiosidade de olhar na Concordncia Bblica a palavra dar, que tambm pode ser 
doar e oferecer. A lista de versculos relacionados com dar, doar e oferecer  imensa, indo de Gnesis 4:12 a Apocalipse 22:12. Por isso, a Bblia diz tantas vezes, 
"Que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu filho unignito". Tambm h uma palavra de Jesus registrada fora dos Evangelhos, no livro dos Atos dos Apstolos 
(chamado, alis, de "o Evangelho do Esprito"): "Mais bem aventurada coisa  dar do que receber". 

Realmente, a Escritura mostra que dar  sinal da graa de Deus na sua vida e a disposio de faz-lo  dom da operao do Esprito Santo no corao. Romanos 12 fala 
sobre isso, e uma das graas do Esprito na nossa vida chama-se o dom da liberalidade, o carisma de ser liberal.  aquela pessoa que d o dzimo, no entanto, o carisma 
 to forte na sua vida que se a igreja pedir o segundo dzimo d, e se a igreja pedir uma contribuio para ajudar a uma determinada causa, tambm d. Contribuir 
est intimamente ligado ao estado de vida espiritual e onde h contribuio generosa e liberal a Deus, podemos reconhecer a ao do Esprito Santo de Deus. 

Contribuir significa companheirismo no servio cristo; significa assistncia aos pobres. Quando contribumos, h pessoas que so ajudadas com as cestas bsicas 
h pouco mencionadas; a manuteno do culto (ou algum no paga essas luzes que so acesas durante o culto? Ou outros bens que ns usamos, outros servios pblicos 
que a igreja utiliza?). A prpria expanso do evangelho quando mandamos um missionrio ou uma famlia missionria, e a sustentamos em um determinado pas. O crente 
faz isso atravs do seu dzimo. 

No caso particular dos Batistas, quando o fiel entrega o dzimo, uma parte dele  enviada para a Conveno Batista do seu Estado. A Conveno estadual rene das 
igrejas do seu campo e remete uma porcentagem para a Conveno Batista Brasileira, a qual, por sua vez, divide toda a contribuio recolhida pelos diversos apostolados 
e ministrios que realiza, enviando uma parte  Aliana Batista Mundial. Nesse ponto, forosamente ns temos que entrar no sistema de Deus para o financiamento do 
Seu projeto. O projeto de Deus  o programa de expanso do Seu reino neste mundo.  o governo soberano de Deus nos coraes. E parte desse projeto  10% da renda 
pessoal. 

Ento o que  e o que no  o dzimo? Vamos esclarecer algumas coisas. Vamos comear com o que o dzimo no : 

O dzimo no  um meio de pressionar a igreja a levantar dinheiro a fim de suprir necessidades do seu oramento. 
O dzimo no  cumprimento de exigncia da lei de Moiss. J vi gente dizer isso, "No dou dzimo porque  da lei de Moiss. O Novo Testamento acabou com o dzimo." 
No acabou nada. A palavra de Jesus diz que ns devemos, alm de realizar obras caracteristicamente crists, dar o dzimo tambm. E ele at mencionou temperos usados 
no trivial da cozinha: dzimo do cominho, do endro, do coentro, da hortel, mostrando como  natural, Porque o povo dava o dzimo no s de dinheiro, mas, dava o 
dzimo tambm de espcie. Por exemplo: trigo, se tinha vinte sacas de trigo, duas pertenciam ao Senhor entregava ao Templo. Se tinha naquele ano uma produo de 
dez bezerros, um era do Senhor, ento, um era do Templo. 
No  uma maneira de mostrar posio pessoal. Porque algum pode pensar assim: "Bom, mas irmo Fulano ganha R$ 15 mil, ele d R$ 1.500,00 de dzimo. Eu s ganho 
R$ 151,00, o salrio mnimo, dou R$ 15,10". Ento, um tem mais posio que o outro. Diante de Deus  a mesma coisa. R$1.500,00 para R$ 15.000,00  a mesmssima proporo 
de R$ 15,10 para quem recebe R$ 151,00. Talvez seja at mais sacrificial, os 15 reais e 10 centavos que os 1.500 reais que o outro entregou. 
No  um meio de pagar para que outros faam a obra no meu lugar. J vi isso tambm, "Se ele  o Diretor de Evangelismo, ele que evangelize." No  assim no. O 
Diretor de Evangelismo dirige a evangelizao, por isso, ele  o Diretor. O Coordenador de um Ministrio, coordena, por isso, ele  o Coordenador, mas, quem realiza 
 a Igreja de Jesus Cristo. Ela  evangelista, ela  visitadora, ela  aconselhadora, enfim, cada ministrio  realizado pela igreja, com pessoas que treinam, que 
dirigem, que levam para o campo. Por isso, no  um meio de pagar para que outros faam. 
No  um meio de subornar a justia de Deus. H quem pense, "Isso me aconteceu porque eu no dei o dzimo. Agora vou dar o dzimo para no acontecer mais. Vou dar 
o dzimo para ficar rico." No d o dzimo com inteno de pagar pecados, no! Dzimo no  para isso. Hebreus 10.8 coloca o assunto da seguinte maneira: "Depois 
de dizer como acima: Sacrifcio e oferta, e holocausto e oblaes pelo pecado no quiseste, nem neles te deleitaste os quais se oferecem segundo a lei." Faziam sacrifcios 
de animais, oblaes com vinho, ofertas com massas para pagar pecados. Mas, Deus no se deleitava com essas coisas. 
Nem para criar um saldo de graas com Deus. Ouvi contar de certo pastor que falou para algum, e essa pessoa repassou que ele dissera, "Eu tenho crdito com Deus, 
e agora posso exigir dele." Como pode?! Deus no est me devendo nada; eu, sim, que lhe devo! Deus s me cobre de graa sobre graa, beno sobre beno, glria 
sobre glria! Agora, eu preciso cumprir a minha parte. No  que Deus me deva alguma coisa e com isso eu tenho credito com Ele. Eu no tenho que criar um saldo de 
graas com Ele, no. As bnos de Malaquias 3.10, no so apenas bnos materiais. A promessa  de bno, "Se eu no vos derramar sobre vs uma beno em abundncia." 
H outras bnos alm de dinheiro. Quantas vezes o dinheiro tem sido maldio; mais dinheiro uma pessoa tem, mais miservel , s vezes, para a obra de Cristo. 
As bnos so a graa, a misericrdia, o crescimento espiritual. Por isso, no d o dzimo para pagar promessa. No d o dzimo com medo, no. 
"Ento o que  o dzimo, pastor?"

Dzimo,  10% da renda.  um referencial simblico de tudo aquilo que o crente entrega a Deus. Ou voc pensa que 10%  de Deus e 90%  seu? No , no! "Dez por 
cento  de Deus, do resto eu fao o que quiser". No , no! 
Dzimo  expresso de adorao;  forma de cultuar a Deus, por isso, ns no podemos fazer o que umas igrejas andaram fazendo. Entregaram um boleto bancrio para 
os membros, que deveriam pag-lo no banco. Como quem paga carn do Ba da Felicidade, ou fatura de clube. No banco, paga-se luz, gua, telefone, pagam-se duplicatas 
e prestaes. Mas, o dzimo  do Senhor e eu o trago  casa do Senhor. Acho que  uma boa prtica no entregar dzimo na tesouraria. De vez em quando, algum pergunta, 
"Pastor, d para entregar o dzimo na tesouraria?" Respondo, "Faa o seguinte irmo, v l no santurio e coloque no gazofilcio. O tesoureiro depois vai recolher 
os dzimos e ofertas".  uma boa prtica no entregar na mo de ningum, nem na tesouraria. Mas, no  por outra razo, no.  porque  um ato de louvor e deve, 
por isso, ser trazido ao culto e entregue em adorao. 
O dzimo  reconhecimento de que eu aceito o fato de que Deus  soberano sobre o mundo e sobre a minha vida tambm. 
Ento, qual  o motivo real para que eu d o dzimo? Creio que s h um motivo irmos, e est em 1Corntios 16.14: "Fazei todas as vossas obras com amor".  assim 
que est na Escritura Sagrada, que ensina que  at uma coisa mesquinha pensar apenas em 10% porque Jesus Cristo realmente pede 100% de ns. O que Ele quer  voc, 
minha irm; o que Jesus Cristo quer  voc, meu irmo querido. Dez por cento  apenas o comeo dessa expresso de entrega. 

Onde devo dar o dzimo? Na "casa do tesouro"; na igreja em culto. Algum de uma igreja irm me disse certa vez que para pressionar a sada do pastor estava com outros 
irmos depositando o dzimo em uma caderneta de poupana. Esse irmo de outra igreja falou isso: "H um grupinho da igreja que est depositando o dzimo em uma poupana, 
que  para ver se com isso o pastor sai." Est errado. H designaes para isso: conspirao e formao de quadrilha.  crime e d cadeia.  errado por vrios motivos: 
por no trazer o dzimo, por usar um expediente errado e por pressionar o pastor daquela maneira. O pastor pode estar errado, mas no  dessa maneira que se faz. 
Se para entrar, houve muita orao, para sair tem que haver muita orao. 

Aprendo que o dzimo  uma soluo. A Bblia me mostra que o dzimo  uma soluo para o crente pessoalmente falando. Porque um vai dizer, eu ganho pouco e o outro 
vai dizer, eu ganho muito. Eu vou dar quanto? A resposta  a mesma. 10%. Isso significa que o dzimo  proporcional. Isso diz que o dzimo  adequado,  ponderado. 
 um guia para o padro de crescimento do crente na contribuio. E assim, nos ajuda a desenvolver a disciplina de um padro, o padro de contribuir, alm de nos 
ajudar tambm a estabelecer corretamente quais so as prioridades da nossa vida. 

 soluo para no s para o crente individual, mas,  soluo para a expanso da igreja, porque as causas missionrias, os planos evangelsticos, o desenvolvimento 
na educao dos novos e dos antigos crentes, tudo se executar com largueza, com amplitude, com viso por causa do dzimo. Um problema financeiro que a igreja tem 
ser resolvido com facilidade. Alis, no haver problema financeiro. 

Dzimo  soluo para a vida de qualquer denominao evanglica como agente da causa de Jesus Cristo nesse mundo atravs de um plano de cooperao. A igreja local 
e a obra de Cristo no se sustenta atravs de bazares, chs sociais, rifas, sorteios, leiles, shows e coisas assemelhadas. Talvez os crentes mais novos tenham ouvido 
muito superficialmente na Classe de Preparao para o Batismo. O Plano Cooperativo  um programa de integrao das igrejas. O nome est dizendo Plano de Cooperao 
das Igrejas. E esse programa comea com o crente. Ele coopera com outros crentes e dessa maneira todos trazem seu dzimo, sua oferta ao Senhor. 

Oferta alada  mais do que dzimo, sabiam? H quem pense que oferta  menor do que o Dzimo. Se o seu dzimo  de R$ 100,00, oferta  R$ 120,00, 200,00, 250,00, 
etc. Contribuio  menos. Se voc deve dar R$ 100,00, e d R$ 80,00, est dando uma contribuio. Est fora do padro. Quando voc ento se une a outros crentes 
na sua igreja e voc d o dzimo, voc comeou a cooperar. O plano cooperativo comea com voc. 

Qual  a prxima etapa do Plano Cooperativo? A igreja local. A nossa igreja contribui com 10%; poderia contribuir com 5%; ou 20%, 50%.. Est estipulado pela assemblia 
da igreja que ns daremos 10% da entrada. Ento, a nossa igreja mensalmente envia 10% para a Conveno Batista Baiana. As outras igrejas locais do Campo Baiano fazem 
o mesmo: cada igreja do interior e da capital manda este sua parte e, atravs do Plano Cooperativo, a Conveno Batista Baiana estabelece seu programa de ao, que 
no  outro seno o programa da igreja local. Coloca missionrios em cidades, vilas, vilarejos do interior. 

Que mais? A Conveno Batista Baiana por sua vez, remete 20% para o Rio de Janeiro, onde fica a sede da Conveno Batista Brasileira. E a Conveno Batista Brasileira 
recebe da Conveno Baiana; da Sergipana; da Capixaba; da Mineira; da Amazonense; da Paraense; da Paraibana e assim por diante. Todas as Convenes mandam uma parte 
(20%, 30%, 10%), quanto estiver estipulado em assemblia da respectiva Conveno. A Conveno Batista Brasileira recebe ento, o dinheiro das Convenes que na verdade 
 o dinheiro que veio das igrejas; que na verdade  o seu dinheiro; que na verdade  o dinheiro do Senhor. E dessa maneira distribui pelos diversos ministrios que 
ela executa: Junta de Misses Mundiais; Junta de Misses Nacionais; Junta de Rdio e Televiso; JUERP, Seminrios, Aliana Batista Mundial, e assim por diante... 
Os missionrios que esto no Japo, no Canad, na Romnia, na frica, enfim, espalhados pelo mundo, recebem porque o irmo deu o dzimo na igreja. 

Isso  o que se chama de Plano Cooperativo na igreja local, na Bahia, no Brasil e no mundo. Esse Programa de Cooperao s vai trazer uma coisa: bnos! Vamos para 
Malaquias 3.10, "Trazei todos os dzimos  casa do tesouro, para que haja mantimentos na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exrcitos, se 
eu no vos abrir as janelas do cu, e no derramar sobre vs beno tal, que dela vos advenha a maior abastana". Abundncia  questo de valores, no  questo 
de dinheiro. No faa negociao com Deus. H uma histria que  passada s vezes de um modo muito lindo, no entanto, na minha interpretao, essa histria, no 
guarda nada de nobreza..  a histria de quando Jac estava em Betel, e teve a revelao de que naquele lugar o Senhor estava; que ali era Beth-El, a casa de Deus. 
Ele fez um voto dizendo: "Se Deus for comigo e me guardar nessa viagem que ora fao; e me der po para comer e vestes para vestir, e eu em paz voltar a casa de meu 
pai, o Senhor ser o meu Deus". Por que ele disse, "Se Deus for comigo", o problema  esse "se...", "Se Deus for comigo; se Deus me guardar; se ele me der comida; 
se ele me der roupa; se me fizer voltar em paz, ento, eu darei o dzimo". Parece bonito, mas, o problema  que Deus lhe foi fiel e ele continuou o mesmo enganador 
de todo o sempre, porque dzimo  uma questo de valores espirituais e no de recompensas materiais como ele estava colocando diante do Senhor. 

O pastor Roberto McAlister, j falecido, faz uma pergunta, "Que  melhor: sade ou um bom tratamento mdico?". O que  que voc prefere irmo, sade ou o melhor 
mdico da cidade tratando do seu terrvel caso ? "Que  melhor, um filho simples e obediente ou um filho brilhante sem carter? Que  melhor, um casamento humilde 
com muito amor ou um casamento infeliz com muito dinheiro?" O que  melhor? Porque tudo depende do senso de valores e Jesus Cristo fala de valores quando diz que 
devemos buscar o Reino de Deus e a sua justia, porque o restante vem acrescentado. 

Quer dizer, se eu colocar o dzimo como o meu ponto de partida, a minha falta de f vai se transformar em confiana e em sinceridade. No vai haver falta de recursos 
para fazer a obra do Senhor, na casa do Senhor. A conquista de almas vai aumentar porque eu s tenho que fazer uma coisa, uma aliana com Deus; uma aliana com o 
Senhor na base da f, na base da dependncia Dele, pois certas coisas s podem ser realizadas com o Esprito Santo. Por isso, no  dever,  privilgio do crente, 
o de participar da obra do Senhor, da causa do Senhor; do projeto de Deus.

Parte XXIII
DESAFIOS DA LIDERANA CRIST 
 
A verdade  que entramos no sculo 21 com tremendos desafios para a liderana na igreja. Um deles , no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge 
o cerne da autoridade e da liderana da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "no me envergonho do evangelho!" E sugere 
que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparncia de evangelho, com linguagem 
de evangelho, e tem dado como resultado superficialidade de convices, confuso mental e espiritual, e enfraquecimento da f porque os lderes, pastores ou no, 
tm aberto campo para a falta de tica, para a manipulao dos sentimentos, para a falta de integridade. 

Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na lngua hebraica: shalom, a qual  vertida para o portugus com alguns ricos significados, tais como "inteireza, 
integridade, plenitude, sucesso, salvao, sade, prosperidade e, tambm paz".

No podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos  a Igreja de Cristo. O lder h de ser ntegro, "limpo de mos" 
(cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de corao" (cf. Sl 24.3,4). O lder cristo deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade  honesta 
(Ed 9.6). 

O fato  que na poca de Jeremias a religio parecia com esta do sculo 21: o povo dizia crer, mas havia influncia secularista, pois o que cria no fazia diferena 
quanto ao modo de viver. O ideal evanglico est expresso em 2Corntios 5.17. Alm disso, na poca de Jeremias, a religio havia se tornado um "grande negcio". 
 s conferir com as exclamaes do profeta Jeremias que no tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentaes 4.13. Tudo isso  o que A. W. Tozer chamou de "tratamento 
comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial"  responsvel pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja est cheia, Deus est abenoando", afirmam.

Outro desafio s portas do sculo 21 so os novos estilos de culto. O que em outros pases  denominado histrico ou contemporneo, em nosso pas  objeto da pergunta 
"tradicional ou renovado?" Outras comunidades tm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito.

 evidente que o culto  mensurado pela transformao causada nos que cultuam a Deus, e h de ser sempre "em esprito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou no h de ser 
culto.  gratido, reconhecimento, louvor, e (embora no seja o propsito primrio) teraputico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de 
Deus, louva-O e sai aliviado das tenses, dos cuidados e preocupaes, terapia grupal no louvor comunitrio. 

O culto, por ser dinmico, envolve mudanas, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus no muda; as verdades eternas no mudam; a Palavra de Deus 
no muda. Questiona-se a ressurreio de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvao, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o mtodo 
pode mudar porque no so estticos, mas se adequam aos tempos e circunstncias.

A liderana da igreja s vsperas do sculo 21 h de estar aberta para o novo sem perder a viso do permanente na igreja. Afinal, somos lderes e capacitadores numa 
comunidade local sem perder a viso do todo da Igreja de Jesus Cristo; e capacitadores e lderes da Igreja de Deus sem perder a viso da comunidade como expresso 
local dessa Igreja. Numa anlise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: 
tem largura, comprimento e profundidade, mas no possui poder espiritual para dar  luz outra gerao de cristos. A "Igreja do Futuro", alm dessas dimenses, tem 
mais uma: altura, ou seja, vive num mundo fsico, de trs dimenses como a outra, mas vive em acrscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, prncipes 
do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqidade" so diariamente enfrentados. 

 o caso, ento, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinmica, ativa, viva, quadridimensional:
 O Esprito Santo  Quem a dirige.  s permitir que Ele a controle nos termos de Efsios 3.16. A Igreja e sua liderana no so significativas pelo que possuem, 
mas porque so usadas por Deus.
 Essa Igreja vive na quarta dimenso, sem qualquer aluso  ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; 
mas como povo de Deus, e ainda mais, liderana desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal,  nessa dimenso que o 
poder de Deus se revela e Satans  vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as trs dimenses, a liderana trabalha para o povo; nas quadridimensionais, 
a liderana trabalha com o povo.

No  de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimenses a liderana seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de 
modo pessoal, e no de segunda mo. Ver a Deus, por exemplo,  experincia de primeira mo: No teve uma experincia sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino 
para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abrao viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politesmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); 
Jac viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princpe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moiss viu a Deus e isso fez diferena na sua vida (Ex 3. 1-12; 
34.29-35); Gideo que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depresso para a vitria porque viu a 
Deus (1Rs 19.8ss); Isaas nunca mais foi o mesmo depois da viso de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" d novas energias. 

Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, no se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas so possveis por meio de Cristo Jesus. Um lder 
que tenha tido uma viso definida de Deus ser capaz de amar, ter todas as condies de repassar esperana, assim como capacidade de comunicar a f. Na verdade, 
s podemos influenciar e liderar outros at o ponto a que ns mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o lder espiritual em contraposio ao lder natural. 
Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de lderes  o seguinte:

O Lder Natural

  autoconfiante
 Conhece os homens
 Toma as prprias decises
 Usa os prprios mtodos
 Gosta de comandar os outros (e ser obedecido)
  motivado por questes pessoais
  independente.

Bem diferente, portanto, do Lder Espiritual, o qual:
 Confia em Deus
 Conhece os homens e conhece a Deus
 Faz a vontade de Deus
  humilde
 Usa o mtodo de Deus
 Busca obedecer a Deus
  motivado pelo amor a Deus e aos homens
 Dependncia de Deus

Parte XXIV
DISCIPLINA NA IGREJA 
 
Introduo
Disciplina eclesistica  um termo em risco de extino no atual vocabulrio cristo. Desde que os princpios do ps-modernismo encontraram lugar no seio da igreja,(1) 
qualquer conceito que ameace o individualismo e a liberdade de escolha quanto ao estilo de vida, comportamento, etc.,  logo taxado de arcaico, pass. A dicotomia 
prtica de muitos cristos gera a iluso de que a igreja no tem nada a ver com o procedimento "secular" de seus membros. Nessa "nova era" antropocntrica, a igreja 
 vista como uma organizao altamente dependente do indivduo, e que precisa conserv-lo ao custo de vrias excees. O medo da impopularidade leva muitos lderes 
 cumplicidade e pecados so justificados em nome de uma atitude mais "humana."(2) Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometeram 
injustias e causaram mais males que bens?(3) Em todo esse contexto, a disciplina tem uma vida curta e a tolerncia consagra-se como a virtude da moda.(4 )Porm, 
o que acontece com uma igreja sem disciplina?

O termo "disciplina," em geral,  empregado em vrios sentidos. Podemos us-lo para referir-nos a uma rea de ensino, ao exerccio da ordem, ao exerccio da piedade(5) 
ou a medidas corretivas no seio da igreja. O objetivo deste artigo  delinear alguns fatores da importncia da disciplina eclesistica entre os membros do corpo 
de Cristo. O autor est plenamente consciente de que um artigo como este no coloca um ponto final no dilogo sobre o assunto. Porm, o que motiva esta reflexo 
 a esperana de que a mesma seja til para elucidar a muitos quanto ao aspecto bblico-teolgico da disciplina.

I. Errando o alvo

A igreja crist tem sido acusada de ser o nico exrcito que atira nos seus feridos.(6) O grau de verdade dessa acusao , muitas vezes, devido a mal-entendidos 
com relao  disciplina eclesistica. Tais mal-entendidos esto presentes em pelo menos dois grupos: 1) os que aplicam a disciplina, e 2) os que sofrem a aplicao 
da mesma. Como cada caso deve ser analisado individualmente, s nos cabe aqui listar os mal-entendidos mais comuns em relao  disciplina eclesistica.

A. Disciplina e Despotismo

Com a subida ao poder do Partido Nacional na frica do Sul, em 1948, a segregao foi legalizada em nome da disciplina. Como resultado, foi sancionado o aprisionamento 
de negros sem nenhum julgamento formal.(7) Isso no foi disciplina, mas despotismo.

A histria da Igreja Medieval apresenta uma vasta galeria de ilustraes da confuso entre o uso da disciplina e o exerccio do despotismo.(8) Seria isto apenas 
um fenmeno do passado? Infelizmente basta familiarizar-se com os crculos eclesisticos para se descobrir que o esprito medieval ainda est vivo e ativo na mente 
e atitude de alguns lderes modernos. H aqueles que, como resultado da ganncia pelo poder, seguem o caminho de Balao e amam a injustia (2 Pe 2.13,15). Estes 
estaro sempre prontos a "disciplinar" por motivos interesseiros (Jd 16). No se deve esquecer, porm, que a culpa de Edom consistiu no fato de que "perseguiu o 
seu irmo  espada, e baniu toda a misericrdia; e a sua ira no cessou de despedaar, e reteve a sua indignao para sempre" (Ams 1.11). 

B. Disciplina e Discriminao

A confusa identificao entre disciplina e discriminao pode ser vista sob dois aspectos: 1) no abandono do disciplinado por parte da igreja, e 2) na recusa do 
disciplinado em receber a disciplina. Para se evitar o primeiro erro  imprescindvel que a famlia crist no desista de um dos seus membros que caiu. Paulo exorta 
a igreja para que manifeste perdo, conforto e reafirmao de amor para com o arrependido, para que "o mesmo no seja consumido por excessiva tristeza" (2 Co 2.7-8). 
Outra razo para esta exortao  para que "Satans no alcance vantagem" sobre a igreja, criando amargura, discrdia e dissenso (v. 11). 

H sempre a possibilidade de que o disciplinado no se submeta  disciplina, e acuse a igreja de discriminao. Tal atitude apenas manifesta ignorncia e estupidez 
(Pv 12.1 - traduo literal). Segundo as Escrituras,  o pecado e a determinao em segui-lo que gera discriminao, e no a disciplina (1 Co 5.5 e 1 Tm 1.20).

C. Disciplina e Arbitrariedade

"Com que direito fizeram isso?" Tal  a pergunta que constantemente se ouve em casos de disciplina. Essa pergunta revela um mal-entendido comum entre disciplina 
e arbitrariedade. Ou seja,  como se aqueles que aplicam a disciplina no tivessem nenhum direito de fazer tal coisa debaixo do sol. "Alis," alguns argumentariam, 
"no somos todos pecadores?"

Primeiramente,  preciso lembrar que toda atitude pecaminosa precisa ser corrigida, mas h algumas que requerem correo pblica. Por exemplo, em Mateus 18.16-17 
o evangelista fala daqueles que se recusam a abandonar o pecado mesmo diante de uma amorosa exortao pessoal. Na sua Primeira Carta aos Corntios 5.1-13, Paulo 
descreve as pessoas cujas prticas trazem escndalo  igreja, e na Primeira Carta a Timteo 1.20, na Segunda Carta a Timteo 2.17-18 e na Segunda Carta de Joo 9-11 
so mencionados os que dissimulam ensinos contrrios ao Evangelho. Por outro lado, na Carta aos Romanos 16.17 o apstolo recomenda disciplina aos que causam divises 
na igreja e, ao escrever a Segunda Carta aos Tessalonicenses 3.6-10 ele prescreve disciplina eclesistica para aqueles que se deleitam na preguia. H um princpio 
claro: "Os pecados que foram explicitamente disciplinados no Novo Testamento eram conhecidos publicamente e externamente evidentes, e muitos deles haviam continuado 
por um perodo de tempo."(9) 

Com relao  autoridade,  importante lembrar que a autoridade na disciplina nunca vem daquele que a aplica, mas daquele que a ordenou, ou seja, o Cabea e Senhor 
da Igreja (Ef 1.22-23). Alm do mais, a pergunta a ser feita dever ser: "Com que direito um membro da Igreja do Cordeiro profana o sangue da aliana e ultraja o 
Esprito da graa?" (Hb 10.29). Tambm, "Que direito temos ns de tomar o corpo de Cristo e faz-lo um com a prostituio?" (1 Co 6.15). Nenhum direito nos  dado, 
mas sim a responsabilidade de amar o pecador e vigiar para que tambm no caiamos (1 Co 10.12).

Concluindo, somente a ignorncia, equvocos, ou dureza de corao poderiam levar algum a deturpar os princpios bblicos sobre a disciplina eclesistica e justificar 
sua ausncia entre os membros do corpo de Cristo.

II. O Ensino Bblico

A. A Necessidade da Disciplina

Aquele que ordena a disciplina na igreja  o mesmo que estabelece o padro a ser seguido no exerccio da mesma. Esse padro consiste primeiramente em amor paternal 
(Hb 12.4-13).  certo que o mundo v a disciplina como expresso de ira e hostilidade, mas as Escrituras mostram que a disciplina de Deus  um exerccio do seu amor 
por seus filhos. Amor e disciplina possuem conexo vital (Ap 3.19). Alm do mais, disciplina envolve relacionamento familiar (Hb. 12.7-9), e quando os cristos recebem 
disciplina divina, o Pai celestial est apenas tratando-os como seus filhos. Deus no disciplina bastardos, ou seja, filhos ilegtimos (v. 8). O padro de disciplina 
divina revela tambm maravilhosos benefcios. A disciplina que vem do Senhor " para o nosso bem (v. 10)." Ainda que seja inicialmente doloroso receber disciplina, 
a mesma produz paz e retido (v. 11). O v. 13 ensina que o propsito de Deus em disciplinar no  o de incapacitar permanentemente o pecador, mas antes de restaur-lo 
 sade espiritual.

O termo hebraico rasUm  usado no Antigo Testamento como sinnimo de "instruir" (Pv 1.3, 8), "corrigir" (Pv 22.15 e 23.13) ou "castigar" (Is 53.5). No Novo Testamento, 
o grego paidei/a possui sentido semelhante e  freqentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por seus pais e a correo que vem do Senhor (ver Hb 
12.1-10 e Ap 3.19). Nesse sentido, disciplina e sabedoria esto intimamente ligadas nas Escrituras (Sl 50.17; Pv 1.1-2 e 15.32). A correo  fonte de esperana 
para os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente (Pv 19.18 e 4.13). A correta disciplina deve ser sempre aplicada com amor e no com ira (Pv 
13.24). 

Segundo as Escrituras, a disciplina na igreja est fundamentada no apenas no exerccio do bom senso, mas principalmente nos imperativos do Senhor. O mandato bblico 
referente  disciplina  encontrado especialmente no ensino de Jesus (Mt 18.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Co 5.1-13). Tambm, h clara referncia bblica de 
que a igreja que negligencia o exerccio desse mandato compromete no apenas sua eficincia espiritual mas sua prpria existncia. A igreja sem disciplina  uma 
igreja sem pureza (Ef 5.25-27) e sem poder (Js 7.11-12a). A igreja de Tiatira foi repreendida devido  sua flexibilidade moral (Ap 2.20-24).

B. Os Passos da Disciplina

Biblicamente, a disciplina na igreja tem um triplo objetivo: 1) restabelecer o pecador (Mt 18.15; 1 Co 5.5 e Gl 6.1); 2) manter a pureza da igreja (1 Co 5.6-8) e 
3) dissuadir outros (1 Tm 5.20).  este triplo propsito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicao correta da disciplina eclesistica. Esses passos 
so especialmente mencionados em Mateus 18.15-17.

1. Abordagem individual- O v. 15 (Se teu irmo pecar vai argui-lo entre ti e ele s...) ensina que a confrontao  um tarefa crist. Uma das melhores coisas a se 
fazer por um irmo em pecado  confront-lo em amor (Pv 27.5-6). Mas  sempre arriscado confrontar algum, pois nunca se pode prever a reao do mesmo. Jesus, todavia, 
dirige nossa ateno para a alegre possibilidade de que tal irmo nos oua. Alm do mais, o termo grego e)/legcon ("arguir, instruir, confrontar," v. 15) tambm 
pode ser traduzido como "trazer  luz, expor."(10)  significativo o fato de que esse  o mesmo termo usado em Joo 16.8 para descrever o ministrio do Esprito 
em relao queles que esto no mundo, em convenc-los (confront-los) "do pecado, da justia, e do juzo." Assim, antes de confrontar um irmo, podemos sempre clamar 
por socorro quele cujo ministrio de confrontao  sempre eficaz.

2. Admoestao privada - No caso de o ofensor no atender  confrontao individual, Jesus ordena que haja admoestao privada (v. 16). Nesse caso, um nmero maior 
de pessoas  envolvido. A princpio, pode parecer que o objetivo desse passo  intimidar o ofensor. Uma ateno maior, porm, leva-nos a entender que o propsito 
do mesmo pode ser o de conscientizar o ofensor quanto aos prejuzos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Em outras palavras, nosso pecado traz 
conseqncias pessoais e coletivas. Alm do mais, Jesus afirma que as outras pessoas envolvidas nesse processo sero testemunhas. Isto  uma referncia  prtica 
vetero-testamentria de no se condenar algum com base apenas em uma opinio pessoal (ver Nm 35.30, Dt 17.6 e 19.15). Com isto, a objetividade do caso  preservada, 
o que diminui as chances de injustia, e o ofensor  beneficiado.

3. Pronunciamento pblico (v. 17) - Tal proceder nunca  violao de segredos, pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prvios do arrependimento. Diante 
de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador, evitar comentrios desnecessrios (2 Ts 3.14-15) e vigiar a si prprio (1 Co 10.12). 
Tal oficializao pblica da disciplina traz implicaes temporrias em relao aos sacramentos (1 Co 11.27).(11) 

4. Excluso pblica - O ltimo recurso da disciplina  o da excomunho (do latim ex, "fora," e communicare, "comunicar"), na qual o ofensor  privado de todos os 
benefcios da comunho. Nesse caso, o ofensor  tido como gentio (a quem no era permitido entrar nos trios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram 
considerados traidores e apstatas: Lc 19.2-10). Com estes no h mais comunho crist, pois deliberadamente recusam os princpios da vida crist (1 Co 5.11). Se 
o seu pecado  heresia, ou seja, o desvio doutrinrio das verdades fundamentais ensinadas nas Escrituras, eles no devem nem mesmo ser recebidos em casa (2 Jo 10-11).

 claro que cada um desses passos envolve dor, tempo, amor e transparncia. Nenhum deles  agradvel e eles s prosseguem diante de dureza de corao do ofensor, 
ou seja, a recusa ao arrependimento. H porm o conforto de saber que a presena e o poder de Jesus so reais mesmo no contexto desse processo (Mt 18.19-20). Assim, 
a disciplina eclesistica "no  uma atividade a ser realizada facilmente, mas algo a ser conduzido na presena do Senhor."(12)

III. Implicaes teolgicas

Sem a inteno de limitar, mas to somente de elucidar, oferecemos trs tpicos teolgicos que esto vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesistica.

A. Disciplina e a Adorao Crist

A verdadeira adorao " a mais nobre atividade de que o homem, pela graa de Deus,  capaz."(13) A exclusiva adorao a Deus  um mandato divino (Mt 4.10 e Ap 19.10), 
 uma marca da f salvadora (Fp 3.3), e deve seguir os princpios revelados por Deus em sua Palavra.(14) Um princpio essencial da adorao crist  o zelo pela 
santidade do nome do Senhor (Ex 20.7 e Mt 6.9). A negligncia do povo de Deus quanto aos mandamentos do Senhor motiva os incrdulos a blasfemar o nome de Deus (Rm 
2.24). Assim, o zelo pela santidade do nome de Deus implica diretamente no exerccio da disciplina eclesistica. Uma igreja adoradora e ao mesmo tempo tolerante 
para com o pecado no seu seio  uma contradio de termos e recebe a repreenso do Senhor (Ap 2.18-29).

B. Disciplina e as Marcas da Igreja

A Reforma Protestante do sculo XVI considerou importantssima para a teologia crist a seguinte questo: Como distinguir entre a igreja verdadeira e a falsa? Em 
outras palavras, quais so as marcas da verdadeira igreja crist? Para o reformador Joo Calvino, tais marcas consistem da proclamao da Palavra, da administrao 
dos sacramentos e do exerccio da disciplina eclesistica. Segundo ele, "aqueles que pensam que a igreja pode sobreviver por longo tempo sem disciplina esto enganados; 
a menos que pensemos que podemos omitir um recurso que o Senhor considerou necessrio para ns."(15) Nesse sentido, "a disciplina eclesistica  to necessria quanto 
os ligamentos do corpo humano, ou como a disciplina em famlia."(16)

Sendo que Cristo deseja sua igreja "sem mcula, nem ruga, nem coisa semelhante, porm santa e sem defeito" (Ef 5.27), a disciplina eclesistica  altamente relevante, 
pois  um meio institudo por Deus para manter pura a sua igreja. O servo de Deus sempre deve almejar a pureza da noiva do Cordeiro (2 Co 11.1-3), mesmo diante da 
possibilidade da sua contaminao pelo mundo.

C. Disciplina e Evangelismo

A disciplina evidencia o amor cristo pelo pecador, ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja. Esse amor pelo pecador cristo tambm reflete o amor da 
mesma pelo pecador incrdulo. A disciplina eclesistica ressalta a seriedade do pecado. Sem a viso dessa seriedade, a igreja no  corretamente motivada a buscar 
a redeno do pecador. H uma relao entre disciplina eclesistica e evangelismo.

Uma igreja sem disciplina torna-se um impecilho para o avano do evangelho. Essa relao vital entre evangelismo e disciplina  clara  luz de 1 Co 5.12-13. O evangelismo 
 dirigido aos que esto fora dos portes da igreja e que esto escravizados pelo pecado. A disciplina  dirigida queles que esto dentro dos portes da igreja 
e que esto se sujeitando ao domnio do pecado. Assim, ambos (evangelismo e disciplina) almejam a liberdade do pecador e a concretizao do triunfo histrico da 
graa sobre o pecado na vida do mesmo (Rm. 6.1-23). Uma igreja sem disciplina proclama uma liberdade desconhecida, ou rejeitada, pelos seus prprios membros. Como 
diz Barnes, "h pouca vantagem em uma greja que tenta vencer o mundo se ela j tem se rendido ao mundo."(17) 

Concluso

Laney adverte para o fato de que "a disciplina  como um medicamento muito forte: pode trazer a cura ou causar maior dano."(18) Nenhum profissional mdico, porm, 
se recusa a aplicar um medicamento que pode curar o seu paciente apenas porque o mesmo  forte. Tambm, nenhum doente faz opo pela morte ou pela continuidade da 
doena se a vida e a cura podem estar to prximas.

Uma sria reflexo bblica sobre a disciplina eclesistica evidencia dois princpios bsicos. Primeiro, que a disciplina na igreja no  uma opo, mas sim uma ordenana 
e, conseqentemente, uma bno divina (Hb 12.5-7). Segundo, que a disciplina requer profundo amor por parte da igreja que a aplica e semelhante humildade e quebrantamento 
por parte daquele que  disciplinado (2 Co 2.5-11).

1 Ver Os Guinness, Dining With the Devil: The Megachurch Movement Flirts With Modernity (Grand Rapids: Baker, 1993).

2 Ver Guilherme de Barros, "O Pastor da Esquerda Evanglica," Vinde (Julho 1997):7-12. Nessa entrevista, o bispo Robson Cavalcanti teoriza sobre casos em que a poligamia 
poderia ser considerada uma atitude mais humana. O presente autor discorda do bispo e cr que a questo retrica a ser levantada no  se condenar a poligamia "seria 
humano," mas sim se a prtica atual da mesma " bblica."

3 Essa  uma constante referncia  obra clssica de Nathaniel Howthorne, The Scarlet Letter.

4 Josh N.D. McDowell, Tolerating the Intolerable: A Mandate of Love (Wheaton, Illinois: Josh McDowell Ministry).

5 Richard J. Foster, Celebrao da Disciplina: O Caminho do Crescimento Espiritual, trad. Luiz Aparecido Caruso (So Paulo: Vida, 1983). 

6 Carl J. Laney, "The Biblical Practice of Church Discipline," Biblioteca Sacra (Outubro-Dezembro 1986): 353-64.

7 Compton's Interactive Encyclopedia, 1997 (The Learning Company, Inc. CD).

8 Justo L. Gonzlez, The Story of Christianity (Nova York: HarperSanFrancisco, 1984), 277-359.

9 Wayne Grudem, Systematic Theology (Grand Rapids: Zondervan, 1994), 896. Minha traduo. A nica exceo a esse princpio foi "o pecado secreto de Ananias e Safira 
(At 5.1-11). Nesse sentido a atuao extraordinria do Esprito Santo resultou em grande temor entre os membros da igreja." 

10 F. F. Bruce, ed., Vine's Expository Dictionary of Old and New Testament Words (Nova Jersey: Fleming H. Revell, 1981), 283-4.

11 R. N. Caswell, "Discipline," em New Dictionary of Theology, eds. S. B. Ferguson, D. F. Wright, e J. I. Packer (Downers Grove: InterVarsity, 1988), 200.

12 Grudem, Systematic Theology, 898. Minha traduo.

13 John R. W. Stott, Christ the Controversialist: A Study in Some Essentials of Evangelical Religion (Londres: Tyndale Press, 1970), 160. Minha traduo. 

14 Confisso de F de Westminster, XXI.i. 

15 John Calvin, Institutes of the Christian Religion, ed. John T. McNeill (Filadlfia: Westminster, 1960), 4.7.4. Minha traduo.

16 Caswell, "Discipline," 200. Minha traduo. 

17 Peter Barnes, "Biblical Church Discipline," The Banner of Truth 414 (Maro 1998): 20. Minha traduo. 

18 Laney, "The Biblical Practice of Church Discipline," 363.
Parte XXV
 MARAVILHOSO... 
 

"Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fssemos chamados filhos de Deus; e ns o somos. Por isso o mundo no nos conhece; porque no conheceu a ele. 
Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda no  manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim 
como , o veremos" (1Jo 3.1,2). 

Sou fascinado pela Primeira Carta de Joo. Ela tem qualidades extraordinrias. Este  o mesmo Joo que um dia, ao passarem Jesus e os discpulos por Samaria, ao 
perceber a m vontade dos samaritanos em receber o grupo porque era composto de judeus (pois havia inimizade entre samaritanos e judeus, como, por sinal, ainda hoje 
acontece), indaga de Jesus se no seria conveniente pedir um raio que acabasse com os samaritanos to sem hospitalidade (cf. Lc 9.51-54). Este to intolerante e 
raivoso Joo  o mesmo que quase sessenta depois, amadurecido, experimentado, tem agora um tratamento absolutamente diferente. Escreve esta carta debaixo de uma 
ternura to grande, como atestam suas palavras do incio at o verso final. 

 nessa carta que ele diz que "Deus  amor" (4.8); que "temos um advogado para com o Pai" (2.1); e, ainda, "Eu escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de 
Deus permanece em vs, e j vencestes o Maligno" (2.14). 

Fizemos o destaque dos versculos iniciais do captulo 3, que passaremos a comentar. Estes dois versculos nos do uma grande descoberta: o evangelho de Jesus Cristo 
tem uma mensagem de alcance mundial, to extraordinria que fala de quando nosso passado foi obliterado, jogado para trs, fala de uma experincia presente na nossa 
caminhada em e com Cristo, e fala do futuro, daquilo que nos aguarda, da gloriosa epifania, da presena de Jesus Cristo, de Sua manifestao na Segunda Vinda. Algo 
especial vai acontecer, e isso  maravilhoso!

 MARAVILHOSO... 

"Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fssemos chamados filhos de Deus; e ns o somos" (v. 1).  maravilhoso sermos "chamados filhos de Deus". 

Quem so os filhos de Deus? A pergunta tem pertinncia porque existe uma teologia popular que afirma que todos so filhos de Deus. Ouvi nesta semana um pedao de 
conversa no supermercado em que um cidado dizia para o outro: "... mas eu tambm sou filho de Deus..." Talvez fosse, no queremos julgar, mas a idia geral e popular 
 essa. 

 popular, mas no  da Bblia, que ensina que somos criaturas de Deus, ou como o apstolo Paulo deixou registrado, "somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para 
boas obras, as quais Deus antes preparou para que andssemos nelas" (Ef 2.10). A palavra "feitura"  muito sugestiva na lngua em que Paulo escreveu esta carta; 
 poeimia, de onde vem nossa palavra "poema". Somos uma obra de arte de Deus, mas to somente criaturas. 

Ento, se todos somos criaturas, quem  filho de Deus? H inmeras referncias na Bblia Sagrada sobre isso. Glatas 3, verso 26, no deixa por menos: "Pois todos 
sois filhos de Deus pela f em Cristo Jesus." J fez uma tremenda limitao, pois quem no tem f em Jesus Cristo no  filho de Deus! 

Se assim , que teologia  essa que ensina que todos somos filhos de Deus? Se algum no acompanha a Jesus, no o considera com responsabilidade na vida, no tem 
um comprometimento srio com Ele pode efetivamente ser chamado "filho de Deus"? Pela Escritura Sagrada, no. Vamos, ento, ao Evangelho de Joo.  o mesmo escritor 
da carta que estamos apreciando. Diz ele: "Veio [Cristo] para o que era seu, e os seus no o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, aos que crem no seu nome 
[aos que tm f-adeso, compromisso], deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus" (Jo 1.11,12).Quem  filho de Deus? Os que tm f e crem em Cristo Jesus. 

Diz a Palavra de Deus, ainda, que so filhos de Deus os que andam em sinceridade. Ser sincero  ter uma face autntica, ser puro de mos e limpo de corao. A palavra 
sincero vem do teatro greco-romano. O modo de fazer teatro era diferente do nosso, visto que a postura corporal, o tom da voz, a expresso facial tm enorme importncia 
no teatro moderno. No teatro romano, usavam-se mscaras: uma tinha a boca voltada para cima como se estivesse sorrindo, e dava idia de alegria, e a outra tinha 
a boca voltada para baixo como se chorasse, e denotava tristeza. Para passar alegria, colocava-se no rosto a mscara feita de cera denotando felicidade; se tristeza, 
a mscara triste de cera era colocada no rosto. Quando o ator no estava de mscara, sem a cera no rosto, portanto, estava com a verdadeira face aparecendo. Uma 
pessoa "sincera" (sem cera) no est mascarada, mostra quem . E diz a Bblia que quem anda na honestidade de seu corao voltado para a f em Jesus Cristo, essa 
pessoa  filha de Deus. E o propsito do evangelho  patente: "...para que vos torneis irrepreensveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma gerao 
corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo" (Fp 2.15). 

Diz a Palavra Santa que  filho de Deus quem  praticante da justia. Palavrinha boa... justia! Ser justo  ser reto no que se faz. Nas artes grficas, justificar 
 colocar tudo reto; o mesmo em informtica: pode-se justificar pelo lado esquerdo, pelo direito ou pelo meio. A Palavra de Deus  to clara quando diz, "Justificados, 
pois, pela f, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5.1). Glria a Deus porque pela f somos considerados retos diante de Deus: tudo o que  passado 
vai para a lixeira da eternidade, e agora temos uma vida toda nova porque fomos considerados justos pelo Senhor, palavras Suas. Essa citao encontra outra verso 
em 1Joo 3.10: "Nisto so manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem no pratica a justia no  de Deus". A Bblia diz, ainda, que so filhos de Deus 
os que promovem a paz. "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles sero chamados filhos de Deus" (Mt 5.9). 

Pacificador no  o no-violento, nem o que foge de conflitos:  o que promove a paz. 

Uma melhor traduo para esta afirmao de Jesus Cristo  "Bem-aventurados os promotores da paz, porque eles sero chamados filhos de Deus", ou. A modo exclamativo, 
"Como so feliz os artesos da paz porque Deus os tem como herdeiros de Sua natureza". Uma orao atribuda a Francisco de Assis pede "Senhor, faze de mim um instrumento 
de Tua paz". Est dentro do esprito do evangelho. Filhos de Deus so os guiados pelo Esprito Santo de Deus. "Pois todos os que so guiados pelo Esprito de Deus, 
esses so filhos de Deus ... O Esprito mesmo testifica com o nosso esprito que somos filhos de Deus" (Rm 8.14, 16); "E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos 
coraes o Esprito de seu Filho, que clama: Aba, Pai" (Gl 4.6).

Voltando ao texto bsico ("Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fssemos chamados filhos de Deus; e ns o somos. Por isso o mundo no nos conhece; porque 
no conheceu a ele. 

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda no  manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim 
como , o veremos", 1Jo 3.1,2), descobrimos que  mais extraordinria uma declarao que vem a seguir: 

 MAIS MARAVILHOSO... O fato de que agora somos filhos de Deus, pois "Amados, agora somos filhos de Deus..." (1Jo 3.2a). Alm de referendar a primeira e j comentada 
declarao, acrescenta que "neste momento, neste instante, agora somos filhos de Deus"! E isto  mais extraordinria porque ningum precisa ficar esperando que uma 
determinada situao acontea para tentar obter a filiao divina. Paulo e Joo nos dizem que a relao fundamental dos salvos com Deus  filial. Paulo nos d o 
aspecto legal. Diz que fomos adotados por Deus:  a adoo, portanto. Glatas 4.5 esclarece: "vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, 
nascido debaixo de lei, para resgatar os que estavam debaixo de lei, a fim de recebermos a adoo de filhos" e "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, 
o qual ... nos elegeu nele antes da fundao do mundo, para sermos santos e irrepreensveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoo por 
Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplcito de sua vontade" (Efsios 1.3-5; cf. Rm 8.15). 

Joo nos apresenta o aspecto natural: fala de gerao.. Paulo diz que fomos adotados, mas Joo diz que fomos gerados, e isso  mais ntimo. Uma pessoa quis falar 
de uma criana que havia adotado. Ao ser indagada pelo interlocutor, "ento,  seu filho de criao?", respondeu com muita ternura, "No,  meu filho do corao..." 
Que lindo jogo de palavras. H o filho que nasce do ventre e h o que nasce do corao. Os apstolos usam ambas as figuras. A Bblia diz que Deus nos gera no corao 
agora! Precisamos entender, no entanto, na lei romana, sob a qual Paulo viveu, adoo era considerada como equivalente  verdadeira filiao. E como a nossa lei 
 herdeira direta da linha-mestra do Direito Romano, tambm no nosso Direito o filho adotado  reputado como filho que nasceu do ventre daquela me. Neste verso, 
duas das suas idias centrais se encontram: o amor e a filiao da parte de Deus. Um amor que tem como fim, como objetivo que os seres humanos sejam chamados Seus 
filhos.  como claramente diz Joo: 

"somos filhos de Deus", palavras que anunciam o glorioso fato de que pertencemos  famlia divina. E isso  simplesmente maravilhoso porque no acontecer no futuro, 
mas j acontece agora. Observe o relato a seguir: "Disse-lhe algum: Eis que esto ali fora tua me e teus irmos, e procuram falar contigo. Ele, porm, respondeu 
ao que lhe falava: Quem  minha me? e quem so meus irmos? E, estendendo a mo para os seus discpulos disse: Eis aqui minha me e meus irmos. Pois qualquer que 
fizer a vontade de meu Pai que est nos cus, esse  meu irmo, irm e me" (Mt 12.46-50, itlico do autor). E porque filhos de Deus, Seus interesses se tornam nossos 
interesses. Filhos da ira que ramos, tornamo-nos, por adoo, herdeiros da Sua glria. No nascimento carnal, filhos da desobedincia; no segundo nascimento, no 
espiritual, filhos de Deus. E esse estado  desfrutado agora, seja a pessoa abenoada rica ou pobre, letrada ou no. Isso quer significar uma srie de privilgios: 

? Somos congregados num s corpo: "o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela nao, e no somente pela nao, mas tambm para congregar 
num s corpo os filhos de Deus que esto dispersos" (Jo 11.52). 

? Somos herdeiros de Deus: "e, se filhos, tambm herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se  certo que com ele padecemos, para que tambm com ele 
sejamos glorificados" (Rm 8.17).

? Recebemos o amor e a disciplina da parte do Pai: "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fssemos chamados filhos de Deus" (1Jo 1.3) e " para disciplina 
que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual  o filho a quem o pai no corrija?" (Hb 12.7).

? Somos filhos da ressurreio: "porque j no podem mais morrer; pois so iguais aos anjos, e so filhos de Deus, sendo filhos da ressurreio" (Lc 20.36).

E vivemos na expectativa de um futuro glorioso e radiante, como destaca 1Joo 3.2, a ser explicado em seguida.

 AINDA MAIS MARAVILHOSO... "... sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele" (Jo 3.2b). Aqui temos trs informaes importantssimas: O Senhor 
Jesus ainda se manifestar. Estamos no aguardo do retorno de Cristo, ansiamos por Sua vinda. Ele vir e nos tomar para Si como nos prometeu em Mateus 24.30, 31: 
"aparecer no cu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentaro, e vero vir o Filho do homem sobre as nuvens do cu, com poder e grande glria. 
E ele enviar os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntaro os escolhidos desde os quatro ventos, de uma  outra extremidade dos cus". 

Este texto  referendado por "o Senhor mesmo descer do cu com grande brado,  voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitaro 
primeiro. Depois ns, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com 
o Senhor" (1 Ts 4.16, 17). 

Ns o veremos como . No como homem de dores, no na Sua Paixo, isso j ficou para trs! Vamos v-Lo gloriosamente retornando como a Bblia descreve: "Eis que 
vem com as nuvens, e todo olho o ver" (Ap 1.7a), e, repetimos, "Ento aparecer no cu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentaro, e vero 
vir o Filho do homem sobre as nuvens do cu, com poder e grande glria" (Mt 24.30). Agora o veremos na Sua glria como Rei dos reis e Senhor dos senhores! H uma 
terceira etapa: isso vai completar nossa semelhana com Ele. Isso  extraordinrio porque "Quando Cristo, que  a nossa vida, se manifestar, ento tambm vs vos 
manifestareis com ele em glria" (Cl 3.4). Agora, precisamos ter a mente de Cristo como Paulo enfatiza ("ns temos a mente de Cristo, 1Co 2.16), precisamos imitar 
a Jesus Cristo agora ("sede pois imitadores de Deus, como filhos amados", Ef 5.1). Mas quando Jesus retornar, vai de tal maneira que no somente teremos a mente 
de Cristo, mas tambm o corpo semelhante ao corpo glorioso de Cristo. A Bblia  um tanto econmica sobre esse assunto. Paulo, por exemplo, no soube como dizer 
como seria este corpo igual ao corpo glorioso de Cristo. Por isso, colocou uma expresso, "corpo espiritual". Como seria este "corpo espiritual"?  s lembrar o 
episdio da transfigurao: "tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a Joo, irmo deste, e os conduziu  parte a um alto monte; e foi transfigurado diante deles; 
o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz" (Mt 17.1, 2). Esta viso extraordinariamente gloriosa pode ser uma pista para 
entendermos o "corpo espiritual" de que fala Paulo. Implcito em todo o que foi dito por Joo e Paulo est a Segunda Vinda, a transformao dos corpos operada na 
ressurreio, a reconfigurao dos que estiverem vivos naquela ocasio. E tudo isso comea com uma coisa: a f. E no  verdade? Tudo comea com f. E essa felicidade 
de que estamos gozando tem algo tremendamente emblemtico: a prpria palavra comea com a slaba - F -. Diga a Jesus: "Senhor, eu creio no que Tu falas, creio no 
que Tu pregas, creio na salvao trazida por Ti! Eu creio na Tua cruz, creio e quero receber as bnos do Calvrio!" O pecado  incompatvel com o fato de ser filho 
de Deus;  incompatvel com o propsito da manifestao de Cristo. Mas o querido leitor no precisa esperar pela Segunda Vinda de Jesus Cristo para receber a filiao 
divina: pela f, agora, segundo o ensino da Bblia, voc pode se tornar filho de Deus!

Parte XXVI
EVANGELIZAO - A AO DO EVANGELHO 
 O mundo atual no qual vivemos se encontra em um estado terrvel pecaminosidade, onde muitas pessoas a cada dia seguem rumo  morte, sem esperana alguma de salvao. 
Porm h um povo sobre a terra que recebeu uma mensagem de vida, de luz, para ser entregue aos homens. Este povo no pode parar diante das densas trevas que se levantam. 

Este povo  diferente, pois serve a um Deus inigualvel, possui uma mensagem diferente, faz uma orao distinta e tem um poder nico, este povo so os remidos do 
Senhor Jesus Cristo, comprado pelo sangue, comprados por um alto preo de sangue. No fomos tomados emprestados da mo do diabo, fomos conquistados por Cristo. 
Este povo no pode calar, porque se isto fizer-se at mesmo as pedras clamariam. No podemos nos deter, com as coisas deste mundo. Temos que avanar, colocando o 
reino das trevas em retirada. Levantando bem alto a bandeira do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Muito campo ainda falta para ser conquistado, muita terra para ser alcanada, nada pode nos impedir, Deus nos chamou para destruir as obras do diabo, e anunciarmos 
ao mundo que o Rei est voltando.
O Evangelismo  uma arma poderosa se usada de forma correta, para isso vamos analisar o que a Bblia nos ensina com respeito a este tema.

Definindo Trs Palavras: Evangelho, Evangelizao & Evangelismo 

Estas trs palavras possuem definies fortes e contundentes em nossas vidas, enquanto uma se torna uma tarefa, a outra  a descoberta da salvao e a outra  a 
ao.
Uma delas  voltada para o mundo em pecado a outra  voltada para a Igreja, ambas dependem uma da outra, e esto nas mos da Igreja.

EVANGELHO

O termo evangelho vem do grego evangulion, que significa, literalmente, boas novas. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus (Lc 2.10,11) foi 
empregado o verbo correlato evanguelizo, que tem o significado de levo ou trago boas novas, naquele exato momento comea-se a cumprir as promessas de Deus com relao 
ao Salvador da humanidade.
Evangelho  ento o anuncio do cumprimento da providncia de Deus para salvao dos pecadores, que se realizou com a vinda de seu filho ao mundo.

EVANGELIZAO

A palavra evangelizao provm do grego evaggelizo, cujo significado : "Anuncio boas novas". Basicamente, pois, evangelizao  levar o evangelho s pessoas,  
a apresentao de Jesus Cristo no poder do Esprito Santo, de tal maneira que os homens possam confiar nele como Salvador e servi-lo como Senhor de suas vidas.
Desta forma podemos definir que evangelizao  quando levamos as pessoas ao pleno conhecimento da verdade de Deus em relao ao seu filho Jesus Cristo. Aqueles, 
porm que entendem que a evangelizao  uma ao que consiste em levar perdidos a Jesus para serem salvos por Ele, ho de empenhar-se apaixonadamente na propagao 
do evangelho.

EVANGELISMO

Evangelismo  a ao cujo objetivo  levar os homens a conhecerem sua condio de pecadores perdidos e a conhecerem o plano de Deus para sua salvao; induzi-los 
 aceitao de Jesus Cristo como Filho de Deus, Salvador e Senhor, e integr-los na vida crist.
Nesta definio vamos encontrar trs pontos bsicos de apoio que devem ser verificados, so eles:

1 - Informao: Evangelismo  uma ao que tem por fim informar. Se faz necessrio que o ser humano seja informado de sua condio de pecador e de sua vida distanciada 
da presena de Deus, da necessidade de arrepender-se de seus pecados e ser informado que Deus o ama (Jo 3.16), que entregou seu filho para salva-lo. Nesta rea de 
informao deve-se utilizar todos os meios de comunicao possvel, desde o rdio at a Internet. 

2 - Convencer: Evangelizar tambm  convencer o homem de seu estado pecaminoso, alm de anunciar ao homem o seu estado  necessrio que o evangelista d lugar ao 
Esprito Santo para que este possa us-lo para convencer o pecador que ele precisa de salvao.

3 - Integrao: Consiste no discipulado, durante o qual o novo crente aprende as doutrinas bblicas, cresce em poder e f e se desenvolve, aplicando-se cada vez 
mais ao servio de Deus. Desta forma a evangelizao de uma pessoa no termina quando ele aceita a Jesus mas est apenas comeando.

Depois de examinarmos estas definies, chegamos a concluso, que evangelizar  uma tarefa muito importante e difcil, a qual no pode estar nas mos de pessoas 
individualistas que no possuem compromisso com a obra de Deus,  preciso investir, treinar, capacitar e ter mtodos avanados e modernos de evangelizao. 

MOTIVOS QUE NOS LEVAM AO EVANGELISMO

Quando lemos a Bblia Sagrada, vamos encontrar alguns motivos fortes que nos levam a querer fazer evangelismo, vejamos alguns destes pontos fortes:

1 - O Conhecimento da Vontade de Deus - Quando lemos a Bblia Sagrada e nela encontramos que a principal vontade de Deus  que todos cheguem ao pleno conhecimento 
da Salvao (I Tm 2.4), nos colocamos em posio de ordem, pois sendo Deus meu Senhor devo fazer de tudo para que a sua vontade seja cumprida. Essa vontade revela 
o amor de Deus para com todos os pecadores e ao mesmo tempo a grandiosidade da obra que  a evangelizao.

2 - A Ordem de Jesus - Nesta ordem de Jesus podemos ver que se faz necessrio a existncia de um discipulado obediente, espiritual e dinmico; implica tambm, na 
organizao eficiente da evangelizao local e missionria. Na ordem de Jesus registrada em Marcos 16.15, distinguem-se os seguintes elementos:
a) O Campo de Atividade para a Evangelizao - O mundo inteiro;
b) O Alvo a ser Atingindo - O homem;
c) A Tarefa especfica a ser cumprida - A pregao do evangelho.

3 - A Revelao das Sagradas Escrituras - Quando lemos na Bblia Sagrada, como se encontram as almas sem Cristo ( Rm 3.10-12, 23; 6.23), e comeamos a pensar no 
sofrimento que h no inferno e que este sofrimento  eterno para aqueles que no aceitaram a Jesus Cristo e que eles podero estar l porque eu no fiz a minha parte. 
E nesta mesma revelao vamos encontrar a Bblia afirmando que uma s alma vale mais que o mundo inteiro ( Mc 8.36,37). Para podermos evangelizar as almas precisamos 
olhar como Jesus olha para elas; como ovelhas sem pastor, desgarradas e sofrendo, se no tivermos esta viso das almas nunca teremos coragem de evangelizar.

4 - Compreenso de que Somente o Evangelho pode Salvar -  tolice tentar encontrar salvao fora do Evangelho (Rm 10.13-17), e os crentes tem este poder. A grande 
soluo da humanidade no est na poltica bem feita, ela pode at ajudar na vida material mas, no servir de nada no lado espiritual, o desenvolvimento econmico 
tambm no tm capacidade de oferecer salvao, nem a cincia tem poder para isto, mas o evangelho tm, e este evangelho que est em ns devemos repartir com aqueles 
que ainda no conhecem a Salvao que est em Cristo Jesus.

5 - A Viso da Extenso da Obra - Jesus disse que o nosso campo seria o mundo (Mc 16.15), haja vista que a cada dia que se passa milhes de pessoas nascem, muitas 
em pases comunistas, que ainda impem as cortinas de ferro, e esto esperando por ns, ser que vamos cruzar os braos diante desta grande tarefa ?

6 - Viso da Responsabilidade Pessoal - Quando Deus chamou a Ezequiel, Ele o colocou como atalaia sobre a casa de Israel, (Ez 3.17) ser que  diferente? Deus tem 
nos constitudo como um atalaia no apenas em Israel mas principalmente para o mundo. E como podemos escapar desta responsabilidade? No podemos, Deus ordenou e 
temos que cumprir nossa misso.

O EVANGELISMO VISTO NOS QUATRO EVANGELHOS

Dentro dos quatro evangelhos, vamos encontrar um personagem central, voltado inteiramente para a obra de evangelizao das almas, Ele  com toda a certeza o maior 
de todos os evangelistas que o mundo j teve.
Vamos ver algumas caractersticas que este grande evangelista possua, e como ele organizou uma campanha de evangelismo bem preparada e equipada. 

JESUS O PRIMEIRO EVANGELISTA

1 - Caractersticas Pessoais 

a) Esforado - Jesus era esforado na obra que realizava, a Bblia relata que dois dos discpulos de Joo Batista o seguiam, desejosos de saber onde o mestre morava, 
Jesus os convidou a acompanh-lo e permaneceu com eles quase todo aquele dia, ensinado-lhes a palavra de Deus, eles queriam apenas conhecer aonde o Mestre morava 
porm Jesus aproveitou a oportunidade para convence-los de que Ele era o Messias esperado por Israel.
b) Pacincia e Determinao - Neste mesmo episdio revela duas outras caractersticas de Jesus a Pacincia e Determinao, Ele no tinha pressa em evangelizar, ele 
podia apenas ter mostrado onde morava e pronto, mas ele viu a oportunidade de ensinar mais a respeito dEle e da sua misso.
c) Compaixo - Em Mateus 14.14, vamos encontrar quando a Bblia afirma que Jesus por compaixo as almas que ali estavam as curou de suas enfermidades, e ns quantas 
vezes passamos perto de pessoas que precisam de uma palavra e nada fazemos.
d) Esprito de Sacrifcio - Jesus durante toda a sua vida, viveu uma vida de sacrifcios, pois ele mesmo declarou (Mt 20.28). Foi justamente isso que ele fez durante 
seu ministrio terreno, passava noites inteiras orando, passava horas e mais horas curando os enfermos, percorria vilas e cidades pregando a palavra de Deus e jamais 
despediu uma pessoa sem lhe ajudar, este exemplo  que ns devemos seguir.
e) Preciso - Jesus no gastava tempo com filosofias humanas e especulaes Ele ia direto ao ponto sem perda de tempo. ( Lc 5.21-24). Jesus no permitia que qualquer 
debate que Ele tivesse, tomasse outro rumo a no ser o reino de Deus (Jo 3.1-21; Jo 4.1-30), infelizmente quando muitos vo evangelizar se deixam levar com conversas 
que os desviam totalmente do objetivo.
f) Esprito Compreensivo e Perdoador - Jesus compreendia as fraquezas humanas, e ao invs de ser um juiz implacvel, Ele perdoava aos que se arrependiam, podemos 
ver isso claramente na mulher adltera (Joo 8.1-11). O evangelista precisa aprender com o Mestre a combater o pecado, procurando, contudo, salvar o pecador, a considerar 
o pecador como um enfermo, que precisa de cuidados e no de aoites.
g) Dinamismo - Jesus era dinmico no parava um momento a no ser o necessrio para descansar e repor as energias perdidas das caminhadas, precisamos aprender com 
Ele.

MTODOS DE EVANGELIZAO UTILIZADOS POR JESUS CRISTO

Jesus empregou, na evangelizao, dois mtodos: Ensino Pessoal (Zaqueu, A Mulher Samaritana, Nicodemos) e Proclamao s Massas. Os mtodos de evangelismo so imutveis. 
As tcnicas, estas sim, podem evoluir, serem substitudas, modificadas para se adaptar-se as necessidades.
Atualmente contamos com grande variedade de recursos tcnicos, que ajudam a divulgao do evangelho; ampliao sonora, projeo luminosa, gravao em discos, CDs, 
rdio, televiso, Internet e etc. Contudo seja qual for o recurso empregado como auxiliar na evangelizao, forosamente teremos de usar um dos dois mtodos de Jesus 
- ou ensinar individualmente ou Proclamar s Massas.
A Obra de evangelizao necessita de grandes e poderosos pregadores para as massas e de inumervel quantidade de pessoas treinadas para o ensino individual. 

A ORGANIZAO DA CAMPANHA DE EVANGELIZAO POR JESUS CRISTO

Jesus no podia deixar a evangelizao do mundo confiada  iniciativa pessoal e espontnea, resultante das emoes, por isso organizou o movimento de evangelizao. 
A evangelizao deve ser um movimento racionalmente organizado, para tal Jesus a organizou da seguinte maneira:

1. Chamada - O primeiro passo na organizao do evangelismo foi chamar discpulos (Mc 1.16-20; 2.13-17);
2. Instruo - Tendo escolhido os apstolos, Jesus passou a instru-los para o desempenho da misso que lhe daria;
3. Treinamento - Alm de instruir, Jesus proporcionou um treinamento eficaz, organizando campanhas de evangelizao (Mc 6.6-13; Lc 10.1-29);
4. Definio da Tarefa - Podemos notar que me ambas as tarefas Jesus especificou o local exato para que pudessem desenvolver o trabalho.

Cristo ofereceu-nos o perfeito exemplo de evangelista, cumpre-nos imit-lo, se quisermos ser testemunhas eficientes, Ele deu nfase  evangelizao pessoal, porm 
no descartou a evangelizao em massa,  necessrio que hoje haja um despertamento entre os crentes para ganhara almas para o reino de Jesus Cristo.

CARACTERSTICAS DO EVANGELISMO REGISTRADO NO LIVRO DE ATOS

Se quisermos melhorar nossas atividades evangelizadora teremos que analisar os mtodos utilizados pela Igreja Primitiva, e buscarmos coloc-los em prtica hoje. 
Eles sem os meios necessrios para evangelizar conseguiram levar a mensagem da salvao em todo o mundo habitado de sua poca.

1. O Evangelismo Primitivo era Intenso - Os discpulos testemunhavam todos os dias, no cessando de anunciar a Jesus Cristo (At 2.46,47; 5.42). Se estivermos todos 
empenhados em falar de Cristo todos os dias; se estivermos determinados a abrir novas frentes e organizarmos novas igrejas, os resultados de nosso trabalho sero 
multiplicados.
2. O Evangelismo Primitivo era Dinmico - Os discpulos no esperavam que os pecadores lhe viessem ao encontro, pelo contrrio, saam a procura deles, percorrendo 
ruas, vilas e cidades, ensinando e proclamando incessantemente o evangelho.
3. O Evangelismo Primitivo dava nfase ao Ensino - A Evangelizao atual com a tendncia de supervalorizao das concentraes, em detrimento da evangelizao pessoal, 
restando ao ensino quase exclusivamente o campo da educao religiosa para os j crentes. O ensino tendo por objetivo a evangelizao pode facilmente ser usado pelas 
igrejas, organizando classes especiais para interessados e visitantes.
4. O Evangelismo Primitivo era Ousado - Homens iletrados enfrentam sbios; pobres e humildes desafiaram ricos e poderosos, testemunhando de Cristo, mesmo quando 
a sombra das mais terrveis ameaas.
5. O Evangelismo Primitivo era culto - Assim como Deus usou a Pedro e outros incultos para darem testemunho da Palavra de Deus, tambm se utilizou de homens como 
Lucas, Mateus, Paulo e tantos outros, homens formados, que diante da alta sociedade dava grande testemunho e defesa a causa do Mestre.
6. O Evangelismo Primitivo era Impulsionado e Dirigido pelo Esprito Santo - Os primitivos discpulos viviam cheios do Esprito Santo, de alegria e gozo espiritual. 
Isso explica todas as demais caractersticas da evangelizao daqueles dias. (At 4.8,31; 5.17-41; 7.55).
Se colocarmos em prtica estes mtodos utilizado pela Igreja Primitiva, iremos logra xito, na evangelizao do mundo no qual vivemos.

A PESSOA DO EVANGELISTA

A responsabilidade de evangelizar no  somente dos ministros.  de todos os discpulos, h todavia, crentes que se limitam a cooperar com a obra de evangelizao 
freqentando os cultos contribuindo, pensando que desta forma esto fazendo o suficiente, porm se esquecem que a ordem de ganhar as almas foi para todos e  infinita 
at a volta de Jesus Cristo, at os confins da terra.

Como Deve ser a Pessoa do Evangelista ?

1. O Evangelista Deve ser um Verdadeiro Crente, Salvo por Jesus - Esse requisito  bvio, mas  necessrio lembr-lo. Infelizmente existe a possibilidade de pessoas 
tentarem evangelizar sem que, elas prprias tenham experincia de regenerao;
2. O Evangelista Deve ser Afvel e cheio de simpatia - O evangelista deve lembrar-se de que est tratando com enfermos, quando evangeliza, o pecado  enfermidade. 
Existem evangelistas que ao invs de tratar os pecadores com amor e carinhos os tratam com pedradas e desrespeito, desta forma ao invs de ganharem perdem.

O Que o Evangelista Deve Saber ?

1. O evangelista Deve Conhecer a Bblia -  necessrio que o evangelista possa ajudar o pecador a examinar a Palavra de Deus de modo a compreender o plano da Salvao, 
 preciso portanto, que os crentes que desejam, ganhar almas para Cristo estudem sistemtica, metdica e perseverantemente a Bblia.

2. O Evangelista Deve Conhecer a Vida dos Homens e suas Desculpas - via de regra, as pessoas que o crente procura evangelizar tenta escapar  responsabilidade de 
enfrentar o problema do pecado com desculpas, o evangelista no deve ser apanhado de surpresas por essas desculpadas,  preciso saber rebater cada uma delas com 
a Palavra de Deus.

3. O evangelista Deve Conhecer as Diversas Religies - O evangelista precisa estar preparado no s para enfrentar as desculpas, mas tambm os contra-ataques dos 
que tm convices em falsas religies.

O Que o Evangelista Deve Cultivar ?

1. O Evangelista Deve Cultivar a Orao Fervorosa - A Evangelizao  um combate espiritual contra as hostes das trevas, cuja vitria depende do poder do Esprito 
Santo. E a orao,  o meio pelo qual Deus outorga esse poder, no h evangelista bem sucedido que no seja dedicado  orao.

2. O evangelista Deve Cultivar a Leitura - O Evangelista deve estar sempre procurando aumentar seus conhecimentos pela leitura.

3. O Evangelista Deve Cultivar o Desejo de ver as Almas Salvas - O objetivo da evangelizao  ganhar almas para Cristo, enquanto o evangelista no estiver dominado 
pelo desejo de conquistar almas, no poder ser bem sucedido.

4. O Evangelista Deve Cultivar o Hbito de ir  Casa de Deus - Quem no ama a sua Igreja, no d valor aos cultos e no tem prazer em tomar parte em suas reunies 
jamais estar em condies de ganhar almas, estes so apenas alguns deveres dos evangelistas.

O Que o Evangelista no Deve Fazer ?

1. O Evangelista Nunca Deve dar nfase a Igreja e sim  Jesus - Entre o dilogo travado entre Jesus e a mulher Samaritana, vemos um exemplo claro de que a nfase 
do ganhador de almas deve ser dada ao Senhor Jesus e nunca a Igreja, ou a uma religio, ou a um lugar (Jo 4.20-29; At 4.12).

2. Nunca Discutir - E ao servo do Senhor no convm contender (II Tm 2.24,25).
Existem muitas outras atitudes que no so corretas  um evangelistas porm se ele tem xito nestes dois pontos estar realizando um bom trabalho. 

TRAANDO UMA ESTRAGGIA DE EVANGELISMO

Todo trabalho para se obter xito se faz necessrio que se tenha uma estratgia de ao. Este tipo de assunto  bastante utilizado pelas grandes empresas que desenvolvem 
seus planos de trabalho anual ou mensal. 

Para que Ter uma estratgia ? Ser que isto  bom ? Traar ou ter uma estratgia nada mais  que realizar o que Jesus realizou , Ele tinha um alvo a alcanar e para 
chegar a este alvo Ele usou de estratgias de trabalho., Ele prprio nos ensinou a traar nossos objetivos para se analisar se os recursos so suficientes. (Lc 14.28-33).

A estratgia no anula a direo que recebemos do Esprito Santo, a estratgia apenas pe em prtica a ordem que dEle recebemos.
O Apostolo Paulo utilizou de estratgia para ganhar almas para o reino de Cristo, ele mesmo escrevendo disse que quando estava evangelizando os judeus guardava a 
lei judaica, mas relaxava quando este evangelizava os gentios que no estavam debaixo da lei (I Co 9.22; I Co 9.19).

Ter uma estratgia de trabalho no  coisa da inveno do homem, Ter uma estratgia  at mesmo recomendada pela Bblia, vejamos o que diz:

Pv 16.9 "Devemos fazer nossos planos, confiando na direo que Deus nos d"
Pv 18.15 "O homem inteligente sempre est pronto para considerar novas idias."

Desta forma notamos que a estratgia tem respaldo Bblico, basta apenas que ns venhamos a aceitar e pratica-la.

VANTAGENS EM SE TER UMA ESTRATGIA

Se aceitarmos o padro Bblico iremos descobrir que existe uma srie de vantagens em se traar uma estratgia de trabalho:

1. Aumenta a nosso eficincia - em qualquer coisa que fazemos  necessrio gastar tempo, energia e dinheiro. A estratgia no apenas no ajuda a decidir o que fazer, 
mas tambm nos ajuda a decidir o que no fazer, e isto  igualmente importante. Um grande nmero de recursos dados por Deus so desperdiados porque lderes cristos 
esto concentrando-se nas coisas menos importantes.

2. Ajuda a medir a eficcia - Uma tarefa  eficaz quando ela atinge seus objetivos. O planejamento estratgico requer que os alvos sejam expressos de forma clara, 
isto nos capacita a medir o progresso e saber quando o que foi projetado a fazer no esta ocorrendo bem.

3. Permite Correo no meio do Caminho - Se uma estratgia bem planejada ir prever diversos pontos de averiguao onde ns verificamos a metodologia que estamos 
usando, se o que estamos fazendo no est funcionando bem, quando mais cedo ns descobrimos melhor.

4. Une a Equipe - Muito freqentemente as estratgia para evangelismo e misso envolve a participao de mais de uma pessoa, se faz necessrio a criao de uma equipe, 
quando a estratgia  adequadamente planejada, cada membro desta equipe entender a contribuio que se espera dele, cada membro do grupo saber sua tarefa e desta 
forma podero cumprir com os objetivos de todo o grupo.

5. Permiti uma responsabilidade natural - Muito do que  feito para a obra de Deus  voluntrio, quando as pessoas no esto sendo pagas pelo que esto fazendo corrigi-las 
no  fcil, uma estratgia claramente preparada evita estas dificuldades porque a estratgia  como um contrato que une as pessoas que estaro realizando tal trabalho.
6. Ajuda Outros - Embora as estratgias sempre precisem ser adaptadas a cada situao, quando uma certa estratgia  bem sucedida, ela se torna um modelo, outros 
que desejem realizar tarefas iguais, podem aprender muito de uma boa estratgia e orientar-se por ela.

Desta forma notamos a importncia em se Ter uma estratgia de trabalho bem elaborada e definida, esperamos em Deus, que os queridos irmos possam usar este mtodo 
para melhorar o seu desempenho em ganhar almas para o reino de Deus.

CRUZADA EVANGELSTICA

A importncia da Orao.

Para xito real numa campanha evangelstica, a orao intercessria deve comear meses antes. Grupos de orao, viglias, jejuns e muita orao, e sem dvida os 
resultados aparecero.
Planejamento e Finanas
Planejar local, pregador, cantor, hospedagem para pregador e equipe, som, iluminao, devem ser providenciados com muita antecedncia. Alm do mais, h necessidade 
de uma comisso de finanas para cuidar dos custos e dos gastos da Cruzada.

Publicidade

Os planos de publicidade de uma Cruzada devem ser feitos com muitos meses de antecedncia.

Msica

A Msica tem papel muito importante numa Cruzada. Meses de ensaio para bandas, conjuntos, orquestras e corais, para que se apresentem muito bem.

Literatura e Treinamento de Pessoal

A comisso de literatura  de grande utilidade. O diretor desta comisso, em consulta com o Pastor, deve cuidar da literatura a ser distribuda antes, durante, e 
depois da Cruzada. O treinamento de cooperadores para trabalhar na Cruzada  de mxima importncia. Conselheiros e acomodadores, para ajudar na manuteno de ordem 
e cuidar dos novos-convertidos, precisam de treinamento especial para que cumpram bem suas responsabilidades.

Comeada a Cruzada a Campanha de Orao no pode parar as reunies de orao devem prosseguir pela manh, nos templos.

A Publicidade chega ao seu auge durante a Cruzada

Entrevistas ao vivo pela rdio e televiso despertam a ateno da populao para a Cruzada. Um testemunho notvel de cura ou converso pode ser publicado no jornal 
local. Visita de casa em casa deixando um convite impresso para cada famlia, um telefonema convidando a redondeza, etc.

A Pregao

A pregao deve consistir da mensagem direta e simples da salvao de modo que o pecador possa entend-la.

O Apelo

Durante o apelo, os obreiros da plataforma devem estar em seus postos. Muitos pecadores vo  frente sem um crente se oferecer para acompanh-los at ao altar. Por 
outro lado, esses obreiros da plataforma no devem ser demasiadamente insistentes e indelicados.

O Trabalho aps a Cruzada no pra

 a que precisa entrar em ao uma campanha intensa de visitao e os cuidados necessrios para com os novos decididos. Se no houver este acompanhamento todo o 
trabalho ser em vo mesmo que tenha havido uma boa pescaria.

CONCLUSO

Todo o evangelho a todo o mundo nesta gerao! Isto demanda a mobilizao e treinamento de toda a Igreja; exige orao e submisso ao Esprito Santo. Depois ele 
far, por nosso intermdio, o que jamais poderamos fazer sozinhos.
Evangelizar o mundo em nossa gerao: cada gerao de cristo tem esta dvida para com seu prprio tempo. Podemos consegui-lo se permitirmos que Deus opere por nosso 
intermdio em um ciclo perptuo de evangelizao.

"Tua Incumbncia nica Sobre a Terra  Ganhar Almas."

Referncias Bibliogrficas 
1. BCEGO, Valdir Nunes - Manual de Evangelismo, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assemblias de Deus, 1999.
2. LIMA, Delcyr de Souza - Doutrina e Prtica da Evangelizao, Rio de Janeiro.
3. WAGNER, Peter - Estratgias Para o Crescimento da Igreja, Editora Sepal, Julho/1995 - So Paulo/SP
4. ELISANGELA, IDACI - Dinamismo no Evangelismo Atual - Semadeal -Fevereiro/2001 - Macei/AL

Parte XXVII
IGREJA: RETOMADA DO PROJETO DE DEUS 
 
Neste texto, penso que Paulo, alm de descrever o processo da formao da Igreja, fala do projeto que Jesus retoma para a Trindade. 

(EFSIOS Cap: 2) 

[11] Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vs, gentios na carne, chamados incircunciso por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mos humanas, 

O apstolo comea a conversa lembrando aos efsios o seu passado espiritual: eram incircuncisos, isto , no tinham pacto com Deus. 
Paulo falava do pacto celebrado entre Deus e Abrao: (GNESIS Cap: 17)
[1] Quando atingiu Abro a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presena e s perfeito. 
[2] Farei uma aliana entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. 
[3] Prostrou-se Abro, rosto em terra, e Deus lhe falou: 
[4] Quanto a mim, ser contigo a minha aliana; sers pai de numerosas naes. 
[5] Abro j no ser o teu nome, e sim Abrao; porque por pai de numerosas naes te constitu. 
[6] Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti farei naes, e reis procedero de ti. 
[7] Estabelecerei a minha aliana entre mim e ti e a tua descendncia no decurso das suas geraes, aliana perptua, para ser o teu Deus e da tua descendncia. 
[8] Dar-te-ei e  tua descendncia a terra das tuas peregrinaes, toda a terra de Cana, em possesso perptua, e serei o seu Deus. 
[9] Disse mais Deus a Abrao: Guardars a minha aliana, tu e a tua descendncia no decurso das suas geraes. 
[10] Esta  a minha aliana, que guardareis entre mim e vs e a tua descendncia: todo macho entre vs ser circuncidado. 
[11] Circuncidareis a carne do vosso prepcio; ser isso por sinal de aliana entre mim e vs. 
[12] O que tem oito dias ser circuncidado entre vs, todo macho nas vossas geraes, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que 
no for da tua estirpe. 
[13] Com efeito, ser circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliana estar na vossa carne e ser aliana perptua. 
[14] O incircunciso, que no for circuncidado na carne do prepcio, essa vida ser eliminada do seu povo; quebrou a minha aliana. 

A circunciso  anterior  lei,  a marca que denota que o homem em questo, o que, no caso, incluia sua descendncia,  um dos escolhidos de Deus, que entre eles 
h um pacto. Deus  dele e ele  de Deus (v 7).

Entretanto, Paulo, adverte que essa circunciso, de que tanto os circuncisos se orgulham, a ponto de estigmatizar os que no o so,  feita por mos humanas. A impresso 
 a de que o apstolo chama ateno para um elo fraco da corrente:  feito por homens, logo  externa e imperfeita. 

Contudo,  aliana. 

[12] naquele tempo, estveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos s alianas da promessa, no tendo esperana e sem Deus no mundo. 

Algum efsio poderia perguntar: "e da que eu no sou circuncidado, que no fao parte desse pacto?" Esta  a resposta de Paulo: estar fora do pacto  estar sem 
sada existencial. Literalmente perdido. No adiantava o efsio tentar seguir a lei moral, ele no passara pela circunciso (que era uma ordenana); no pertencia 
ao povo para quem valia a pena cumprir a lei, por causa do pacto que havia celebrado com Deus. No bastava converter-se ao Deus dos judeus, era necessrio tornar-se 
judeu. 

[13] Mas, agora, em Cristo Jesus, vs, que antes estveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo. 

O sangue de Jesus quebrou a lgica angustiante da circunciso; aproximou os efsios e todos os no judeus que crerem em Jesus, de Deus e de suas promessas. Isto 
quer dizer que j no estamos mais separados da comunidade de Israel, uma vez que fomos aproximados ao mesmo Deus e s mesmas possibilidades.

[14] Porque ele  a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separao que estava no meio, a inimizade, 

E mais: em relao a Deus no h mais privilegiados, somos um povo s. A inimizade, constituda pelos privilgios de um frente ao infortnio do outro, foi derrubada. 
Estamos nas mesmas condies, h paz. 

[15] aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanas, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, 

Por isso o sangue de Jesus nos aproximou: ao morrer sem pecado, Jesus, o representante da raa humana, satisfez a justia divina, isto , pagou pelo nosso crime; 
tornando-se, portanto, nica porta de entrada para o pacto com Deus. Quem entra por essa porta recebe a verdadeira circunciso, que o torna, de fato, membro do povo 
de Deus: CL 2:11 - Nele, tambm fostes circuncidados, no por intermdio de mos, mas no despojamento do corpo da carne, que  a circunciso de Cristo 

Alm do mais, muitas das ordenanas tipificavam o prprio Cristo: CL 2:16,17 - Ningum, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, 
ou sbados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porm o corpo  de Cristo. 

A sombra que esses vestbulos (as ordenanas) para o pacto eram, foi projetada a partir do corpo de Cristo, com a chegada de Jesus fomos libertos da caverna (Plato 
dizia que estvamos todos presos numa caverna, de costas para a entrada, s vamos as sombras do mundo real, o mundo das idias). 

Jesus fez isto com um objetivo: criar um novo homem. Segundo Francis Foulkes (Efsios: introduo e comentrio; srie cultura crist - Eds. Mundo Cristo e Vida 
Nova) a idia presente aqui  a de, dos dois, criar uma coisa nica - muito mais profunda que a idia de um nico povo.
 um conceito de unidade absoluta. 

Penso que isso nos remete  questo do significado desse novo homem. Parece claro que no se trata de fazer de todos os cristos uma nica pessoa, pois, nem Deus 
 uma pessoa s. Tambm, no se reduz ao fato de cada seguidor de Cristo ser uma nova criatura, como deixou claro a colocao de Francis Foulkes. 

William Barclay, citado por Foulkes, diz que  um novo tipo de criao. No seria, entretanto, uma retomada da criao? 

Voltemos ao incio.

GN 1:26, 27- Tambm disse Deus: Faamos o homem  nossa imagem, conforme a nossa semelhana; (...) Criou Deus, pois, o homem  sua imagem,  imagem de Deus o criou; 

Esse texto marca uma mudana de ritmo e de forma na criao: at ento Deus falava e tudo vinha  existncia, na criao do homem temos, antecedendo-a, uma declarao 
de inteno e uma descrio.
Faamos o homem... 

A teologia crist entende que essa afirmao nos apresenta a Trindade, doutrina que afirma haver um s Deus em trs Pessoas: Pai, Filho e Esprito Santo, como declara 
G. W. Bromiley1 

Gosto de pensar nesse texto como uma declarao de inteno,  como se fosse o resultado de uma conferncia entre as trs Pessoas. 

Faamos o homem  nossa imagem, conforme a nossa semelhana; 

Eis a descrio do projeto: o homem seria  imagem e semelhana de Deus, a Trindade. 

O que significaria isto? 

Segundo Derek Kidner2, para alguns telogos "imagem  a indelvel constituio do homem como ser racional e como ser moralmente responsvel, e a semelhana  aquela 
harmonia com a vontade de Deus, perdida com a queda". Ele, porm, diz que no h, no original, a partcula aditiva "e", de modo que os termos se reforam (a palavra, 
ento, seria imagem-semelhana). A imagem seria "expresso ou transcrio do Criador eterno e incorpreo em termos de uma existncia temporal, corprea e prpria 
de uma criatura - como se poderia tentar a transcrio, digamos, de um poema pico numa escultura, ou de uma sinfonia num soneto." O que, segundo Kidner , perdemos 
dessa imagem-semelhana, na queda, foi o amor, que recuperaremos quando for retomada nossa plena comunho com o Senhor. 

Algo, entretanto, penso que precisa ser considerado: se ser moralmente responsvel e racional  ser imagem de Deus, ento os anjos tambm no o seriam? 

Ora, se Deus no poupou anjos quando pecaram (2 Pe 2:4) 

Como os anjos poderiam pecar se no fossem moralmente livres; uma vez que pecar (pelo menos no ato primeiro) exige capacidade de escolha? 

...reservando-os para juzo; (2 Pe 2:4) 

Como qualquer ser pode ser julgado, se no for moralmente responsvel? 

Alm do que, parece no haver dvidas de que os anjos, tambm, so racionais, seno estariam impossibilitados de comunicar-se e de arrazoar conosco, como fizeram, 
por exemplo, com L (Gn 19:10-22). 

Se ser imagem-semelhana  ser transcrio do eterno em termos de existncia temporais, os anjos, tambm, esto includos, pois, so criaturas e esto no tempo, 
pois, tiveram comeo, ainda que o tempo, talvez, no lhes faa diferena. E, em ambos os casos, os anjos fiis no perderam nada de sua criao original. 

Entretanto, somente do homem  dito que foi criado  imagem e semelhana de Deus. 

Gosto de pensar que esta imagem-semelhana inclui, alm do j citado, algo que s  comum a Deus e a ns: a unidade. 

"A ltima palavra hebraica da Shema (Dt 6.4,5)  echad, um substantivo coletivo, em outras palavras, um substantivo que demonstra unidade, ao mesmo tempo que se 
trata de uma unidade que contm vrias entidades. Poderamos citar um bom nmero de exemplos.(...) Em Nm 13.23 os espias pararam em Escol, onde 'cortaram um ramo 
de vide com um cacho de uvas'. A palavra que aqui aparece com 'um', em 'um cacho', novamente  echad, no hebraico. Mas, como  evidente, esse nico cacho de uvas 
consistia em muitas uvas."
Stanley Rosenthal3 

E criou Deus o homem  sua imagem;  imagem de Deus os criou; macho e fmea os criou. Gn 1.27 (RC). 

Seriam, realmente, duas criaes? 

Ento, formou o SENHOR Deus ao homem do p da terra e lhe soprou nas narinas o flego de vida, e o homem passou a ser alma vivente. (Gn 2:7)
Ento, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o SENHOR Deus 
tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. (Gn 2:21,22) 

Macho e fmea parecem ser uma criao s, pois, o barro e o sopro (que d vida ao ser humano) s aparecem uma vez. O segundo ser no  uma segunda criao,  uma 
duplicao. Sendo que, no segundo ser, Deus fez desabrochar caractersticas que no fizera desabrochar no primeiro. 

Este  o livro da genealogia de Ado. No dia em que Deus criou o homem,  semelhana de Deus o fez; homem e mulher os criou, e os abenoou, e lhes chamou pelo nome 
de Ado, no dia em que foram criados. (Gn 5:1,2) 

Duas pessoas, um s nome. De fato, a mulher s ganhou o nome de Eva depois da queda: E deu o homem o nome de Eva a sua mulher, por ser a me de todos os seres humanos 
(Gn 3:20). E por que? Penso que s aps a queda o macho teve autoridade para tal: e  mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio 
de dores dars  luz filhos; o teu desejo ser para o teu marido, e ele te governar (Gn 3:16). Se Deus condenou a mulher a essa condio subserviente ao homem como 
consequncia da queda,  de se supor que antes no era assim, isto , a relao entre ambos no era de autoridade; era, quero crer, de unidade. 

O homem  imagem e semelhana de Deus, sugiro,  um ser coletivo. Quando Deus chamava: Ado! Macho e fmea se voltavam para falar com Ele. 
"Em Gn 2.24, Deus (...) instruiu marido e mulher a tornarem-se 'os dois uma s carne', indicando que aquelas duas pessoas unir-se iam, formando perfeita e harmnica 
unidade. Em tal caso, novamente a palavra hebraica  echad."
Stanley Rosenthal4 

Se Deus  uma famlia, que criatura poderia expressar sua imagem-semelhana seno se constitusse, tambm, numa famlia? 

Se Deus  uma unidade-comunho como uma criatura que no se constitusse noutra unidade-comunho poderia ser chamado de sua imagem-semelhana? 

Me parece que o projeto divino passava estritamente pela unidade: criou um casal apenas, logo, uma s famlia; criou-os tendo a si como modelo: o que caracteriza 
a trindade  o amor, vnculo da perfeio, isto , que une perfeitamente; logo, criou-os para, a exemplo da trindade, amarem-se com esse amor que unifica. Criou-os 
para viverem em unidade. Criou-os como unidade. Se no tivssemos cado, seramos bilhes, talvez, entretanto,  semelhana da trindade, nos amaramos tanto que, 
apesar de muitos, seramos um s homem: o homem  imagem e semelhana de Deus. 

O homem  imagem e semelhana de Deus  unitrio-coletivo. 

A queda foi marcada pela quebra de unidade entre o homem e Deus; entre o macho e a fmea. 

Ainda que a graa comum tenha nos mantido em condies de experimentarmos, de modo extremamente rarefeito, a unidade; o que perdemos  inapreensvel para ns. 

para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, 

Esse, penso eu,  o projeto de Jesus, a retomada do homem  imagem e semelhana de Deus; o homem-comunho que, guardadas as devidas propores, expressa o que a 
Trindade . 

No seria uma nova criao, pois, para admitir isso teramos de considerar que a primeira continha uma falha. Creio, de fato, tratar-se da retomada do projeto do 
Gnesis; como disse Jesus: LC 19:10 - Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. (ed. revista e corrigida) 

Segundo vejo, a Igreja , por definio, este novo homem. Por esse novo homem Jesus se sacrificou.
Se esse  o destino da Igreja, este deve ser o moto de seu dia a dia. 

[16] e reconciliasse ambos em um s corpo com Deus, por intermdio da cruz, destruindo por ela a inimizade. 

Esse novo homem  mais que comunho,  um organismo vivo (tem funcionalidade). O papel da Igreja, enquanto corpo,  fornecer a possibilidade da expresso (como o 
corpo humano  em relao a alma) e exprimir por meio da ao (corpo inerte no exprime). Tem de ser saudvel, de estar em forma. 

[17] E, vindo, evangelizou paz a vs outros que estveis longe e paz tambm aos que estavam perto; 

A paz  o princpio da unidade: paz com Deus; paz consigo mesmo; paz com o prximo. Interessante pensar que evangelizar  chamar  paz. Uma outra forma, portanto, 
de definir pecado  estado de guerra consigo mesmo, e/ou com Deus, e/ou com o prximo, e/ou com a natureza. 

No seria essa a melhor forma de diagnosticar o que est acontecendo na sociedade? No estariam todos os relacionamentos marcados por alguma forma de violncia? 

Paz ,penso, entre outras coisas,  uma aceitao geral: aceitamos as demandas de Deus; aceitamos o que somos e as mudanas que precisamos sofrer; aceitamos o prximo; 
aceitamos a natureza. 

Gosto da idia de que aceitar  admitir e compartilhar espaos. 

Sem paz, isto , sem que nos aceitemos mutuamente, o novo homem no pode ser vivido. 

[18] porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Esprito. 

Todo mundo pode ir ao Pai, Jesus Cristo  a estrada e o Esprito Santo  o nibus que nos leva. Todos estamos dentro desse nibus (fomos batizados, mergulhados nele 
- 1Co 12.13). Certamente  por isso que cada um de ns chega  presena do Pai e tem de dizer: "Pai nosso". A gente est na presena do Pai, mas, no est sozinho, 
todos os irmos foram junto. 

 o novo homem que vai  presena do Pai. 

[19] Assim, j no sois estrangeiros e peregrinos, mas concidados dos santos, e sois da famlia de Deus, 

Somos da mesma nao; estamos no mesmo lugar, um lugar de todos ns; temos o mesmo nome e o mesmo pai. Somos irmos. 

[20] edificados sobre o fundamento dos apstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; 

Cremos na mesma coisa (seno, no estaramos na Igreja) apesar de insistirmos nas diferenas. Estamos, enquanto pedras vivas (1 Pe 2.5), assentados sobre o mesmo 
alicerce. 

[21] no qual todo o edifcio, bem ajustado, cresce para santurio dedicado ao Senhor, 

Propsito 1: serrnos o lugar onde Deus  adorado perfeitamente (1PE 2:5 - tambm vs mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdcio 
santo, a fim de oferecerdes sacrifcios espirituais agradveis a Deus por intermdio de Jesus Cristo.) 

A Igreja, para ser santurio, tem de crescer em Cristo, para crescer em Cristo tem ter unidade (bem ajustado - formando uma parede s), Jesus  o alicerce e o construtor 
que ajusta cada pedra e material: (EF 3:18,19 - a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual  a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade 
e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.) 

 na realidade do novo homem que Deus  adorado como quer e deve ser. 

[22] no qual tambm vs juntamente estais sendo edificados para habitao de Deus no Esprito. 

Em Jesus estamos sendo tornados um, para que Deus possa ter sua morada; apesar da boa vontade de Davi e de Salomo, um Deus vivo tem de morar numa casa viva. 

Edificar  tornar um (vrios materiais, uma s casa). 

Deus nos criou como unidade para que o expressssemos. Perdemos isso, ainda que a graa comum o tenha mantido em parte. 

Jesus Cristo retoma o projeto do gnesis: cria o novo homem. 

O novo homem retoma o seu destino: (AP 21:3 - Ento, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernculo de Deus com os homens. Deus habitar com eles. Eles 
sero povos de Deus, e Deus mesmo estar com eles.) ser a morada de Deus - a Trindade. 

Penso que esse  o desafio dado a cada igreja local: alcanar essa unidade. 

Isso implica em que o primeiro projeto para a igreja local deveria ser um projeto de comunho e, consequentemente, de pastoreio. 

1 in artigo Trindade, in Enciclopdia Histrico-Teolgica da Igreja Crist - v.3 - W..A. Elwell - editor - ed. Vida Nova
2 Gnesis - introduo e comentrio - srie cultura bblica - Derek Kidner - eds Mundo Cristo/Vida Nova
3 A Tri-unidade de Deus Velho Testamento - Stanley Rosentahl - Fiel
4 A Tri-unidade de Deus no Velho Testamento - Stanley Rosenthal - Fiel

Parte XXVIII
MRTIRES CRISTOS 
 
De acordo com o Dicionrio Aurlio, Mrtir : "Pessoa que sofreu tormentos, torturas ou a morte por sustentar a f Crist", no passado da Igreja, logo em seu primeiro 
sculo, muitos foram aqueles que morreram em favor do evangelho, o mesmo evangelho que hoje em dia ns temos a liberdade de defender. 

Muitos foram os Mrtires Cristos, mas fizemos uma coletnia dos mais famosos e armazenamos a maior quantidade de informaes possveis neste estudo. 

Nem todos os mrtires do cristianismo viveram junto com Cristo, os que isso fizeram eram os apstolos; tambm fizemos um breve esquema para que se tenha uma idia 
de quem eram os Apstolos de Cristo. 

Clique nos nome dos mrtires que esto sublinhados para ver uma breve biografia sobre os mesmos.
(Setor Personagens Bblicos). 

Os Mrtires Apstolos

Pedro - Tiago (o grande) - Joo

Faziam parte do crculo ntimo de Cristo, pois tinham privilgios especiais:

"Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a Joo, irmo deste, e os conduziu  parte a um alto monte;" (Mt. 17:1) "E levando consigo Pedro e os dois 
filhos de Zebedeu, comeou a entristecer-se e a angustiar-se." 
(Mt. 26:37) 

"E no permitiu que ningum o acompanhasse, seno Pedro, Tiago, e Joo, irmo de Tiago." (Mc.5:37) 

Os Trabalhadores Silenciosos

Andr - Felipe - Bartolomeu - Tom - Mateus

Os Pouco Conhecidos

Tiago (o pequeno) - Judas Tadeu - Simo

O Traidor

Judas Iscariotes
Foi substitudo por Matias aps ter trado o Senhor e ter se matatado:

16 - Irmos, convinha que se cumprisse a escritura que o Esprito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus; 
17 - pois ele era contado entre ns e teve parte neste ministrio. 
18 - (Ora, ele adquiriu um campo com o salrio da sua iniquidade; e precipitando-se, caiu prostrado e arrebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. 
19 - E tornou-se isto conhecido de todos os habitantes de Jerusalm; de maneira que na prpria lngua deles esse campo se chama Acldama, isto , Campo de Sangue.) 
20 - Porquanto no livro dos Salmos est escrito: Fique deserta a sua habitao, e no haja quem nela habite; e: Tome outro o seu ministrio. 
21 -  necessrio, pois, que dos vares que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus andou entre ns, 
22 - comeando desde o batismo de Joo at o dia em que dentre ns foi levado para cima, um deles se torne testemunha conosco da sua ressurreio. 
23 - E apresentaram dois: Jos, chamado Barsabs, que tinha por sobrenome o Justo, e Matias. 
24 - E orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces os coraes de todos, mostra qual destes dois tens escolhido 
25 - para tomar o lugar neste ministrio e apostolado, do qual Judas se desviou para ir ao seu prprio lugar. 
26 - Ento deitaram sortes a respeito deles e caiu a sorte sobre Matias, e por voto comum foi ele contado com os onze apstolos. Atos 1:16-26

Convertidos a Apstolos depois da ascenso de Jesus

Matias - Paulo

Outros Mrtires Cristos

Marcos - Lucas - Barnab - Estevo

Mrtires que viveram ainda com os ltimos apstolos

Policarpo - Incio - Papias

Mrtires Aps a poca dos Apstolos

Jorge - Cosme e Damio - Orgenes - Sebastio

Fontes de Pesquisa:
- Dicionrio Aurlio 
- Bblia Thompson 
- Manual Bblico Halley 
- The Grolier Multimedia Encyclopedia, 1997 
- Barsa Enciclopdia, 1974 
- Centro de Pesquisas Religiosas 
- Encyclopdia Universal Ilustrada Europeu-Americana, pp. 1262 - 1265. 
- Encyclopdia e Dicionrio Internacional, p. 10486. 

Colaboradores:
- Vernica 
- Carlos Magno 
- Iranilde Campos

Parte XXIX
MORDOMIA DO DZIMO 
 
Introduo (1)
O dzimo  o mtodo de Deus para abenoar seus filhos na vida material, como os tm abenoado, pela f, na vida espiritual.

Crer ou no crer na Palavra de Deus  crer ou no crer no prprio Deus. A pessoa que diz crer em Deus e no entrega seus dzimos est negando, na prtica, a f que 
diz ter no corao. Ns somos salvos pela f, no pelas obras, mas a f que no se transforma em atos de obedincia no  a f vlida para a salvao. Alm de ser 
uma prova de f, o dzimo  tambm uma demonstrao de amor a Deus. Amor que nos identifica com o carter e os propsitos do Senhor e que nos leva a adora-lo com 
atos objetivos, e no apenas com palavras.

O dzimo  tambm uma prova de santificao da vida ao Senhor.  como o cordeiro do holocausto no altar da consagrao. Um cordeiro santificado no altar santifica 
todo o rebanho. Cada real que voc santifica para Deus significa que os outros nove reais tambm so santos ao Senhor. 

Dzimo no  tributo. O imposto  compulsrio. Quem no paga  autuado. Dzimo  compromisso que pauta a partir do voluntariado consciente, Gnesis 14.20 e 28.22. 
 o reconhecimento de que, no apenas o dzimo, mas a totalidade dos bens e do ser pertencem ao Senhor.

1. Conceito e origem da mordomia do dzimo (2) 

A mordomia do dzimo  o perfeito uso do dinheiro que pertence a Deus por direito de criador e sustentador de todas as coisas que compem o universo, onde Deus colocou 
o homem para cultiv-lo com inteligncia, habilidade e fidelidade. A mordomia do dzimo envolve, portanto, tanto  fidelidade na entrega do que pertence a Deus como 
na habilidade na aplicao ou gasto deste dinheiro consagrado. No  difcil entender que o dzimo s deve ser usado em coisas consagradas e para a glorificao 
do de Deus, preservando-se o que se denomina de fidelidade de propsito, Salmo 24.1-10.

O dzimo tem sua origem na economia divina ao preparar o projeto de criao do mundo. Deus no resolve nada em seus planos de ltima hora, porque cremos que nos 
propsitos de Deus no h variantes que no foram previstas com milhares de anos de antecedncia. O dzimo faz parte do planejamento de sustento da sua grandiosa 
obra de redeno do mundo.

Sua aplicao aparece em toda a Bblia na medida em que o homem  chamado a assumir seu dever de entregar ao Senhor os dez por cento de sua renda para que Deus possa 
realizar tambm seus planos espirituais para o mundo. O dzimo no  uma inveno do homem para sustentar a religio, mas uma exigncia de Deus para sustentar espiritualmente 
o homem, Levtico 27.30-32, Nmeros 18.21 e 24, 2 Crnicas 31.4-12.

2. Natureza e finalidade da mordomia do dzimo (3)

Enquanto clculo matemtico de 10% de uma quantia  isto e nada mais. No pode ser menos como alguns gostariam e no pode ser mais porque  inaltervel no tempo 
e no espao. 10% de uma determinada quantia de dinheiro ou do peso de um corpo qualquer ser sempre 10%.

Enquanto dinheiro separado para Deus, o dzimo sofre uma certa fora carismtica, visto que o Senhor de todas as coisas promete bnos especiais aos fiis dizimistas 
conforme o Texto Sagrado, Malaquia 3.10-12.

Os dizimistas fiis sabem o quanto  bom confiar em Deus e praticar esta doutrina bblica to negligenciada por muitos servos. O desafio  aprendermos a dependncia 
da graa sustentadora do Senhor e no essencialmente dos recursos financeiros.

A mordomia do dzimo pode e pretende conscientizar os crentes do valor e importncia prtica fiel e constante do dzimo para o reino de Deus. A participao dos 
crentes no sustento dirio da causa de Deus envolve todos os fiis de todos os tempos e lugares.

Aumentar a confiana dos crentes no poder e na providncia de Deus conforme a Bblia tem nos ensinado  a finalidade da mordomia do dzimo. O poder sustentador de 
Deus tem-se manifestado por meio da confiana daqueles que fielmente dizimam em amor de suas rendas para o Senhor.

3. Como devemos dizimar (4)

 dever de todo cristo dizimar  luz de Malaquias 3:10 onde Deus nos ordena dizendo: "Trazei todos os dzimos  casa do tesouro, para que haja mantimento na minha 
casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exrcitos, se eu no vos abrir as janelas do cu, e no derramar sobre vs uma bno tal, que dele vos advenha 
a maior abastana".

Se  uma ordem, s posso obedec-la trazendo o dzimo inteiro, no a metade ou apenas uma parte. Meia obedincia  igual  desobedincia total. Foi o caso de Ananias 
e Safira que no queriam ser completamente desobedientes, mas terminaram sendo os exemplos de deslealdade em matria de contribuio, Atos 5. 1-11.

Todo o cristo sincero deveria ter verdadeira alegria ao contribuir para o sustento do Reino de Deus. Esta atitude  a normal e correta, mas em se tratando de uma 
ordem, mesmo que no seja com muita alegria, vale a pena cumpri-la para o nosso prprio bem. Como algum afirmou, o crente deve comear a dizimar ainda que sem muito 
entusiasmo porque  to bom contribuir que comeando por obrigao terminar por alegria e consagrao. 

Deve-se ter a preocupao de se contribuir com regularidade efetiva. Muitos contribuem com tanta irregularidade que o dinheiro chega a perder o valor. So aqueles 
que do de quando em vez e no podem ser conhecidos como dizimistas porque tm renda todo ms, embora contribuam eventualmente.

Supostamente baseados nos ensinamentos de Paulo, 2 Corntios 9.7, alguns dizem que devem contribuir segundo props no corao e assim o fazem. Esto errados quanto 
 interpretao do Texto Bblico que neste caso, trata de ofertas aladas para obras sociais, no do dzimo. O crente pode usar a medida do corao, porm, quando 
se trata de dzimo, Deus j determinou 10% e isso  inegocivel. 

Verificamos ainda, em Malaquias 3.8, que o crente s pode ser ofertante depois de ser dizimista. O povo de Israel roubava a Deus nos dzimos e nas ofertas aladas. 
 uma questo lgica, o que  de Deus  o dzimo e no podemos ofertar ao Senhor usando o que pertence a ele.

Quem poder ser bom mordomo deixando de fazer o que Deus ordenou? Certamente o servo fiel  mais agradvel ao seu Senhor. Por muitos sculos Deus tem comprovado 
sua fidelidade para com os homens que lhe obedeceram com amor e dedicao. 

Vale ressaltar que o dzimo deve ser entregue do valor bruto dos nossos rendimentos. Os descontos previdencirios e os impostos que nos so deduzidos em folha de 
pagamento ou em carns, so para nosso benefcio e so tambm um compromisso espiritual, Mateus 22.21. Deus no deve pagar nosso impostos ou taxas previdencirias. 
Entregar ao Senhor o dzimo do valor lquido no  fidelidade integral. O problema  que no existe fidelidade parcial.

4. A quem entregar os dzimos? (5)

O texto de Malaquias  muito claro. O dzimo deve ser entregue na Casa do Tesouro, isto , na igreja de Jesus Cristo em ato de adorao e culto solene.

Fala-se em cristos que do o seu dzimo parte em casas filantrpicas e parte na igreja. Este no  o mtodo bblico que manda trazer todo dzimo a Casa do Tesouro 
e consequentemente o dzimo todo para a administrao da igreja. O crente no deve fazer as coisas conforme sua convenincia somente, mas de acordo com a conscincia 
de Deus refletida nos ensinos da Bblia, a sua Palavra Santa e Infalvel.

Como agncia do Reino de Deus a igreja est credenciada para gerenciar os seus negcios do Rei quer sejam especificamente espirituais ou materiais. Se houver falha 
na mordomia da administrao do dzimo por parte da igreja, o membro tem direito de questionar e at de orientar a correo, mas nunca de tomar atitudes pessoais 
para as quais no foi credenciado por Deus.  pecado, conforme o preceito bblico, o cristo arrogar-se o direito de aplicao e administrao do seu prprio dzimo.

Concluso (6)

Ns, os cristos evanglicos, nos orgulhamos em afirmar que a Bblia  o nosso nico livro de f, prtica e conduta. Muito bem, se assim , ento por que no pomos 
em prtica a doutrina do dzimo como a Bblia ensina? 

No Novo Testamento, 90 (noventa) passagens falam sobre dinheiro. O batismo  mencionado 17 vezes. A igreja aparece em 21 versculos. Inferno, 11 vezes. O hades, 
4 vezes. O arrependimento, 21 vezes. A vida eterna, 47 vezes. Eleio, 7 vezes. Pecado e pecadores, 72 vezes. Esprito Santo, 27 vezes. Vemos, pois, que no Novo 
Testamento muito mais se pregou sobre dinheiro que sobre qualquer outra coisa. Jesus, quando reuniu os apstolos, elegeu um tesoureiro. Para que um tesoureiro? Para 
receber ofertas,  claro. Dzimos e ofertas aladas.

A Bblia chama de ladro a quem no entrega o dzimo, asseverando que os roubadores no herdaro o Reino de Deus, 1 Corntios 6.11. A situao dos irmos que insistem 
na infidelidade  crtica. Ou no entenderam de forma apropriada o compromisso da f salvadora ou no experimentaram a salvao que se opera pela f que desemboca 
na fidelidade incondicional.

Causa perplexidade ouvir certos membros de igreja afirmando que no do o dzimo porque no podem. Caso isso fosse verdade, teramos de eliminar da Bblia Filipenses 
4.13. Ora, se eu posso todas as coisas, ento posso entregar o dzimo a Deus. Pela f, o crente pode todas as coisas que no contrariam a natureza de Deus, e as 
que contrariam o carter do senhor, que constitui pecado, nos so lcitas mas no devemos pratic-las, 1 Corntios 6.12 e 10.23. 

Muito mais valem 9/10 do nosso salrio com as bnos de Deus, do que todo um salrio sem as suas bnos, Ageu 1.3-6. E no s sem as bnos, mas com as maldies 
previstas no juzo divino que se impe pela suserania (7) do Senhor.

Amm. 

Notas
(1) FALCO SOBRINHO, Joo. Estou Convosco. Rio de Janeiro: CPCCBB, 1997. 124 p. (pp. 74-75).
(2) CNDIDO, Daniel Oliveira. Reflexes sobre Mordomia Crist. Duque de Caxias: AFE, 1982. 231 p. (pp. 161).
(3) Id. Ibid. pp. 162.
(4) Id. Ibid. pp. 162-163.
(5) Id. Ibid. pp. 163-164.
(5) MOTTA, Waldomiro. A Doutrina Bblica da Mordomia. 3. Ed. Rio de janeiro: JUERP, 1986. 62 p. (pp. 31-32).
(7) Ao de soberania em conceder livre arbtrio ao seus vassalos para o exerccio de aparente ou relativa autonomia

Parte XXX
MOTIVAES PERIGOSAS PARA O MINISTRIO
Uma breve Reflexo sobre alguns motivos errados para o Ministrio 
 
Falar de vocao no  uma tarefa fcil. Como explicar os vislumbres de certezas espirituais ?
Pode a vocao de Deus ser descrita ?
Talvez devesse deixar tal desafio para os mais experientes nas lidas pastorais; no obstante, quero pisar neste terreno mui solenemente.
Nestes doze anos de ministrio tenho visto alguns pastores perderem o rumo original e ministrios infrutferos com igrejas fracas e em declnio. Entendo que grande 
culpa dos problemas destas igrejas deve-se a ns mesmos, seus pastores. 
Notem as palavras de Eugene Peterson: "Os pastores esto abandonando seus postos, desviando-se para a direita e para a esquerda, com freqncia alarmante. 
Isto no quer dizer que estejam deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. As congregaes ainda pagam seus salrios, o nome deles ainda consta no 
boletim dominical e continuam a subir no plpito domingo aps domingo. O que esto abandonando  o posto, o chamado. Prostituram aps outros deuses.Aquilo que 
fazem e alegam ser ministrio pastoral no tem a menor relao com as atitudes dos pastores que fizeram a histria nos ltimos vinte sculos" . Uma reflexo dura, 
mas realista. Alguns pastores esto abandonando seus postos. Aps ler estas consideraes de Peterson, fiz a seguinte pergunta: O que tem levado nossos jovens ao 
ministrio ? Minha pergunta levanta a questo sobre as reais motivaes de nossos vocacionados para o Ministrio Pastoral. Talvez nem todos tm conscincia de que 
errar na vocao trs conseqncias desagradveis para si mesmos e tambm para suas futuras igrejas. Embora uma vaga vocao para o ministrio possa levar ao pastorado, 
no sustentar o pastor atravs das speras realidades da vida na igreja.  preciso avaliar as verdadeiras motivaes, antes de ingressar nos seminrios. 

Por motivao queremos dizer os motivos internos que levam uma pessoa  ao. Todos ns tomamos decises na vida motivados por algo ou alguma coisa em dado momento 
de nossa existncia e considerando as diversas situaes da vida. Falando da motivao que leva um jovem a decidir pelo ministrio, entendemos que todo genuno vocacionado 
deve ter como ambio ser um instrumento de Deus . Sua nica motivao para ser pastor  seu desejo ardente de realizar a obra de Deus e para a glria de Deus. Contudo, 
 possvel que nem sempre esta seja a mola propulsora de um ou outro aspirante ao pastorado. A ttulo de alertar-nos para este perigo, alisto cinco possveis motivaes 
erradas e egocntricas que podem levar algum ao Ministrio: 

1) Adquirir estabilidade financeira: Os motivos da nossa sociedade seculare so controlados pelo cifro. Vivemos uma poca de recesso e de desemprego. So s na 
cidade de So Paulo, quase 2 milhes de desempregados. O tempo mdio hoje para algum que perde o emprego  de 1 ano at conseguir outro.  com temor e tremor que 
arrisco raciocinar desta maneira, mas temo que alguns jovens em nossas Igrejas, passe a compreender o ministrio como uma profisso e um meio de ganhar a vida. Penso 
que todo candidato ao ministrio deveria responder a esta pergunta: O motivo que tenho para desejar ser pastor  porque serei pago para isto? 

Quanto a isto, Spurgeon escreveu: "Se um homem perceber, depois do mais severo exame de si mesmo, qualquer outro motivo que a glria de Deus e o bem das almas em 
sua busca do pastorado, melhor que se afaste dele de uma vez, pois o Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo" 


2) Status social: No  de hoje que a sede de posio cega as pessoas . O "ser pastor", mesmo que em nossos dias no  l muito bem visto, at mesmo pelos escndalos 
envolvendo alguns lderes cristos, os ttulos de Reverendo e Pastor transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano, e lhe confere status social. 
No obstante, liderar no  fcil. s vezes pregar pode ser uma tortura. Pastorear ovelhas relutantes  uma atividade esmagadora. Ser uma figura pblica sob os olhares 
de todos e viver sob constantes cobranas, mesmo que estas no sejam verbais, sacodem o nosso corao. Ns pastores inevitavelmente armazenamos um certo nvel de 
frustrao em nosso trabalho. Ficamos frustrados com os conflitos da igreja, com a futilidade de nossos planos e com o fracasso do nosso povo. O status social no 
pode sustentar o nosso ministrio e fazer com que vivamos nossa vocao de modo responsvel. 

Em I Tm 3:1, Paulo escreve: "se algum deseja o pastorado, excelente obra almeja" O termo "deseja"na lngua grega  epithumeo, que tem o significado de "colocar 
o corao, ambicionar, desejar". Precisa ser observado que o objeto do desejo  a obra, o servio, e no a posio ou status. Este foi um erro cometido por Tiago 
e Joo (Mc 10:35:45). Algum motivado por posio elevada e pelo desejo de ateno trar com certeza prejuzo a si mesmo e  Igreja de Cristo.

3) Necessidade de firmar-se como pessoa:  possvel que algum caia na armadilha de desejar o ministrio por entender que a posio e o status conquistado foram 
os outros a lhe dedicarem ateno. O desejo que um ser humano tem de que os outros o respeitem  um sinal louvvel de sua auto-estima. No h nada de errado em desejar 
ser respeitado e admirado, mas no  a motivao correta para o ministrio.  comum termos notcias de lderes que avaliam sua eficincia ministerial atravs de 
quantas pessoas da denominao o conhecem. Conheci um pastor que guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saa uma matria com sua foto e que 
falava a seu respeito. So lderes que buscam a fama e serem aplaudidos pelos homens. 

4) O Senso de obrigao: H quem se torne ministro, pois depois de ter passado pela famlia, conselho, presbitrio e ter feito o curso teolgico no seminrio, sente-se 
na obrigao de ter que ir at o fim de seu "chamado". Sente-se culpado se no fizer aquilo que todos esperam dele.  desnecessrio dizer que este lder no desenvolver 
seu ministrio com alegria e prazer. Um velho pregador deu um sbio conselho a um jovem quando indagado sobre sua opinio quanto a seguir o ministrio: "Se voc 
pode ser feliz fora do ministrio, fique fora, mas se veio o solene chamado, no fuja" Precisamos instruir aos nossos seminaristas que mesmo que tenham feito o curso 
de teologia no Seminrio, caso sintam que no foram chamados ao pastorado, entendam que o tempo de estudos e de preparao no ser perdido. Podero ser uma excelente 
ajuda s igrejas como pregadores, professores, oficiais e lderes. O peso de um sentimento de obrigao no pode levar ningum ao pastorado. O Ministrio deve ser 
obedecido por vocao e no por obrigao. Algum pontuou o seguinte: "os ministros sem a convico do chamado carecem muitas vezes de coragem e carregam uma carta 
de demisso no bolso do palet. Ao menor sinal de dificuldade, vo-se embora".


5) Falta de opes:  possvel que algum decida ser um pastor, pois depois de tentativas inglrias de ingressar em alguma outra faculdade, ou por no ter condies 
financeiras de custear um curso em uma universidade , percebeu que poderia fazer um curso de nvel superior pago pelo Presbitrio e ainda recebendo ajuda de custo 
de sua Igreja. Nossos jovens precisam ver que o candidato ao ministrio, sendo seu chamado imposto por Deus, no  uma preferncia entre outras alternativas, ou 
por falta delas. Ele  pastor no por falta de alternativas, mas porque esta  a nica alternativa possvel para ele, e insisto: Vocao pastoral no pode ser por 
falta de opes, mas porque foi imposta por Deus.

Todos ns que somos pastores sabemos como o ministrio  desgastante, e ningum pode cumprir o difcil papel de pastor se no tiver a conscincia de que foi comissionado 
por Deus. Na qualidade de pastores e tutores eclesisticos, faz-se necessria nossa orientao aos aspirantes e candidatos ao Ministrio de que no h como algum 
sobreviver no pastorado, caso sinta que esta foi uma escolha sua e no de Deus.

Parte XXXI
O ANNCIO DA IGREJA 
 

Neste trecho, entendo que o Senhor Jesus apresenta a Igreja como seu propsito; assim como esboa sua composio, seu carter e misso: 

(MATEUS Cap: 16)

[13] Indo Jesus para os lados de Cesaria de Filipe, perguntou a seus discpulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? 

Embora, em seu ministrio pblico, Jesus tenha interagido com quase todos os partidos judaicos: os herodianos, que, conforme indica o nome, eram partidrios de Herodes; 
os zelotes, que queriam, pela fora das armas, libertar Israel do domnio romano; os fariseus, ortodoxos estudiosos das escrituras; e os saduceus, partido da classe 
sacerdotal; foi com o povo que Jesus, de fato, desenvolveu o seu ministrio. Ao povo pregou; alimentou; curou. Foi com o povo que andou e que se confundiu.
A pergunta era, portanto, uma aferio: o que as benos recebidas pelo povo geraram neste em termos de compreenso de quem Jesus era? 

[14] E eles responderam: Uns dizem: Joo Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. 

A resposta deixou a desejar, conseguiram ver em Jesus um grande profeta, catalogaram-no entre os maiores, porm, no acertaram. Ouvir, ser curado e alimentado por 
Jesus no  garantia de chegar a ter dele o conhecimento que d vida eterna (Jo 17.3). 

[15] Mas vs, continuou ele, quem dizeis que eu sou?
Outra aferio, esta mais importante: os discpulos conviveram com Jesus, obtiveram informaes privilegiadas, quer pelas perguntas que puderam fazer, quer por ensino 
exclusivo, quer pela observao no dia a dia. Detendo mais informaes, estavam mais preparados para responder; era de se supor que acertariam. 

[16] Respondendo Simo Pedro, disse: Tu s o Cristo, o Filho do Deus vivo.
"Tu s o Cristo, o Filho do Deus vivo", responde Pedro. Tu s o Cristo, o messias, o salvador vislumbrado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas. Certo, porm, 
incompleto, se parasse por a: todos criam que o messias seria o maior dos profetas (Dt 18.15), entretanto, um profeta. Pedro teria ido apenas um pouco mais adiante 
que o povo. Ele vai mais longe: "o filho do Deus vivo". Revolucionrio! Os telogos, de ento, diziam que Deus era nico, logo, no podia ter filho. Por que? Porque 
se Deus tivesse um filho, este teria de ser um Deus tambm, ento, j no seria um nico Deus, mas, dois deuses. Eles no conheciam a doutrina da Trindade, no sabiam 
que h trs pessoas e um s Deus. Pedro disse-o: Jesus de Nazar  o Cristo; Jesus de Nazar  Deus. Resposta completa. Os telogos entenderam que Deus haveria de 
mandar um salvador, entenderam ser um grande profeta - Moiss assim pareceu dizer (Dt 18.15) - no entenderam que, ao anunciar um salvador, Deus anunciava a sua 
visita. No imaginavam que a salvao humana custaria to grande preo.
Franco Zefirelli, cineasta italiano, fez o filme Jesus, que chamou de seu afresco. O filme, originariamente, apresentado em duas partes, tinha, como trmino de sua 
primeira parte, cena que procurava retratar o texto que estamos trabalhando: Zefirelli descreve Pedro ajoelhando-se enquanto proferia a declarao em questo e, 
ato contnuo, os demais discpulos tomados pelo impacto da afirmao, testemunhando sua concordncia, tambm se ajoelham. No sei se foi assim mesmo que aconteceu, 
porm, indubitavelmente,  a cena que mais se coaduna com a profundidade do que foi dito. Jesus  mais que um profeta a ser ouvido; mais que um mestre a ser seguido; 
 Deus a ser adorado. Esse  o conhecimento, acerca de Jesus, que d vida eterna (Jo 17.30). 

[17] Ento, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado s, Simo Barjonas, porque no foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que est nos cus. 

No foi a convivncia com Jesus que os fez saber a verdade. Foi uma revelao!
O conhecimento-experincia, acerca de Jesus, que d vida eterna,  uma revelao do Pai - Ningum pode vir a mim se o Pai, que me enviou, no o TROUXER; e eu o ressuscitarei 
no ltimo dia. (JO 6:44). 

[18] Tambm eu te digo que tu s Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno no prevalecero contra ela. 

Que pedra?

A afirmao, ou melhor, a revelao: "Tu s o Cristo, o Filho do Deus vivo".

Que igreja?

Igreja  uma palavra que pode ser traduzida por reunio, assemblia, nao e afins; por se tratar de ajuntamento de pessoas que tm afinidades, caractersticas e/ou 
objetivos comuns. Portanto, Jesus est falando de um grupo de pessoas especiais: as pessoas que receberam a mesma revelao que Pedro e os discpulos.
A Igreja  a reunio daqueles que, a exemplo de Pedro, receberam, do Pai, a revelao de que Jesus Cristo  Deus vindo para salvar-nos, que deve ser adorado, adorao, 
esta, que comea com a entrega da vida.
A Igreja  a reunio dos adoradores de Jesus. Neste sentido a misso da Igreja  agradar o seu Senhor;  a Igreja como noiva: - Ento, veio um dos sete anjos que 
tm as sete taas cheias dos ltimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva , a esposa do Cordeiro (AP 21:9); - Vi tambm a cidade santa, 
a nova Jerusalm, que descia do cu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo (AP 21:2).
A noiva, na sua ao de adorar,  a satisfao do desejo do Pai: - Mas vem a hora e j chegou, em que os verdadeiros adoradores adoraro o Pai em esprito e em verdade; 
porque so estes que o Pai procura para seus adoradores (JO 4:23). 

e sobre esta pedra edificarei a minha igreja

A partir da confisso-adorao: "Tu s o Cristo, o Filho do Deus vivo" Jesus construir a sua igreja. Ser que a Igreja  edificada enquanto e na medida em que adora?
Paulo parece dizer que sim: - E todos ns, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glria do Senhor, somos transformados, de glria em glria, 
na sua prpria imagem, como pelo Senhor, o Esprito (2CO 3:18).
Ser que adorar passa, tambm, pela contemplao?
Adorar tem vrias conotaes: prestar homenagens; reverenciar; prestar culto e, entre outras, tambm, contemplao. Por exemplo: Adorai o SENHOR na BELEZA da sua 
santidade (SL 96:9). Derek Kidner (Salmos - introduo e comentrio - ed. Vida Nova e Mundo Cristo) diz sobre adorar na beleza da santidade: "a verdadeira adorao 
reflete isto no amor e admirao dados a Ele." Adorao, aqui,  o mesmo que contemplao amorosa.

Nesta contemplao (adorao) somos edificados.

O Pai desvenda-nos o rosto (por meio da revelao), mostra-nos o Filho e o Esprito Santo nos transforma. Assim Cristo edifica a sua Igreja. Torna-nos parecidos 
com Ele  medida que o adoramos.
Igreja , portanto, tambm, a reunio das pessoas que esto sendo transformadas pelo Esprito Santo  imagem e semelhana de Cristo. 

contemplando, como por espelho, a glria do Senhor,
Qual  o espelho?
Penso e algumas coisas que devem ser usadas como espelho:
i- a bblia: JO 5:39 - Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e so elas mesmas que testificam de mim. A Igreja l as escrituras para ver 
Jesus, no apenas para ter informaes sobre ele. Ele  a vida eterna que est no texto sagrado.
ii- a criao: SL 19:1 - Os cus proclamam a glria de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mos. A natureza expressa a glria de Deus. A glria de Deus 
 a sua bondade (Ex. 33.19). A igreja perscruta a natureza para ver Jesus, a encarnao da bondade de Deus. 

A palavra reunio pode dar uma conotao equivocada: de que s h igreja quando essas pessoas, de caractersticas especiais, e encontram. Por isso gosto muito do 
que o Pedro disse: 1PE 2:9 - Vs, porm, sois raa eleita, sacerdcio real, nao santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes 
daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
Alis, Jesus disse "e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" num contexto muito peculiar: Haviam trs naes, representadas por trs cidades, que tinham pretenses 
universais: romanos, representados por Roma; judeus, representados por Jerusalm e os gregos, representados por Atenas. Os romanos acreditavam que a salvao do 
mundo estava em todos se submeterem  sua "pax", o que significava submeter-se a eles. Os judeus acreditavam que a salvao dos homens estava na submisso destes 
a eles que, como sacerdotes, os conduziriam no caminho de Deus; os gregos, por sua vez, acreditavam que a tal salvao estava em todos submeterem-se a seu modo de 
pensar. 

e as portas do inferno no prevalecero contra ela.

Jesus diz que vai fundar uma nao que libertar de fato os homens do inferno. Pois, sua nao atacar o inferno e as portas deste no resistiro ao ataque daquela, 
liberando os seus prisioneiros. Por que ataque? Porque fala das portas no prevalecerem. Jesus falava no contexto das cidades muradas, onde a porta  o ltimo bastio, 
a ltima defesa, se as portas no resistem ao ataque, a cidade  invadida e tomada.

Outro elemento que, penso, est contido nessa afirmao  o fato de a igreja ser o brao ministerial de Jesus Cristo, uma nao de soldados da libertao, pois, 
como disse Joo: 1JO 3:8 -Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. 

Eis o projeto de Jesus: uma nao de adoradores - a noiva; uma nao de soldados - o corpo. 

O corpo depende da noiva. 

A medida que a igreja vai sendo edificada vai, tambm, assumindo seu papel ministerial, ou seja, destruindo as obras do diabo. Quanto mais a igreja adora, mais eficaz 
se torna contra o inferno.

Parte XXXII
O PADRO BBLICO DE AVIVAMENTO 
 
Qual o padro bblico de avivamento? Os avivamentos bblicos oferecem alguma coordenada para a renovao da igreja evanglica no Brasil de hoje?

Estas so algumas das perguntas que procuraremos responder no decorrer desse estudo.

I - O significado bblico do termo "Avivamento":. 

1.1. No Antigo Testamento:. 

O verbo hebraico hyh (avivar) tem o significado primrio de "preservar" ou "manter vivo". Porm, "avivar" no significa somente preservar ou manter vivo, mas tambm 
purificar, corrigir e livrar do mal. Esta  uma conseqncia natural em toda vez que Deus aviva. Na histria de cada avivamento, dentro ou fora da Bblia, lemos 
que Deus purifica, livra do mal e do pecado, tira a escria e as coisas que estavam impedindo o progresso da causa (1).

O verbo "avivar", em suas vrias formas (2),  usado mais de 250 vezes no Antigo Testamento, das quais 55 vezes esto num grau chamado piel. Um verbo nas formas 
do Piel expressa uma ao ativa intensiva no hebraico. Neste sentido, o avivamento  sempre indicado como uma obra ativa e intensiva de Deus. Alguns exemplos de 
sua ocorrncia so as clssicas oraes de Davi, como esta: "Porventura, no tornars a vivificar-nos (3), para que em ti se regozije o teu povo?" (Sl 85.6) (4), 
e da clssica orao do profeta Habacuque: "Tenho ouvido,  Senhor, as tuas declaraes, e me sinto alarmado; aviva a tua obra,  Senhor, no decorrer dos anos, e, 
no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da misericrdia" (Hc 3.2).

1.2. No Novo Testamento:. 

Encontramos no Novo Testamento grego um conjunto de palavras que expressam o conceito bsico de avivamento. So elas: 'egero, 'anastso, 'anzoe e 'anakanoo. Outras 
palavras gregas comparam o avivamento ao reacender de uma chama que se apaga aos poucos (cf. 'anazopyro em 2 Tm 1.6) ou uma planta que lana novos brotos e "floresce 
novamente" (cf. 'anaphllo em Fp 4.10).

No Novo Testamento grego as palavras supracitadas aparecem, no contexto de avivamento, apenas sete vezes, embora a idia bsica de avivamento seja sugerida com mais 
freqncia. Uma possvel explicao para o uso escasso dos termos, em comparao ao Antigo Testamento,  que o Novo cobre apenas uma gerao, durante a qual a Igreja 
Crist desfrutou, na maior parte do tempo, um grau incomum de vida espiritual.

II - O que no  avivamento bblico:. 

Antes de falarmos sobre avivamento bblico, propriamente dito, acreditamos ser de grande ajuda uma abordagem, mesmo que rpida, do que no  o padro bblico de 
avivamento. 

O Rev. Hernandes Dias Lopes, em seu livro AVIVAMENTO URGENTE, apresenta sete interessantes razes sobre o que no deve ser entendido como avivamento de verdade. 
Sou devedor ao dileto colega por suas pertinentes observaes. Transcrevo-as quase que na ntegra.

2.1. Avivamento no  um programa

agendado pela igreja.

Avivamento no  ao da igreja, mas de Deus. Avivamento  obra soberana e livre do Esprito Santo. A igreja no promove e nem faz avivamento. A igreja no  agente 
de avivamento. A igreja no agenda e nem programa avivamento. A igreja s pode buscar o avivamento e preparar o caminho da sua chegada. A igreja no produz o vento 
do Esprito, ela s pode iar suas velas em direo a esse vento.

A soberania de Deus, no entanto, no anula a responsabilidade humana. O avivamento jamais vir se a igreja no preparar o caminho do Senhor (5). O avivamento jamais 
acontecer se a igreja no se humilhar. Sem orao da igreja, as chuvas torrenciais de Deus no descero. Sem busca no h encontro. Sem obedincia a Deus, jamais 
haver derramamento do Esprito. Contudo, quem determina o quando e o como do avivamento  Deus. Ele  soberano. David Brainerd orou vrios anos pelo avivamento 
entre os ndios peles vermelhas no sculo XVIII. Aquele jovem, ajoelhado na neve, suava de molhar a camisa, em agonia de alma, em orao fervente, em favor daqueles 
pobres ndios. Quando o seu corao parecia desalentado e j no havia prenncios de chuva da parte de Deus, o Esprito foi poderosamente derramado e os coraes 
se dobraram a Cristo aos milhares.

2.2. Avivamento no  mudana doutrinria.

Cometem ledo engano aqueles que querem descartar a teologia e desprezar a doutrina na busca do avivamento. Desprezar a doutrina  dinamitar os alicerces da vida 
crist. Desprezar a doutrina  querer levantar um edifcio sem lanar o fundamento. Desprezar a doutrina  querer por um corpo de p e em movimento sem a estrutura 
ssea.

No h vida piedosa sem doutrina. A doutrina  a base da tica. A teologia  me da tica. "Assim como o homem cr no seu corao, assim ele " (Pv 23.7).

Vida sem doutrina gera misticismo e experiencialismo subjetivista. Avivamento sem doutrina  fogo de palha,  movimento emocionalista,  experiencialismo personalista 
e antropocentrista. Deus tem compromisso com a verdade e a sua Palavra  a verdade e todo avivamento precisa estar fundamentado na Palavra. O avivamento precisa 
estar norteado pelas Escrituras e no por sonhos e vises. Precisa estar dentro das balizas da Bblia e no dentro dos muros de revelaes subjetivistas, muitas 
vezes feitas na carne.

2.3. Avivamento no  mudana litrgica.

Muitos crentes confundem avivamento com forma de culto, com liturgia animada, com coreografia e instrumental aparatoso. 

Louvor no  encenao. No  mimetismo. No  ritualismo. No  emocionalismo. No  apenas seguir formas pr-estabelecidas, como bater palmas, dizer aleluia, amm 
e levantar as mos. Louvor no  pululncia, gingos e dana (6). Louvor que apenas levanta as mos para o alto, mas no as estende para o necessitado no agrada 
a Deus. A Bblia ordena levantar mos santas ao Senhor, num gesto de rendio e entrega (I Tm 2.8). Louvor em que a pessoa apenas saltita e pula, mas no vive em 
santidade,  ofensa a Deus. Louvor que apenas verbaliza coisas bonitas para Deus, mas no leva Deus a srio na vida  fogo estranho diante do Senhor.

Louvor que no produz mudana de vida, quebrantamento, obedincia e no leva as pessoas a confiarem em Deus, no  louvor,  barulho aos ouvidos de Deus. Assim diz 
o Senhor: "Afasta de mim o estrpito dos teus cnticos; porque no ouvirei as melodias das tuas liras" (Am 5.23).

Hoje estamos vivendo a poca dos shows evanglicos, dos show-men, dos animadores de programas religiosos, do "rock evanglico", das msicas badaladas por um ritmo 
sensual.

Mais do que nunca  preciso tocar a trombeta em Sio e condenar a idia de que precisamos imitar o mundo para atrair o mundo. A msica do mundo tem entrado nas igrejas, 
para vergonha nossa e para derrota nossa. O louvor que agrada a Deus precisa ser em esprito e em verdade. O louvor precisa ser bblico, seno  fogo estranho. Davi, 
no Salmo 40, versculo 3, fala-nos sobre as balizas do louvor que agrada a Deus: "E me ps nos lbios um novo cntico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos vero 
estas coisa, temero e confiaro no Senhor". Primeiro, vemos a origem deste cntico: "E me ps nos lbios". Este louvor vem de Deus e no do homem. Segundo, vemos 
a natureza deste cntico: "E me ps nos lbios um novo cntico". No  um novo de edio, mas novo de natureza.  um cntico que expressa a marca da sua nova vida, 
liberta do tremendal de lama (v2). Terceiro, vemos o objetivo deste cntico: "... Um hino de louvor ao nosso Deus". Este cntico no  para entreter ou agradar o 
gosto e preferncia das pessoas. Este cntico vem de Deus e volta para Deus. Deus  o seu alfa e o seu mega. Quarto, vemos o resultado deste cntico: "Muitos vero 
estas coisas, temero e confiaro no Senhor". O louvor bblico leva as pessoas a temerem a Deus, a confiarem em Deus. O verdadeiro louvor leva as pessoas a se voltarem 
para Deus.

O louvor no  um espao da liturgia. Louvor  a totalidade da vida. "Bendirei ao Senhor em todo o tempo, o seu louvor estar sempre nos meus lbios" (Sl 34.1).

 luz destas coisas,  preciso dizer que avivamento no  mudana litrgica,  mudana de vida. Avivamento no  histeria carnal,  choro pelo pecado. Deus no procura 
adorao. Ele procura adoradores.

Todavia,  preciso dizer que, embora o avivamento no seja mudana de liturgia, todo avivamento mexe com a liturgia. O avivamento desinstala a liturgia ritualista, 
cerimonialista, formalista, fria e morta e pe em seu lugar uma liturgia viva, alegre, ungida, onde h liberdade do Esprito, sem abandonar a ordem e a decncia. 
Em pocas de avivamento, a liturgia  desingessada e o povo com alegria e liberdade do Esprito adora a Deus, em esprito e em verdade, sem regras rgidas pr-estabelecidas. 
Cada culto  um acontecimento singular, novo, onde h abertura para o que Deus deseja falar e fazer com o seu povo.

Hoje existem muitos cultos solenes, aparatosos, pomposos, mas esto mortos. Disse J. I. Packer no seu livro "Na Dinmica do Esprito": "No h nada mais solene do 
que um cadver. H cultos solenes que esto mortos". Embora o avivamento no seja mudana litrgica, todo avivamento muda a liturgia, tornando-a bblica, alegre, 
ungida, dirigida pelo Esprito de Deus. Devemos clamar como os puritanos: "Queremos liturgia pura".

2.4. Avivamento no  uma nfase carismtica unilateral.
Muitas pessoas hoje esto limitando o avivamento a milagres, curas e exorcismos, sem observarem a abrangncia global da doutrina pneumatolgica. Este  um srio 
perigo. Toda vez que super-enfatizamos uma verdade em detrimento de outra, ns produzimos deformaes e distores nesta verdade.

Deus pode e faz maravilhas, curas e prodgios extraordinrios quando Ele quer. Ele  soberano. Ningum pode deter a sua mo. Ningum pode ser o conselheiro de Deus. 
Ningum pode instruir a Deus e dizer o que Ele pode e o que Ele no pode fazer. Ningum pode obstacul-lo nem ensinar-lhe qualquer coisa. Ele faz tudo quanto Ele 
quer, como quer, onde quer, quando quer, com quem quer. "Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade" (Ef 1.11). Ele no obedece  agenda dos homens. 
Ele no se deixa pressionar. Ele  livre.

Entretanto, esta no  a nfase do avivamento. A igreja hoje est correndo mais atrs de sinais do que atrs de santidade. A igreja hoje empolga-se mais com milagres 
do que com vida cheia do Esprito. A igreja hoje anseia mais as bnos de Deus do que o Deus das bnos. A igreja hoje busca mais uma vida antropocntrica do que 
teocntrica. 

Avivamento no  efervescncia carismtica. Uma igreja pode ter todos os dons sem ser uma igreja avivada. Avivamento no  conhecido pelos dons do Esprito, mas 
pelo fruto do Esprito.

A igreja de Corinto possua todos os dons, todavia, era uma igreja imatura e beb espiritualmente. Naquela igreja profundamente carismtica, havia divises, cismas, 
brigas, partidos, contendas, imoralidade e irmos levando outros irmos aos tribunais mundanos. Havia falta de compreenso acerca do casamento e da liberdade crist. 
Naquela igreja a ceia do Senhor estava sendo incompreendida, os dons estavam sendo usados erradamente, a ressurreio dos crentes estava sendo negada, e a cooperao 
financeira com os pobres negligenciada.

 verdade que, em pocas de avivamento, os dons so buscados e exercidos para a glria de Deus e a edificao da igreja, mas a nfase carismtica no  sinnimo 
de avivamento.

2.5. Avivamento no  modismo.
Muitos crentes, por desconhecimento, se posicionam contra o avivamento porque acham que ele  a mais nova onda da igreja. Acham que avivamento  uma coqueluche moderna 
e uma inovao sem nenhum respaldo bblico e histrico.

Certamente, aqueles que assim pensam no estudam com critrio a Bblia nem a histria da igreja. Os pontos culminantes da igreja aconteceram em pocas de avivamento. 
Desde o Antigo Testamento que esta  uma verdade incontestvel.  s olhar para os grandes despertamentos na poca de Ezequias, de Josias e de Neemias.  s ver 
o grande avivamento em Jerusalm, em Samaria, em Antioquia da Sria e em feso.  s ver o que Deus fez na Reforma do Sculo XVI, na Inglaterra, no sculo XVIII 
e em outros grandes avivamentos da histria. Certamente, avivamento no  uma onda, no  um modismo. Ele possui firmes lastros histricos. Ele  nossa herana e 
nosso legado e deve continuar sendo nossa aspirao e nossa busca constante.

2.6. Avivamento no  uma viso

dicotomizada da vida.

Muitas pessoas, quando comeam a buscar avivamento, saem da realidade e enclausuram-se nos castelos inexpugnveis de uma espiritualidade isolada e monstica. Tornam-se 
to "espirituais" que j no sabem mais conviver com a vida, isolam-se, fazendo da vida uma caverna de fuga. Querem sair do mundo em vez de serem guardados do mal. 
Dividem a vida entre sagrado e profano, corpo e alma, matria e esprito. Acham que Deus est interessado apenas nas coisas espirituais. Acham que Deus s olha para 
a vida de trabalho na igreja, sem observar os negcios, a famlia, o trabalho, os estudos e a vida do dia-a-dia com o mesmo interesse.

Esta no  a viso bblica nem a viso do verdadeiro avivamento. Tudo em nossa vida  vazado pelo sagrado. Toda a nossa vida  cltica. Todo o nosso viver  litrgico. 
O grande avivalista John Wesley lutou pelas causas sociais na Inglaterra ao mesmo tempo que pregou sobre avivamento. Finney pregou ardorosamente contra a escravido 
nos EUA no sculo passado ao mesmo tempo que foi o maior avivalista do seu pas. Joo Calvino atacou com veemncia os juros extorsivos em Genebra. O avivamento sempre 
traz profundas mudanas polticas, econmicas, sociais e morais. O avivamento no leva a igreja  fuga, mas ao enfrentamento.

2.7. Avivamento no  campanha de evangelizao.

No podemos confundir avivamento com campanhas evangelsticas. Avivamento  para a igreja, pessoas que j tm vida; evangelizao  para o mundo, pessoas que esto 
mortas em delitos e pecados. Avivamento  para crentes nascidos de novo; evangelizao  para pecadores inconversos. Na evangelizao, a igreja trabalha para Deus; 
no avivamento, Deus trabalha para a igreja. Na evangelizao, a igreja vai aos pecadores; no avivamento, os pecadores correm para a igreja. Na evangelizao, os 
pregadores apelam aos pecadores; no avivamento, os pecadores apelam aos pregadores.

III - O Padro Bblico de Avivamento:

Podemos definir o avivamento bblico em dois sentidos distintos:

3.1. O sentido estrito de avivamento.

Estritamente falando, avivamento  algo que acontece unicamente no meio do povo de Deus. O Esprito Santo renova, reaviva e desperta a igreja sonolenta.  revitalizao 
onde j existe vida. Ou, como disse Robert Coleman,  "o retorno de algo  sua verdadeira natureza e propsito" (7).

Comentando um pouco mais sobre o sentido estrito de avivamento, diz o Dr. Martin Lloyd-Jones:

 uma experincia na vida da Igreja quando o Esprito Santo realiza uma obra incomum. Ele a realiza, primeiramente, entre os membros da Igreja:  um reviver dos 
crentes. No se pode reviver algo que nunca teve vida; assim, por definio, o avivamento  primeiramente uma vivificao, um revigoramento, um despertamento de 
membros de igreja que se acham letrgicos, dormentes, quase moribundos (8).

Quando h esse impacto da obra do Esprito de Deus na vida da igreja, os resultados imediatos do avivamento so sentidos no povo de Deus: senso inequvoco da presena 
de Deus; orao fervorosa e louvor sincero; convico de pecado na vida das pessoas; desejo profundo de santidade de vida e aumento perceptvel no desejo de pregao 
do evangelho. Em outras palavras, a igreja amortecida e tristemente doente  a primeira a ser beneficiada pelo avivamento.

3.2. O sentido amplo de avivamento.

Como a prpria expresso define, neste sentido no apenas a igreja, mas a sociedade no-crist tambm  beneficiada pelo avivamento. Isto acontece porque, alm da 
atuao soberana do Esprito Santo no mundo, na igreja passa a existir uma conscientizao profunda de sua misso; isto , a misso integral de servir o mundo evangelstica 
e socialmente. No avivamento a igreja vive a misso para a qual foi chamada.

A sociedade no-crist, por sua vez, volta-se para Deus em resposta ao evangelho. Acertadamente o Dr. Hber de Campos comenta que "o reavivamento comea na igreja 
e termina na comunidade maior onde ela vive. Os efeitos do reavivamento so muito mais perceptveis nas mudanas morais que acontecem na regio ou num pas onde 
ele acontece. Ele no se limita simplesmente aos membros das igrejas atingidas pela obra de Deus. Ele causa impacto em toda a comunidade onde a igreja de Deus est 
inserida" (9).

Em suma, as duas caractersticas principais do avivamento so 1) o extraordinrio revigoramento da igreja de Cristo e 2) a converso de multides que at o momento 
estiveram fora dela na indiferena e no pecado.

3.3. Avivamento e a Bblia.

Aqui tambm abordaremos dois aspectos essenciais do avivamento.

1) O padro bblico de avivamento  a Bblia

Por mais simplria e pleonstica que esta declarao parea ser, ela  to autntica e singular como dois e dois so quatro. Estamos falando do nico padro inerrante 
e infalvel de avivamento: a Bblia.

Uma vez que a Bblia  a nossa nica regra de f e prtica,  ela e somente ela que nos pode dar a direo certa deste assunto. A relao entre a Bblia e o avivamento 
 to intrnseca que  impossvel um avivamento de verdade sem que a Bblia faa parte dele.

Alm disso, numa poca de tantos extremos como este em que vivemos,  fundamental o equilbrio que s a Bblia oferece. Sabemos que hoje existem desde aqueles que 
vem toda e qualquer manifestao entusistica como avivamento, at queles que negam a sua existncia, ou quando muito acham que avivamento  a mais nova onda do 
momento, uma coqueluche moderna, uma inovao humana sem respaldo bblico.  necessrio, mais do que nunca, recorrermos  lei e ao testemunho.

Permita-me ilustrar o que queremos dizer por "extremos". Edwin Orr (10), uma das maiores autoridades sobre avivamentos, disse que viu duas igrejas nos Estados Unidos 
convidando pessoas para suas reunies de avivamentos. Uma delas dizia: "Reavivamento aqui todas s segundas-feiras  noite", enquanto que a outra prometia: "Reavivamento 
aqui todas s noites, exceto s segundas-feiras". Orr menciona este fato para relatar um desses extremos em que a palavra "avivamento" ou "reavivamento"  usada 
aleatoriamente, como se o avivamento fosse produzido simplesmente pelo desempenho humano com data e hora marcadas. 

Voltando ao lugar da Bblia no avivamento,  importante salientar que ela foi,  e sempre ser a espada do Esprito Santo em todo avivamento bblico. No existe 
verdadeira espiritualidade sem a Bblia. Observando os avivamentos ocorridos na Bblia e na histria da igreja, notamos que os objetos do Esprito eram sempre persuadidos 
com e para a Bblia. Avivamento onde a Bblia no est presente no passa de um mero pentecostalismo convencional.

"Um reavivamento", diz o Dr. Hber de Campos, "que  produto da obra do Esprito Santo na igreja, certamente tem sua nfase naquilo que tem sido esquecido por muito 
tempo: a Palavra de Deus. A autoridade da Palavra de Deus passa ser algo extremamente forte num momento genuno de reavivamento. A Bblia passa novamente a ser honrada 
como a nica Palavra inspirada de Deus" (11).

2) O padro bblico de avivamento est na Bblia

Os primrdios do avivamento bblico aparecem em Gnesis. Segundo Coleman, o que se pode chamar de "o grande despertamento geral" ocorreu nos dias de Sete, pouco 
depois do nascimento de seu filho Enos: "Ento se comeou a invocar o nome do Senhor" (Gn 4.26) (12). O nome Enos quer dizer fraco ou doente. O que  deveras significativo. 
Considerando o assassinato de Abel (Gn 3.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenas na raa humana, o nome Enos era bastante adequado. " provvel que 
fosse um reflexo da conscincia da depravao humana e da necessidade da graa divina" (13).  parte desta indicao no existe nenhum outro relato de avivamento 
no princpio da histria da raa humana. O relato subseqente do dilvio ilustra de modo dramtico o que acontece com um povo que no se arrepende de seus pecados.

Depois temos os patriarcas que por vrios sculos lideraram o povo de Deus. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia, eles agiam como a fora que 
promovia novo vigor. O breve avivamento na casa de Jac  um bom exemplo disso (Gn 35.1-15). Mais tarde, sob a liderana de Moiss, h perodos empolgantes de refrigrio, 
especialmente nos acontecimentos ligados  primeira pscoa (Ex 12.21-28), na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19.1-25; 24.1-8; 32.1-35.29) e no levantamento 
da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21.4-9).

No tempo de Josu um despertamento espiritual predominou em suas campanhas, como na travessia do rio Jordo (Js 3.1-5.12) e na conquista de Ai (Js 7.1-8.35). Mas 
quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitria, uma apatia espiritual se apoderou da nao. Sabendo que seu povo estava 
dividido, Josu reuniu as tribos de Israel, em Siqum, e exigiu que cada um escolhesse, de uma vez por todas, a quem servir (Js 24.1-15). Um verdadeiro avivamento 
segue-se a esse desafio, prosseguindo durante "todos os dias de Josu, e todos os dias dos ancios que ainda viveram muito tempo depois de Josu, e sabiam toda a 
obra que o Senhor tinha feito a Israel" (Js 24.31).

O perodo de trezentos anos de liderana dos juzes mostra os israelitas, de quando em quando, traindo o Senhor e servindo a outros deuses. O juzo de Deus  inevitvel. 
Ento, aps longos anos de opresso, o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3.9,15; 4.3; 6.6,7; 10.10). Em cada ocasio Deus responde as oraes, enviando-lhes 
um libertador que liberta o povo na vitria contra os inimigos. Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse perodo, sob a direo de Samuel (I 
Sm 7.1-17).

Tempos de renovao ocorreram periodicamente no perodo dos reis. A marcha de Davi, entrando com a arca em Jerusalm, possui muitos ingredientes de um avivamento 
(2 Sm 6.12-23). A dedicao do templo, no incio do reinado de Salomo,  outro grande exemplo (I Rs 8). O avivamento tambm chega a Jud nos dias de Asa (I Rs 15.9-15). 
E Josaf, outro rei de Jud, lidera uma reforma (I Rs 22.41-50), bem como o sacerdote Joiada (2 Rs 11.4-12.16). Outro poderoso despertamento  vivenciado na terra 
sob a liderana do rei Ezequias (2 Rs 18.1-8). Por fim, a descoberta do livro da lei, durante o reinado de Josias, d incio a um dos maiores avivamentos registrados 
na Bblia (2 Rs 22,23; 2 Cr 34,35). 

Ainda, sob a liderana de Zorobabel e Jesua, outra vez comea a reacender um novo avivamento (Ed 1.1-4.24). Tendo as intimidaes dos inimigos induzido os judeus 
a interromperem a reconstruo do templo, os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5.1-6.22; Ag 1.1-2.23; Zc 1.1-21; 8.1-23). 
Setenta e cinco anos depois, com a chegada de outra expedio liderada por Esdras, novas reformas so iniciadas em Jerusalm, dando-se mais ateno  lei (Ed 7.1-10.44). 
O avivamento alcana o auge poucos anos depois, quando Neemias se apresenta para completar a construo dos muros de Jerusalm e estabelecer um governo teocrtico 
(Ne 1.1-13.31).

Uma orao por avivamento e a promessa de sua ocorrncia encontramos tambm em Joel 2.28-32; Habacuque 2.14-3.19 e Malaquias 4.

No apogeu de um grande avivamento Jesus aparece e  batizado por Joo Batista. Escolhe e treina seus discpulos; ascende aos cus, deixando-os na expectativa de 
receberam a promessa do Esprito (Lc 24.49-53; At 1.1-26). O poderoso derramamento do Esprito Santo, no dia de Pentecostes, inaugura o avivamento que Jesus havia 
predito (At 2.1-47). "Marca-se, assim, o incio de uma nova era na histria da redeno. Por trs anos Jesus trabalhara na preparao desse dia - o dia em que a 
Igreja, discipulada por intermdio de seu exemplo, redimida por seu sangue, garantida por sua ressurreio, sairia em seu nome a proclamar o Evangelho 'at os confins 
da terra' (At 1.8)" (14).

O livro de Atos registra a dimenso desse avivamento. Avivamento em Jerusalm, em Samaria, em Antioquia da Sria e em feso. E de l para c, so muitos os relatos 
da obra vivificadora do Esprito Santo na histria da igreja, como por exemplo, na Alemanha com a Reforma Protestante do sculo XVI, na Inglaterra no sculo XVIII, 
entre os negros Zulus da frica do Sul na dcada de 60 e na Coria do Sul nestes ltimos tempos, dentre outros.

Que Deus derrame do seu Esprito sobre ns para que possamos, como igreja e povo brasileiros, experimentar mais uma vez daquele "fogo abrasador" que nos purifica 
e nos santifica para uma vida crist de obedincia  sua Palavra.

NOTAS
(1) Cf. D. M. Lloyd-Jones, DO TEMOR  F (2 ed. So Paulo: Editora Vida, 1987), pp. 73,4. Veja tambm, de Gerard Van Groningen, AVIVAMENTO SOB UM PRISMA VTERO-TESTAMENTRIO 
no site www.ipcb.org.br.
(2) Os termos "avivamento", "reavivamento", "renovao", "despertamento", "vivificao", "reviver" e "tornar a viver" so usados no mesmo sentido.
(3) O significado literal da expresso hebraica "vivificar-nos", do Salmo 85.6,  "causa-nos viver", onde se reconhece que a vitalidade espiritual depende inteiramente 
de Deus.
(4) O Novo Comentrio da Bblia, Edies Vida Nova, d a este Salmo o sugestivo ttulo: UMA ORAO PEDINDO REAVIVAMENTO.
(5) Para um ponto de vista diferente, veja a obra do Dr. Paul E. Pierson, A HISTRIA DOS AVIVAMENTOS, material apostilado pela Faculdade Teolgica Sul Americana 
de Londrina - PR.
(6) Uma posio semelhante foi apresentada pelo Rev. Edijce Martins Ferreira, em entrevista ao Jornal Brasil Presbiteriano (Abril/94, p. 12): "Confunde-se avivamento 
com atitude pessoal e inclusive corporal (fsica), com expresso emocional, levantar de mos, etc. Essas atitudes em si no so propriamente prejudiciais. Todavia, 
pela confuso que se faz a doutrina sai perdendo. H uma superficialidade doutrinria muito grande, porque se d nfase excessiva ao louvor, a sermes eletrizantes, 
a prticas pentecostais, quando avivamento  to somente uma conscincia clara e profunda da vontade de Deus (que  doutrinria) e uma disposio plena de obedincia 
(que  prtica)".
(7) R. Coleman, A CHEGADA DO AVIVAMENTO MUNDIAL (So Paulo: CPAD, 1996), p. 18.
(8) D. M. Lloyd-Jones, OS PURITANOS: SUAS ORIGENS E SEUS SUCESSORES (So Paulo: PES, 1993), pp. 15,6. Veja tambm, do mesmo autor, o excelente livro AVIVAMENTO (So 
Paulo: PES, 1992) 320 pp.
(9) Hber C. Campos, CRESCIMENTO DA IGREJA: COM REFORMA OU COM REAVIVAMENTO? In Fides Reformata, Vol I, N 1 (So Paulo: 1996), pp. 44,5.
(10) Citado por Brian H. Edwards em REVIVAL! A PEOPLE SATURED WITH GOD 
(England: Evangelical Press, 1994), p. 25.
(11) H. C. Campos, op. cit., p. 45.
(12) R. Coleman, op. cit., p. 53.
(13) Idem.
(14) Idem, p. 61

Parte XXXII
O QUE  MINISTRIO?
TEXTO 2 CORNTIOS 6:1-10 
 

01. O MINISTRIO NO  UMA PROFISSO E SIM UMA VOCAO

- vocao pressupe - compromisso, disposio e acima de tudo uma viso clara do trabalho que vai realizar.
- qual a sua viso do seu ministrio pessoal? 

02. VAMOS VER O MINISTRIO PELA PERSPECTIVA DE PAULO
- 2 Corntios 6: 1-10 

2.1 - Em primeiro lugar vamos examinar os fatores internos que influem no ministrio cristo. Se no soubermos administrar esses fatores, acabaremos desistindo no 
meio do caminho. 

A - Na muita pacincia

- pacincia - significa a habilidade em conservar o projeto do ministrio mesmo quando as guas so agitadas. Esta habilidade hoje est muito comprometida. Poucos 
so os pastores que demonstram pacincia no exerccio do ministrio.
- Ser paciente - no  ser simplesmente ser gentil. O sentido da palavra aponta para um esprito de perseverana, de permanncia, de estabilidade, de firmeza!
- Crisstomo afirmou: "a pacincia  um porto que desconhece tempestades". 

- Pergunta: voc tem exercido esta pacincia em seu ministrio? 

B - Nas aflies

- esta palavra tem o sentido de "espremer", "restringir", "afligir". No podemos nos esquecer de que o pastor  antes de tudo um sacerdote chamado para interceder 
junto a Deus pelo povo. As aflies no podem nos afastar deste propsito. 
- H duas situaes neste contexto que precisam ser compreendidas:
- A primeira  a de aceitar as aflies como uma disciplina de Deus. Isto . Tudo o que acontece nesse campo de dores vem de Deus. Esse conceito nasceu no Sc. XVII 
na Frana e na Itlia e foi chamado de Quietismo. A sntese desse movimento era que o mal foi planejado para o nosso bem. Portanto devemos nos aquietar.
- O outro lado que se ope frontalmente ao quietismo,  chamado de Ativistas. Para os ativistas, atravs do exerccio da f, podemos acabar com todas as enfermidades, 
com todas as dificuldades da vida. Todo mal vem de Satans e deve ser enfrentado com ousadia! 
- O pastor segundo os ativistas no deve ficar deprimido. Tem de ser um heroi 24 horas por dia! 

Ns sabemos que h momentos no ministrio em que a vontade  de desaparecer, de vesuviar, de largar tudo. Vale a pena reler Romanos 12:12 - "Sede pacientes na tribulao..." 

C - Nas privaes

- um dos grandes problemas do ministrio  que o pastor nunca se acha fraco. Somos e procuramos exteriormente demonstrar uma fora que muitas vezes no temos. O 
medo de fracassar  um fantasma que ronda com muita freqncia o pastorado. 
- Privao - tem o sentido de passar por "experincias adversas". Quem ainda no passou por esses vales profundos de pobreza ministerial.
- H momentos em que a Bblia parece um livro fechado. Voc no consegue tirar nem uma gota de inspirao.
- Ilust. eu ouvi uma certa ocasio um pastor afirmar que ns precisamos ter pelo ao menos trs pessoas compartilhando do nosso ministrio. 

- Em primeiro lugar voc precisa de um Timteo - algum a quem voc possa ensinar. Algum que dependa de voc para vencer as dificuldades da vida. Quando voc tem 
algum sob sua responsabilidade voc se desdobra em busca de socorro.  o que os pais fazem com os filhos.
- Em segundo voc precisa de um Barnab - algum que esteja no mesmo nvel espiritual que voc. Algum com quem voc possa se abrir, contar suas frustraes e receber 
todo apoio. Este ponto  muito importante no ministrio pastoral. Voc no pode caminhar sozinho, e no deve se abrir com muita gente. 
Eu sei que  muito difcil voc se abrir com um colega com o qual voc no tem uma amizade verdadeira. Mas sempre h algum mais prximo de ns. 
- Em terceiro lugar voc precisa de um Paulo - algum que esteja acima de voc e que possa orient-lo nos seus momentos difceis. Algum que possa servir de referencial 
para voc nos momentos de provao. 

D - Nas angstias

- o sentido aqui  de "estreitamento". A idia  que o ministro pode a qualquer momento ser confinado, ser levado a um ambiente apertado, fechado. 
- So frequentes os momentos em que os espaos diminuem. Voc se esfora, luta mas no consegue avanar, no consegue progredir.
- Aqui surge um outro problema. Nestas circunstncias o pastor  levado a se esconder atrs de disfarces.
- Ado tentou se disfarar com uma folha de figueira. Procurou encobrir o seu erro camuflando-se diante de Deus.
- Pedro por sua vez demonstrou um esprito de arrogncia quando foi confrontado pela criada - Marcos 14:66-71
- Ananias e Safira - usaram a aparncia de santidade para impressionar o apstolo Pedro. Angstia faz parte do ministrio. 

2.2 - Em segundo lugar vamos examinar os fatores externos que acontecem com muita frequncia no ministrio. 

A - Em aoites

- o sentido desta palavra aponta para um dos sofrimentos maiores do ministrio. Esse sofrimento no tem muito a ver com sofrimento fsico. Hoje isto quase no acontece. 
O enfoque maior desta palavra se refere as "feridas", aos "golpes" que recebemos em nossas emoes, em nossa mente.
- Aqui tambm corremos um outro perigo: o de produzir um estado de melancolia. Freud analizando os aspectos da melancolia chegou  concluso que ela produz "uma 
anulao do interesse pelo mundo exterior, uma perda da capacidade de amar, uma inibio de toda atividade e uma diminuio dos sentimentos de valor prprio at 
o ponto de auto-recriminaes e auto-injrias..." (As Mscaras da Melancolia, pg. 87). 
- Paulo tinha as marcas de Cristo em seu corpo. Estas marcas ainda so necessrias ao ministrio.
- Lembre-se: ministrio sem dor no  ministrio. Precisamos estar preparados para sofrermos esses golpes. Eles fazem parte da nossa chamada. 

B - nas prises

- eu creio que no estamos ferindo o texto bblico ao aplicarmos estas experincias de Paulo em nosso contexto social. Hoje poucos sabem o que  uma priso. Poucos 
so os pastores que exercem esse ministrio.
- Devemos portanto pensar em priso no sentido de no termos outro espao para viver a no ser o do ministrio. Fomos aprisionados por Cristo. (Efsios 3:1). Mesmo 
com todas as dificuldades j apontadas, no podemos fugir desse compromisso. 

C - nos tumultos

- o sentido aqui  de "vacilao", de "instabilidade", de "desesperana". Neste ponto ns podemos nos identificar com o apstolo Paulo. Ainda hoje sofremos este 
tipo de problema na igreja. H muita gente interessada em tumultuar o ambiente. H correntes contrrias que tentam desestabilizar o nosso ministrio.  importante 
saber que no estamos livres de tumultos na igreja.
- O perigo  querer punir os autores desses conflitos. C.S. Lewis fala da "paixo vingativa". Ele diz que  fcil alimentar um esprito de desforra. Ficamos na espreita 
aguardando uma oportunidade para crucificar aqueles que provocaram as divises. 

2.3 - Em terceiro lugar Paulo mostra o que o ministrio exige de cada um de ns. Ele aponta um trio de atividades que no podem ser menosprezadas. 

A - nos trabalhos, nas viglias, nos jejuns.

- O Bispo Roberto sempre dizia: "ministrio  trabalho, no  distrao". Eu no sei quanto tempo voc dedica ao exerccio de vigiar, de jejuar.
- Eu sei que cada pastor tem um sistema prprio de vida. O que no pode ser esquecido  que sem trabalho o ministrio no cresce. E esse trabalho exige momentos 
de reflexo, de isolamento, de afastamento de tudo e de todos para ouvir a voz de Deus.
- Sobre o isolamento pastoral, George Barna diz algo muito interessante: Ele fala da ausncia programada do pastor. "Uma estratgia que funciona bem, no caso da 
maioria das igrejas crescentes,  fazer o pastor afastar-se da igreja, para uma ausncia planejada". E afirma: "Nas igrejas crescentes, a breve ausncia do pastor 
realmente fortalece a sua igreja, fazendo o resto da equipe funcionar como uma unidade . Eles experimentam a alegria de saber que a igreja no  um espetculo de 
um nico homem." (Igrejas amigveis e acolhedoras). 

2.4 - Em quarto lugar Paulo nos mostra como devemos ser. Uma srie de virtudes so apresentadas neste bloco. 

A - na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Esprito Santo, no amor no fingido.
- pureza - significa simplicidade, sinceridade, transparncia.
- saber - estar afinado com o movimento da cincia. No ficar alheio ao que acontece no mundo. 
- longanimidade - fala de tolerncia, de resistncia. Ser paciente para com os demais. 
- na bondade - generosidade, gentileza.
- no Esprito Santo - no poder do Esprito.
- eu disse a igreja que ns perdemos um pouco da nossa caracterstica. Pouco falamos sobre os dons do Esprito. Temos dado pouca nfase nas manifestaes do Esprito. 
Esta falta enfraquece o ministrio.
- no amor no fingido - amor no teatral. No devemos apenas interpretar um papel que no vivemos na realidade. 

2.5 - Em quinto lugar Paulo mostra o que devemos fazer em nosso ministrio. 

A - na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justia, quer ofensivas, quer defensivas; por honra e por desonra, por infmia e por boa fama, como enganadores 
e sendo verdadeiros; como desconhecidos e, entretanto bem conhecidos; como se estivssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porm no mortos; 
entristecidos, mas sempre alegres ; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo. 

- H uma srie de paradoxos neste texto. Assim  o ministrio pastoral. Temos tudo e ao mesmo tempo no temos nada.
- Quem consegue entender esta composio bblica consegue tambm exercer um trabalho rico e abenoado por Deus.
- Ns fomos chamados para um ministrio singular. H muitas oportunidades a nossa frente. Que ningum desanime nesse caminhar.

ORLANDO COSTA E A IGREJA BRASILEIRA 
 
Introduo
Orlando E. Costas (1942-1987) nasceu em Porto Rico e faleceu nos Estados Unidos, vitimado por um cncer, aos 45 anos de idade. Era pastor e telogo batista. Graduou-se 
doutor em teologia e missiologia nos Estados Unidos. Foi reitor e professor do Seminrio Bblico Latino-Americano de Costa Rica; fundou o Centro Evanglico Latino-Americano 
de Estudos Pastorais (CELEP), em 1973, em San Jos, Costa Rica. Atuou como administrador da faculdade do Eastern Baptist Theological Seminary, na Filadlfia, onde 
tambm foi professor de missiologia e diretor de estudos hispnicos. Alm disso, ocupou o cargo de segundo vice-presidente do Conselho Latino-Americano de Igrejas 
(CLAI) e, na ocasio de seu falecimento, atuava como professor no Andover Newton Theological School, em Massachussetts, e como vice-presidente da Fraternidade Teolgica 
Latino-Americana.

Orlando Costas esteve no Brasil em junho de 1984, participando da V Semana de Atualizao Teolgica. Admirou a liderana jovem da igreja brasileira e criticou seu 
fraco desempenho teolgico. O renomado telogo considerava-se um "telogo na encruzilhada". Entendendo que a f no  "uma herana familiar", sentiu-se atrado pela 
evangelizao do povo latino-americano. Costas rompeu com a cultura anglo-saxnica e a mentalidade colonialista que subjuga os povos latino-americanos. Questionou 
a hegemonia poltica na Amrica Latina, rejeitando o que chamou de "imprio norte-americano". Assim, enveredou-se pela "libertao social e cultural", entendendo 
que a misso da igreja no  simples comunicao da f, mas o mundo em sua complexidade, o que requer a mobilizao da igreja em busca de uma prtica libertadora 
integral. Entre seus escritos so dignos de destaque o artigo Dimenses do Crescimento Integral da Igreja e o livro Compromiso y Misin. (1).

Esta pesquisa  uma simples tentativa de se aplicar os conceitos de crescimento da igreja de Orlando Costas a nossa realidade brasileira. No  um trabalho original 
no que se refere ao estudo dos tipos de crescimento propriamente dito. Ren Padilla, por exemplo, faz um comentrio interessante sobre as dimenses do crescimento 
integral de Orlando Costas em seu artigo Avaliao Teolgica do Ministrio Integral em Servindo com os pobres na Amrica Latina: Modelos de Ministrio Integral. 
Contudo, Padilla  amplo demais. Seu enfoque  a Amrica Latina como um todo. Nosso trabalho visa a igreja brasileira em solo brasileiro.

1. O CRESCIMENTO NUMRICO DA IGREJA BRASILEIRA

O crescimento numrico da igreja evanglica brasileira deve fazer parte do desejo de todo cristo sincero, porque uma igreja que no cresce est fora dos propsitos 
de Deus. Entretanto, tal crescimento no deve ser almejado e nem considerado sadio quando a tica crist est em jogo. Crescimento de igreja sem sade  mera inchao; 
sade sem crescimento  contradio de termos, pois o crescimento deve ser o resultado natural de uma igreja saudvel.

Orlando Costas, por exemplo, era cuidadoso em sua anlise de crescimento numrico de uma igreja. Embora reconhecesse o valor, a importncia e a necessidade de uma 
igreja crescer, no se deixava impressionar simplesmente com nmeros. Haja vista o clssico episdio em que Orlando Costas visitou uma igreja pentecostal no Chile. 
Chegando l, constatou que uma igreja como aquela no podia crescer saudavelmente estando, ao mesmo tempo, atrelada  ditadura militar do general Augusto Pinochet. 

Alm disso, o rol de membros de uma igreja, segundo Costas, tambm no pode servir como critrio de avaliao de crescimento. Ele entendia que antes de tudo algumas 
questes importantes deveriam ser levadas em considerao, como por exemplo: O crescimento  motivado pelo Esprito Santo? O crescimento est relacionado com os 
frutos do Esprito? A f do crente  vibrante, calorosa e esperanosa? Ele  amoroso? Sua f  vista atravs da ao? A fidelidade, espiritualidade e encarnao 
(2) esto presentes na vida da igreja?

Estas questes so fundamentais para se avaliar o crescimento da igreja brasileira hoje.  preciso discernimento e critrio de avaliao. Todo crescimento de igreja, 
ou mesmo a falta dele, deve ser criteriosamente analisado. Na questo de crescimento da igreja no podemos ser totalmente crdulos de um lado e nem cticos do outro. 
Os extremos so sempre perigosos. As indagaes levantadas por Costas precisam ser ponderadas por todos ns, e por uma razo bvia: no Brasil existe uma forte tendncia 
em se achar que todo e qualquer crescimento de igreja  obra do Esprito Santo.

 importante deixarmos claro que Orlando Costas no era (e jamais foi) contra o crescimento da igreja. Pelo contrrio. O que Costas questionava, e com razo, eram 
os meios muitas vezes utilizados para se chegar em tal crescimento. 

Orlando Costas dizia que o crescimento numrico da igreja, propriamente dito, " parte fundamental do ser da igreja" (3), pois nenhuma igreja foi formada para ficar 
estagnada e parada no tempo. Embora nem todas as igrejas tenham vocao para ser mega-igreja, todas devem crescer. Isto  um princpio bblico que Costas fazia questo 
em destacar.

Temos no Brasil igrejas abenoadas: algumas grandes, outras nem tanto, mas que esto crescendo saudavelmente. Contudo, esta no  a realidade geral em nosso pas. 
Independente de ser pentecostal ou histrica, sabemos de tantas igrejas que esto marcando passo, engessadas em suas tradies ou em seus usos e costumes, com pouca 
ou nenhuma perspectiva de sua misso e de seu crescimento. Por outro lado, existem aquelas que experimentam um crescimento fenomenal e intrigante at. As igrejas 
pentecostais do Brasil sempre sero um desafio saudvel s igrejas histricas. Contudo, fica a pergunta: aquelas esto crescendo realmente com sade, do mesmo modo 
como estas deveriam crescer? 

2. O CRESCIMENTO ORGNICO DA IGREJA BRASILEIRA

Vimos no tpico anterior que o crescimento numrico no tem sido to favorvel para a igreja evanglica brasileira de modo geral. O que no significa dizer que no 
haja igrejas crescendo com autenticidade, de acordo com os preceitos bblicos. Porm, esta no  a regra geral. E por que no? Porque nem sempre a tica crist de 
uma vida santificada tem andado de mos dadas com o crescimento de nossas igrejas. O que, por si s, segundo Orlando Costas, no pode ser aceito como crescimento 
verdadeiro. 

E o que dizer do crescimento orgnico da igreja? Primeiramente  preciso saber o que  crescimento orgnico na concepo de Costas. De acordo com ele, esta dimenso 
inclui aspectos da vida interna da igreja como "sua forma de governo, sua estrutura financeira, seus lderes, o tipo de atividade na qual investe seu tempo e recursos 
e sua celebrao cultural" (4). Costas entendia que estas devem ser preocupaes salutares e necessrias. Entretanto, o crescimento orgnico da igreja no deve ser 
introspectivo, voltado para dentro de si mesmo. Costas fazia questo de deixar isso bem claro (5) e Ren Padilla interpretou muito bem o pensamento do missilogo 
quando disse: "Ele (o crescimento orgnico) abrange, entre outras coisas, o desafio da contextualizao da igreja em uma situao histrica definida, na inteno 
de constituir-se em uma verdadeira comunidade com razes autctones" (6).

O crescimento orgnico  um dos tipos mais naturais de crescimento experimentado pela igreja brasileira, pena que s avessas. Segundo pesquisas, cerca de 80% a 90% 
dos recursos financeiros, formao de lderes, uso do tempo e do templo esto voltados para o deleite de nossas prprias igrejas. A igreja evanglica brasileira 
de modo geral ainda no se conscientizou de sua misso fora dos portes como sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5.13,14). Um bom (ou seria mau?) exemplo disso  
o que a igreja geralmente faz com seus novos membros ou recm-convertidos. Bruce Shelley expressou a mesma preocupao de Costas quando advertiu:

"Infelizmente, as igrejas tendem a 'eclesiastizar' seus membros. Sua obedincia a Cristo se faz apenas mediante canais institucionais ou pietistas: reunies e programas, 
ou reunies de orao e grupos de discipulado.

A nossa evangelizao, no geral, tira o convertido do mundo e jamais o envia de volta a ele. Nosso alvo deve ser a misso da mesma pessoa no mundo, todavia uma nova 
pessoa com novas convices e padres. Se o primeiro mandamento de Jesus foi 'Vinde' o segundo foi 'Ide'. Devemos reentrar no mundo de que samos, s que agora como 
embaixadores de Cristo" (7).

As palavras de Shelley deve nos levar a uma reflexo sria, at porque o maior potencial de uma igreja  o crente novo. A igreja no pode servir de tropeo para 
ela mesma. H alguns anos escrevi uma lio para a escola dominical na qual dizia: "Reconhecemos que h muita coisa boa que uma igreja local pode fazer alm de misses, 
mas, por outro lado, se a 'muita coisa boa' estiver desassociada de misses, ento no  to boa quanto se pensa'.

 luz do que vimos at aqui, a concluso que chegamos  que a igreja brasileira no , essencialmente, uma igreja missionria. Boa parte de nossas igrejas que pensam 
serem missionrias na verdade apenas fazem misses, quando fazem! Um exemplo a ser considerado  a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), denominao da qual sou 
pastor. Infelizmente a IPB  hoje o que jamais deveria ser. A igreja que se orgulha de sua teologia calvinista esquece que Calvino possua uma conscincia missionria 
profunda (8) sendo, inclusive, o responsvel pelo envio dos primeiros missionrios ao Brasil em 1555 (9). 

Fruto direto da obra missionria de Ashbel Green Simonton em 1859, a IPB deveria ser, atualmente, uma das denominaes mais missionrias do pas.  verdade que sua 
viso e misso, de uns tempos para c, vem progredindo , porm, ainda tem muita estrada para se rodar, pois  preciso resgatar por completo a boa herana reformada, 
no apenas em seu aspecto teolgico, mas sobretudo na totalidade daquela misso integral que ficou perdida em algum lugar do passado.

Saindo do particular para o geral, alm de uma conscientizao missionria, propriamente dita, a igreja brasileira precisa passar por uma revitalizao de suas estruturas, 
tornando-as mais funcionais e principalmente por uma estruturao doutrinria que se expresse na vida prtica. Infelizmente falta s doutrina e santidade de vida 
no povo de Deus, o que vem comprometendo seriamente o evangelho e a aceitao do mesmo por parte da sociedade.

3. O CRESCIMENTO CONCEITUAL DA IGREJA BRASILEIRA

A igreja brasileira no  um caso perdido. Pelo contrrio,  uma igreja que est caminhando, embora a passos no to largos como gostaramos, mas caminha na esperana 
de um futuro promissor. Com a graa de Deus chegaremos l! Aos poucos o velho conceito de fazer misses vai dando lugar ao ser misses. Isto est acontecendo porque 
a igreja, consciente ou inconscientemente, comea a crescer conceitualmente tambm; o que significa, segundo Costas, "expanso na inteligncia da f: o grau de conscincia 
que a comunidade eclesial tem a respeito da sua existncia e razo de ser, sua compreenso da f crist, seu conhecimento da fonte dessa f (as Escrituras), sua 
interao com a histria dessa f e sua compreenso do mundo que rodeia. Esta dimenso d  igreja firmeza intelectual para enfrentar a todo tipo de doutrina e capacidade 
crtica para evitar a fossilizao e garantir a criatividade evangelizadora, orgnica e tica" (10).

Talvez um dos telogos que mais chamou a ateno da igreja para sua dimenso conceitual (embora no com esta terminologia, mas com a mesma nfase), tenha sido o 
Dr. Martin Lloyd-Jones, um pastor britnico j falecido. Li vrios livros do Dr. Jones e notei que muito da preocupao conceitual de Orlando Costas era a daquele 
tambm. O doutor costumava dizer, por exemplo, que "se voc estiver errado em sua doutrina, estar errado em todos os aspectos da sua vida" (11).

O crescimento conceitual da igreja  o que poderamos chamar de "dimenso central da igreja". A qualidade da qual se derivam todas as outras dimenses.

 importante lembrar que Orlando Costas entendia corretamente as dimenses do crescimento integral da igreja como um sistema interligado. A ausncia de qualquer 
uma daquelas dimenses (numrica, orgnica, conceitual ou diaconal) acarretaria numa deficincia danosa. Na verdade, cada dimenso da igreja s tem razo de ser 
se for vivenciada nas outras. Citemos um pequeno exemplo: Crescimento numrico sem qualidade pode ser comparado ao cncer que cresce mas no  bom. Qualidade sem 
crescimento  inconcebvel. A igreja evanglica brasileira ainda no entendeu como deveria essas dimenses e suas implicaes. E de quem  a culpa? Certamente so 
daquelas lideranas que muitas vezes refletem em suas igrejas uma mentalidade tacanha e retrgrada. So aquelas pessoas que confundem a boa tradio bblica e evanglica 
pelo tradicionalismo mrbido; inovao saudvel e revitalizadora pelo inovacionismo e oba-oba.

 luz do que vimos at aqui fica difcil dizer: "A igreja brasileira tem esta cara". De certo modo, ainda somos uma grande colcha de retalhos; porm, esta dimenso 
que nos faz olhar para dentro de ns mesmos, sem deixar de olhar para fora, precisa ser devidamente analisada e exercitada pela igreja brasileira como um todo. Estamos 
adentrando em um novo milnio e a igreja continua sonolenta em muitos dos aspectos de sua misso integral. 

4. O CRESCIMENTO DIACONAL DA IGREJA BRASILEIRA

Esta  a dimenso encarnacional da igreja. Orlando Costas entendia que sem este crescimento a igreja perderia sua autenticidade e credibilidade no mundo, j que 
"somente na medida em que conseguir dar visibilidade e concreticidade  sua vocao de amor e servio ela pode esperar ser ouvida e respeitada" (12). Para Costas, 
os cristos foram colocados no mundo "para ser a conscincia da sociedade" (13). Uma conscincia que estende a mo em ajuda aos fracos e oprimidos. Felizmente, a 
conscincia social da igreja brasileira hoje parece ser maior do que algumas dcadas atrs. Contudo, se por um lado a igreja vem melhorando em sua viso social, 
por outro, ainda no amadureceu tanto em sua concepo de misso integral, justamente porque ao se discutir prioridades (como por exemplo as que envolvem evangelizao 
e ao social) a igreja deixa de fazer bem uma e outra coisa. Evangelizao e responsabilidade social so partes integrantes da missio Dei, portanto, inseparveis 
e indispensveis na misso integral da igreja de Jesus Cristo no mundo e para o mundo. 

O crescimento diaconal da igreja brasileira, assim como as demais dimenses do crescimento integral, caminha lentamente pelo que a gente tem visto. Mas ele no est 
estagnado. De uns tempos para c a igreja melhorou consideravelmente. Vale lembrar, e no faz muito tempo, a igreja que assumia sua responsabilidade social no mundo 
era taxada de comunista, liberalista, etc. Hoje, graas ao bom Deus, boa parte das igrejas brasileiras est envolvida em trabalhos sociais, e sem qualquer preocupao 
de ser rotulada e perseguida por isso, como ocorria em tempos atrs.

 pena que a igreja foi, e muitas vezes tem sido ainda hoje, influenciada pelos sistemas polticos e deixado de ser a voz proftica de Deus na sociedade. A igreja 
brasileira no pode se calar diante dos males sociais. 

A igreja brasileira no est parada, mas poderia andar um pouco mais depressa, porque, quanto  participao nos problemas da sociedade, ainda temos um longo caminho 
pela frente. Que Deus nos ajude!

Concluso:
Vivemos na esperana de dias melhores para a igreja brasileira. De uma igreja que se consolide pela viso integral de sua misso no mundo.

Comparando os quatro conceitos de crescimento de Orlando Costas  igreja brasileira, podemos notar um avano em todos eles. 

Nossa igreja brasileira ainda no  a igreja dos sonhos, a igreja que gostaramos de ser, mas com certeza esse dia vai chegar. 

Deus visitar seu povo e o avivar para honra e glria do Seu nome!

NOTAS
1. L. A. T. Sayo, verbete ORLANDO E. COSTAS em Enciclopdia histrico-teolgica da igreja crist, Vol. I (So Paulo: Vida Nova, 1988), p. 362.

2. "Para Costas, estas trs qualidades ou critrios teolgicos - fidelidade, espiritualidade e encarnao - so as variveis de controle em seu modelo de crescimento 
integral. Trata-se dos fatores ou princpios crticos em funo dos quais avalia-se qualitativamente as vrias classes e dimenses do crescimento eclesial e se prova 
a validez teolgica de dito crescimento" (Daniel S. Schipani, CREZCAMOS EN TODO...EN CRISTO em Misin en el camino (Buenos Aires: FTL, 1992) p. 117, nota 6.

3. Orlando E. Costas, DIMENSES DO CRESCIMENTO INTEGRAL DA IGREJA em A misso da igreja (Belo Horizonte: Misso Editora, 1994) p. 113.

4. Idem.

5. Idem.

6. Ren Padilla, AVALIAO TEOLGICA DO MINISTRIO INTEGRAL em Servindo com os pobres na Amrica Latina (Curitiba-Londrina: Editora Descoberta, 1998) p. 29.

7. Bruce Shelley, A IGREJA: O POVO DE DEUS (So Paulo: Vida Nova, 1984) pp. 126,7.

8. Cf. Antonio Carlos Barro, A CONSCINCIA MISSIONRIA DE JOO CALVINO em Fides reformata, Vol. III, n 1 (So Paulo: 1998) pp. 38-49.

9. Cf. Fred H. klooster, MISSIONS - THE HEIDELBERG CATECISM AND CALVIN em Calvin theological journal (1972) pp. 183,4.

10. Costas, op. cit., p. 113.

11. D. M. Lloyd-Jones, O COMBATE CRISTO (So Paulo: PES, 1991) p. 101.

12. Costas, op. cit., p. 114.

13. Costas, COMPROMISO Y MISION (San Jos: Editorial Caribe, 1979) p. 102.

Parte XXXIII
PERIGOS SUTIS AO MINISTRIO PASTORAL 
 
"Quando fui convidado para escrever este artigo para a nossa Revista PROPOSTA, logo pensei em algo sobre o ministrio pastoral. Trata-se de um desejo de compartilhar 
com meus irmos e colegas pastores, alguns perigos do ministrio, os quais tenho constatado em minha prpria caminhada. Como sempre, so sutilezas que procuram desestabilizar 
e adulterar o nosso pastorado.

1 Perigo: O perigo de envolver-se tanto em atividades que negligenciamos nossa vida devocional.

Penso que na essncia, todo pastor deseja grandes mudanas em suas igrejas e da a quantidade exorbitante de atividades a que nos entregamos todos os dias: aconselhamentos, 
visitas, escrever artigos, fazer ligaes telefnicas, preparar estudos e sermes, separar tempo para planejar, reunir-se com a liderana, etc...

Obviamente, existe por trs deste excesso de atividades uma cultura - nosso mundo  voltado para o sucesso. Em razo disso, em nossas muitas atividades eclesisticas 
somos cada vez mais dominados por superlativos. Orgulhamos por ter uma grande Igreja, um grande coral, um grande...

Conscientemente ou no, corremos atrs de atender a um modelo ideal de pastor estigmatizado por esta cultura do sucesso que  aquele lder que est sempre ocupado, 
sem tempo para mais nada. Se estar atarefado  ser importante, ento preciso estar atarefado. Tornamo-nos da pastores compulsivos, onde nossa identidade pastoral 
passa a ser derivada de nossas atividades. 

Sutilmente somos enganados, e por fazermos parte de uma sociedade competitiva, constantemente temos que provar o nosso valor, a nossa utilidade, e para tanto, procuramos 
nos manter sempre ocupado. Abro aqui um parntesis para recomendar a leitura do livro de Henry Nouwen " No Nome de Jesus" , onde o autor fala de trs tentaes mais 
comuns no ministrio pastoral: ser relevante, ser espetacular e ser poderoso. Mas voltando; como evitar cair na armadilha do excesso de atividades ? A resposta  
a mais simples possvel: Precisamos praticar um tempo a ss com Deus. Parece uma ousadia falar assim aos pastores, mas aqui falo tambm como pastor - em nossa vida 
agitada e cheia de atividades temos fracassado em separar tempo para a solido afim de aprofundarmos nossa vida espiritual. Solido  o remdio contra o ativismo 
pastoral. Cito Henry Nouwen quando ele afirma que na solido, descobrimos que ser  mais importante que ter e que valemos muito mais que o resultado de nossos esforos.

Aprendemos com nosso Senhor Jesus em Lucas 5:15,16, que a ao interna (orao) tem precedncia sobre a ao externa (proclamao). O v.15 nos informa que muitas 
pessoas procuravam a Jesus para serem curadas por ele e o v.16 afirma "ele porm se retirava para lugares solitrios e orava". Jesus percebeu o perigo e no caiu 
na armadilha de se entregar s atividades, negligenciando sua vida devocional.

O pastor que imita as aes e a pregao de Jesus, sem, ao mesmo tempo, imitar sua vida profunda de orao, so um prejuzo para a f e um empecilho para o crescimento 
da igreja. 

Ns pastores insistimos com nossas ovelhas sobre a necessidade delas terem um tempo a ss com Deus. Mas no podemos nos esquecer que somos ovelhas tambm, e que 
ter uma vida profunda de orao no perde o seu valor quando somos ordenados ao ministrio.

2 Perigo: O perigo de reduzir a funes e projetos a pessoas que Deus nos mandou pastorear. 

Corremos o perigo de abandonarmos nossa funo como pastor, deixando de pastorear pessoas, e nos tornamos administradores e secretrios de Igrejas. Comeamos a medir 
o sucesso no ministrio pela popularidade de nossos projetos, dos terrenos que a igreja adquiriu, das reformas feitas na estrutura fsica da igreja durante nosso 
pastorado ali, do formato novo do boletim informativo, etc... Quando olhamos para o ministrio de Jesus, verificamos que ele passou mais tempo cuidando de pessoas 
e conversando com elas do que em qualquer outra coisa. Jesus no era inclinado  programas, mas  pessoas. Diferentemente de ns que somos movidos para a produo.

No me entendam mal. A princpio no h nada de errado em tudo isto; o perigo  sutil. Neste processo da secularizao da igreja, movida  produo, homens e mulheres 
com quem vivemos e trabalhamos podem se tornar meros objetos. Pouco a pouco todos se transformam em instrumentos de trabalho. Sob a presso de que esto trabalhando 
para Jesus, usamos estas pessoas como empregados para cumprirem uma misso que nem sempre  de Deus e sim do pastor. 

Talvez devssemos perguntar: Como posso saber se estou sendo bem sucedido no cumprimento de meu ministrio? Creio que Efsios 4:11-15 delineia qual  a expectativa 
de Deus para ns pastores - Dentre algumas das medidas de sucesso em nosso ministrio, est o fato de que precisamos preparar pessoas para o ministrio. Para fazer 
isto preciso gastar tempo com as pessoas - ajuda-las, ouvi-las, aconselha-las, etc...Pessoas so a razo de nosso ministrio. 
Precisamos ser lembrados que fomos chamados para pastorear e no para administrar. Para isto  que existem presbteros regentes e docentes. Ns pastores precisamos 
pastorear, dedicar tempo s nossas ovelhas para visit-las e orienta-las espiritualmente. Deixe a administrao com o presbtero regente.

3 Perigo: O perigo de se afastar tanto do mundo que perdemos a conscincia de que o mundo  nossa parquia.

Quando nos tornamos pastores, a " exigncia"  que devemos nos retirar do mundo e nos entregarmos ao trabalho de uma instituio religiosa que se dedica a seus prprios 
assuntos, seguindo seu prprio cronograma e agenda. Erroneamente, vemos o mundo como algo mal, um inimigo ou um competidor de nossa espiritualidade.Assim, nos enfiamos 
nos trabalhos da Igreja que consomem todo nosso tempo e energia e cada vez menos nos interessamos pelo mundo l fora.

 surpreendente ver que Jesus no agiu desta maneira. Em Mateus 9:36 lemos que Ele andava pela cidade e vendo as pessoas compadecia-se delas porque eram como ovelhas 
sem pastor. Eram pessoas aflitas. Aflitas por falta de trabalho, medo da violncia, sem acesso a uma boa escola e inseguras quanto ao dia seguinte. Eram pessoas 
exaustas, talvez pela sobrecarga de trabalho, no ter tempo para o lazer ou por causa dos problemas do dia-a-dia. O texto ainda fala que eram pessoas sem rumo na 
vida. Pessoas com crises no casamento, problemas com os filhos, na vida profissional, emocional e existencial.

Ns pastores precisamos seguir o exemplo de Jesus e olhar para a nossa cidade, para o nosso bairro e ter uma proposta pastoral para estas pessoas aflitas, exaustas 
e sem rumo na vida. Nosso ministrio corre o perigo de ser exercido basicamente dentro da Igreja. Creio que j est na hora de desenvolve-lo "fora da igreja" tambm. 
De tanto se afastar do "mundo", nossa linguagem vai se tornando "igrejeira" e quem  de fora entende muito pouco do que falamos.

Creio que para evitar que nosso pastorado seja adulterado, precisamos buscar a "paz da cidade" ( Jr 29:7 ) e para tanto  mister nos envolvermos com ela. Se faz 
necessrio construir relacionamentos, estabelecer amizades e se identificar com as pessoas da comunidade, sejam crentes ou no. Nossa espiritualidade pastoral no 
pode ser desenvolvida apenas dentro da igreja; precisamos, por exemplo, fazer parte da sociedade amigos de bairro, visitar a Cmara Municipal, o prefeito da cidade, 
nos envolver em atividades promovidas pelas pessoas da vizinhana, etc... Imagine se Jesus fosse o pastor de sua igreja! Por onde voc acha que ele andaria ? Quem 
ele visitaria ? Se formos bem honestos, teremos que duramente admitir que ele andaria pela nossa cidade, visitando asilos, hospitais, lanchonetes, prises, os vizinhos 
que moram prximos  igreja, etc...Ele no resumiria seu ministrio apenas aos salvos. 

Nas palavras de Eugene Peterson "quando o trabalho que executamos para Jesus como pastores esmaece nossa conscincia do mundo, afasta dele o foco de nossa ateno, 
colocamo-nos em competio contra ele, ou, simplesmente leva-nos a evita-lo, podemos dizer que nossa ordenao foi adulterada".

A ttulo de aplicao daquilo que foi dito aqui, penso que temos que responder a trs perguntas:

1) Quais so as atividades que voc tem durante a semana em que voc se coloca na presena de Deus na perspectiva de ovelha, de filho e no de um funcionrio da 
igreja?

2) Quem so as pessoas que esto sendo afetadas pela sua vida? Pela convivncia espiritual com voc?

3) Quais os lugares, ambientes que voc freqenta e pessoas com quem se relaciona que facilitam sua ao como sal da terra e luz do mundo?

Parte XXXIV
REFLETINDO SOBRE LIDERANA CRIST 
 
H um lugar especialssimo para a liderana na viso do Novo Testamento. Assim  que Efsios 4. 11-16 apresenta a plataforma de liderana da Igreja Apostlica, e 
1Timteo 3.1-13 oferece o padro para os ministrios pastoral (ali denominado "episcopado") e diaconal.

Parece ser o bvio, mas a funo do lder  liderar. Na Igreja de Cristo  a liderana desse corpo, e detm funes de liderana aqueles soberanamente escolhidos 
para esse cometimento. Paulo usa a expresso "a graa que nos foi dada" (Rm 12.6). No  funo de mando, mas de presidncia a ser exercida zelosamente, segundo 
a Verso da IBB (Rm 12.8). Nancy DUSILEK no seu Liderana Crist: a arte de crescer com as pessoas, cita o ex-reitor da Universidade de Colmbia, nos EUA, Dr. Nicholas 
Murray Butler que disse haver trs tipos de pessoas no mundo:
 as que no sabem o que est acontecendo,
 as que observam o que est acontecendo e
 as que fazem com que as coisas aconteam. 

So essas ltimas que detm o dom de liderana. Uma msica popular dos anos 70 de forte mensagem diz que "quem sabe faz a hora, no espera acontecer".

FUNDAMENTO BBLICO DA LIDERANA CRIST

Deus utiliza seres humanos como seu mtodo. Assim aconteceu com Moiss, com Josu e com os apstolos. Um lder tem limitaes, e Moiss reconhecia as suas prprias 
(Ex 4.10), mas no seu aprendizado teve que aprender a delegar (Ex 18.27). Como parte do seu aprendizado, foi humilde bastante a ponto de atender conselhos que lhe 
foram dados. Desse modo, treinou os lderes escolhidos dentre critrios bem determinados: que fossem capazes, tementes a Deus, pessoas de palavra e no avarentos 
(Ex 18.20,21).  um Josu, homem submisso  vontade de Deus (Js 6.2), hbil na distribuio de tarefas (vv. 6,7), e em dar ordens claras (v.10). Quanto  liderana 
espiritual e  preparao de outros lderes da igreja apostlica, h de ser lembrada a palavra de Paulo em 2Timteo 2.2: "e o que de mim ouviste diante de muitas 
testemunhas, transmite-o a homens fiis, que sejam idneos para tambm ensinarem os outros". 

TEOLOGIA DA LIDERANA 

Recorde-se de que liderana crist  "o trabalho de despertar e conduzir o ser humano para Deus e para tudo o que dEle recebeu", conforme ensinou MINERVINO. Se estamos 
falando de conduzir para Deus, falemos igualmente de f, pois sem essa virtude  impossvel agradar a Deus (cf. Hb 11.6). O lder cristo deve agir com f, pois 
essa virtude determina o verdadeiro objetivo da liderana crist que  o ser servo (cf. Mt 20.28; Lc 22.27; Gl 5.13; 1Co 9.19; Fp 1.1).

Alm disso, pela f a unidade da igreja  mantida. No  demais dizer que a Igreja  variada e multiforme. Romanos 16 o lembra com extrema clareza: havia naquela 
comunidade crist: mulheres, homens, judeus e gentios, livres, libertos e escravos, jovens e idosos, todos agindo, reagindo e interagindo para o bem comum e para 
o bem da causa de Jesus Cristo.

Pela f, o lder  estimula a desenvolver seu potencial (1Co 11.1), e pela f, o lder cristo exerce a perseverana. 

 observar o que diz 2Corntios 11.24-31. Pelo prprio conceito da palavra (leader>lder), o lder  um condutor, e desse modo leva os seus liderados aos cometimentos 
propostos, e utiliza para tanto os dons dos seus liderados e associados. Mas o lder cristo reconhece que no o faz por mrito prprio: Deus est com ele (Ex 3.10-12; 
1Co 12.4). Porque o servio  inerente  funo, o lder  servo.  um com o seu povo. 

Mais: o lder tem poder. Duas palavras gregas so elucidativas do conceito de poder: kratos e dynamis. Kratos  "poder, autoridade", especialmente no sentido de 
"poder poltico, comando, autoridade de mando". Vocbulos como democracia, tecnocracia, gerontocracia veiculam a idia de "poder do povo", "poder da tcnica" e "autoridade 
dos idosos". Dynamis, por outro lado, traduz "fora, potncia", permitindo que se chegue ao universo semntico de "fora ou espiritual, atividade, energia", e dando-nos 
vocbulos como dnamo, dinamite e dinamismo. 

Do lder cristo  esperada a dynamis como fundamento e veculo da sua autoridade espiritual e da sua atividade de condutor de vidas. Lamentavelmente, observa-se 
uma profuso de kratos em numerosos lderes com sede de manipulao, de deteno de poder decisrio que s evidenciam que, na falta de autntica autoridade espiritual, 
de dinamismo ungido, passam a buscar o controle, a preeminncia, assumindo, mesmo, determinados ttulos "religiosos" com o propsito de "autenticar" o poder de mando 
e comando. Lucas 12.41-48 apresenta uma palavra de Jesus Cristo a esse respeito.

QUALIDADES DO LDER

 No mnimo as seguintes qualidades podem ser destacadas. A primeira  ter ideal, e, aliada a esta, ter viso: alma e olhar de condutor de vidas. 

 A competncia e o esprito de iniciativa, que  o "partir para a ao", so igualmente basilares.
 Segue-se a tenacidade aliada  serenidade.
 Em seguida, segurana e confiana,
 que, ao lado da simpatia, autenticidade e comunicao, formam o perfil do lder cristo. O lder h de ser equilibrado, e Atos 6.3 descreve o equilbrio desejado: 
boa reputao (cf. 1Tm 3.2), plenitude do Esprito Santo, plenitude de sabedoria e de f (cf. v.5).

Funes do Lder

Previso e viso que envolvem, sem sombra de dvida, anlise dos acontecimentos do passado, das circunstncias do presente e das tendncias do futuro, imaginao 
e rapidez de raciocnio. 

Planejamento que envolve algumas anlises preliminares: estabelecimento de objetivos, escolha dos meios para a realizao do planejamento, controle da situao e 
avaliao do realizado. Outra importante funo da liderana  a defesa. E dentro disso, vale ressaltar, a postura apologtica diante das ameaas  doutrina, s 
posturas e aos valores da instituio.

Parte XXXIV
REVITALIZANDO A IGREJA 
 


Introduo:
Aonde chegaremos como igreja se continuarmos insistindo em ser apenas o que temos sido e em praticar somente aquilo que temos praticado nestes ltimos anos?

Essa pergunta estabelece a relevncia do presente trabalho, que se justifica quando confrontamos o projeto da maioria de nossas igrejas com o potencial das igrejas 
batistas; o compromisso dos membros no exerccio de cargos e no sustento da igreja com a indiferena reinante, expressa na mdia Brasil batista de integrao que 
 de 40% apenas; a necessidade de revitalizao da igreja para a sobrevivncia no mundo globalizado com o tradicionalismo embotador imposto por um seguimento de 
lderes denominacionais ideologicamente ultrapassados e quando confrontamos a gradativa contextualizao denominacional em seu interminvel repensar, com o arcasmo 
saudosista e excludente praticado por aqueles que insistem em no pensar a batistandade.

Tais confrontaes se materializam na leitura do perfil traado de muitas de nossas igrejas, tomando-se por base o alto ndice de excluses, o nmero de dizimistas 
fiis, a mdia do nmero de membros e a incontvel massa de lderes neopentecostais oriundos de nossa denominao.
Se analisarmos muitas de nossas igrejas sem ufanismo e sem o amor platnico que nos foi inculcado, temos que a admitir que a situao  catica. Precisamos estudar 
mais as nossas doutrinas, deveramos corre o risco de rever os nossos posicionamentos doutrinrios, carecemos de uma reformulao da proposta de educao teolgica 
e prosseguir repensando a denominao, mas creio que devemos urgentemente buscar a revitalizao de nossas igrejas, para a retomada dos ideais de Cristo para a igreja 
e a manifestao da glria de Deus em nossos arraiais.

Este momento, em Eclesiologia,  a leitura hermenutica do traado histrico da igreja e a constatao da situao real em que nos encontramos, o que realmente permite 
que a igreja redirecione seu foco e retome os propsitos de Deus para o seu ministrio e para o cumprimento de sua misso evangelizadora.
Antes que a igreja se prostre em nostalgia e desemboque nos questionamentos que provocam a rotura que tem como fim ltimo o desaparecimento da igreja. Antes que 
a perda da identidade e da relevncia no mundo como igreja ocorram, devemos avaliar as nossas convices doutrinrias, os nossos objetivos e a nossa estrutura organizacional. 
Devemos revitalizar.
Revitalizar  reafirmar tudo aquilo que  bblico,  retomar os princpios bblico-teolgicos desprezados e  reordenar a estrutura, o modelo e as estratgias para 
que no sejamos vitimados por uma nulidade eclesial devastadora. A igreja que busca a revitalizao tem o privilgio e o compromisso de prosseguir sempre vitoriosa.

I - Misso e Viso: ferramentas para a revitalizao da igreja 

Se  nosso desejo revitalizar a igreja para augurarmos relevncia ministerial na proclamao do evangelho, precisamos desenvolver uma genuna conscincia de misso 
que propicie uma viso objetiva do que somos e do mundo para o qual pregamos.
Qualquer instituio, principalmente a igreja, se no sabe ao certo o que deve fazer e se no tem noo clara das estratgias possveis para fazer o que deve, sucumbe 
a historicidade e torna-se dependente do tradicionalismo conservador de nulidades e acalentador da nostalgia petrificante.
Se esperamos ser igreja viva para cumprirmos o nosso papel no reino de Deus, devemos elaborar a nossa declarao de misso, que nos manter atrelados a Palavra de 
Deus, bem como a nossa declarao de viso, que direcionar os nossos olhos sempre para o ideal de Cristo para a igreja.
Aqui, cabem duas perguntas; o que  a nossa misso e qual seria, a luz dessa misso, a nossa viso? Vejamos, a partir de uma conceituao teolgica, as devidas respostas. 
A primeira resposta  sobre a misso.

* Misso  a definio objetiva e clara da nossa identidade como igreja local, independente da Denominao, buscando compreender o nosso corpo de doutrinas, o que 
cremos, e a nossa misso prtica no mundo, o que devemos fazer.

 essa conscincia de misso, quando bem definida, que estabelece a nossa identidade, quem somos, e que determina a qual denominao nos filiar. No nosso caso, fica 
mais fcil por que somos batistas e no devemos prescindir dessa identidade denominacional, mas carecemos de saber e de definir conceitualmente o que  ser batista 
no terceiro milnio. O que a CBB busca fazer com a aprovao do parecer do GT Repensando na ltima Assemblia convencional.

Agora vejamos a resposta sobre viso. 

* Viso , a partir da compreenso de nossa realidade efetiva, a imagem futura que fazemos do lugar onde pretendemos chegar como igreja e a concepo filosfica 
de como vivemos como igreja de Jesus no mundo. 

Nossa viso do mundo e de ns mesmos como igreja  determinada e condicionada pela nossa conscincia de misso. Se no sabemos quem somos, o que cremos e o que devemos 
fazer, no temos o que olhar ou, sequer, para onde direcionar os nossos olhos.

Temos um verdadeiro desafio missionrio no Brasil e no mundo. No podemos acreditar que est tudo muito bom, basta olharmos para o tempo de permanncia da igreja 
batista no Pas e confrontarmos com o nmero de membros que somamos. Mais de 120 anos de igreja contra aproximadamente um milho de batistas, conforme as ltimas 
estatsticas denominacionais. Um nmero inexpressivo se comparado a densidade demogrfica verificada no censo 2000 e divulgada pelo IBGE.

Precisamos ou no de revitalizao? Carecemos ou no de redescobrir a nossa misso? Necessitamos ou no de restaurarmos a nossa viso? A resposta para estas questes 
 um altissonante e retumbante sim! No podemos negar a necessidade de restaurarmos a nossa viso para que obtenhamos vitria de Deus no cumprimento da nossa misso. 
Negar a necessidade de revitalizao  como usar antolhos histricos e eclesiolgicos.

Nossa misso precpua  a evangelizao, mas para levarmos a cabo esta grandiosa tarefa carecemos de uma previso dotada de discernimento e alicerada na compreenso 
do que deveramos ter feito como igreja de Cristo nestes mais de 120 anos de histria. Isso  ter viso.
Na verdade, nos deparamos com a premente necessidade de definirmos as nossas reais intenes ministeriais a fim de que adquiramos caractersticas eclesiolgicas 
e expresso cltica puramente bblicas, bem como uma identidade denominacional definitivamente Batista, no tradicionalista.

II - Declarao de Misso e de Viso cabveis para a revitalizao da igreja 

Acreditando serem positivas as respostas s questes colocadas, buscamos nos arraiais batistas as respostas possveis e as apresentamos no presente trabalho, no 
af de definirmos nossa declarao de misso, bem como a nossa declarao de viso. Vale ressaltar a necessidade de adaptao  realidade da igreja local, no caso 
de se considerar apropriada a presente propositora.
Tomando por base o livro de Darrell Robinson, que apresenta a nova anlise bblica dos dons espirituais no contexto Batista, visto que desejamos estar afinados com 
a batistandade, definimos a nossa declarao de misso e de viso.

Sobre a misso, podemos asseverar que:

* A misso da nossa igreja  evangelizar os pecadores, capacitando-os, aps a converso, como santos de Deus, para a exaltao de Cristo.

No h mistrio nem inovaes. A nossa misso s pode ser baseada em textos como Mateus 28.19 e 20 e Marcos 16.15, que apresentam a Grande Comisso delegada por 
Jesus e ainda, em textos como Lucas 24.44-48 e Joo 20.21, que determinam a formatao missiolgica designada pelo prprio Cristo para a sua igreja. 
Esta declarao de misso proporciona uma vida eclesistica equilibrada e contm tudo que  essencial para o fortalecimento doutrinrio, para a maturidade espiritual 
e para o crescimento numrico da igreja. Logo, essa misso promover relevncia histrica e ministerial para a igreja, incitando seus membros e sua liderana  constante 
renovao do entendimento de si mesma, de suas doutrinas e de suas estratgias ministeriais. A igreja deve se permitir a uma permanente autocrtica e praticar uma 
continuada hermenutica histrica, se deseja cumprir sua misso. 

Com relao a viso, ainda tomando por base Darrell Robinson, afirmamos que:

* Nossa viso  ser Corpo Vivo de Cristo, com todas as suas implicaes, vivendo, coletiva e individualmente, sob sua autoridade e seu senhorio, cumprindo a nossa 
misso evangelizadora com autoridade espiritual e relevncia sociocultural, exercendo influncia tico-crist na sociedade.

Essa viso est de acordo com os princpios do Novo Testamento e vem do Cabea da igreja, Jesus.  isso que podemos deferir de textos como Mateus 16.18, que apresenta 
a igreja como poderosa e vitoriosa no embate contra o inferno, e de 1 Pedro 2.1-5, que nos posiciona como casa espiritual e ministradores do sacerdcio universal 
praticado em genuna espiritualidade, a fim de que obtenhamos contundente autoridade testemunhal em Cristo.

Temos o mesmo Senhor e Cabea, Jesus, Colossenses 1.18.  a cabea que impe a viso. A imagem visual se projeta e se define a partir da construo da imagem mental 
que se faz. O tamanho da igreja  diretamente proporcional a viso que seus membros tm de Deus e ela cumpre sua misso na mesma proporo em que cr no poder de 
Deus ainda atuante no mundo. 

III - Antteses indispensveis para a revitalizao bem-sucedida 

 extremamente produtivo definir a declarao de misso e de viso, ou mesmo redefini-las, se entendemos que se faz necessrio, mas este labor impe antteses entre 
o tradicionalismo da batistandade e a tradio bblica que deve ser abraada pela igreja de Cristo denominada Batista.

Muitas vezes, lidar com estas antteses no  nada agradvel e exige uma firmeza doutrinria herclea e uma identidade denominacional capaz de intercambiar relacionamento 
sem se permitir ser influenciado. Diversos lderes postergam ao mximo a deciso de iniciar a revitalizao da igreja na tentativa de evitar os desgastes decorrentes 
destas antteses, muitas vezes lamentando, ao final, a perda de seus membros para a igreja neopentecostal que se acampou nas redondezas.

Em sntese, a questo reside na compreenso da diferena entre o que  ser uma Igreja Tradicional ou uma Igreja Tradicionalista, visto que a maioria dos nossos membros, 
e at mesmo boa parcela dos nossos lderes, no sabe a diferena efetiva entre uma coisa e outra.

Tradio  ato de transmitir ou de entregar.  a transmisso de valores espirituais atravs das geraes. Filosoficamente, tradio  a herana cultural transmitida 
de uma gerao para outra, visando preservar as crenas.  o nico reconhecimento e a nica garantia da verdade. Em Teologia, tradio consiste em sabedoria e discernimento 
quanto a validade das instrues e as noes religiosas transmitidas de gerao para gerao.

Na Bblia, vemos em 2 Tessalonicenses 2.15 e em 1 Corntios 11.2 indicaes para se preservar a tradio, onde a palavra no original significa preceitos doutrinrios 
e est condicionada a doutrina dos apstolos citada em Atos 2.42.

A doutrina dos apstolos nada mais  do que os ensinamentos espirituais transmitidos por Jesus, que so verdadeiros e que estabelecem os parmetros e a validade 
do cristianismo. No h na Bblia qualquer referncia a tradio denominacional, at porque denominao no existia no perodo da Igreja Primitiva. 

A primeira Denominao Crist surgida foi o Catolicismo Romano, no sculo IV, que monopolizou a igreja at o movimento de Reforma Protestante, no sculo XVII.

Tradicionalismo  aferro ou apego, ou seja, amor exagerado aos usos antigos. Filosoficamente, tradicionalismo  a defesa explcita da tradio no mbito do esprito 
romntico, classificando como tradio o que se entende ser verdadeiro e no necessariamente a verdade.

Em Teologia rejeita-se o tradicionalismo devido a sua origem no iluminismo e o seu ponto culminante, a Revoluo Francesa, visto que tais movimentos foram uma tentativa 
idealista de se devolver  Igreja Catlica Romana a absoluta autoridade sobre as questes religiosas.

No contexto bblico, tradicionalismo  um mal devastador que afasta as pessoas do ideal de Deus para escraviz-las com rudimentos humanos ou para engan-las com 
sutilezas diablicas, Marcos 7.1-13 e Colossenses 2.8-15.
Jesus combateu a tradio dos ancies, escribas e fariseus, que impunham ao povo 365 proibies e 250 mandamentos, acusando-os de subjugar o povo com um fardo extremamente 
pesado que nem mesmo eles suportariam carregar, Mateus 23.1-7. 

No contexto da igreja que busca a revitalizao e que est disposta a se permitir as antteses necessrias na avaliao de sua prtica eclesiolgica e cltica, a 
diferena fundamental entre tradio e tradicionalismo se identifica no quadro que se segue 
Este quadro reflete algo que j ouvi do prprio Pr. Ed Kivitz em assemblias convencionais: "Tradicionalismo  a f morta dos vivos. Tradio  a f viva dos mortos". 



Depois de se permitir a estas antteses, a pergunta talvez seja; o que vai mudar realmente? A resposta no  simples e nem resumida na palavra tudo. Na verdade, 
as mudanas reais acontecero, primeiro, por que a igreja ter uma identidade denominacional e doutrinria prpria, no o perfil do pastor. Segundo; na formao 
da liderana, que ser mais efetiva e sempre direcionada pelo servio cristo, e no pela iconografia muitas vezes perniciosa. Terceiro, doutrinariamente, nada. 
Os ajustes doutrinrios possveis so os promovidos pela CBB, como no caso do Esprito Santo. A igreja apenas se adequar a estes ajustes para permanecer fiel a 
Declarao Doutrinria da Conveno Batista Brasileira.
Em quarto lugar, no que diz respeito a Eclesiologia, nada mudar tambm. A Eclesiologia trata dos postulados filosficos sobre o ser igreja, o que no se pode prescindir 
como Batistas. As mudanas se efetivaro na expresso cltica, na forma do praticar o culto, que ser ajustado ao Texto Sagrado, renunciando tradicionalismo histrico 
e promovendo mudanas radicais de vida nos membros da igreja. A igreja se tornar mais contextualizada e menos ritualista; mais informal e menos eclesistica, visto 
que bater palmas, utilizar bateria e guitarras, bem como cantar hinetos ou fazer coreografias nas msicas, no so temas contemplados no estudo da Eclesiologia Batista.
IV - Objetivos gerais para uma igreja de viso no cumprimento de sua misso 

Para que a igreja tenha a motivao correta, aps a revitalizao, deve-se estabelecer os objetivos gerais que a impulsionaro e que indicaro o seu modo peculiar 
de ser igreja viva na adorao, na educao crist, na comunho, nos ministrios e na proclamao, fazendo o que todas as igrejas devem fazer, porm do jeito e da 
maneira mais apropriada para a realidade sociocultural na qual interage.
Tendo definido, como batistas, a Declarao de Misso e de Viso, pode-se ento estabelecer os objetivos gerais que nortearo a eclesiologia, a expresso cltica, 
as estratgias ministeriais e a identidade denominacional levados a efeito pela igreja revitalizada.
Vale ressaltar que a motivao da igreja deve ser a conscincia objetiva quanto a misso e quanto a viso futura que se projeta do quanto se deseja alargar os horizontes 
do reino de Deus a partir do ministrio prtico da igreja. Em outras palavras, a motivao da igreja revitalizada deve derivar dos objetivos gerais definidos a partir 
da conscincia de misso e da viso alargada em seus horizontes.

Podemos agora asseverar que os objetivos gerais de uma igreja revitalizada so os seguintes: 

4.1 Instruo bblica promotora de maturidade crist e autoridade testemunhal - Deve-se desenvolver um programa de educao crist com embasamento bblico slido, 
ensinando aos membros da igreja as verdades de Deus em sua Palavra, capacitando-os a vivenciar o quotidiano conforme o propsito de Deus, Josu 1.8; Joo 5.39-47 
e Tiago 1.21-24.

Somente instruo bblica com esta perspectiva pode oferecer  igreja referncias claras de ensino bblico profundo que se conciliem com uma uno incontestvel 
na vida comunitria do cristo.

4.2 Conscincia tico-crist para o exerccio do sacerdcio universal e do ministrio eclesistico - Deve-se levar os membros da igreja ao entendimento de que todos 
somos sacerdotes para Deus, o que nos exige um padro tico e moral elevados, pois representamos o povo diante de Deus, e uma dedicao extremada ao servio cristo 
na igreja, 2 Corntios 5.14 e 15, Glatas 2.20, Tito 2.11-14 e 1 Pedro 2. 9-10.
 medida que os cristos trabalharem nas igrejas conscientes dos compromissos do sacerdcio e sabedores dos seus Dons espirituais para o ministrio, no trabalharo 
mais por suas prprias foras, mas o Esprito Santo trabalhar neles e atravs deles.

4.3 Evangelismo responsvel e baseado no testemunho pessoal - Praticar o evangelismo responsvel , certamente, no depender de campanhas ou de programas especiais, 
mas motivar a cada cristo a uma ao pr-ativa na evangelizao, seja em casa, no trabalho ou na rua, para que quando o visitante chegar a igreja j tenha no seu 
corao o interesse pelo evangelho, despertado pela amizade e pela convivncia com o cristo, Mateus 3.8-9 e 28.19-20, Lucas 24.45-48, Atos 1.8, 2 Timteo 4.1-2 
e 1 Pedro 3.14-16.
A vivncia prtica da f, com dedicao, com amor extremado pelos pecadores e com entusiasmo contagiante,  fator determinante na evangelizao. Uma igreja, por 
mais ortodoxa que seja e por melhor que seja a sua doutrina, mesmo que tenha um conhecimento bblico apurado, dificilmente experimentar crescimento real se no 
aprender a vivenciar e a transmitir a outros a sua f de forma pessoal e contagiante.

4.4 Adorao cristocntrica que propicie verdadeiro louvor em culto vivo - Isto  o que nos permite libertao da preocupao escravista com a liturgia ou com os 
estilos, motivando-nos  participao efetiva e vvida na adorao, a partir da convico de que Deus se faz presente em nossas celebraes.  a igreja se tornar 
sensvel  ao do Esprito Santo que a guiar na exaltao a Cristo e na ministrao de um culto vivo, santo e agradvel a Deus, Salmo 92.1-4; Isaas 38.17-20; 
Sofonias 3.17; Romanos 12.1; Apocalipse 5.11-12.
A verdadeira adorao nos conclama a declararmos a superioridade absoluta de Deus, bem como a pequenez do adorador. Adorao  um mistrio.  um exerccio do esprito 
humano no encontro pessoal com Deus, no qual cantamos, glorificamos e magnificamos ao Senhor por sua santidade e por sua ao salvfica em nosso favor. Adorar  
abrir o corao ao amor de Deus e render a nossa vontade aos propsitos dele.

4.5 Comunho dinmica vivenciada em amor, sinceridade e alegria produtiva - Isto  a decretao do fim do preconceito e da segregao na igreja.  a compreenso 
efetiva de que todos somos um.  a prtica da empatia e da mutualidade na consolao, na intercesso confidente e na ministrao da bno quele que foi vitimado 
pelas amputaes existenciais ou pelas confrontaes espirituais, Atos 2.44-47 e 4.32-35; Romanos 12.9-18, 13.8 e 15.1-7; 2 Corntios 1.3-5; Colossenses 3.12-17; 
Hebreus 10.19-25 e 1 Joo 4.18-21.

A igreja que vivencia este tipo de comunho valoriza as pessoas e torna seu ministrio muito mais efetivo, visto que so satisfeitas as necessidades do ser integral. 
A prtica do verdadeiro amor d  igreja um brilho divino e uma alegria que se intensificam nos relacionamentos interpessoais de seus membros.
4.6 Fidelidade voluntria e incondicional na consagrao de vidas e no sustento financeiro da obra - Isto  o entendimento pessoal de cada membro no fato de que 
 Deus quem nos sustenta e de que a contribuio financeira  apenas um reflexo da dedicao amorvel de nossas vidas ao Senhor.  saber que converso e senhorio 
esto amalgamados e que a insistncia em no dizimar e ofertar  confisso objetiva de incredulidade, 1 Crnicas 29.10-17; Ageu 2.8-9; Malaquias 3.7-12; Atos 2.45 
e 4.34-35 e 2 Corntios 9.6-14.

No se pode permitir a crena em uma dispensao automtica ou mecnica de bnos para os contribuintes. No se pode comprar o Dom de Deus, Atos 8.20. A oferta 
deve ser feita com f e pela f, como devoo amorosa ao Senhor e  sua obra, bem como ao seu povo. Esta  a oferta que propicia bnos incontveis para o cristo. 
Em vez de encararmos a contribuio como uma obrigao desagradvel e penosa, devemos compreender que a dedicao de vidas expressa na fidelidade nos dzimos e ofertas 
 um frtil meio de graa na igreja, pois por intermdio dela o Esprito Santo ministra graa e prosperidade  igreja.

4.7 Crescimento integrado da igreja a partir do equilbrio entre quantidade e qualidade - Isto  o mesmo que dizer que no se deve estar preocupado com o nmero 
de membros no rol, com o patrimnio ou com a conta bancria. A preocupao certa  com a qualidade da vida espiritual dos membros da igreja. Se para ter dez mil 
membros, uma catedral, um edifcio anexo moderno e funcional, um palacete pastoral, uma frota de veculos e uma equipe ministerial bem remunerada tivermos que prescindir 
da tica crist e do embasamento bblico continuaremos pequenos e pobres, porm, fiis ao Senhor Deus, Levtico 19.1-5; Salmo 15; Mateus 10.7-10; Atos 2.46-47 e 
9.31; Tito 2.11-15; 1 Pedro 2.9e Apocalipse 2.19-21.

A maior contribuio que a igreja tem para oferecer ao mundo  o evangelho de Cristo e seu poder libertador, por isso, jamais haver crescimento verdadeiro na igreja 
se nos aprisionarmos ao poderio concedido pelo nmero de membros no rol ou pelo saldo financeiro e patrimonial, no dando ateno s questes mais profundas que 
afetam a humanidade em decorrncia do aviltante paradoxo entre o ser e o ter, e entre o saber e o fazer.

4.8 Identidade doutrinria e denominacional definidas a partir do Texto Sagrado e no pelo conservadorismo histrico ou tradicionalismo - Isto  o mesmo que dizer 
que a igreja deve querer ser batistas, mas que no aceita um doutrinismo antibblico. Deve-se querer ser batista, mas principalmente deve querer a liberdade para 
praticar os ensinamentos da Palavra de Deus, sem receios da crtica mordaz da batistandade. A Declarao Doutrinria dos Batistas preceitua que a Bblia  a nossa 
nica regra de f e prtica, mas deve-se desejar tambm que a Palavra de Deus seja a nica regra de conduta, mesmo que para isso se tenha que renunciar a histria, 
que se reconhecer erros doutrinrios historicamente defendidos ou que se quebrar alguns paradigmas denominacionais, Marcos 7.5-9, Atos 2.41-42, Colossenses 2.8-10 
e 2 Tessalonicenses 2.15.

Sempre que o tradicionalismo denominacional se sobrepe a doutrina bblica ou que o tradicionalismo histrico se torna ineficiente diante dos propsitos de Deus, 
 necessrio substitu-los ou desmascar-los a luz da Palavra de Deus, o que nos exige uma reflexo crtica sobre o denominacionalismo a luz da Bblia Sagrada.

4.9 Constante autocrtica e permanente avaliao do contexto histrico, da expresso cltica e da estrutura organizacional - Neste objetivo reside a probabilidade 
de vitria. Quando se estabelece a autocrtica e a constante hermenutica da prpria realidade, do que se faz e de como se fazem as coisas, a luz da Palavra de Deus, 
evita-se a petrificao das estruturas, o arcasmo dos estratagemas, o embotamento das idias e o esvanecer dos ideais. Evita-se a tradicionalizao suicida da igreja, 
bem como a mortificao da conscincia crist no fazer igreja.

A constante autocrtica e a avaliao permanente exigir uma continuada revitalizao, outorgando cognio no pensar a igreja, bem como sade e maturidade espirituais 
na prtica efetiva do fazer igreja, Mateus 26.20-23; Romanos 12.3 e 1 Corntios 11.28-32.

A prtica constante da autocrtica e da interpretao investigativa dos comportamentos da igreja revitalizada permite o desmascarar as vacas sagradas, como denomina 
George Barna. Tudo o que somos e fazemos como igreja deve estar aberto  anlise e  crtica. No h pessoa, programa, estrutura ou idia que esteja fora do alcance 
de uma avaliao justa e alinhada com o propsito de Deus para a igreja. A insistncia de uma igreja em no se submeter  autocrtica e  hermenutica imparcial, 
negando-se a um processo de avaliao justo e construtivo,  prova inconteste de sua vulnerabilidade  deteriorao e  petrificao motivadas pela maldio da negligncia 
preceituada em Jeremias 48.10.

Conforme ressaltamos anteriormente, identificamos nestes nove objetivos gerais os cinco propsitos eternos de Deus para a igreja, que so: louvor, evangelismo, discipulado, 
ministrio e comunho. Estes propsitos sintetizam o Grande Mandamento e a Grande Comisso de Jesus para a igreja, conforme Mateus 22.37-40 e Mateus 28.19 e 20, 
que foram praticados de forma efetiva e vitoriosa pela Igreja Primitiva, Atos 2.37-47. So estes os mesmos propsitos que devem ser perseguidos e praticados pela 
igreja que busca revitalizao, independentemente da tradio denominacional, se pretendemos relevncia testemunhal e autoridade espiritual no cumprimento da nossa 
misso. 

Pode-se inovar no fazer igreja sem se alterar a essncia do ser Igreja, se h comprometimento com o Grande Mandamento e com a Grande Comisso, o que far da igreja 
revitalizada uma grande igreja.

Concluso 

Finalizando esta proposta de trabalho com vistas a revitalizao da igreja, deixo como sugesto a realizao de estudos amplos e de debates francos, porm respeitosos, 
para que se defina o seguinte:

a) O tipo de igreja que se pretende ser.
b) A expresso cltica que ser praticada.
c) O referencial de tica que a igreja perseguir.
d) O tipo de mensagem que se proclamar.
e) O nvel de compromisso exigido dos membros da igreja.
f) O padro de relacionamento interpessoal e de comunho que se desenvolver.
g) O mtodo de evangelizao que ser usado.
h) Qual a periodicidade da avaliao.

Sem tais definies, penso,  impossvel levar adiante a revitalizao da igreja que carece de resgatar sua identidade doutrinria e denominacional, voltando a sentir-se 
uma Igreja Viva que proclama a salvao e a libertao em Cristo em meio a esta gerao corrompida e perversa, Atos 2.40. 

Na verdade, o presente trabalho visa embasar a assertiva de  que possvel promover a revitalizao da igreja de maneira bblica, seguindo os preceitos de Jesus 
e desenvolvendo uma perspectiva correta de renovao espiritual e eclesiolgica, bem como um mtodo prtico para se introduzir as mudanas necessrias para a contextualizao 
da igreja.

O relato bblico nos incentiva a perceber a dialtica inevitvel e continuada entre a identidade eclesial e o chamamento para a misso, isto , entre o ser e o fazer 
igreja. Por isso, nenhuma igreja que afirme compromisso de misso conforme os postulados bblicos e o mandamento de Jesus pode esquecer que o cumprimento da misso 
acontece em meio a difcil dialtica entre o conservar a identidade doutrinria e o renunciar a tradio histrica.

Uma igreja verdadeiramente viva e motivada pela misso no tem receios de ultrapassar barreiras, de quebrar paradigmas, de romper as fronteiras e de alargar seus 
horizontes. No se pode ter medo de se praticar culto vivo, santo e agradvel a Deus. No se pode ter fobia de evangelismo responsvel, de discipulado biblicamente 
instrutivo, de sacerdcio universal e de comunho dinmica em amor. Pois estas so as caractersticas distintivas da igreja de Jesus Cristo no Texto Sagrado.

Finalmente, desejo ressaltar que a igreja, como Corpo Vivo de Cristo, no  mera sociedade de pessoas humanas. Se considerarmos apenas a tradio histrica e os 
pressupostos denominacionais para sermos e fazermos igreja, jamais compreenderemos o que realmente significa ser o povo de Deus que em Cristo  chamado para as boas 
obras. As denominaes so expresses sociolgicas. A diferena bsica entre o ser e o fazer igreja e uma denominao reside na comunho com Cristo, que somente 
a igreja pode desenvolver. No existe Eclesiologia, o fazer igreja, dissociada da Cristologia, do ser igreja.

Pense em tudo isso e ore pedindo a Deus discernimento espiritual e direcionamento para a deciso que voc precisa tomar juntamente com a sua igreja para a revitalizao. 
Abrace este projeto, se considera-lo procedente e biblicamente correto, leve a sua igreja entender o que  e a desejar a revitalizao. Trabalhe para que voc, juntamente 
com sua igreja, seja despertado por Deus para os nove objetivos aqui propostos. No critique ou refute sem estudar e orar. Permita-se a Deus e ao Esprito Santo 
para que estes objetivos sejam realidades efetivas em sua vida, em sua igreja e em nossa denominao.
Sejamos Igreja, Corpo Vivo de Cristo. Amm.

Parte XXXV
UM PROJETO DE REVITALIZAO PARA A IGREJA LOCAL
O presente trabalho  uma tentativa de se apresentar, de modo prtico (assim esperamos), alguns princpios fundamentais de revitalizao da igreja local, visando 
seu crescimento numrico. Como ficar evidente, a nossa inteno no  lidar com modelos de igrejas propriamente dito, porque acreditamos que cada caso  um caso, 
mas nos basearemos em princpios gerais e em nossa experincia pastoral.

1. A REVITALIZAO DA LIDERANA

No so poucas as igrejas que conhecemos que nos obrigam a fazer uma inevitvel pergunta: "Onde est a liderana?". Um lder no  capaz somente pela sua boa reputao 
dentro e fora da igreja, o que  deveras significativo. Mas tambm  preciso que ele capacite e equipe novos lderes, que por sua vez capacitem e formem outros lderes. 

A pessoa do pastor  fundamental para a formao de uma liderana capaz e capacitadora. Existe boa literatura sobre administrao eclesistica que ajudaro o pastor 
neste empreendimento. Uma das funes do pastor  equipar os santos. Investir na formao de uma boa liderana  garantir o sucesso da igreja local. Para isso, a 
liderana deve ser constantemente revitalizada, receber novas orientaes, a fim de contribuir na formao de novos lderes. 

O pastor precisa delegar e distribuir tarefas. Um pastor centralizador compromete seu ministrio e o futuro de sua prpria igreja. Um pastor que pretende levar a 
carga sozinho no conseguir ir muito longe. O que no falta nas igrejas so pessoas que querem trabalhar, mas no sabem como fazer. Pastor, ensine sua igreja a 
fazer. Confie no potencial de seu rebanho. Os resultados sero simplesmente surpreendentes!

Os lderes de igrejas que crescem concentram seus esforos em capacitar outras pessoas para ministrios especficos. Lderes capacitadores formam colaboradores, 
e no meros "ajudantes" ou "marionetes" com o intuito de alcanar seus prprios interesses. Pelo contrrio, a pirmide de autoridade  invertida: os lderes ajudam 
cada cristo de sua igreja a chegar  medida de plenitude intencionada por Deus para cada um. Eles capacitam, apiam, motivam e acompanham a todos individualmente 
para se tornarem aquilo que Deus tem em mente; a saber, a varonilidade do Corpo de Cristo. "Lderes que se vem como instrumentos para capacitar outros cristos 
e lev-los  maturidade espiritual, descobrem como esse aspecto leva 'por si mesmo' ao crescimento" (C. A. Schwarz, O crescimento natural da igreja, p. 23). Em vez 
de fazer a maior parte do trabalho, esses lderes investem a maior parte do tempo na formao de novos lderes atravs do discipulado e do compartilhamento de tarefas. 
Assim, a energia investida por eles pode multiplicar-se quase infinitamente.

Sendo assim, como revitalizar uma igreja cuja liderana est cansada e os liderados insatisfeitos? Em nossa pouca experincia temos aprendido que o segredo do sucesso 
est no investimento. Invista-se na liderana e na formao de novos lderes e a igreja como um todo reagir positivamente. 

Quando fui pastor em uma das igrejas da Grande So Paulo, pude perceber um pouco da fora do que acabamos de dizer. Pegamos uma junta diaconal debilitada e sem muito 
compromisso. Aos poucos (ir devagar  fundamental quando se chega em uma nova igreja) fomos renovando a junta diaconal, trocando os "irrecuperveis" por novos. Investimos 
na nova liderana, viajamos com eles para um encontro de diconos no Rio de Janeiro, recebemos orientaes especficas de lderes de juntas diaconais que estavam 
dando certo e em pouco tempo a junta diaconal de nossa igreja se tornou uma das mais atuantes da Grande So Paulo. Os diconos reconquistaram a credibilidade da 
igreja, e a mesma se colocou  disposio para ajud-los no que fosse preciso. O que seria daquela igreja se todos os setores fossem revitalizados? Infelizmente 
no foi possvel continuar ali para ver os resultados.

Minha proposta : 1) Quando uma liderana est "viciada"  preciso ser trocada. Geralmente no vale a pena tentar recuper-la.  perda de tempo. Tem que ser trocada. 
Aos poucos, mas precisa ser trocada. Revitalizao nem sempre significa tentar recuperar o que no tem jeito. Mudana tambm  revitalizao. Existe muita gente 
boa no ministrio errado. 2) Tem muita gente nova na igreja que daria um bom lder. Meu ex-professor, Dr. Elias Dantas, disse acertadamente que "o maior fenmeno 
de revitalizao na igreja  o crente novo". E ele sabia o que estava dizendo porque levava isso a srio nas igrejas que pastoreava.

Mas como preparar uma liderana capaz e capacitadora, verdadeiramente revitalizada, sem que haja frustraes no futuro?

1) Os ministrios devem ser orientados pelos dons

Acredito que muitos dos problemas de uma igreja, quer sejam de ordem espiritual, quer sejam de ordem administrativa, seriam resolvidos com mais facilidade, ou at 
mesmo no existiriam, se todos os membros da igreja descobrissem e usassem seus dons ministeriais. Orlando Costas (Compromiso y misin, p. 62) acertou quando disse 
que "o crescimento da igreja depende de uma eficaz mobilizao de seus membros". E esta "mobilizao", a meu ver, s  possvel quando os membros de uma igreja esto 
no lugar certo.

Schwarz faz uma declarao alarmante: "De uma pesquisa que fizemos com 1600 cristos ativos em suas igrejas, no ambiente de fala alem, na Europa, descobrimos que 
80% deles no sabem os seus dons espirituais". Ser que o resultado da pesquisa seria diferente se fosse feita com 1600 cristos ativos nas igrejas do Brasil? Acredito 
que no e digo por qu. Ministrei sobre o tema na regio sul do Pas durante quase um ano, e pude constatar que o resultado da pesquisa no foi diferente. 

Alm de outros fatores indispensveis para o crescimento da igreja, como veremos adiante,  fundamental que os ministrios sejam orientados pelos dons. Novos lderes 
devem ser formados a partir de seus dons.

Existem bons livros que podero ajudar na formao de ministrios orientados pelos dons. Em portugus h pelo menos dois que recomendo: Quem  voc no Corpo de Cristo?/ 
Lida E. Knight. Campinas: Luz Para o Caminho, 1994 e O teste dos dons/Christian A. Schwarz. Curitiba: Editora Evanglica Esperana, 1997.

2) Formar discpulos para serem discipuladores

O discipulado que gira em torno de si mesmo est fadado ao fracasso. A preparao de um discpulo que no tem como objetivo a formao de outros no  bblica. Um 
discpulo deve ser preparado para discipular e formar novos discpulos, que por sua vez discipularo e formaro outros e assim sucessivamente. Isto sim  bblico, 
pois foi a tnica do ministrio terreno de Jesus. Para isso preparou seus discpulos. 

A nfase da Grande Comisso foi: "fazei discpulos".

Infelizmente, o que temos visto na prtica, em termos de discipulado,  a preparao que visa o crescimento espiritual do discpulo e nada mais que isso. Toda ovelha 
deve ser preparada para produzir outras ovelhas. Os discipuladores no devem perder isso de vista se realmente desejam formar lderes capazes.

E quem, por assim dizer, daria o ponta p inicial do discipulado? Como pastor, entendo que os prprios pastores deveriam iniciar o processo de discipulado, por uma 
simples razo: Uma das principais atribuies do pastor  instruir, orientar e superintender as atividades da igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual 
do povo de Deus.

<B< ECLESIAIS ESTRUTURAS DAS REVITALIZAO A>

O que muito tem contribudo para o no crescimento, e at decrscimo na membresia de algumas igrejas, so aquelas estruturas enrijecidas pelo tradicionalismo e, 
portanto, no funcionais. Duas coisas, pelo menos, so necessrias para que as estruturas de uma igreja se tornem funcionais.

1) A quebra de paradigmas 

Paradigma  uma palavra de origem grega que significa "modelo" ou "padro". Os paradigmas podem ser definidos como "verdades" que se fixaram na mente, indicando 
um jeito de ser, viver ou fazer as coisas. Para um estudo interessante deste tema sugiro a leitura do livro Quebrando Paradigmas/Ed Ren Kivitz. So Paulo: Abba 
Press, 1995.

s vezes  preciso coragem para quebrar paradigmas que no funcionam mais e que, portanto, j no tm nenhum valor prtico. 

 primeira vista parece fcil mudar aquilo que se tornou obsoleto. Mas nem sempre  to simples assim. Primeiro  preciso mudar a mentalidade dos acomodados e principalmente 
dos saudosistas, daqueles que confundem inovao com inovacionismo; a boa tradio com tradicionalismo.

O segredo do sucesso est num trabalho de conscientizao srio e paciente. Por uma questo de prudncia e respeito com aqueles que no pensam como ns,  preciso 
que os paradigmas sejam quebrados aos poucos. As idias e conceitos devem ser amadurecidos no meio da comunidade, sem atropelos, mas progressivamente. Uma coisa 
aprendi em meu ministrio pastoral: Se a igreja no "comprar" a nossa idia, no ser por meio de decreto conciliar que conseguiremos qualquer xito. Um dilogo 
franco, aberto e amigvel  a chave do sucesso.

2) Testes de qualidade

As estruturas da igreja devem ser constantemente testadas por sua liderana, a fim de serem revitalizadas e, desse modo, servirem melhor o organismo. Tudo que no 
contribui para esse objetivo deve ser mudado ou eliminado.

Algumas coisas podem ser citadas como exemplos do que no devem passar pelo teste de qualidade de uma igreja local: liderana inibidora, horrio e durao do culto 
inadequados, conceitos desmotivadores de administrao das finanas, etc. 

Por meio de um processo constante de avaliao e renovao, o surgimento de estruturas enrijecidas  evitado em grande parte.

3. A REVITALIZAO DO COMPROMISSO MISSIONRIO 

Com o passar do tempo os membros de uma igreja local tendem a esquecer-se de seus compromissos missionrios. Para se evitar isso  preciso lembr-los constantemente 
da importncia da igreja local para com a obra missionria no mundo. Neste caso especfico, o livro Igreja local e misses, de Edison Queiroz, pode ser muito bem 
aproveitado.

1) Um exemplo que deu certo

Aprendi com um colega de ministrio a separar um domingo por ms para falar de forma mais especfica sobre a importncia da igreja local em misses. O Domingo Missionrio, 
como era chamado, era dedicado s misses. Pregvamos sobre misses, a igreja orava por misses e contribua financeiramente com a obra missionria. Mas isso no 
aconteceu de um dia para o outro. Foi preciso um trabalho de base, de muita conscientizao e investimento que valeram a pena. 

Entendamos que separar um domingo por ms para misses era o mnimo que estvamos fazendo. O ideal seria todos os domingos. Mesmo assim foi gratificante. Segundo 
testemunho de irmos antigos (que a principio foram relutantes), aquele foi um dos perodos mais abenoados na vida daquela igreja. E no poderia ser diferente. 
Quando uma igreja se envolve com misses, todas as demais reas so abenoadas por Deus, inclusive a financeira. Prove!

2) Uma questo de obedincia e prioridade

A experincia nos ensinou que evangelizar no  uma opo de vida de uma igreja local, mas a prpria vida de uma igreja local. O que est "matando" muito crente 
novo (que desperdcio!)  a igreja no-funcional, que se limita a suas atividades internas, fechada em quatro paredes. A igreja local precisa resgatar sua viso 
missionria, excelncia maior de seu chamado, como bem declarou o apstolo Pedro: "Vs, porm, sois raa eleita, sacerdcio real, nao santa, povo de propriedade 
exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (I Pe 2.9). 
Vejamos alguns exemplos de como a igreja poder revitalizar sua viso missionria.

3) Revitalizando a misso integral da igreja local

Como revitalizar uma igreja que comeou com tanta empolgao para fazer misses e de repente esfriou? Em primeiro lugar,  preciso reconscientizar a igreja de sua 
misso no mundo. Em segundo lugar,  preciso conscientiz-la de que ela est no mundo para servir o mundo integralmente. 
Se a igreja chegou a se empolgar com misso algum dia,  sinal que ela tem potencial para fazer, com a graa de Deus, o que fez antes. Sermes e estudos bblicos 
missionrios, filmes especficos como por exemplo As Primcias, Etal e Atrs do Sol, alm do auxlio de associaes evanglicas e agncias missionrias, certamente 
produziro novo alento. 

A igreja deve ser redirecionada. Geralmente a frieza por misses acontece por causa da rotina. Uma vez que o mal foi detectado  necessrio que seja combatido com 
atividades variadas.

Alm disso,  importante que a igreja saiba que sua misso no mundo  integral. Isto , evangelizar no  simplesmente distribuir folhetos como alguns pensam, mas 
sim, atender o indivduo na totalidade de suas necessidades. Por outro lado, a igreja nunca deve deixar se levar pela prtica do paternalismo e assistencialismo 
paliativos, mas sempre partir para uma ao social transformadora, do indivduo e da sociedade, para a honra e glria de Deus Pai. O ponto de partida ser o parmetro 
bblico e o contexto da igreja local.

Concluso:
Mais coisas poderiam ser ditas como parte integrante de um projeto de revitalizao para a igreja local, como por exemplo, a espiritualidade contagiante da igreja 
local com relacionamentos marcados pelo amor fraternal, um culto inspirador, a formao de grupos familiares ou clulas, etc. Entretanto, entendemos que a formao 
de uma liderana capacitadora, as estruturas da igreja sendo funcionais e o compromisso missionrio revitalizado, naturalmente resultaro em novas realizaes.

Parte XXXVI
UMA IGREJA RENOVADA
TEXTO: ROMANOS 12: 1-2 
 
PROPSITO:

Uma das maiores necessidades do mundo, das pessoas e tambm da igreja  a de se adaptar ao curso da histria. Esta adaptao s se viabiliza mediante a disposio 
do mundo, das pessoas e da igreja em se transformarem. Transformao  o segredo de um organismo vivo. 
- Ilust. Leon Tolsti: "Todos pensam em mudar a humanidade e ningum pensa em mudar-se a si mesmo". 

01. TRANSFORMAO ATRAVS DA COMUNICAO

A igreja no sobrevive sem uma comunicao interna. O grande fator de disperso que a enfraquece  a falta de uma boa comunicao entre seus membros.

1.1 - A comunicao se processa atravs de trs elementos bsicos:
a - Kerigma - mensagem
b - Koinonia - comunho
c - Diakonia - servio

1.2 - Encurtando as distncias - Joo 13: 12-17

A mensagem Kerigma - no funciona isoladamente. Para que ela produza resultados positivos  necessrio que o membro exercite a Koinonia e a Diakonia. 

02. TRANSFORMANDO A NOSSA RELAO

Este processo ocorre atravs da prtica de quatro princpios bblicos:

2.1 - Princpio da integralizao - 1 Corntios 12: 15-16

- cada membro tem a sua funo. Um membro no deve aspirar o lugar do outro. Quando isto ocorre todo o corpo  prejudicado.
- A quebra deste princpio provoca:
a - desvalorizao do membro
b - contestao da vontade de Deus
c - afastamento dos outros membros
d - desperdcio de foras

2.2 - Princpio da oportunidade - 1 Corntios 12:17-18

- este princpio visa dar a todos a mesma chance de trabalho. Um membro no pode inibir a ao do outro.

- A falta de oportunidade produz:

a - desequilbrio em todo os sistema
b - um esprito de concorrncia
c - uma anemia espiritual

2.3 - Princpio da dependncia - 1 Corntios 12: 21-22

- todos os membros devem participar das atividades que os demais realizam. A independncia enfraquece o corpo.

- Quando este princpio  quebrado, ocorre:
a - enfraquecimento de todos os demais membros
b - o egosmo passa a predominar nas relaes
c - a arrogncia quebra a linha de comunicao

2.4 - Princpio da unidade - 1 Corntios 12: 25-26

- a unidade  a fonte geradora de toda a energia, mobilidade e harmonia do corpo. Sem ela, a igreja perde a sua funo. Joo 17:23 

3.0 - TODA TRANSFORMAO EXIGE DISCIPLINA PESSOAL - 
1 Corntios 9:25

- A igreja precisa ser a autora e no a espectadora no processo de mudanas. Ela foi criada para ser o instrumento de Deus na transformao da sociedade. Para isto 
o exerccio da disciplina  imprescindvel.

- Disciplina na prtica de ouvir e falar - Joo 8:47
- Disciplina na prtica do perdo - Marcos 11:25
- Disciplina na prtica da f - 2 Corntios 13:5
- Disciplina na prtica da liberdade - Glatas 5:13
- Disciplina na prtica das aes - Colossenses 3:17
- Disciplina na prtica do tempo - Efsios 5:15-16
- Disciplina na prtica da santidade - 1 Timteo 5:22
- Disciplina na prtica do amor - Joo 13: 35

Parte XXXVII
UNIDADE NA VARIEDADE
Romanos 16.3-16 
 No ltimo captulo da Carta aos Romanos, Paulo faz recomendaes, saudaes e votos. So saudaes individuais a vinte e seis pessoas e a cinco famlias, grupos 
de pessoas ou "igrejas no lar". Das pessoas mencionadas, pelo menos oito so mulheres. Treze dos nomes aparecem em inscries ou documentos que tem a ver com a nobreza 
e com o palcio do imperador naquela cidade (cf. Fp 4.22). No entanto, so, na maioria, escravos.

 uma esclarecedora lista de como a f evanglica se havia espalhado entre todas as classes sociais. H uma mistura de judeus e gentios; nobres, libertos e escravos; 
homens e mulheres; idosos e jovens. Mostra como aquela comunho de f na cidade de Roma era formada de gente de vrias nacionalidades, procedncias e estratos sociais. 
Registra, ainda, como o muro de separao entre judeus e no-judeus fora derrubado, exatamente nos termos de Efsios 2.14,16 (cf. Gl 3.28).

A COLORIDA VARIEDADE

Como j enfatizado, h nesta passagem uma viso da intensa vida da Igreja-dos-Primeiros-Dias. A relao de nomes  de altssimo significado, e examinando-os com 
alguma anlise, vemos que os tipos so to diferentes que s um milagre chamado evangelho pode explicar a interao naquela comunidade de f.

H judeus e h gentios, j o dissemos, ou seja, gente que vem de um profundo contexto espiritual, e gente que vem do paganismo. H ricos e h pobres. H homens e 
h mulheres.

Os judeus. Era o caso de Priscila e quila (v.3), de Maria (v.6), de Andrnico e Jnias (v.7), de Apeles (v.10), de Herodio (v.11).

H romanos: Ampliato (v.8) e Urbano (v.9), e, pelo menos, um grego, Epneto.
Escravos: Ampliato, Urbano, Estquis, Flegonte, Prside e Hermas.

O significado dos nomes  igualmente muito interessante: 
 quila = guia
 Asncrito = incomparvel
 Epneto = louvado
 Estquis = espiga 
 Fillogo = falador, erudito
 Flegonte = ardoroso
 Hermes = intrprete (da a palavra hermenutica, a arte da eloqncia)
 Jlia = juvenil
 Maria = bela (alguns traduzem como "teimosa, obstinada")
 Nereu = molhado
 Olimpas = descido dos cus
 Ptrobas = vida do pai
 Priscila = venervel
 Trifena = delicada
 Trifosa = mimosa, graciosa
 Urbano = criado na cidade.

As saudaes no so longas, mas so muito expressivas, cheias de gratido e plenas de amor:

Em relao a Prisca e quila (vv. 3,4): "meus cooperadores em Cristo" e "pela minha vida expuseram as suas cabeas" . Para Epneto (v.5b): "meu amado" e "primcias 
da sia para Cristo". Maria (v.6) foi a que "muito trabalhou por vs". No verso 7, Andrnico e Jnias so "meus parentes", "meus companheiros de priso" e "bem conceituados 
entre os apstolos".

No verso 8, Ampliato  "meu amado no Senhor"; no 9, Urbano  "nosso cooperador em Cristo"e Estquis  chamado de "meu amado". Apeles (v. 10)  denominado "aprovado 
em Cristo"; no verso 12, as irms Trifena e Trifosa so as que "trabalham no Senhor", e Prside, veterana senhora,  amada" e "muito trabalhou no Senhor". E passando 
ao verso 13, Rufo  o "eleito no Senhor".

MEMRIAS 

H algumas histrias por trs das lembranas de Paulo. A histria de Prisca e quila. Eu escrevi Prisca? Prisca ou Priscila? D no mesmo, porque Priscila  o diminutivo 
de Prisca (cf. At 18.2, 18,26), como Lucia faz Lucila, Drusa, Drusila e Lvia, Livila. Era um casal devotadssimo ao apstolo Paulo, a ponto de sofrerem perigo de 
vida (cf. 1Co 15.32; At 19.23) Tinham a mesma profisso de Paulo, que, por um tempo, morou com eles. Quando Paulo deixou Corinto indo para feso, o casal o acompanhou 
(At 18.18).  possvel, at, que Priscila pertencesse a uma famlia da nobreza romana, e qila fosse um judeuda sia menor setentrional. Um estudioso do Novo Testamento 
diz que no h no Novo Testamento um casal mais fascinante que este.

Outra histria interessante  a de Rufo. No verso 13, Paulo chamou  senhora, me de Rufo, de sua me, de acordo com o costume oriental de assim chamar uma senhora 
mais idosa. H quem admita ser Rufo filho de Simo, o cireneu que carregou a cruz de Jesus compartilhando com Ele a dor, o maltratto, a humilhao daquela manh 
em Jerusalm (cf. Mc 15.21). Se assim ocorreu, que gente extraordinria so os pais de Rufo: o pai carregou a cruz de Jesus Cristo, e a me "adotou" Paulo, o grande 
apstolo aos gentios.

As duas idosas irms em Cristo tm histrias no contadas no texto. Prside ("natural da Prsia") e Maria so pessoas que no se entregam. Eram avanadas na idade, 
e incansveis no trabalho. Alis, Paulo usa uma palavrinha que diz isso: kopian, que significa "trabalhar at o cansao"

A UNIDADE 

No  fcil viver em unidade, em concrdia. Dietrich Bonhoffer usa as expresses "dom de uma vida comum" e "dom da adorao em comum aos domingos", aplicando-as 
 bno de Deus que se chama Igreja. Diz ele que o estilo de vida que acontece na igreja  um privilgio. Mas a verdade  que  muito difcil viver em comunidade. 
E se no h o alicerce de Jesus Cristo, essa experincia que deveria ser abenoada, abenoadora, enriquecedora, torna-se amarga e, em certos casos, traumatizante. 
Muitos problemas afloram porque nossos irmos em Cristo (em quem corre o mesmo de Jesus nas veias) so tratados apenas como outras pessoas, gente que enche os bancos 
da igreja, mas no como irmos no Nome de Jesus Cristo, nosso Salvador.

Pois ; o relacionamento humano  uma teia delicadssima, tenussima e fraglima que pode se romper com coisas mnimas e minsculas, mas que se fortalece quando 
est fundamentada no respeito, na confiana, na honestidade, na tolerncia, no querer o bem, no bem-querer e nas atitudes de boa vontade.

Na verdade, o relacionamento humano e cristo  dinmico, poderoso e incentiva o crescimento pessoal e da Igreja como um corpo.

PRECIOSAS LIES

Sacrifcio de uns pelos outros (vv. 3-5a). Aqui temos Priscila e qila, o casal amado, recebendo do apstolo o reconhecimento pelo modo atravs do qual compartilharam 
de suas lutas, a ponto de quase serem mortos.

Desde o princpio desta genuna e profunda amizade, Priscila e quila foram pessoas que mantiveram aberto o corao, abertas as mos, e aberta a porta para a expanso 
do nome e reino de Cristo

Trabalho pelo bem comum (v.6). Paulo sada a irm na f chamada Maria.  digno de observao que as mulheres so significativamente proeminentes na vida da Igreja 
de Cristo. Nesta lista h solteiras, casadas, vivas, mes e todas executando um admirvel ministrio na Causa do Senhor. 

Temos membros de uma mesma famlia fazendo parte com outras famlias de uma mesma famlia de f. Paulo at o menciona. No verso 10, ele fala dos "da casa de Aristbulo"; 
no verso 11, "os da casa de Narciso", no verso 13, de Rufo, sua me e sua irm, e no verso 15, de Fillogo, Jlia, Nereu e sua irm (provavelmente, pai, me e filhos).
O Novo Testamento menciona que, em muitas ocasies, famlias inteiras eram batizadas (cf. At 10.44-48; 16.15, 33330-34; 18.8; 1Co 1.16; 16.19; Cl 4.15; Fm 2). Havia 
casos em que pequenos grupos se reuniam em uma casa.  o caso de um ncleo que tinha seus encontros na casa de quila e Priscila (v. 5a). Alguns foram companheiros 
de priso do apstolo (cf. v.7). Dr. Dale Moody, nosso ex-professor, fez uma significativa afirmao ao dizer que ser um dia glorioso quando os crceres forem transformados 
em plpitos. 

Aceitao de uns pelos outros (v. 16). Paulo recomenda uma saudao muito comum no Oriente Prximo ainda hoje: o beijo (cf. Gn 29.11; 33.4; 1Sm 10.1). Alm de ser 
um sinal de afeio entre parentes,um sinal de amor, havia, tambm, um tom de homenagem (Gn 29.11; Ct 1.2). No Novo Testamento, um sinal de amizade e saudao (Mt 
26.48).

Era, lembremos, um ato de fraternidade entre os semitas, mas no entre os romanos. Por outro lado, o costume j se havia difundido nas igrejas conforme atestam os 
seguintes exemplos textuais: 1Corntios 16.20; 2Corntios 13.12; 1Tessalonicenses 5.26 e 1Pedro 5.14.. Paulo, porm, no o entende s como sinal de amizade, nem 
como uma ordenana ritual. Paulo usa a palavra "santo", "sculo santo", para evitar toda e qualquer conotao maldosa. Equivale, ento, em nossa cultura, a um fraternal 
abrao e aperto de mos, um cordial "Bom dia!"

 preciso recuperar o significado da comunho. Alis, comunho (koinonia)  uma das grandes palavras do Novo Testamento. Fala de uma abordagem sistmica, pois  
vital para a sade espiritual da igreja e do crente como indivduo. Pode no parecer, mas uma h uma comunho o dedo e o fgado de algum, a perna e o corao porque 
corre um sangue vital. Devemos buscar a comunho, nos aproximar de algum.  preciso lembrar que avivamento e comunho andam de mos juntas. 

H uma recomendao do apstolo que  apropriada para encerrar esta reflexo. Encontra-se em 1Corntios 16.14b: "Fazei todas as vosss obras com amor".  recomendao 
perfeitamente pertinente porque nenhum dom espiritual, nenhum desejo de unidade ou de comunho  coisa alguma sem o amor.  ele quem pe um ponto final nas divises, 
faz desaparecer o orgulho, que regenera o interesse, a solidariedade e a fraternidade de uns pelos outros.

O amor  o comeo do crescimento espiritual. Ser preciso lembrar que o primeiro aspecto do fruto do Esprito  o Amor? Por ele, manifesta-se a humildade (Rm 12.4), 
desenvolve-se a compreenso e o ministrio do ouvido amigo. Assim : "Todas as vossas obras sejam feitas com amor".

Orao
Senhor, ns Te pedimos:
Que nos conheamos sempre melhor
Em nossas aspiraes e nos compreendamos
Mais e mais em nossas limitaes.
Que cada um de ns sinta e viva 
as dificuldades dos outros.
Que ningum fique alheio aos momentos
De cansao, dissabor e desnimo do prximo.
Que nossas discusses no nos dividam,
Mas nos unam na busca da verdade e do bem. Que cada um de ns, ao construir a prpria vida, 
No impea o outro de viver a sua.
Que nossas diferenas no excluam ningum da comunidade.
Que olhemos para cada um, Senhor,
Com os Teus olhos e nos amemos com o Teu corao.
Que a nossa fraternidade no se feche em si mesma,
Mas seja disponvel, aberta e sensvel
Aos problemas de cada um.
E que, no fim de todos os caminhos,
Alm de todas as buscas, e depois de cada encontro,
No haja vencidos nem vencedores,
Mas somente irmos.
Assim seja. Amm!

(Autor desconhecido)

Parte XXXVIII
O QUE LEVOU A IGREJA
Em Antioquia a fazer Misses 
Em Atos 13 o horizonte de Lucas se alarga pois o nome de Jesus seria maciamente testemunhado alm da Judia e Samaria. A partir de Antioquia chegaria aos confins 
da terra. Os dois diconos evangelistas prepararam o caminho. Estevo atravs de seu ensino e martrio, Filipe atravs de sua evangelizao ousada junto aos samaritanos 
e ao etope. O mesmo efeito tiveram as duas principais converses relatadas por Lucas, a de Saulo, que tambm fora comissionado a ser o apstolo dos gentios, e a 
de Cornlio, atravs do apstolo Pedro. Evangelistas annimos tambm pregaram o evangelho aos "helenistas" em Antioquia. Mas sempre a ao esteve limitada  Palestina 
e  Sria. Ningum tinha tido a viso de levar as boas novas s naes alm mar, apesar de Chipre ter sido mencionada em Atos 11:19. Agora, finalmente, vai ser dado 
esse passo significativo. 

A populao cosmopolita de Antioquia se refletia nos membros de sua igreja e at mesmo em sua liderana, que consistia em cinco profetas e mestres que moravam na 
cidade. Lucas no explica a diferena entre esses ministrios, nem se todos os cinco exerciam ambos os ministrios ou se os primeiros trs eram profetas e os ltimos 
dois mestres. Ele s nos d os seus nomes. O primeiro era Barnab, que foi descrito com "um levita, natural de Chipre" (Atos 4:36). O segundo era Simeo que tinha 
o sobrenome de Nger, que significa Negro, provavelmente um africano e supostamente ningum menos que Simo Cireneu, que carregou a cruz para Jesus. O terceiro era 
Lcio de Cirene e alguns conjecturam que Lucas se referia a si mesmo o que  muito improvvel j que ele preserva seu anonimato em todo o livro. Havia tambm Manam, 
em grego chamado o "syntrophos" de Herodes o tetrarca, isto , de Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande. A palavra pode significar que Manam foi "criado" com 
ele de forma geral ou mais especificamente que era seu irmo de leite. O quinto lder era Saulo. Estes cinco homens simbolizavam a diversidade tnica e cultural 
de Antioquia e da prpria igreja. 

Foi quando eles estavam "servindo ao Senhor, e jejuando" que o Esprito Santo lhes disse: "separai-me agora a Barnab e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" 
(At.13:2). Algumas perguntas precisam ser respondidas. 

A quem o Esprito Santo revelou a sua vontade? Quem eram "eles", as pessoas que estavam jejuando e orando? 

Parece-me improvvel que devamos restringi-los ao pequeno grupo dos cinco lderes, pois isso implicaria em trs deles serem instrudos acerca dos outros dois.  
mais provvel que se referia aos membros da igreja como um todo j que eles e os lderes so mencionados juntos no versculo 1 de Atos 13. Tambm em Atos 14:26-27, 
quando Paulo e Barnab retornam, prestam conta a toda a igreja por terem sido comissionados por ela. Possivelmente Paulo e Barnab j possuam anterior convico 
do chamado de Deus e esta verdade foi aqui revelada para toda a igreja. 

Qual o contedo da revelao do Esprito Santo  Igreja em Antioquia? 

Foi algo muito vago e possivelmente nos ensina que devemos nos contentar com as instrues de Deus para o dia de hoje. A instruo do Esprito Santo foi "separai-me 
agora a Barnab e a Saulo para a obra a que os tenho chamado", muito semelhante ao chamado de Abro: "vai para a terra que te mostrarei". Na verdade em ambos os 
casos o chamado era claro mas a terra e o pas no. 

Precisamos observar tambm que tanto Abro como Saulo e Barnab precisariam, para obedecerem a Deus, darem um passo de f. 

Como foi revelado o chamado de Deus? 

No sabemos. O mais provvel  que Deus tenha falado  igreja atravs de um de seus profetas. Mas seu chamado tambm poderia ter sido interno e no externo, ou seja, 
atravs do testemunho do Esprito em seus coraes e mentes. Independente de como o receberam, a primeira reao deles foi a de orar e jejuar, em parte, ao que parece, 
para testar o chamado de Deus e em parte para interceder pelos dois que seriam enviados. Notamos que o jejum no  mencionado isoladamente. Ele  ligado ao culto 
e  orao, pois raras vezes, ou nunca, o jejum  um fim em si mesmo. O jejum  uma ao negativa em relao a uma funo positiva. Ento jejuando e orando, ou seja, 
prontos para a obedincia, "impondo sobre eles as mos os despediram". 

Isto no era uma ordenao ao ministrio muito menos uma nomeao para o apostolado j que Paulo insiste que seu apostolado no era da parte de homens, mas sim uma 
despedida, comissionando-os para o servio missionrio. 

Quem comissionou os missionrios? 

De acordo com Atos 13:4 Barnab e Saulo foram enviados pelo Esprito Santo que anteriormente havia instrudo a igreja no sentido de separ-los para ele. Mas de acordo 
com o versculo seguinte foi a igreja que, aps a imposio de mos, os despediu.  verdade que o ltimo verbo pode ser entendido como "deixou-os ir", livrando-os 
de suas responsabilidades de ensino na igreja, pois s vezes Lucas usa o verbo "adulou" no sentido de soltar. Mas ele tambm o usa no sentido de dispensar. Portanto 
creio que seria certo dizer que o Esprito os enviou instruindo a igreja a faz-lo e que a igreja os enviou, por ter recebido instrues do Esprito. Esse equilbrio 
 sadio e evita ambos os extremos. O primeiro  a tendncia para o individualismo pelo qual uma pessoa alega direo pessoal e direta do Esprito sem nenhuma referncia 
 igreja. O segundo  a tendncia para o institucionalismo, pelo qual todas as decises so tomadas pela igreja sem nenhuma referncia ao Esprito. 

Concluso 

No h indcios para crermos que Saulo e Barnab eram voluntrios para o trabalho missionrio. Eles foram enviados pelo Esprito atravs da igreja. Portanto cabe 
a toda igreja local, e em especial aos seus lderes, ser sensvel ao Esprito Santo, a fim de descobrir a quem ele est concedendo dons ou chamado. 

Chamado missionrio no  um ato voluntrio,  uma obedincia  viso do Senhor. 

Assim precisamos evitar o pecado da omisso ao deixarmos de enviar ao campo aqueles irmos com clara convico de que foram chamados por Deus, bem como a precipitao 
de o fazermos com outros que possuem os dons para tal, mas sem confirmao do Esprito  igreja. 

O equilbrio  ouvir o Esprito, obedec-lo e fazer da igreja local um ponto de partida para os confins da terra.

Parte XXXIX
MINISTRIOS FIIS 
 
"...passei pregando o reino de Deus... no me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus... estou limpo do sangue de todos" (Atos 20. 25 - 27).

No existe chamada mais honrosa e elevada que a divina para o ministrio integral.  senso comum que qualquer outra atividade desenvolvida pelos cristos tem sua 
pertinncia na Causa de Cristo e no deve ser minimizada. No entanto, a Escritura Sagrada d grande importncia a homens e mulheres que foram separados como profetas, 
evangelistas, missionrios e pastores. O apstolo Paulo mesmo demonstrou uma clara viso do seu ministrio, e suas cartas o revelam (1).

O contexto da poro bblica escolhida  que Paulo, apstolo, est deixando um lugar onde tem exercido um ministrio fiel e pleno de frutos. Paulo est com sentimentos 
divididos: est triste e alegre.  tristeza por deixar aqueles a quem ama, mas prazeroso por ter sido o instrumento de sua converso. 

, na verdade, uma despedida carregada de emoo. E h, no seu desenvolvimento, detalhes que merecem anlise. Paulo menciona que sua palavra sempre foi destemida, 
havia transmitido a vontade de Deus sem quaisquer reservas; menciona, ainda, que sempre trabalhou com as prprias mos para satisfazer as suas necessidades pessoais, 
nada cobiou de outras pessoas, pelo contrrio, seu trabalho, no o reservava para si, mas ajudava a suprir as necessidades de outros menos validos. 

Outra expresso de Paulo em sua despedida  o enfrentamento do futuro com confiana visto que depende unicamente do Esprito Santo. Mesmo no sabendo o que vir 
no dia seguinte, espera-o e o enfrenta com a plena conscincia de toda a direo  do Esprito. 

Paulo recorda aos seus colegas de ministrio algumas realidades prprias do seu mnus ministerial e proftico: o dever que no  outro seno vigiar, alimentar, cuidar 
do rebanho do Senhor que lhes foi confiado, tarefa que ningum escolhe, antes, pelo contrrio, para ela  escolhido; o perigo a que esto sujeitos, bem na medida 
do pensamento contemporneo de que "o preo da liberdade  a eterna vigilncia". Os participantes da obra divina correm o perigo da contaminao do mundo, do secularismo, 
da inveja ou do sucesso.  verdadeiramente uma luta ingente, feroz e constante mantida pelos profetas, pastores, evangelistas, educadores, missionrios, obreiros 
em geral para manter a pureza e a intocabilidade da Igreja de Jesus Cristo sob a sua liderana espiritual. 

Antes de sua partida, traz  memria de seus amados trs caractersticas de seu prprio ministrio, e, por extenso, de todos os fiis ministros, missionrios, profetas, 
obreiros do Reino de Deus.

CARACTERSTICA 1:FIDELIDADE  DIVINA COMISSO 

"Passei pregando o reino de Deus" (v. 25). O mtodo de Deus para a salvao dos perdidos no  outro seno a pregao, pois "aprouve a Deus salvar pela loucura da 
pregao...(2)" Outros mtodos so auxiliares, contribuem, ajudam, no so, porm, prioritrios.

A palavra pregar  usada por Paulo cinqenta e nove vezes nas suas cartas. At mencionou que "Cristo no me enviou para batizar"(3). Da mesma forma, escreveu, "cheguei 
a Trade para pregar o evangelho"(4), e a Timteo exortou com a seguinte expresso: "Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo"(5).

Para Paulo, precioso  o evangelho, no a sua vida(6). Esta convico que queimava a sua conscincia ela a reflete igualmente em Atos 21.13, Filipenses 1.19-26 e 
3.8, entre outros tocantes exemplos de dedicao, consagrao e abandono de seu esprito ao Esprito de Deus. Para o apstolo, prioritrio  pregar, proclamar essa 
mensagem abenoada e abenoadora de um evangelho eficaz para a salvao de todo aquele que cr. 

CARACTERSTICA 2: APRESENTAO PLENA 

"No me esquivei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (v. 27). Spurgeon fez referncia a pregadores que enfatizavam apenas certas doutrinas.  o que podemos 
chamar de "evangelho light". Esses pregadores falam de doutrinas como o reavivamento, a cura divina, e outras igualmente populares. Entretanto, os ministros fiis 
no se prendem a um assunto favorito, mas proclamam todas as Doutrinas da Graa. 

O apstolo Paulo no se esquivava de faz-lo. No deixava de pregar porque certas verdades no satisfaziam os paladares de seus ouvintes porque um ministro fiel 
no se amedronta diante dos homens. Na verdade, o ministro fiel e destemido no busca a popularidade "amaciando" certas nfases do evangelho que no apoiadas por 
alguns. Seu tema principal  a salvao, incluindo seus aspectos como a eleio, a justificao, a redeno, a santificao e a glorificao a serem explicados com 
toda a clareza possvel, e tudo o mais que est contido na Palavra de Deus, ou como j foi resumido com muita pertinncia, "o ser humano, o pecado e a graa".


CARACTERSTICA 3: OBRIGAO SEM CULPA 

"Estou limpo do sangue de todos" (v. 26). Estas palavras so um eco de Ezequiel 33.1 - 9, 

"todo aquele que ouvir o som da trombeta, e no se der por avisado; e vier a espada, e o levar, o seu sangue ser sobre a sua cabea"(7).

Diz a Bblia na Linguagem de Hoje: "Esse algum  responsvel por sua prpria morte". Paulo tambm o disse ecoando o profeta Ezequiel, "estou limpo do sangue de 
todos" (8), frase do missionrio vertida pela BLH como "se algum de vocs se perder, eu no sou responsvel"

Paulo era, na verdade, um pregador tremendamente linear. Pregava todo o plano de Deus, e cumpria sua tarefa. A resposta dos ouvintes no era sua responsabilidade. 
A referncia  culpa pela morte de algum aplica-se, como se depreende, ao dever espiritual do missionrio/evangelista pela apresentao fiel da mensagem de vida 
abundante: o pecador  advertido, a responsabilidade de atender ao convite para a bno j lhe foi passada, e assim o pregador cumpriu o seu sagrado dever de ressaltar 
o pecado, a justia e o juzo, deixando que o Esprito faa a obra de convencimento, e apelando para que se escolha a vida.

Nosso problema, quantas vezes, tem sido o desejo de ver resultados visveis em lugar de deixarmos os resultados com Deus. Pode o missionrio, o evangelista, o pastor 
ficar to ansioso e no se lembrar da recomendao bblica, "Lana o teu po sobre as guas", at porque nos garante a concluso desta recomendao que "depois de 
muitos dias o achars"(9). Garante a Escritura que a Palavra de Deus "no voltar vazia"(10), razo porque no precisamos nos preocupar com os resultados visveis 
imediatos. O Senhor da seara  fiel, desse modo, os Seus servos devem ser fiis na entrega da mensagem e na obrigao por causa de sua divina comisso.

LTIMO PENSAMENTOS 

"E eis agora sei..." (v. 25a). Gloriosa certeza! Extraordinria convico! Em outro espao, tambm o fez com a afirmao de "sei em quem pus a minha confiana e 
estou certo de que ele tem poder para me guardar na minha misso at ao dia marcado", o Dia do Juzo(11). Com esta expresso de f e esperana, o apstolo introduziu 
os pensamentos acima analisados. 

Sem qualquer sombra de dvida, o missionrio/profeta/pastor/obreiro/obreira dir "EU SEI..!" Sim; tem conhecimento de sua pequenez, fragilidade e tremenda dependncia 
de um Pai amoroso, cuidadoso, e sempre pronto a dar sustento emocional, espiritual e foras fsicas para o desempenho da tarefa proposta. 

H lobos vorazes rondando o rebanho, prontos a entrar no santo aprisco. Quanta deturpao doutrinria, quanta novidade penetrando como se fossem modernssimos mtodos 
de proclamao, e, no entanto, quanto poder nas palavras emanadas por vidas confiantes, corajosas, ousadas que podem afirmar 

"EU SEI...! EU CONHEO O SENHOR DA SEARA!" 

Que no passemos adiante a sagrada misso evangelizadora que o Senhor poderia ter confiado aos Seus anjos, por essncia e definio Seus autnticos mensageiros e 
ministradores; porm, foi a ns que Ele o fez. Cabe-nos corresponder!

NOTAS 
(1) Cf. 15.14ss.; 1Corntios 16.10ss.; 2Corntios 2.14-6.10; 10.1ss.; Colossenses 1.24-2.23; etc.
(2) 1Corntios 1.21b.
(3) 1Corntios 1.17.
(4) 1Corntios 2.12a.
(5) 2Timteo 4.2a.
(6) Cf. Atos 20.24
(7) Cf. v.4.
(8) Cf. Atos 20.26b.
(9) Eclesiastes 11.1.
(10) Isaas 55.11.
(11) 2Timteo 1.12 (O Novo Testamento, Traduo Interconfessional, Lisboa, Sociedade Bblica de Portugal, 1978)

O MINISTRIO DA PALAVRA 
 
Introduo(1)

 interessante observarmos a exigncia que muitos cristos fazem a seus pastores para que dediquem tempo em atividades secundrias, prescindindo aquelas que o Texto 
Sagrado preceitua como sendo a funo pastoral.

Vemos em Atos 6.4 que a tarefa pastoral precpua  a orao e o ministrio da Palavra. A pregao da Palavra deve ser efetivada por cristos especialmente vocacionados 
em distino a todos os demais Ministrios Eclesisticos. A idia radical inerente ao Ministrio, em todo o Novo Testamento,  servio prestado em submisso, subservincia, 
diligncia e fidelidade, que emprestam ao ministro dignidade e importncia oficial devido a natureza e a qualidade do servio prestado.

Dentre os Ministrios alistados na Bblia o Ministrio da Palavra  o mais rico na sua significao.  o Ministrio do Logos, que no Novo testamento  o equivalente 
a Davar Elohim, Palavra de Deus, citada em hebraico 394 vezes no Antigo Testamento. O Ministrio da Palavra, portanto,  o que encerra o compromisso de anunciar 
a Revelao de Cristo no sentido de uma comunicao divina em forma de mandamentos, profecias e conforto para o povo de Deus.

O pregador da Palavra de Deus  um profeta que deve compreender claramente a beleza e a universalidade do evangelho, absorto pelo Dom de proclam-lo com persuaso, 
zelo e extremado amor, sempre divinamente inspirado e autorizado para esclarecer as manifestaes de Deus decorrentes da mensagem proclamada. O pregador da Palavra 
 o mensageiro de Deus e o verdadeiro mestre da sociedade, eleito pelo prprio Deus da Palavra para arquitetar os ideais divinos para a sociedade, afim de que os 
ouvintes passem a orientar e dirigir suas vidas a partir da Palavra proclamada. 

I - Finalidade especfica do Ministrio Pastoral (2)

Em uma pesquisa realizada entre pastores perguntou-se qual seria o alvo final do trabalho pastoral e muitos responderam ser a evangelizao, outros a unio dos crentes 
com o Senhor, uns poucos disseram ser o preparo do crente para a eternidade e para o mundo atual e, lamentavelmente, muitos no souberam responder a questo proposta.

 espantoso notar que muitos pastores dirigem igrejas e pregam sem ter uma noo clara quanto a finalidade do Ministrio, o que ressalta o fato de que no desenvolveram 
uma viso bblica para o Ministrio da Palavra. Esto pastores mas no so Pastores na acepo bblica da tarefa pastoral.

Quando buscamos no Texto Sagrado a finalidade especfica para o Ministrio Pastoral encontramos, alm das tarefas primordiais indicadas em Atos 6.4, as responsabilidades 
alistadas a seguir.

1. Aperfeioamentos dos crentes

O pastor no pode contentar-se em visualizar nos membros da igreja apenas certas atitudes ticas pautadas na Palavra de Deus ou algumas poucas posturas prprias 
dos costumes e princpios denominacionais. Deus espera mais dos pastores e a tarefa pastoral deve esmerar-se em apresentar ao Senhor pessoas maduras e adultas na 
f que sejam cumpridores da Palavra, cristos "perfeitos em Cristo", Colossenses 1.28. 

Deus espera que os pastores entreguem a Cristo a obra acabada, isto , cristos aperfeioados em Jesus, edificados na igreja, cheios do pleno conhecimento e firmados 
doutrinariamente. Cristos que tenham uma identidade doutrinria definida e que interagem na obra do ministrio da igreja de modo geral, Efsios 4.10-16.

2. Capacitar os cristo para o servio.

A igreja  uma escola de vida e de servio. A convivncia na igreja deve nos ensinar a servir no presente, preparando-nos para o servio futuro na glria celestial, 
1 Pedro 4.7-10. 

O Senhor espera que nos preparemos e aprendamos sobre fidelidade e dons de ministrios, independentemente da condio social ou cultural, servindo na igreja local, 
que  a figura da igreja universal gloriosa, Mateus 25.14-30. A igreja no  um estgio no qual apenas esperamos passar o tempo at que Jesus volte. 

Devemos servir com esmero e amor no presente para que sejamos encontrados fiis no tempo em que formos convocados ao servio celestial, Mateus 6.21-24; Marcos 10.43-45; 
Lucas 12.35-38; Joo 12.26; 13.13-17; Glatas 5.13; Hebreus 10.22-25 e Apocalipse 22.3-4.

3. Preservar a unidade da igreja 

A unidade da igreja  um desafio ao amor e ao respeito que os cristos devem uns aos outros.  um chamado  compreenso das diferentes manifestaes de Deus no mundo 
atravs da igreja local sem prescindir da comunho em Jesus e da sinergia cooperativa entre as diversas igrejas para que cada uma delas cumpra o seu Ministrio.

O pastor deve ter uma viso horizonal do Reino de Deus, isto , deve enxergar alm do horizonte da igreja local ou de sua denominao. H uma realidade muito maior 
e superior do que a prpria igreja local que  a Igreja Universal, Invisvel e Gloriosa, sendo a igreja local condicionada pelos sinalticos denominacionais apenas 
uma nfima expresso da grande totalidade do que constitui-se a Igreja de Deus em Cristo, Joo 17.11 e 20-23; Efsios 4.4-7; Hebreus 12.22-24; Apocalipse 7.9-15.

II - A Relevncia da Tarefa Pastoral para a Sociedade (3)

Nossa sociedade se admite ps-moderna e adota novos paradigmas socioculturais e eclesiolgicos, o que nos exige a compreenso das rupturas que se refletem no nosso 
cotidiano a partir da substituio da mecanicidade pela informao e informatizao. 

Vivemos em uma sociedade ciberntica e de realidades virtuais. A igreja no pode ser acometida de refrao causada pelas lentes do virtuosismo ufanista e sectrio 
que se recusa  novas e diversificadas percepes da sociedade. O pastor no pode fechar os olhos s transmutaes da sociedade que privilegia a privatizao e a 
heterogeneizao de interesses e valores, que vive em constante suspeio da prpria razo ressaltando a espontaneidade em contraposio  subordinao. 

No h como no enxergar a pluralidade dos conceitos ticos e morais estabelecidos pelo situacionismo degradante ancorado e aglutinado em torno de interesses egocntricos, 
o que exige da igreja o redirecionamento dos comportamentos eclesiolgicos e pluralidade na expresso cltica, o que s ser possvel a partir do reposicionamento 
da atuao pastoral. H que se redefinir a homilia, sem contudo, descambar para a relativizao dos absolutos estabelecidos na Palavra de Deus. 

Nossa sociedade admite variegadas contemplaes do mundo supondo que a realidade seja ordenada a partir da observao das leis naturais e do ciclo existencial. Mediante 
a essa miopia sociolgica  imperioso desenvolvermos uma cosmoviso pastoral que se contraponha  predisposio ps-moderna de rejeitar uma perspectiva unvoca e 
correta, como preceitua a Palavra de Deus. A ps-modernidade implica no abandono de qualquer mito legitimador dominante desacreditando das meta-narrativas predominantes, 
refutando e ridicularizando as micro-narrativas que se auto-arrogam credibilidade insofismvel, como faz discurso evanglico tradicionalista que reproduz uma eclesiologia 
arcaica em detrimento da edificao e da relevncia da igreja para a sociedade. 

Uma cosmoviso pastoral para a ps-modernidade deve considerar o fato de que o mundo no  algo exterior e que dele extramos nossos conhecimentos. Uma atuao pastoral 
instrutiva e construtiva, bem como uma igreja relevante, deve entender e visualizar a possibilidade de criarmos os mundos, as realidades existenciais, por meio da 
pregao contextualizada que considera as influncias recebidas na formatao da personalidade, dos conceitos ticos e da prpria religio. A Bblia tem pressupostos 
para o ceticismo humano e os pastores devem ser dotados de graa e qualificados para a interpretao dos absolutos de Deus em qualquer poca da histria. 

Se na ps-modernidade a realidade  relativa, indeterminada e participvel, os pastores devem atuar na formao da conscincia crist, tica e social orientando 
a igreja para que condicione sua mentalidade, sua eclesiologia e sua expresso cltica em paralelo a recusa do verdadeiro conhecimento de Deus, considerando a validade 
das emoes e da intuio na percepo ideolgica da verdade e da f, tornando a igreja e o labor pastoral relevantes e essenciais para o nosso contexto sociocultural. 

O pastor tem a vantagem de estar presente em quase todas as ocasies da vida das pessoas podendo interpretar as revelaes proposicionais da Bblia a partir da atuao 
de Deus na histria, isto por qu uma mensagem bblica e profeticamente contundente aborda sobre uma variedade de problemas existenciais e prticos, jamais apresentando-se 
como um discurso paliativo e superficialmente direcionado s necessidades imediatas. O ministrio pastoral  a nica tarefa que pode oferecer renovada razo de ser 
para a sociedade em decadncia tica e espiritual por enunciar mensagem verdadeira e mstica, no sentido pleno do termo, pois a f crist  o nico misticismo que 
permite ao homem comunho consigo mesmo, com a sociedade e com o Deus verdadeiro de forma completa, sem deixar de lado o intelecto, a volio e as emoes, proporcionando 
ao ser uma experincia agregria, a igreja, inigualvel.

Podemos ainda considerar de extrema relevncia a tarefa pastoral por ser o pastor, quando consciente de sua tarefa e de seu compromisso como profeta, o nico com 
argumentos capazes de superar as controvrsias ideolgicas e restaurar a unidade, a amplitude, a totalidade e a integralidade do ser, levando-o, pela exortao bblica 
e ensino da Palavra, a comunho com o Deus que pode restaurar e regenerar a sociedade. Nenhum outro Ministrio Eclesistico  chamado, vocacionado e lapidado para 
a proclamao da s doutrina, para o ensino da Palavra de Deus e para o exerccio da liderana na igreja de Jesus Cristo, agindo como salvaguarda da Verdade Apostlica.

Concluso (4)

No  difcil perceber que a igreja sofre as mais variadas influncias e se v pressionada pelas mais diversas tendncias no atual contexto sociocultural. Os resultados 
disto  profundamente perturbador e causador de uma verdadeira crise de identidade ministerial entre os pastores, o que se verifica pela esquizofrenia resultante 
do trauma causado pela confrontao da liderana.

Na melhor das hipteses, a igreja ps-moderna tem desvalorizado a autoridade pastoral quando exige do Ministro permanecer alheio ao desenvolvimento tecnolgico e 
atrelado as expectativas denominacionais tradicionalistas que jamais promovero desenvolvimento e maturidade para a igreja e para o prprio pastor. Alguns membros 
das igrejas tecnicamente treinados tm dificuldades em respeitar e ouvir os ministros formados e habilitados em retrica e idealismo denominacional devido a crescente 
confiabilidade dos modelos de gerenciamento e ao pragmatismo situacionista que corroem as bases bblico-teolgicas legadas aos pastores para a realizao de seus 
ministrios. O triunfo do individualismo criou uma igreja cheia de pessoas que se recusam a aceitar algum que lhes diga em que devem crer ou o que devem ou no 
fazer. O padro sociolgico  muito forte e o padro bblico  quase utpico no mundo esttico e pictrico. (5)

 urgente e premente a necessidade de resgatarmos a credibilidade do Ministrio da Palavra pois somente aqueles que abrem seus coraes e suas mentes para a mensagem 
bblica e  instruo pastoral crescero espiritualmente. Os cristos que resistem a autoridade pastoral ou que vivem buscando referenciais externos para abalizar 
a proclamao de seu pastor, alm de se tornarem infelizes, excluem-se da nutrio espiritual que emana do plpito da igreja.

No  exagero asseverar que no sculo 21 o exerccio do ministrio pastoral ficar ainda mais difcil, visto que nossa sociedade se pauta pela negao da autoridade 
e pelo fato de nenhum outro ministrio eclesistico exigir cometimento e subordinao a autoridade como no caso do Ministrio da Palavra. O tom da liderana pastoral 
dever ser estabelecido na autoridade moral e espiritual que os pastores exibiro na pregao bblica. Pregar dever ser a demonstrao pblica de que a Palavra 
de Deus opera no pastor, sendo o instrumento que o Senhor utiliza para ministrar  igreja e ao mundo. Pregar sem autoridade rouba a essncia da Palavra de Deus. 

O trabalho do pastor atinge seu auge no plpito, resultado de orao incessante e de inspirao autoconfrontante. Quando o pastor prega a Palavra de Deus, na uno 
e instrumentalidade do Esprito Santo, o Senhor cria um momento que  especialmente divino e que no pode ser repetido. Cada sermo  uma proclamao especfica 
de Deus para um momento especfico na vida de seu povo.

Que Deus nos ajude. 

Notas

(1) CRABTREE, Asa R. A Doutrina Bblica do Ministrio. 2. Ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1981. 148 p. (pp. 37-38 e 46)
(2) BARRIENTOS, Alberto. Trabalho Pastoral. Trad. Kdma Rix. Campinas: Associao Evang. Menonita, 1991. 278 p. (pp. 31-37).
(3) FERNANDES, Fernando C. Pastor-telogo na Ps-modernidade: Uma abordagem teolgico-fiolosfica a respeito da atuao pastoral na sociedade ps-moderna. Rio de 
Janeiro, 1998. 128 p. [Dissertao - Mestrado em Teologia - Seminrio Teolgico Batista do Sul do Brasil] - (pp. 99-107)
(4) FISHER, David. O Pastor do Sculo 21. Trad. Yolanda Krievin. So Paulo: Vida, 1999. 334 p. (pp. 304-307 e 318).
(5) Pictrico  algo relativo ou prprio da pintura. O termo  usado aqui para indicar o vislumbre de nossa sociedade pelo colorido das imagens e da televiso na 
formao de conceitos os mais diversos.
QUE  UM PASTOR? 
 
De acordo com Efsios no captulo 4, os versos 11e 12, o ministrio da Palavra  um dom especial de Jesus Cristo  Sua igreja, havendo um objetivo definido para 
esse ministrio. O propsito  o treinamento dos crentes;  o estimulo  obra do discipulado;  o crescimento do crente individual e da igreja como corpo forte, 
robusto, poderoso. , ainda, a consecuo do mltiplo propsito que Jesus tem para Sua igreja que  o de derrubar as portas do inferno, o de resgatar vidas das mos 
de Satans, de batizar essas pessoas e de discipul-las. E esses dom foram dados por Deus em resposta s oraes do Seu povo. O povo de Deus pedia. 

Em Mateus 9.37, 38 est registrado: "Jesus diz aos discpulos: A seara  realmente grande, mas os ceifeiros so poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que envie 
ceifeiros para a sua seara". Por isso, o que se requer daquele que busca o ministrio da Palavra  uma convico da chamada especial da parte de Deus. No pode ser 
uma pessoa que no tenha chamada, porque o ministrio, o pastorado, o episcopado no pode ser abraado como se escolhe uma profisso. Lembro-me de um moo que me 
procurou uma ocasio e disse que achava que Deus o estava chamando para o ministrio. Perguntei-lhe, "Qual  a evidncia que voc tem de que Deus est chamando voc 
para ser pastor?" Ele no era ovelha minha, era de uma outra igreja e viu escrito na parte externa do templo ACONSELHAMENTO, ento entrou e veio se aconselhar. Respondeu-me: 
"Pastor, eu acho que Deus est me chamando para o ministrio porque j fiz o vestibular trs vezes e fui reprovado. Ento eu acho que  por isso que Deus est me 
chamando para ser pastor". Disse-lhe que no fosse para o seminrio, que ele estava muito enganado, porque Deus no chama fracassados nem desocupados. Quando Jesus 
Cristo chamou os seus apstolos, todos estavam trabalhando. Todos estavam na sua profisso, consertando redes, pescando ou no escritrio como fiscal de rendas. 

Relatos da Bblia mostram que quando Deus ou o Senhor Jesus Cristo chamou, o vocacionado estava numa atividade como Moiss que apascentava ovelhas. Ou como Davi 
que tambm apascentava ovelhas e os outros que acabei de mencionar. A Escritura Sagrada enfatiza a vocao divina, um sentimento to forte naquele que  chamado 
que levou Isaas, que estava cultuando no templo, a exclamar como est registrado em Isaas no captulo 6, no final do verso 8 onde ele diz: "Envia-me a mim". A 
mesma coisa aconteceu com Ams. Ams estava apascentando o gado e quando ele estava pastoreando o gado, ouviu a palavra do Senhor. E respondeu "Eu no era profeta, 
nem filho de profeta". Ele est falando aqui a Amazias. "Mas boieiro e cultivador." Era agricultor. "Mas o Senhor me tirou de aps o gado e me disse: Vai, profetiza 
o meu povo Israel."  assim que Deus faz.  assim que Deus age. Ou como dizia o saudoso pastor Valdvio Coelho, "Uma chamada divina, que envolve um preparo divino 
para uma obra divina". E isso tem base bblica, 2Corntios, captulo 3, fala sobre esse assunto. Por essa razo, se algum entra no ministrio sem chamada vai ser 
um infeliz; mas, se voc tambm ouviu a chamada e no entrou no ministrio, vai ser tremendamente infeliz por uma razo, e essa razo est na palavra de Jesus Cristo 
em Joo no captulo 15 que diz "No fostes vs que me escolhestes mas fui eu que vos escolhei e vos designei para que vades e deis fruto." E se algum abandona essa 
chamada h de ser infeliz. Por isso a pergunta base : Que  um pastor? 

Estamos trabalhando em cima de um tema que j foi objeto de reflexo. Talvez temos agora alguma variante. E quero dizer aos irmos, especialmente os crentes mais 
novos, aqueles que esto ainda se preparando para o batismo, Que  um Pastor? 

O PASTOR  UM PROFETA 

E essa  uma palavra muito interessante, no entanto, ningum queira que eu adivinhe o futuro. Profeta no  isso. Profecia no  adivinhao do futuro. Na mente 
de muitas pessoas significa uma predio do futuro, uma adivinhao. Talvez na linha daquele povo que diz assim: "Previses para o ano 2000". No, isso no  ser 
profeta. 

No entanto, a palavra tem conotao muito mais ampla, muito mais profunda e mais consistente e sria porque pela Bblia Sagrada, profeta  quem fala em nome de Deus, 
 o porta-voz de Deus. E a Bblia ensina que isso  um carisma. 1Corntios captulo12 menciona entre os dons o de profecia. E porque profetiza, ou seja, por que 
proclama a palavra do Senhor, porque edifica, exorta, consola homens individualmente e a igreja como um todo, quando a proclamao no existe, vai chegar a derrota 
e na Palavra Santa est com toda clareza e com toda as palavras a expresso de Provrbios 29 que fala "No havendo profecia o povo se corrompe". Portanto, a funo 
primria, basilar, fundamental do profeta  se colocar entre Deus e a pessoa humana e comunicar o propsito eterno, comunicar a sua vontade. 

Sem dvida alguma irmos h uma tradio milenar atrs de cada sermo que  pregado de qualquer plpito cristo. E mesmo assim, cada sermo deve ser atual. Apesar 
de uma tradio milenar desde o tempo dos profetas, cada sermo deve advertir sobre o pecar, deve advertir sobre a justia e deve advertir sobre o juzo de Deus. 
Cada sermo h de chamar a ateno para as conseqncias morais e espirituais da conduta do ouvinte. E aquele que  arrependido deve apontar a misericrdia e deve 
apontar o perdo de Deus e a bno da vida com Deus. Por isso, a palavra do profeta nunca : "Assim eu digo", "assim diz Walter Baptista", no. A palavra do profeta 
: "Assim diz o Senhor". "Ou palavra do Senhor que veio a...". Como est na Bblia Sagrada. Como profeta, o ministro da palavra tem mensagem. Mensagem de luz, mensagem 
de vida, mensagem de conforto, de inspirao, de salvao que deve ser sempre fiel e reta e ortodoxa. Palavra de orientao para a vida porque Jesus Cristo  o mesmo 
ontem, hoje e eternamente. Cada profeta ento  uma sentinela guardando a doutrina que veio dos lbios do Senhor e do ensino apostlico. Sentinela e pastor. 

Acontece que hoje est muito fcil se chamar "pastor". H tantos desqualificados sendo chamados de "pastor" que  uma verdadeira calamidade.  um quadro que vemos 
amide. Mas a Bblia mostra que no  assim. A Bblia diz que sempre existiram aproveitadores, que sempre existiram mal intencionados, que sempre existiram cavadores 
de lucro. E a palavra de Deus vai dizer assim, 

"Estes ces so gulosos, nunca se podem fartar; so pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para sua ganncia, todos sem 
exceo" (Is 56.11). 

 como est colocado. Querem ver mais? Jeremias 14:14, 

"Disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente em meu nome, no os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; viso falsa, adivinhao, vaidade e o engano 
do seu corao  o que vos profetizam".

H outros textos da palavra. 

Nunca foi to fcil para alguns, talvez devssemos dizer para tantos, reivindicarem, falarem em nome do Senhor, explorando uma pessoa simples, incauta e at mesmo 
aquele que est desejosa de ser manipulada. Nunca foi to fcil como nos dias de hoje, e, no entanto, a palavra do Senhor  to clara sobre este assunto porque diz 
em Jeremias 3:15 "Dar-vos-ei pastores segundo o meu corao, que vos apascentem com conhecimento e com inteligncia". Por isso, Paulo recomenda "No desprezeis as 
profecias". Pastor , ento, o qu? Um profeta. 

O PASTOR  UM ANJO. 

Agora ningum espere ver um par de asas nas costas do pastor Walter nem debaixo do palet.  porque tem uma histria que diz que o pastor foi almoar na casa de 
uma famlia. E quando chegou, a menininha da famlia comeou a andar por trs da cadeira do pastor. Ia l e vinha c, fazia a volta e ia, olhava e mexia e tocava 
no pastor. A a mo disse: "Rosinha pra com isso, menina! Que histria  essa, voc andando para l e para c?!". A menina respondeu: "Eu estou procurando as asas: 
a senhora no disse que o pastor  um anjo...". Ento h quem queira ver essas asas nas costas do pastor. 

Mas vamos entender irmos. Porque a palavra "anjo" tem significado. Anjo  aquele que traz uma mensagem, um mensageiro. E Paulo se refere a isso quando em Glatas 
no captulo 4.14, ele diz: "Embora minha enfermidade na carne vos fosse uma tentao, no me rejeitastes, nem me desprezastes antes me recebestes como a um anjo 
de Deus". E no Apocalipse tambm a palavra "anjo"  usada largamente quando as sete cartas so enviadas ao pastor, ao anjo, da igreja de Filadlfia e s demais. 

A pregao  algo extraordinrio! Fico fascinado pela pregao. Quando saio de frias, recomendam-me: "Pastor, no leve o palet: porque se levar o palet, vai ter 
que pregar em algum lugar", mas, eu sempre levo o palet. Pregar no cansa. Pregar no me cansa. Sou fascinado pela pregao. Spurgeon, o grande Charles Spurgeon, 
entrou em um auditrio que recm-inaugurado em Londres, o Albert Hall. Naquele tempo no havia microfone, nem ampliao de som. Tudo era  viva voz, e aquele auditrio 
havia sido construdo dentro dos mais modernos recursos de acstica da poca. E o evangelista havia ouvido falar sobre isso. Entrou no auditrio, que estava completamente 
vazio. Quando ali chegou, foi para o palco, e com a voz poderosa de pregador, exclamou: 

"EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!"

e repetiu, 

"EIS O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO!!!" 

Experimentou e saiu convencido de que a acstica era excelente. Quando chegou  porta. um homem o procurou e disse: "O senhor que  o pastor Spurgeon?" Ele disse: 
"Sou eu". Continuou o homem, "S quero dizer que aceito a Jesus Cristo. Eu sou pedreiro, estava trabalhando na sala do lado quando ouvi o senhor falar l dentro. 
E essa palavra me tocou". A pregao dele foi s isso: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". O homem ficou convencido dessa verdade e se converteu. 

 necessrio que haja da parte do pastor verdadeira converso. Como poderia ele falar de uma experincia que no conhece? O que se pode dizer de uma determinada 
fruta, o seu gosto, se nunca se experimentou da mesma? Quando eu estava em Singapura, falaram de uma fruta chamada durian.  da famlia da jaca, da fruta-po, da 
pinha, da graviola. Essa fruta  um pouco maior que uma graviola; mais espinhenta que a jaca, e dizem que  a fruta mais saborosa do mundo. Essa foi a declarao 
que ouvi por l, e li, at, afirmando esse fato. Fomos, finalmente, apresentados  durian. Se  mais saborosa, no sei porque no tive coragem de experimentar. No 
entanto, eu sei que  a mais fedorenta do mundo... Fede que nem esgoto. Dizem que quando se come um bago da fruta,  algo deliciossssimo. No tive coragem porque 
o fedor era de esgoto em dia de chuva. Meus amados, no posso falar do sabor da durian porque no o conheo.

Outra coisa que o pastor deve ter  piedade crist para resistir ao escrutnio das outras pessoas. Est na palavra em 1Timteo 4.12. O apostolo Paulo ele diz o seguinte 
ao jovem pastor Timteo, "Ningum despreze a tua mocidade: mas s o exemplo dos fiis, na palavra, no trato, na amor, no esprito, na f, na pureza". No boletim 
de hoje, foi transcrita uma palavra do Pr Nilson Fanini bem parecida com essa. Como o pastor tem sido vtima de cobranas fiscais. Sua vida  vasculhada e os procuradores 
de agulha no palheiro usam lente de aumento sobre as falhas do ministro do evangelho. Por qu? Para orar com ele? Nem sempre. 

Ele precisa ter uma f sadia tambm e ter uma f que seja ortodoxa. Alis, se no for ortodoxa nem  sadia nem  f. Que no seja amante de novidades. Hoje  um 
tempo em que se ama a novidade. Ns preferimos ficar com a Palavra sempre. H muita novidade barateando o culto divino, ns preferimos o culto digno do nome do Senhor. 
H muito culto que satisfaz mais ao ego dos chamados pastores que realmente s necessidades do povo. 

Pois , o pastor  um anjo. Por isso ele precisa de ter todas essas caractersticas a. Ele precisa conhecer a Deus, andar com Deus, ter comunho com Ele. Ele precisa 
conhecer as cincias teolgicas. Ele tem que ter capacidade mental e eu diria capacidade acadmica, conhecimento bblico adequado. Ele pode no saber tudo,  verdade, 
mas o que ele sabe, deve saber bem e ele deve continuar aprendendo, lendo, lendo muito para saber cada vez mais. Por isso, no  demais at lembrar que Paulo tinha 
muito amor pelos livros, por isso pediu que quando viesse, Timteo trouxesse o livro. 

Precisa conhecer o ser humano tambm, conhecer as cincias humanas, conhecer a pedagogia, conhecer a psicologia, conhecer as relaes humanas, conhecer aquilo em 
que o ser humano  forte e aquilo que o ser humano  fraco. Agir para aquilo que  forte na sua ovelha continue forte e progrida at e aquilo que  fraco seja colocado 
com resistncias, fortaleza e ele possa crescer igualmente. Como mensageiro de Deus, como anjo de Deus, deve fortalecer aquele que est triste, animar o cansado, 
levantar o que est derrubado na vida, o joelho tremente, consolar aquele que est desconsolado, fortalecer o debilitado e mostrar o caminho ao que est indeciso. 

Como anjo de Deus  mensageiro do Esprito de Deus, da f, da esperana, do amor, da salvao e da libertao e do perdo que vem de Deus. Por isso, como mensageiro 
de Deus, como mensageiro da palavra divina, sinto ao meu lado quando prego, as testemunhas do Senhor, essa legio de testemunhas de que Hebreus fala. Sinto ao meu 
lado Elias e Moiss e Isaas e Jeremias e Ezequiel e Daniel e Osias, Joel, Ams e os apstolos. No  que esteja tendo vises nem fantasmas juntos de mim, mas, 
na mesma linha, na mesma tradio e na mesma palavra que eles anunciaram e pregaram ao seu povo.

Primeira coisa que ns dissemos  que o pastor  um profeta. Segunda coisa, o pastor  um anjo, mas h uma terceira o pastor  um homem. Descobri que ser anjo no 
 difcil e que tambm no  difcil ser profeta. Difcil  ser humano. Pastores so no somente humanos mas precisam ser plenamente humanos. Razo porque todo pastor 
pede uma dose de compreenso, uma dose de pacincia e uma dose de tolerncia. Isso  dito porque h quem espere que o pastor, qualquer pastor de qualquer igreja 
em qualquer lugar, seja um bom pregador e que tenha dois bons sermes todo domingo e que tenha um bom estudo em todo Culto de Orao e que atenda no gabinete a qualquer 
hora do dia, inclusive no seu dia de folga, e que seja somente sorrisos; que no canse e que no desanime em certas horas, e que no tenha tristezas e que tenha 
inclusive p condo de fazer a maravilha das maravilhas que  estar em dois lugares ao mesmo tempo. Talvez, se possvel for, em trs lugares ao mesmo tempo, como 
j tem acontecido comigo, dois compromissos, trs compromissos e a pessoa fica zangada porque a s se pode atender a um deles. 

O Pastor  um homem num mundo de homens. Em 2Timteo 3, apresentam-se as condies do mundo nos ltimos dias. Essas condies que esto aqui em 1Timteo 3:1-5 so 
as nossas condies hoje. Alis, 2Timteo 3:1-5, 

"Sabe, que nos ltimos dias sobreviro tempos difceis. Os homens sero amantes de si mesmos, gananciosos, presunosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais 
e mes, ingratos, profanos",

e a segue com um catlogo de coisas do nosso tempo.  nesse mundo que ns exercemos o ministrio. So dias difceis. E a descrio do corao desses homens mpios 
 a de um povo que se distancia de Deus, de um povo que transgride as leis da decncia.  um povo saturado de orgulho, de lascvia, com novas formas de piedade, 
negando, porm, o Deus vivo e verdadeiro. E Paulo fala de blasfmia; fala de ingratido, de calnia, de atrevimento, de orgulho. Por isso, enquanto o mundo desce 
a ladeira do inferno, Timteo, o jovem pastor,  exortado  fidelidade  palavra de Deus bem como todos os outros pastores. Porque de hora em hora o mundo piora. 
Mas como o pastor  um servo da palavra, ele deve manter na conscincia que ele pertence ao seu povo. Ao povo que o Senhor lhe confiou. Ele pertence  palavra que 
ele anuncia. Ele pertence a Deus que o escolheu e o comprou e o fez ministro de Sua palavra. Isso quer dizer que h de ser homem de orao e totalmente submisso 
e consagrado a Cristo e  Sua causa, pois sem Deus na vida, no tem o que oferecer, no tem o que dizer a quem busca o seu conselho ou a quem vai ouvir os seus sermes. 

O pastor  um homem no mundo dos homens, mas  um homem de Deus. Ele  um smbolo diz o doutor Wayne Oates em um livro sobre este assunto. Que ele  um smbolo da 
f crist, um smbolo do evangelho, um smbolo da graa e  por esse motivo que l na Segunda Carta aos Corntios, no captulo 4 est dito da seguinte maneira: 

"Temos, porm, este tesouro em vasos de barro, para que a excelncia do poder seja de Deus, e no de ns. Em tudo somos atribulados, mas no angustiados; perplexos, 
mas no desanimados; Perseguidos, mas no desamparados; abatidos, mas no destrudos; Levando sempre por toda a parte o morrer do Senhor Jesus no nosso corpo, para 
que a vida de Jesus se manifeste tambm em nossos corpos".

 homem que se apropria portanto da verdade divina e a repassa a suas ovelhas. Ele  um mestre e  um ministro. A eu quero explicar a palavra mestre e a palavra 
ministro. Os irmos sabem que a palavra mestre vem do latim magister, de onde vem magistrio, de onde vem magistrado, de onde vem magistratura. E essa palavra magister, 
ela guarda uma raiz, magis, que quer dizer "mais". Por que  que o mestre, o magister ou o magistrado eram procurados? Porque tinham algo a mais a oferecer. 

Mas ele  um ministro. Ministro vem de minister onde est a raiz minus que quer dizer menos. Ministro era o escravo. Ministro quer dizer isso a. Pensa-se que hoje 
a palavra "ministro"  pomposa e ns dizemos o primeiro escalo do governo, os ministros. Ministro quer dizer escravo. Porque era uma pessoa que tinha de menos. 
No o procuravam porque tinha de mais, mas, sim tinha de menos. Por isso, era ele que tinha que carregar cargas, transportar uma mesa, pegar uma coisa ali adiante, 
fazer isso. Trabalho pesado era do minister, do escravo. O pastor  ao mesmo tempo um mestre e um ministro. Ele ao mesmo tempo passa e repassa aquilo que ele tem 
de mais, mas, ao mesmo tempo ele tambm sendo mestre, ele  um servo,  um ministro. 

 um homem de Deus mas no  um super-homem,  um ser humano vulnervel, e  por esse motivo que ele busca ser fortalecido pelo poder do Alto.  vulnervel por isso, 
infelizmente, comete o pecado de envelhecer. Dizem que uma igreja estava procurando um pastor. A Comisso de Sucesso Pastoral entrevistou um determinado obreiro 
j maduro e ficou muito satisfeita com os resultados da entrevista, quando algum se lembrou de fazer uma perguntinha que estragou tudo: "Pastor, quantos anos o 
senhor tem?" Responde o candidato, "Tenho sessenta e dois." A, a igreja sentiu que a Comisso murchou, porque ele tinha sessenta e dois anos: no foi convidado... 

Virou moda fazer o perfil do pastor. Uma igreja em nossa cidade, quando foi escolher o novo pastor, fez o "perfil do pastor". Entre outras coisas dizia que o pastor 
deveria ter at determinada idade. Nilson Fanini no poderia ser pastor daquela igreja, Billy Graham. Nenhum desses grandes homens de Deus podia ser pastor. Porque 
j haviam passado daquela idade. O nico perfil que conheo e reconheo  o que est no Novo Testamento, na palavra de Deus: 1Timteo 3; Tito 1;1Pedro 5. 

O pastor  humano, muito humano,  vulnervel, razo porque ele busca o poder de Deus; e no pode ter medo de responsabilidades; no pode ter medo de crticas e 
no pode ter medo do aparente fracasso. 

Pastores so profetas, so anjos e so homens, simples homens, mas, pastores so cooperadores, so facilitadores na obra do Senhor e o ministro do evangelho  um 
servo voluntrio como Jesus e h de caracterizar-se pela uno do Esprito debaixo de cujo poder vive. E j que um enorme muro de separao existe e sempre tem existido 
entre os homens (Paulo fala disso em Efsios 2), ao ministro do evangelho  confiada a causa da reconciliao porque j chegou a boa nova de que em Jesus Cristo 
h salvao, a barreira foi quebrada e ns somos feitos um. 

O que  necessrio  amar a Cristo. Porque quando isso acontece, esse amor de Cristo se estende naturalmente queles a quem Jesus Cristo tambm ama, o Seu rebanho. 
Jesus perguntou a Pedro: "Pedro, tu me amas? Simo, filho de Jonas, tu me amas verdadeiramente?" A pergunta foi essa. A pergunta foi Pedro agapos me? Tu me amas 
verdadeiramente? E Pedro deu uma resposta infeliz. Os irmos viram que na Bblia, Pedro dizer assim: "Senhor, Tu sabes que eu Te amo." Mas Jesus perguntou trs vezes, 
"Senhor, Tu sabes que eu Te amo". Ele no disse agapo te. Pedro, agapos me? Ele devia responder, "Agapo te". Ele disse: "Filo te"  outra palavra. Filo, vem de filos 
que quer dizer amigo. "Senhor, Tu sabes que eu sou teu amigo". Foi isso que Pedro respondeu para Jesus, que pergunta de novo: "Pedro, tu me amas de verdade?". " 
Senhor, Tu sabes que eu sou teu amigo." E finalmente, a resposta, "Senhor, Tu sabe todas as coisas. Tu sabes que eu te amo". Por isso, Jesus disse, "Apascenta os 
meus cordeirinhos, pastoreia minhas ovelhas." O amor a Jesus Cristo meus irmos,  condio sine qua non para que um ministro do evangelho possa se sustentar no 
evangelho da Palavra, no ministrio e sempre nesse amor a Cristo, a Deus, e aos irmos.
Parte XXXX
Dos Snodos e Conclios
Comentrio do Captulo XXXI da Confisso de F de Westminster 
As vrias denominaes de hoje empregam a palavra "snodo" de maneiras diferentes. Para ns, os presbiterianos, o snodo - composto de ministros e presbteros dos 
presbitrios -  o grau acima do presbitrio e abaixo do supremo conclio (ou assemblia geral) na sua ordem de governo eclesistico. 

A distino entre os vocbulos "snodo" e "conclio"  mais aparente que real; ou seja, assim como o presbitrio e o supremo conclio, o snodo tambm  um conclio 
[1]. "Snodo" ou "Conclio"  uma conferncia convocada pelos lderes eclesisticos para dar orientao  igreja.

Um conclio pode ser ecumnico (geral) e, portanto, representar a igreja inteira, ou pode ser local (particular), tendo representao regional ou local. Por exemplo: 
Doze conclios regionais reuniram-se para debater a heresia ariana entre os conclios ecumnicos de Nicia, em 325, e de Constantinopla, em 381. O primeiro conclio 
ecumnico na histria da Igreja foi o de Jerusalm (c. 50 A. D.) e est registrado em Atos 15. Os resultados daquele Conclio foram normativos para toda a igreja 
crist primitiva. No entanto, o Conclio de Jerusalm deve ser distinguido dos conclios posteriores, pelo fato de ter tido uma liderana apostlica [2].

A Assemblia de Westminster (1643-1649) foi um dos maiores conclios na histria da igreja crist de origem reformada. O captulo que passamos a compartilhar  parte 
integrante da Confisso de F, um dos grandes tratados teolgicos produzidos por aquela histrica e notvel assemblia. 

I O propsito dos snodos e conclios

"Para melhor governo e maior edificao da Igreja, dever haver as assemblias chamadas snodos e conclios. Em virtude do seu cargo e do poder que Cristo lhes deu 
para edificao e no para destruio, pertence aos pastores e aos outros presbteros das igrejas particulares criar tais assemblias e reunir-se nelas quantas vezes 
julgarem til para o bem da Igreja".

Os snodos e conclios existem "para melhor governo e maior edificao da igreja", ou seja, "para o bem da igreja". 
Cristo dotou a igreja do poder necessrio para levar a efeito a obra que lhe confiou. Investe todos os membros da igreja com uma certa medida de poder, mas outorga 
uma medida especial dele aos oficiais da igreja. O governo da igreja presbiteriana pertence aos pastores e presbteros. Sua autoridade no lhes  delegada pelos 
membros da igreja, embora a igreja os escolha para o ofcio. Enquanto participam do poder geral dado a todos os membros, recebem diretamente de Cristo aquela medida 
adicional que  exigida para o seu trabalho como oficiais da igreja do Senhor.

O poder governante da igreja reside primariamente nos conselhos locais e destes  passado aos snodos e conclios. Cada igreja local tem um certo grau de autonomia 
ou independncia, mas este  naturalmente restrito de vrias maneiras to logo ela se associe a outras igrejas locais. Os interesses da igreja em geral no podem 
ser sacrificados pelos de qualquer igreja local [3]. 

As assemblias maiores, ou conclios, no representam uma espcie de poder superior do que se investe nos conselhos.  a mesma espcie de poder, mas representado 
num grau maior. Desde que diversas igrejas so representadas h, naturalmente, uma acumulao de poder. Alm disso, as decises dessas assemblias no so meramente 
s consultivas, mas obrigatrias, exceto em casos em que sejam explicitamente declaradas somente consultivas. So obrigatrias s igrejas, a menos que sejam demonstradas 
como contrrias  Palavra de Deus.

II A autoridade dos snodos e conclios

"Aos snodos e conclios compete decidir, ministerialmente, controvrsias quanto  f e casos de conscincia; determinar regras e disposies para a melhor direo 
do culto pblico de Deus e governo de sua Igreja; receber queixas em caso de m administrao e com autoridade decidi-las. Os seus decretos e decises, sendo consoantes 
com a Palavra de Deus, devem ser recebidos com reverncia e submisso, no s pela sintonia com a Palavra, mas tambm pela autoridade atravs da qual so feitos, 
visto que essa autoridade  uma ordenao de Deus, designada para isso em sua Palavra".

A autoridade dos snodos e conclios deve ser segundo a Palavra de Deus. Do contrrio correm o risco de ficarem a quem do que se exige deles, ou mesmo de irem alm, 
beirando (ou at praticando) o despotismo e abuso de autoridade. 
Segundo Calvino, se queremos saber qual  a autoridade dos conclios segundo a Escritura, no h promessa maior do que a que se encontra nas palavras de Cristo: 
"Porque, onde estiverem dois ou trs reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles" (Mt 18.20). Isso se aplica no somente a qualquer reunio particular, mas 
aos conclios em geral. Contudo, no  essa a dificuldade da questo, mas a condio que se adiciona: que Cristo estar no meio do conclio sempre que o mesmo for 
reunido em seu nome. Cristo no promete nada a no ser para quem esteja reunido em seu nome. O que isso significa?

No esto reunidos em nome de Cristo os que, sem ter em conta o mandato de Deus, no qual probe que se acrescente ou diminua algo  sua Palavra, decretam o que lhes 
d na telha; pois estes, no contentes com os orculos da Escritura, que so a regra da perfeita sabedoria, no cessam de inventar coisas novas. E visto que Jesus 
Cristo no promete estar presente em todos os conclios, mas tenha posto um sinal particular para diferenciar os verdadeiros dos que no so, no podemos fazer pouco 
caso dessa diferena. O pacto que Deus fez antigamente com os sacerdotes levitas foi que ensinassem o que ouviam de sua boca (Ml 2.7). Ele tambm pediu o mesmo aos 
seus profetas e apstolos. E queles que quebrassem esse pacto Deus no os reconheceria como sacerdotes seus, nem lhes daria autoridade alguma. Resolvam essa dificuldade 
os adversrios, diz Calvino, se desejam que se d crdito s decises dos homens tomadas  margem da Palavra de Deus [4].

III A falibilidade dos snodos e conclios

"Todos os snodos e conclios, desde os tempos dos apstolos, quer gerais quer particulares, podem errar, e muitos tm errado; eles, portanto, no devem constituir 
regra de f e prtica, mas podem ser usados como auxlio em uma e outra coisa".

Todos os snodos e conclios podem errar, e muitos tm errado no decorrer da histria porque so formados por homens que podem e tm errado [5]. Isso, porm, explica, 
mas no justifica uma deciso conciliar equivocada.

Uma deciso conciliar equivocada  aquela que resulta em algum prejuzo para a igreja. O conclio no  a igreja, mas o seu representante. Uma igreja pode ser bem 
ou mal representada. Qualquer resoluo do conclio, seja ela boa ou m, vai refletir primeiramente na igreja representada por ele. A igreja  o termmetro das resolues 
de um conclio. O Novo Testamento  muito claro nisso. Aps a deciso do primeiro conclio da Igreja - que se reuniu com o propsito de opor-se aos esforos judaizantes 
- os que foram enviados  Jerusalm desceram logo para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a epstola. "Quando a leram, sobremaneira se alegraram 
pelo conforto recebido" (At 15.31). Percebe-se que a igreja de Antioquia foi ricamente abenoada pela deciso daquele Conclio. E no podia ser diferente porque 
o que foi resolvido ali "pareceu bem ao Esprito Santo e a ns" (At 15.28). "O Esprito revelou o que os lderes da igreja deveriam dizer e fazer" [6].

Quando um conclio se submete verdadeiramente ao Esprito de Deus o resultado so decises positivas e salutares para a vida da igreja. Mas quando o Esprito Santo 
(assim como a Bblia) no passa de inocente til para satisfazer a carnalidade humana, o resultado pode ser terrivelmente desastroso para a igreja.

Embora os snodos e conclios no devam constituir regra de f e prtica, eles podem e devem ser usados como auxlio em uma (f) e outra coisa (prtica). Se as decises 
deles forem pouco sbias, mas no se opem diretamente  vontade de Deus, recomenda-se a submisso a elas por amor  paz. Mas se as decises so contrrias  Palavra 
de Deus, ento devemos rejeit-las e sofrer as conseqncias [7].

IV O carter eclesistico dos snodos e conclios

"Os snodos e conclios no devem discutir nem determinar coisa alguma que no seja eclesistica; no devem imiscuir-se nos negcios civis do Estado, a no ser por 
humilde petio em casos extraordinrios, ou por conselhos, em satisfao de conscincia, se o magistrado civil os convidar a faz-lo".

O carter eclesistico dos snodos e conclios nunca deve ser perdido de vista. Por serem assemblias eclesisticas, no esto sob a jurisdio dos snodos e conclios 
assuntos meramente cientficos, polticos, comerciais ou equivalentes. No devem se envolver nos negcios civis do Estado, a no ser por humilde petio deste em 
casos extraordinrios, quando toca diretamente nos interesses da igreja [8], ou por conselhos, em satisfao de conscincia, se o magistrado civil os convidar a 
faz-lo. Isso tudo  compreensvel porque aos snodos e conclios somente lhes correspondem assuntos como os de doutrina e moral, de governo da igreja e disciplina, 
e quaisquer outros que tenham a ver com a preservao da unidade e da boa ordem na igreja de Jesus Cristo. Mais particularmente, tm que ver com (a) assuntos que 
devido a sua natureza correspondam  jurisdio de assemblias menores, mas que por uma ou outra razo, ditas assemblias menores no podem resolver; e (b) assuntos 
que devido a sua natureza, correspondam  jurisdio de uma assemblia maior, visto que pertencem s igrejas em geral, tais como assuntos relacionados com a confisso, 
a ordem eclesistica ou a liturgia da igreja.

Contudo, se por um lado os snodos e conclios no devem tratar de assuntos que pertencem  jurisdio do magistrado civil, do outro eles devem ensinar aos membros 
das igrejas seus deveres com respeito ao poder civil, e do cumprimento desses deveres como obrigao religiosa (cf. Rm 13.1-7; 1Pe 2.11-17). 

Notas
[1] Portanto, toda vez que aparecer a palavra "conclio" neste artigo entenda-se conclios em geral.
[2] Cf. J. H. Hall, Conclios eclesisticos, p. 318.
[3] Cf. L. Berkhof, Manual, p. 261.
[4] Institucin, IV,ix,2. Calvino est pensando principalmente nos conclios catlico-romanos.
[5] Cf. Calvino, Institucin, IV,ix,10,11.
[6] Kistemaker, Acts, p. 562.
[7] Cf. A. A. Hodge, Comentrio, p. 350,51.
[8] Cf. A. A. Hodge, Comentrio, p. 350.

Bibliografia 

A Confisso de F de Westminster. 3a ed. So Paulo: Cultura Crist, 1997.
BERKHOF, L. Manual de Doutrina Crist. Campinas/Patrocnio: LPC/Ceibel, 1985.
___________ Teologia Sistemtica. 2a ed. Grand Rapids: T.E.L.L., 1987.
CALVINO, J. Institucin de la Religin Cristiana. Vol. II. Pases Bajos: Felire, 1986.
HALL, J. H. Conclios Eclesisticos. In: EHTIC. Vol. I. So Paulo: Vida Nova, 1988.
HODGE, A. A. Comentrio de la Confesin de F de Westminster. Barcelona: CLIE, 1987.
KISTEMAKER, S. J. Exposition of the Acts of the Apostles. New Testament Commentary. Grand Rapids: Baker Book House, 1990.
WHEATON, D. H. Snodo. In: EHTIC. Vol. III. So Paulo: Vida Nova, 1990.

Parte XXXXI
Obedeam a Seus Lderes
Comentrio de Hebreus 13.17 - Por Simon Kistemaker 
 
Este versculo no tem conexo com os versculos precedentes. Ns precisamos voltar ao versculo 7 onde a mesma expresso - seus lderes - ocorre. E no versculo 
24 o escritor mais uma vez emprega essa expresso. 

17. Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que faam isto com alegria e no gemendo; 
porque isto no aproveita a vs outros.

Nesse versculo em particular, o autor enfatiza trs pontos.

a. Obedincia exigida. Os lderes que haviam falado a Palavra de Deus anteriormente no estavam mais presentes. Eles devem ser relembrados por sua conduta e f, 
diz o autor de Hebreus (13.7). Lderes aps lderes tomaram seus lugares. O escritor no est interessado na posio desses lderes - ele no d qualquer idia se 
eram presbteros, bispos, pregadores ou professores. Antes, ele pede ao leitor que obedea a eles.

A falta de obedincia prevalece entre alguns dos leitores. Observe, por exemplo, a admoestao do autor para no se deixarem "envolver por doutrinas vrias e estranhas" 
(13.9). Os lderes precisavam de ajuda e encorajamento. Assim, o apelo para obedecer a eles e submeter-se  sua autoridade  oportuno.  claro, os leitores poderiam 
questionar se essa autoridade era auto-imposta pelos lderes ou delegada a eles por Cristo. Se um lder  um ministro dedicado da Palavra de Deus, ele prova, assim, 
que Cristo lhe deu autoridade. E se Cristo confiou a tarefa de liderana a algum, as pessoas no devem questionar sua autoridade (At 20.28; Ef 4.11; 1Pe 5.1-3).

b. Cuidado prestado. Os lderes levavam a srio a tarefa que lhe havia sido dada por Deus. "Pois velam por vossa alma." Eles literalmente perdem sono por causa do 
bem-estar espiritual dos crentes. Eles conhecem a Palavra de Deus falada ao profeta Ezequiel: "Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha 
boca ouvirs a palavra e os avisars da minha parte. Quando eu disser ao perverso: Certamente, morrers, e tu no o avisares e nada disseres para o advertir do seu 
mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrer na sua iniqidade, mas o seu sangue da tua mo o requererei" (3.17,18).

Os lderes ficam com a congregao, so vigilantes em cuidar dos membros, nutre-os espiritualmente, desviam ataques malignos e administram disciplina quando necessrio. 
Joo Calvino escreve que, "Quanto mais pesada a responsabilidade deles, maior honra merecem, pois quanto mais algum sofre por nossa causa, e quanto maior for sua 
dificuldade e maiores os riscos que enfrentam por ns, maiores tambm nossas obrigaes para com eles". Esses lderes devem prestar contas a Deus, porque ele  o 
superior deles; isso no quer dizer que os membros no so tidos como responsveis. Eles certamente so. Eles, tambm, devem trabalhar juntos, harmoniosamente, para 
que a tarefa dos lderes seja uma alegria e no um peso.

c. Alegria experimentada. Por toda sua epstola o autor enfatizou a responsabilidade corporativa dos crentes. Para mencionar um exemplo, ele exorta os leitores a 
encorajarem-se mutuamente: "Pelo contrrio, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vs seja endurecido pelo engano 
do pecado" (3.13). De maneira semelhante, como um corpo eles devem responder a seus lderes, pois, ento, h alegria nos relacionamentos interpessoais da igreja. 
Eles recebem as bnos do Senhor ao obedecer os lderes que Deus lhes deu. Se eles todos respondem de modo favorvel, o trabalho de seus lderes se torna muito 
mais alegre.

Quando os membros se recusam a obedecer e no respeitam seus lderes, o trabalho na igreja se torna um grande peso. Os membros devem entender que nem eles nem os 
lderes so donos da igreja. A igreja pertence a Jesus Cristo, a quem os leitores so responsveis. Ao dificultar o trabalho e a vida dos lderes, eles sero os 
perdedores. Os lderes podem testificar diante do Senhor que advertiram a pessoa desviada, que escolheu no abandonar o pecado. Essa pessoa morrer em seu pecado, 
mas os lderes esto livres da culpa (Ez 3.19). No final das contas, ento, o Senhor vinga e julga seu povo (Hb 10.30; Dt 32.35,36; Sl 135.14). De maneira pastoral 
e prudente, o escritor de Hebreus observa que um relatrio triste, ao invs de alegre, sobre a conduta espiritual dos leitores no ser vantajoso para nenhum deles.
Parte XXXXII
Evangelismo Ontem e Hoje 
 INTRODUO
Podemos aprender com a Histria da Igreja, ou ela nos serve apenas para mostrarmos conhecimento livresco e ostentao de datas e nomes antigos? Foi desta pergunta 
que surgiu o interesse em escrever sobre este assunto!  O evangelismo na Igreja Primitiva tem muito a nos ensinar hoje. Por que no observarmos o mover do passado 
tirando dele lies preciosas para o presente? A Igreja Primitiva tem muito a ver com o que pensamos sobre evangelismo na Igreja Contempornea! 

I. OS RUMOS DO EVANGELISMO NA IGREJA PRIMITIVA E NA IGREJA CONTEMPORNEA

Apesar de muitos pensamentos ao contrrio, aquele foi o melhor momento de Jesus vir ao Mundo. Mas, Roma no era a potncia mundial? Csar no era o "senhor" da poca? 
No havia pobreza e opresso por causa do Imprio ditador vigente? A resposta  sim,  deve ser sim! Roma construa grandes estradas para cidades circunvizinhas, 
onde o comrcio se propagava com facilidade. Todo o comrcio era obrigado a caminhar pelas estradas de Roma. Foi a poca da frase: "Todos os caminhos levam  Roma". 
Onde um Imprio destes beneficia o Evangelho? A resposta  simples! Os evangelistas utilizavam-se das mesmas estradas usadas pelos comerciantes para disseminar a 
Palavra de Deus. A diferena estava nos propsitos de cada um, isto , o comerciante ia pelo dinheiro, j os evangelistas iam por Cristo. Um outro benefcio disto, 
era que, para se viajar, no necessitava-se de passaporte! Sabe-se at de um certo homem que viajou para Roma 72 vezes, sem precisar de "burocracia" nenhuma.

O judasmo foi, ao contrrio do que alguns pensam, uma fasca que ajudou na grande fogueira do cristianismo. Principalmente porque os judeus tinham grandes privilgios 
para com os romanos, pois ficaram ao lado de Csar na guerra e, eram fiis  preferncia deste Imperador, at os tempos da Igreja Primitiva. Os romanos, inclusive, 
passaram at a admirar os costumes e religio dos judeus. E isto foi causa at mesmo de grandes proselitismos e ajudas vindas deles (Lc. 7:5). 

No Primeiro Sculo a.C., os filsofos comearam a disseminar o politesmo (embora crescem eles em algum tipo de monotesmo). Porm, os judeus, que so monotestas, 
continuaram com sua crena e, por sua vez, conseguiram dissemin-la tambm. Assim, na poca da Igreja Primitiva, haviam religies fundamentadas nos dois princpios 
- monotesta e politesta.

Muitos romanos da poca no aceitavam o judasmo como religio por causa de seus rituais, principalmente o da circunciso, que achavam ser um ato de selvageria. 
Mas, quando a circunciso foi substituda pelo batismo nas guas, na Graa, muitos comearam a aceitar a religio crist. Num perodo onde as religies de "mistrio", 
onde as pessoas tinham que ser "iniciadas", isto , passar por processos de "batismos" de aceitao e "pactos" de sangue, onde haviam morte ou dor, de uma vtima 
ou do prprio iniciado, o Evangelho veio como um refrigrio, pois exigia-se do convertido, renncia do "eu" (Mt. 16:24) atravs do sacrifcio j feito na cruz do 
Calvrio, por Cristo Jesus, no necessitando o ser humano fazer mais sacrifcio ou penitncia alguma! Isto era algo muito chamativo para as pessoas da poca, que 
apenas conheciam deuses carrascos e extremamente exigentes! Sabe-se de uma religio daqueles tempos, por exemplo, que a pessoa, para ser iniciada nela, devia deitar-se 
no cho, de barriga para cima, e um animal era sacrificado sobre sua barriga, para que seus pecados fossem perdoados! Os romanos se assustavam com a religio judaica 
porque acabavam generalizando, achando que os sacrifcios deles tambm eram assim. As religies serviam para saciar o desejo de segurana espiritual dos homens, 
principalmente a segurana aps a morte. Mas, muitas delas, ofereciam medo para adentrar-se nelas e ainda, aps serem iniciados, os homens ainda ficavam na incerteza, 
com tantas exigncias rituais enquanto participavam das tais. Na verdade, quando as pessoas adentravam as religies da poca da Igreja Primitiva, seus pontos de 
interrogaes e incertezas no diminuam, ao contrrio disto, geravam mais dvidas e indagaes como: "estaramos conforme as exigncias rituais religiosas prescritas 
na lei por ns seguidas?"; "estariam nossas atitudes agradando as exigncias de tais leis?"; "como consegue-se alcanar exigncias to transcendentes sendo o homem 
to falho?" O Evangelho, com seu sacrifcio perfeito - Jesus Cristo - conseguiu suprir todas as necessidades e incertezas humanas, para aqueles que crem (Hb. 8 
- 10).

Percebe-se tambm a facilidade de se espalhar os ensinamentos de Cristo, pelo fato de a lngua grega ser uma lngua quase que Mundial naquela poca. Por causa da 
helenizao, a maioria das pessoas entendiam o grego, assim, podia-se pregar o Evangelho em grego e ser entendido em quase todos os lugares civilizados daquele perodo. 

Desta forma, assim como Roma foi o bero de muitos filsofos ateus, contribuiu de igual modo com a pregao do Evangelho. V-se isto at mesmo atravs da tolerncia 
e conservao dos judeus neste Imprio. Os judeus nunca foram proibidos de terem sua religio por nenhum imperador romano.  certo que houveram tempos onde os cristos 
foram fortemente perseguidos por alguns lderes romanos, mas isto, no fundo, contribuiu muito mais do que atrapalhou, pois com a perseguio assirrada, houve uma 
disseminao maior dos cristos pelo mundo, pois quando havia afronta em uma regio, os cristos acabavam se espalhando por outros lugares, levando consigo o Evangelho 
da Graa. 

Enfim, na igreja contempornea no temos de igual modo uma lngua quase que mundial como nos tempos romanos? Sim! O ingls, que  uma lngua muito conhecida por 
onde passamos (quase todo o mundo tem o ingls como lngua comercial). Ou ainda o espanhol (est em 84 pases, tambm como lngua comercial). E isto, sem contar 
com os meios de comunicao de que dispomos na atualidade, como a Internet. Se temos, atualmente, tanta chance quanto a Igreja Primitiva teve de pregar o Evangelho 
a toda a criatura, se o evangelismo "Ontem" e "Hoje" seguem rumos bem semelhante, o que estamos esperando?

II. O EVANGELISMO COM SUAS DIFICULDADES PRIMITIVAS E ATUAIS

Apesar de tantos benefcios, mostrados no captulo anterior, haviam tambm as dificuldades para se pregar o Evangelho na poca da Igreja Primitiva! Muitas vezes, 
achamos que s na atualidade existem as dificuldades! Achamos isto, tambm, porque pensamos que se antigamente no havia tanta tecnologia, ento, talvez seria mais 
fcil as pessoas crerem em um mundo espiritual. Porm, esquecemo-nos que nos tempos da Igreja Primitiva, a idolatria era predominante, e havia se tornado parte da 
cultura religiosa do povo e que os nicos que tinham liberdade religiosa eram os judeus, e ainda eram discriminados por isto! Ns, diferentemente deles, temos liberdade 
religiosa apoiada pela nossa Constituio! As pessoas de hoje que no crem em Cristo, o fazem por liberdade, pior foi o tempo onde no criam porque isto resultaria 
em discriminao e, em algumas localidades, perseguio, sofrimento e at mesmo morte!
Os judeus acreditavam em um tipo de monotesmo absolutizado em uma s pessoa da Trindade. Neste tipo de monotesmo, Jeov era visto como o Deus solitrio, sem ningum 
que se equiparasse a Ele, nem que o Ser equiparado a Ele, fosse de Sua mesma natureza. Para expor tal fato, necessita-se de argumentos bblicos bem apurados e, muitos 
dos que seguiam a religio judaica, eram bem instrudos, em contrapartida, os cristos eram bem pouco estudados! Por este motivo, muitos dos principais e fariseus 
no criam no Evangelho. Isso no ocorre, s vezes, tambm em nossa poca?  claro que sim! Porm, a culpa agora  nossa, pois temos condies de estudar para atingirmos 
tanto a doutos quanto a indoutos em nossas pregaes e, por motivos variados, no estudamos, no pesquisamos, no crescemos "na Graa e no conhecimento" junto (2 
Pe 3.18), e acabamos, em muitos lugares, s alcanando os indoutos!  claro que para a pregao do Evangelho, o primordial so os valores espirituais, mas, os materiais 
tambm contam. No faamos da nossa "preguia" ou "falta de vontade" um estorvo  pregao das Boas Novas do Reino de Deus! Nenhum dos discpulos de Cristo saram 
a pregar o Evangelho sem antes serem preparados para tal. Perceba-se que deixaram de ser chamados de "discpulos" (literalmente "alunos" ou "aprendizes") e s foram 
chamados de "apstolos" (que significa "enviados") depois do perodo de aprendizado com Jesus Cristo! Chega de desculpas irmos! Vamos nos preparar, os "campos brancos 
esto para a ceifa" (Jo 4.35).

Outra dificuldade de se pregar o Evangelho naquela poca, era pelo fato de que os judeus sabiam que "o Cristo" havia morrido numa cruz. A cruz, segundo o livro de 
Deuteronmio 21:22,23, era o lugar onde morriam os malditos e, para os judeus, o Cristo nunca teria de passar por esta humilhao, alis, para eles, o Cristo no 
passaria por humilhao nenhuma! Esqueceram-se de ver em Isaas 53, que o Messias seria tambm o Servo Sofredor que levaria sobre Si a nossa "maldio" atravs de 
Sua expiao. Eles achavam, ao contrrio do que o prprio Jesus ensinou, que Ele teria grandes poderes polticos, e nada disto aconteceu, pois O Messias, na verdade, 
no seria o "rei do pecado". O Imprio que realmente subjugava a humanidade, no era o de Csar, mas sim o Imprio da Morte. Como o Imprio da Morte estava em outra 
dimenso, no mundo espiritual, e isto acabava prejudicando a esfera do material, Cristo aniquilou o mal pela raiz, pela causa, no mundo espiritual, isto , o Reino 
dele no foi deste mundo porque Sua luta foi contra um reino que tambm no era daqui (Jo. 18:36; Hb. 2:14). 

A perseguio ao cristianismo comeou porque no eram os cristos como os religiosos judeus antigos. A nica religio que poderia existir, para os romanos, alm 
da religio romana, era a dos judeus, o que diferenciasse destas duas, tinha de ser examinada. Com isto, comearam a perseguir os cristos, e a expuls-los, e quem 
tambm sofreu com isto, foram os judeus, pois os romanos achavam que se o cristianismo havia surgido do judasmo, estes tambm no poderiam permanecer mais, porque 
haveria o risco dos judeus, como os cristos, aderirem a muitas outras crenas paralelas e exclurem as j existentes no Imprio Romano. O cristianismo primitivo, 
ao que parece, era mais excludente que o judasmo do perodo, pois, os judeus viviam entre os pagos romanos e at mesmo se adaptavam ao governo de Csar sem muito 
problema, porm, o cristianismo no aceitava os dias de festas pags, por isso no os comemorava e nem ia  praa pblica comemor-las e, ao contrrio do judasmo, 
que esperava-se a pessoa vir por si mesma e tornar-se um proslito, o cristianismo por sua vez, ia at as pessoas proclamando as Boas Novas e convidando-as a renunciarem 
todas as prticas antigas, principalmente as prticas religiosas romanas. Perceba-se que os pregadores primitivos "ia" s pessoas, no as esperava "vir" at elas. 
Isto  para que percebamos como o Evangelho tambm encontrou dificuldades contra o paganismo greco-romano, no to diferente como hoje!

O culto greco-romano era realizado apenas por uma questo de cultura. Ningum queria saber se realmente haviam ou no os deuses aos quais adoravam e serviam, simplesmente 
cultuavam sem inquirirem nada  respeito do que criam. Os seus cultos eram apenas um ritual passado de gerao-a-gerao, e seguiam apenas para no perderem as tradies. 
Era o famoso: "Nasci nesta religio e vou morrer nela!" Seguiam os ritos, ento, apenas por uma questo de tradicionalismo, mas no porque era a verdade. Isto tudo 
era bem diferente do Evangelho, com seus cultos calorosos e avivados. Cultos esses aos quais no prostravam-se diante de imagens ou objetos considerados sagrados, 
mas sim, uma crena no Deus que havia morrido e ressuscitado, e que estava ainda no meio deles por intermdio do Esprito Santo. 
No seriam estas as dificuldades bsicas de hoje tambm? No temos atualmente religies bem semelhantes s judaicas e s romanas do perodo da Igreja Primitiva? 
No pregaram eles o Evangelho, apesar de tudo isto, a toda a criatura? Se o evangelismo "Ontem" e "Hoje" encontra as mesmas dificuldades, e mesmo assim eles conseguiram, 
o que estamos esperando? 

III. A IGREJA PRIMITIVA E A DE HOJE NA EVANGELIZAO DOS JUDEUS

Se pregar o Evangelho aos desconhecedores de Deus j  difcil, imagine s pregar o Evangelho queles que se julgam conhecedores plenos de Deus?! Isto ocorreu com 
os primeiros cristos em Roma. L, haviam muitos judeus que ainda seguiam sua religio  risca, porm, poucos que realmente buscavam a Deus! Aconteceu que, os que 
simplesmente seguiam a religio por motivo semelhante aos romanos, apenas por tradio, no aceitavam de maneira nenhuma a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas, 
pois eram fanticos materialistas. Porm, os que realmente buscavam a Deus, conseguiam enxergar a verdade sobre Jesus e a Sua Salvao proporcionada na cruz. Quantas 
pessoas hoje, que voc conhece, seguem sua religio porque aderiram cegamente a ela? Quantas que no querem ser alertadas, pois acham que aceitar a Jesus  trocar 
de "religio"? O pior cego no  aquele que no quer ver? Esta era a situao dos judeus, como tambm hoje ainda o . 

Os judeus materialistas esperavam - como ainda hoje - o Messias poltico, que dominaria todo setor econmico, administrativo, legislativo e territorial do mundo 
todo e cederia tudo a Israel. Um pensamento bem semelhante ao de Hitler quando na poca do "Holocausto"! O exclusivismo absoluto foi e  o grande problema do judeu. 

Esqueceram-se eles de seus prprios pecados e da necessidade primordial do perdo de Deus para que o "Reino dos Cus" fosse manifesto em sua vida espiritual. Queriam 
eles resolver um problema terreno e material olvidando o espiritual (Mt. 6:33).

Os cristos sempre usavam como fato e como prova de que Jesus era o Messias, as promessas feitas por Deus aos profetas no Antigo Testamento. Fatos estes, que nunca 
ningum conseguiu refutar. Os judeus-cristos mostravam que todas as promessas cumpriram-se em Jesus, e com isto, conseguiram ganhar muitos  Salvao. Porm, tambm 
perderam muitos, como j exposto anteriormente, pelo fato de os judeus no aceitarem a idia de que Jesus era o Messias tendo morrido numa cruz. No entendiam que 
Jesus no era maldito, mas sim, que tornou-se maldio por ns (II Co. 5:21). Jesus ressuscitou ao terceiro dia, no como maldito, mas como o Vitorioso, pois no 
recebeu o salrio do pecado, que  a morte, mas garantiu-nos o Dom gratuito de Deus, a Vida Eterna, vencendo as nsias da morte (Rm. 6:23).

Os judeus tentavam argumentar o fato de no ser Jesus o Messias, por intermdio de muitas afirmaes que diziam no ter respostas, porm, quando chegavam  ressurreio 
de Cristo, no havia como negar, Ele realmente ressuscitara, andou entre seus discpulos por espao de quarenta dias (At. 1:3) e apareceu a mais de quinhentos irmos 
(I Co. 15:3-8). No somente isto levava os judeus da poca a se calarem diante da Verdade, como tambm, toda a vida de Jesus, onde no houve sequer uma profecia 
que no foi cumprida Nele, e onde no houve pecado algum (Mt. 26:56: Jo. 8:46).

Os judeus reclamavam tambm o fato de os cristos usarem os mesmos livros do judasmo (a Lei e os Profetas). Diziam que haviam sido roubados, porm, os cristos 
diziam que os judeus no davam o valor correto  Palavra de Deus, e provaram isto com passagens como "o bezerro de ouro", "as murmuraes no deserto", etc. A Palavra 
de Deus no  de cunho exclusivo e particular, mas, para todos os que crerem (Rm. 1:16,17).

Muitos, no decorrer da histria, disseram que apesar desta briga judaica contra o cristianismo, na verdade, so ambas as religies a mesma coisa. Disseram at mesmo 
que Jesus foi uma tolice judaica seguida por pessoas sem escrpulo e que no raciocinam. Porm, tolices no permanecem por tanto tempo sem serem desmentidas, e Jesus 
permaneceu, firmando ainda a Sua Igreja para continuar disseminando a Verdade atravs da pregao do Evangelho a todos os povos (Mt. 28:18-20).

Se as dificuldades na evangelizao dos judeus e das pessoas semelhantes a eles foram superadas pela igreja de "Ontem", podem, de igual modo, ser superadas na igreja 
de "Hoje". O que estamos esperando?
IV. A IGREJA PRIMITIVA E A ATUAL NA EVANGELIZAO DE TODOS OS POVOS EM TODAS AS CULTURAS E RAAS

O Evangelho tem uma mensagem que alcana todo tipo de corao. E isto foi mostrado desde os tempos de Jesus at aos nossos dias. Percebemos na Histria da Igreja 
Primitiva que o Evangelho foi bem recebido pelos gentios, pois estes eram comumente considerados como sem valor pelos judeus tradicionais da poca. Os gentios eram 
tratados como servos, eram humilhados e sofriam para que outros se alegrassem.  a onde o Evangelho foi de encontro s necessidades deles! Imaginem s um Deus que 
j havia passado pela situao de servo, sendo humilhado, que sofreu para a alegria de muitos, enfim, que conhecia de perto o que eles passavam?! Este era o Deus 
que precisavam! 

Antioquia foi o incio de tudo. Ali aconteceu a primeira fasca que acendeu a grande fogueira da evangelizao mundial. Parece que a grande dificuldade encontrada 
por eles, foi apenas a traduo do Evangelho para as lnguas dos povos evangelizados. No a traduo somente das palavras mas principalmente a traduo das idias. 
Existiam palavras escritas nos originais, ou em suas cpias, que no eram muito convenientes entre os gentios, pois traziam sentido estranho quando traduzidas literalmente. 
Mas, graas a Deus, muitos eruditos da poca, como tambm os contemporneos, passaram a traduzir as Escrituras de forma mais emptica. Isto gerou uma boa recepo 
do Evangelho entre os intelectuais e os escravos.

Um outro motivo pelo qual o Evangelho era bem aceito, foi o medo dos demnios que os gentios tinham, principalmente os que seguiam religies animistas. Percebendo 
que pelo nome de Jesus os demnios eram expulsos, e no atravs de sacrifcios aos espritos, encontraram segurana na mensagem crist, facilitando a aceitao de 
Jesus Cristo como nico e suficiente Salvador. Para que outros deuses ou intermedirios, pensavam, se Jesus era Todo-Poderoso e Auto-Suficiente contra os ataques 
dos maus espritos?
Os primeiros cristos, ao que percebe-se, lutavam principalmente contra a idolatria. Tudo o que tivesse apenas aparncia de idolatria era de imediato abandonado 
por eles. Um exemplo claro quanto a isso foi a perseguio de Nero aos cristos que no declaravam que o Imperador era "Senhor" (Kyrios no grego). Os primeiros cristos 
consideravam que se chamassem Csar de "Senhor" estariam tirando o senhorio absoluto de Jesus Cristo! Isto lhes seria abominvel!  claro que historicamente falando, 
Csar no exigia apenas a proclamao dele como "Senhor", mas, como mostra-nos historiadores como Eusbio de Cesaria, exigia at mesmo sacrifcios e cultos a ele 
mesmo. Estes primeiros cristos sabiam que toda e qualquer semelhana com o mal prejudicaria suas vidas, concernente  salvao, como tambm a proclamao do Evangelho. 
O que estamos esperando para sermos diferentes tambm em nossa poca? 

O cristianismo sempre foi ousado! Sempre se arriscou! E isto fez com que o Reino dos Cus lucrasse. Os cristos primitivos se arriscavam bastante, mesmo que olhando 
para as lutas impostas pelo mundo. Com tudo isto, Jesus foi anunciado at os confins da terra, pois a Palavra de Deus nunca volta vazia. As tribulaes que pareciam 
servir de derrota para a mensagem crist, foram na verdade usadas por Deus como meio para chamar a ateno de todos os povos ao Evangelho. Os mrtires cristos, 
que talvez at pensavam alguns que tornariam-se em escndalo para as pessoas da poca, exterminando at mesmo o desejo de servir a Cristo dos que assistiam seus 
martrios, acabaram por incentivar muitos que iam nas arenas para ver sangue e sofrimento por diverso, a tambm aceitarem o Grande e nico Deus - Jesus Cristo - 
por Quem esses homens e mulheres corajosos morriam! Ningum morreria por uma farsa, por um deus que no fosse menos do que o nico e Verdadeiro! Isto no aconteceu 
com os japoneses Kamikazes e nem ocorre com os muulmanos, pois os que morriam por Cristo sabiam que no eram eles mesmos quem impetravam sobre si a morte, mas que 
eram levados ao matadouro para serem oferecidos como oferta com cheiro suave ao Deus que tudo aquilo permitia por causa de seu Plano Eterno da Salvao. No morriam 
para serem salvos, porque j eram salvos em Cristo Jesus! No morriam para salvar, pois sabiam que eles mesmos necessitaram da salvao outorgada por Cristo no Calvrio.

V. A CONVERSO NA IGREJA PRIMITIVA E NA ATUAL

A converso foi uma questo difcil de conscientizao para os primeiros sculos da Era Crist. Foi um assunto que levou muitos pensadores a quebrarem a cabea sobre 
a natureza dessa exigncia. Tudo ficava mais difcil ainda de se compreender quando falava-se em batismo nas guas! Alguns pensavam que este ato de batismo era como 
as iniciaes feitas nas religies de mistrio da poca. Haviam tambm os que achavam que o batismo tinha um certo poder mgico que capacitava as pessoas a alcanarem 
a salvao. Em nossa poca, no muito diferente dos primeiros sculos do cristianismo, tambm devemos trabalhar a compreenso das pessoas quanto ao valor do batismo 
nas guas. Saber explicar que tal ato no salva, mas sim, que  para os salvos  de fundamental importncia s nossas igrejas.
A pregao dos nossos primeiros evangelistas no era extremista quanto a questes de costumes, no visavam ganhar o povo pela emoo, fazendo com que dessem passos 
no escuro, fazendo uso abusivo da palavra "mistrio", sem a real compreenso e conscientizao da Verdade. Os filsofos ensinavam que as pessoas no podiam dar "passos 
no escuro", referindo-se s religies que pregavam uma f cega, onde as pessoas seguiam suas crendices sem ao menos terem explicaes um pouco mais concretas do 
"por qu" as seguiam! Diferentemente de tais religies cegas, Jesus no  s uma Luz, mas um Farol aceso nas densas trevas do pecado. Os primeiros evangelistas pregavam 
com a ajuda do Esprito Santo, que fazia com que as pessoas aplicassem e compreendessem o Evangelho em suas prprias vidas. A pregao do Evangelho era a luz num 
caminho de trevas, e no uma porta de mistrios s muitas dvidas! O Evangelho explica, e no complica a vida do ouvinte.

Hoje, infelizmente, alguns tm como viso primordial na pregao do Evangelho o emocionalismo. Muitas igrejas no so mais o veculo do Evangelho para a salvao 
das almas, mas sim, "o Clube do Bolinha", onde procuram somente evidncias pessoais visveis e materialistas da "presena" de Deus, e quem no consegue tais evidncias, 
por favor, se quiserem participar de outro grupo, quem sabe "o Clube da Luluzinha", faam o favor! Acreditem se quiser, existem igrejas onde a frase que mais se 
ouve do plpito : "Quem no quiser seguir a nossa cartilha, a porta da rua  a serventia da casa!" O interessante  que Jesus no ordenou  Sua Igreja seguir cartilhas 
de homens, mas Sua Santa Palavra - A Bblia Sagrada, como vemos em Marcos 7:

Ento os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: "Por que os seus discpulos no vivem de acordo com a tradio dos lderes religiosos...?" Ele respondeu: 
"Bem profetizou Isaas acerca de vocs, hipcritas; como est escrito: 'Este povo me honra com os lbios, mas o seu corao est longe de mim. Em vo me adoram; 
seus ensinamentos no passam de regras ensinadas por homens'. Vocs negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam s tradies dos homens". E disse-lhes: "Vocs 
esto sempre encontrando uma boa maneira de pr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecerem s suas tradies!... Assim vocs anulam a palavra de Deus, por 
meio da tradio que vocs mesmos transmitiram. E Fazem muitas coisas como essa". (Mc 7.5-9,13)

A converso  uma mudana total de vida.  nascer de novo. O batismo no  objeto salvador, mas selo de autenticao da Salvao, pois, tomando o lugar da circunciso 
outorgada por Deus a Abrao, ao qual sabemos que no foi justificado por esse ato cerimonial e figurativo, mas pela f, do mesmo modo, o batismo  para quem j  
salvo, para quem j foi justificado por Cristo Jesus. 
Muitos pensadores da poca da Igreja Primitiva se converteram a Jesus Cristo. Tais converses no se baseavam no emocionalismo, como tambm no tinha uma viso materialista. 
Quando tais pessoas se convertiam, era porque compreenderam e assimilaram Jesus Cristo como o nico e Suficiente Salvador. O que salva no so os rituais, as iniciaes, 
o Rock in Roll Gospel, o barulho pentecostal, as profecias, etc., mas o que leva as pessoas  Salvao,  a pregao genuna da Palavra de Deus, pois "...a f vem 
por se ouvir a mensagem, e a mensagem  ouvida mediante a palavra de Cristo." (Rm 10.17). 

O autor Jorge A. Leon, em seu livro "La Comunicacin Del Evangelio en el Mundo Actual", afirma que: "1 A evangelizao deve ser tensora - o ponto em que a pessoa 
se decide por Cristo; 2 Deve haver constante evangelizao, tanto para os que no conhecem a Cristo, como queles que j conhecem, devido exatamente s converses 
erradas."
VI. O ENTUSIASMO DOS EVANGELISTAS DE ONTEM E DOS DE HOJE
Os evangelistas da Igreja Primitiva usavam um meio muito eficaz na proclamao do Evangelho: seus prprios testemunhos de vida. Eles no somente pregavam o Evangelho 
- eles eram o Evangelho. Eles no somente pregavam a mensagem da cruz - eles tomavam cada um a sua cruz. No somente pregavam a Jesus Cristo - eram verdadeiros imitadores 
de Cristo. 

A pregao do Evangelho no estava limitada apenas aos homens. As Sagradas Escrituras mostra-nos que mulheres valorosas tambm tomaram parte nessa misso mundial 
ordenada por Cristo. Os evangelistas do primeiro sculo pregavam o Evangelho com toda a ousadia, mesmo que para tal fosse preciso perder a prpria vida! A vida dos 
evangelistas era um grande exemplo de f, coragem e desprendimento material. Sua devoo fazia com que outros se contagiassem e acabassem tambm se convencendo de 
que Cristo  real e verdadeiramente ressuscitou! 

Havia entre eles uma comunho muito grande. Ningum naquela poca passava necessidades enquanto outros tinham de sobra, pois todas as coisas eram comuns entre eles. 
Quem tinha muito, no suportava ver o sofrimento do que nada tinha! Como j ouviu-se em um hino cristo, ramos conhecidos pelo amor. Muitos at diziam: "Vejam como 
se amam!", mas infelizmente hoje, somos conhecidos de forma diferente. Atualmente ouvimos pessoas dizendo: "Vejam com se separam!" 

O carter dos cristos daquela poca era totalmente modificado. Enquanto isso, muitos evangelistas de hoje no ensinam que o "barro" deve ser moldado pelo "Oleiro". 
Muitas vezes tentamos encaixar a Palavra de Deus em nossas maneiras mesquinhas e exclusivistas de viver, e ainda chamamos a isso de liberdade crist! Porm, no 
somos livres para fazer o que quisermos da maneira que queremos, como se houvesse um tipo de tica crist individualista. Somos livres para servirmos a Deus atravs 
da "tica Absoluta Univrsica" por meio de Sua Palavra. Alm de tudo, os primeiros cristos eram felizes, mesmo numa arena cheia de lees famintos querendo devor-los, 
envoltos em faixas embebidas em azeite ou piche amarrados a um poste pegando fogo, ou em qualquer outro lugar de martrio. Eles sentiam-se lisonjeados quando surrados 
por causa da f crist. A alegria deles, mesmo diante de tais circunstncias, fazia com que muitos espectadores se convertessem ao Evangelho. 

Os evangelistas eram pessoas perseverantes. No se deixavam vencer facilmente. No ouvia-se de suas bocas nenhum tipo de murmrio ou reclamao por estarem sofrendo. 
Diferente de alguns contemporneos a ns, participantes da "gerao microondas", onde tudo  imediato, da "gerao procon", onde Deus  a loja e ns os consumidores 
insatisfeitos. Muitas teologias baratas nos so ensinadas por alguns televangelistas, tentando nos mostrar que cristianismo  somente riquezas e alegrias externas. 
Acham que Deus est somente nos prazeres da vida. Enquanto os evangelistas da Igreja Primitiva mostravam que somos peregrinos na terra, e que as demais coisas nos 
seriam acrescentadas conforme a necessidade real e a vontade de Deus, muitos evangelistas atuais tentam nos convencer de que esta terra  um lugar definitivo e que 
nossa maior alegria est em tirarmos o maior proveito daqui. 

Preguemos com a convico e com o entusiasmo que pregaram os evangelistas da Igreja Primitiva. No estamos aqui ensinando "primitivismo", mas relembrando o que fez 
a Igreja Primitiva de positivo. Se a Histria da Igreja no nos servir de apoio para a conscientizao, ento nunca passar de uma matria tcnica onde guardamos 
apenas nomes e datas. No faamos da vida crist uma monotonia, atravs de nossas tradies dogmatizadas. Nosso Deus no depende do tempo, mas tambm no significa 
que Ele seja um Ser "anacrnico". Quando aquelas mulheres foram ao sepulcro de Jesus, viram que Ele no estava l, isto , Ele est vivo, no  Deus de mortos!

O Evangelho deve ser para ns o que foi para os primeiros evangelistas: a razo da estada da Igreja aqui na terra, a razo de sermos luz, sal e imitadores de Cristo. 
O Evangelho deve ser uma chama ardendo em nossos coraes, e o amor s almas a lenha que ajuda esse fogo a queimar!

VII. MODOS DE PREGAO DA IGREJA PRIMITIVA E CONTEMPORNEA

Os evangelistas da Igreja Primitiva no faziam grandes congressos evangelsticos com temas pr-determinados. No que isto seja errado. Apenas lembramos que muitos 
evangelistas contemporneos ocupam-se de tais coisas como se o foco principal dos grandes congressos fosse a satisfao pessoal do pregador e a dos crentes que l 
esto. Parece que alguns congressos evangelsticos contemporneos so mais congressos "evangelsticos", onde o intuito  juntar a maior quantidade de pessoas que 
puderem, e o pior, s vai crente, e no almas perdidas para serem ganhas pela pregao do Evangelho.

Os primeiros evangelistas da Histria da Igreja, evangelizavam atravs de mtodos dados por Deus. Um desses mtodos era a evangelizao ao ar livre. Mtodo este 
bem improvisado. Este tipo de evangelizao era feito em locais onde no eram de uso exclusivo para pregadores, mas sim, locais improvisados na hora, por uma mente 
frtil e preocupada no com a aparncia, mas com as almas. No faziam isto apenas como tarefa, como algumas igrejas contemporneas que marcam seus cultos ao ar livre 
apenas para depois ficarem se gabando de que fazem isto enquanto outras no. Escolhiam lugares no evangelizados e levavam a Igreja ao povo, mas j que seria mais 
difcil o povo ir  Igreja. O evangelismo ao ar livre pode ser improvisado na polpa de um barco, em uma montanha, em uma carruagem, na carteira de uma escola, na 
mesa de uma casa, na poltrona de um nibus, etc.

Em muitas de suas pregaes, davam lugar tambm  profecia, mas, mas percebe-se que essas eram totalmente baseadas nas Escrituras Sagradas (Is 8.20). Quando algum 
era usado no dom de profecia, no se via Deus prometendo carro, casa, boa situao financeira, marido, dor de cabea, etc. A profecia tinha em sua essncia a vontade 
salvadora de Deus na vida do ser humano. E isto, porque "quem profetiza o faz para edificao, encorajamento e consolao dos homens" (1 Co 14.3), e no para a 
mera satisfao material, passageira e individualista de cada um! 

Na verdade, a pregao teve um valor imensurvel na Igreja Primitiva. E para tal, o ensino foi um mtodo muito utilizado por eles pois, tinham em mente que o Evangelho 
deveria ser compreendido e no seguido cegamente como se fosse uma religio de mistrios s para "iniciados". Entristece perceber que hoje alguns preocupam-se s 
com barulho, esquecendo-se da eficcia regeneradora do Evangelho. A evangelizao pelo mtodo do ensino no produz pessoas que sempre necessitaro de algum para 
ser uma "muleta espiritual" para faz-las caminhar. O ensino produz na vida do ser humano a f e o sustento necessrio para que nos tornemos discpulos e discipuladores. 
O ensino evangelstico mostra o que Deus quer de cada um e o que quer da sociedade evanglica: um corpo bem ajustado, pela ligao de cada uma das partes.

O testemunho da Obra Salvadora de Cristo feita em suas vidas tambm era um meio de evangelizao. Era o mtodo evangelstico que mostrava a prova de que o que pregavam 
realmente era verdade. Os lares eram pontos estratgicos do evangelismo. Quando se ganhava uma alma em um lar, principalmente quando se tratava do cabea da famlia, 
este poderia evangelizar o restante da casa, atravs de seu testemunho pessoal. Contudo, quando era a esposa quem aceitava a Cristo, e no o marido, normalmente 
passava por grandes lutas quando este no simpatizava com o Evangelho. Mas isto no era um fator impedidor para essas mulheres valorosas, porque lembravam-se das 
palavras de Cristo dizendo-lhes a que amassem mais a Ele do que a famlia. 
O evangelismo pessoal teve destaque nos primrdios da Igreja. Os amigos e os familiares eram os ouvintes. Esses evangelistas no se preocupavam somente com a quantidade, 
pois uma nica alma tinha um valor extraordinrio. Felipe e o Eunuco de Candace foram um exemplo disto. Hoje, porm, o que importa a alguns  o "movimento" e no 
o "avivamento". E avivamento, em seu sentido real, parece ser "gerao de novas vidas na igreja" e no "barulho" de velhos crentes da igreja.

Enfim, o ltimo mtodo utilizado que descreveremos aqui, apesar de muitos outros utilizados pela Igreja Primitiva, foi o da evangelizao literria. Um tipo de evangelizao 
diferente da oral, no sentido que no mudava-se o teor da mensagem quando era passada de pessoa a pessoa, pois o que est escrito no se muda. A escrita foi um mtodo 
que muito ajudou, e ainda ajuda, a examinar-se com detalhes o quer-se dizer com a mensagem. E isto de uma maneira bem mais hermenutica, pois temos o texto ali diante 
de ns para inquirirmos sobre ele. Os crentes de Beria por exemplo foram evangelizados por tal mtodo, ao que parece! Porque no conhecermos mais a Bblia para 
podermos fazer como o apstolo Paulo diante do povo bereano? Qual o valor dado ao estudo minucioso da Palavra de Deus em cursos e seminrios pelos nossos atuais 
evangelistas? Esperamos que a resposta seja positiva!

VIII. A MOTIVAO PARA SE PREGAR O EVANGELHO ENTRE OS PRIMEIROS EVANGELISTAS ERAM AS MESMAS DOS DE HOJE?

Todas as pessoas tm motivaes para fazerem algo! Ento, os primeiros evangelistas da Igreja tiveram suas motivaes para evangelizar o mundo de sua poca. Quais 
eram tais motivos? Em primeiro lugar, eles eram motivados pelo sentimento de gratido. Eles sabiam que Deus havia provado Seu amor para com eles, que sendo ainda 
pecadores, enviou-lhes Seu nico Filho para morrer pela humanidade, incluindo eles! Assim, percebiam que a Graa de Deus era manifesta em suas vidas. Era favor imerecido! 
Com isto, em forma de agradecimento, levavam o Evangelho a toda criatura, at os confins da terra, nem que isto lhes custasse a vida! Eles tinham sentimento agradecido 
pela salvao at mesmo diante de uma perseguio ou agravos fsicos sofridos nesta vida. No murmuravam, no reclamavam a vida financeira, dos cultos que no estavam 
como eles queriam, a falta de um meio de transporte para lev-los aos locais de evangelismo, etc. Parece que mesmo diante de muitas dificuldades, se lhes perguntssemos 
como estavam passando, a resposta seria: "melhor do que mereo"! 
A segunda motivao era o sentimento de responsabilidade. Eles sabiam que eram os "atalaias" de Deus. A funo do atalaia era ficar de guarda no ponto mais alto 
dos muros do reino. Conforme o toque de sua trombeta o povo se comportava de maneira diferente. Por exemplo, se o atalaia percebia que um reino inimigo se aproximava, 
tocava a trombeta no ritmo de guerra para que o povo se preparasse para tal. Se fosse uma visita cordial de um reino amigo, o toque da trombeta seria em ritmo amistoso, 
e assim por diante. Os evangelistas dos primeiros sculos tinham semelhante responsabilidade concernente  pregao do Evangelho. Sabiam que se eles no dessem o 
"sonido da trombeta" ou se este fosse incerto, muitas pessoas seriam dizimadas ao inferno. Toquemos a trombeta em Sio!
A terceira motivao era o sentimento de preocupao, que  semelhante ao de responsabilidade. Eles preocupavam-se com o futuro das pessoas. No o futuro temporal, 
com o que se vestiriam ou o que comeriam. A preocupao primria deles era com a eternidade do ser humano. Por causa disto alguns at acham que os evangelistas da 
Igreja Primitiva tentavam ganhar as pessoas atravs do medo quanto a vida aps a morte, mas no era esta a causa do evangelismo deles - ganhar as pessoas - como 
se fosse um jogo de quem convence mais. No  uma questo de quem tem mais seguidores, de qual a maior religio do mundo, mas sim, uma questo de amor e compaixo 
pela vida do prximo.  uma preocupao que vem pelo fato de sabermos o que o futuro sem Cristo reserva para a humanidade descrente. Eles choravam com os que choram. 
No se conformavam em saber que seu Imperador, seu vizinho, seu irmo, seu pai ou me iriam para o inferno! Sabiam que isto era um fato, e no um "conto de fadas". 
Ser que muitos de ns, atualmente, no nos acomodamos a ponto de sermos passivos quanto a salvao do prximo? Moiss colocou sua vida em risco por causa de um 
povo pecador! No colocamos nem mesmo nosso tempo, nosso nome, nossa vida financeira, nosso cargo eclesial, etc. em risco por causa de uma alma. Ser que no seremos 
culpados de muito sangue? No estaria na hora de despertarmos do sono? No est na hora de pregarmos o Evangelho a todo o mundo? 
O mundo, s vezes, no est to longe de ns! Pode estar em nossa volta, isto , no servio, na escola, na rua, ou mesmo em nossa casa. Evangelizemos a tempo e fora 
de tempo. Mas, preguemos a Palavra de Deus, e no conceitos humanos, passageiros e exclusivistas. 

CONSIDERAES FINAIS

A histria deve servir-nos como alerta. O que aconteceu de ruim no passado deve valer-nos como disciplina para no mais errarmos como antes. O que aconteceu de bom 
deve servir-nos como auxlio para a compreenso de nossa tarefa e para que possamos continuar a desenvolvermo-nos na "economia divina". A Histria  linear, e no 
circular como pensa as religies orientais. Assim, devemos sempre nos perguntar: como posso melhorar na linha do tempo? Olhando a linha e aprendendo atravs dela 
parece ser um bom comeo! 

O evangelismo de "Ontem" pode auxiliar bastante no desenvolvimento e no aprimoramento do evangelismo de "Hoje". A nossa Histria no  uma Histria Sem Fim. Vivemos 
a Histria promulgada por Deus: a Histria com comeo, meio e fim. No sejamos meros espectadores da Histria da Humanidade. Deus nos conclama a participarmos dela 
com mais responsabilidade. Que o "Ontem" de desperte para "Hoje", pois devemos nos preocupar com o "Amanh"!

NOTA BIBLIOGRFICA

CESARIA, Eusbio de. Histria Eclesistica. So Paulo: Novo Sculo, 1999;
DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionrio da Bblia. 2 ed. So Paulo: Vida Nova, 1995;
GREEN, Michael. Evangelizao na Igreja Primitiva. 2 ed. So Paulo: Vida Nova, 1989;
LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. 1 ed. So Paulo: Exodus, 1997;
PENHA, Joo da. Perodos Filosficos. Srie Princpios. 3 ed. So Paulo: tica, 1994.
               

Estude com f depois de ter terminado os seus estudos, envie seu questionrio com as respostas devidas para o endereo de e-mail: teologiagratis@hotmail.com, se 
assim quiser, logo aps respondido e corrigido o questionrio, alcanando media acima de 7,5, solicite o seu Lindo DIPLOMA de Formatura e a sua Credencial de Seminarista 
formado, tambm poder solicitar estagio missionrio em uma de nossas igrejas no Brasil ou exterior traves da Federao Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil 
ou Fenipe, que depois do Estagio se assim o achar apto para o Ministrio poder solicitar a sua ordenao por uma de nossas organizaes filiadas no Brasil ou no 
exterior, assim voc poder tambm receber a sua Credencial de Ministro Aspirante ao Ministrio de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esta apostila tem 270 pagina 
boa sorte.

Sem nadas mais graa e Paz da Parte de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo bons estudos.

Reverendo Antony Steff Gilson de Oliveira 
Pastor da Igreja Presbiteriana Renovada de Nova Vida
Presidente da Federao Internacional das Igrejas e Pastores no Brasil ou Fenipe

 



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